sexta-feira, 21 de novembro de 2014

RAPIZIUS


TERRA DE ABERRAÇÕES
O debate que está sendo feito sobre segurança no país peca por ser um debate politizado, quando devia ser um debate técnico e baseado em evidências. A conversa decorre sob o já sabido - politicamente correcto -, tanto por parte da posição, como da oposição. Não se fala em crise de autoridade em várias esferas do poder (entenda-se poder como exercício e intervenção dos actores políticos e agentes institucionais), dizia, não se fala no sistema de corrupção que estimula a bandidagem do colarinho limpo, não se fala em acção repressiva com medo de ferir susceptibilidades, enfim, há falta de autenticidade na avaliação correcta dos factos, privilegiando-se, constatações e comparações desajustadas.
 Para mim, ter segurança é garantir por todos os meios que ninguém faça uso da sua liberdade, para castrar a liberdade do outro. Na construção do humanismo tem de haver vítimas, não importa a condição social de quem dela se afasta ou se desintegra por seja quais forem as razões. É o estado através das suas instituições e dirigentes responsabilizados a fazerem cumprir com rigor e justiça as normas que garantam aos cidadãos a sua livre circulação e ao gozo do seu direito à vida digna e em paz. Qualquer perturbação desses direitos devem merecer acção adequada DOS PODERES PÚBLICOS, doa a quem doer.
Tolera, tolera ta gera asnera.
 KB

RAPIZIUS


 
TERRA DE ABERRAÇÕES
Amiúde revivo a pena crítica e sincera do meu querido e saudoso poeta Mário Fonseca, vizinho com quem tinha largas horas de conversa, sendo todo ela recheada de pensares preocupados com o presente e o devir da sua terra. Certa vez o poeta atira-me com o seguinte. Meu caro, presta atenção a um artigo meu já no próximo jornal. E assim foi. Cocólandia era o nome próprio que ele concebeu para sustentar a sua publicação. Hoje, o que está na foto tirada por mim, lembrou-me o poeta e a sua voz crítica.
Sobre a calçada do passeio da avenida principal da Achada Santo António, que por sinal se chama Avenida da Liberdade e Democracia, que dá acesso a uma Agencia de Viagens, ferve o perfume fétido do esgoto que escorre pachorrento em riacho cara abaixo, regando ervas e plantinhas domésticas, deixando o cidadão com ar selvagem, andando no meio da rua, justo, porque, há um ano e tal que as autoridades (in)competentes neste exíguo afazer, insistem aformosear os bairros da capital com desagrados de varias ordens. 
Kb   

sábado, 25 de outubro de 2014

RAPIZIUS


Tera de Aberações
Aqui a aberração é de tal sorte que: um fulano deu um muro no murro por causa duma barrata. É aberante, não é?  
Bem vamos ao que proponho para hoje. Orçamento. Todo o mundo sabe o que é um orçamento. Um documento que sistematiza sonhos em números. Quem sonha fazer uma casa pensa logo no orçamento, com que dinheiro e onde ir busca-lo. Foi o que aprendi com o meu falecido pai. Fala-se muito do orçamento do Estado, desbocadamente, como se o dinheiro já está encaixado na tesouraria pública, e, agora, é só gastar em coisas. Falso, isso.
De um político ouvi dizer que o Orçamento do Estado para 2015 não traz esperança para os caboverdianos. Quando eu era deputado o Parlamento organizou uma formação em legística para os deputados. Em boa verdade os sabichões não marcaram presença. O orador era versado matéria de Orçamento e Lei do Orçamento. Era um expert português, Dr. Professor em direito, com elevado conhecimento e experiencia no assunto. Disse em determinado momento: “O Orçamento do Estado não é um instrumento para combater a pobreza. Em parte nenhuma do mundo. A pobreza combate-se com outros meios em outros orçamentos. Não com o OE. O OE é para fazer funcionar o estado para servir os cidadãos que são os pagadores dos impostos. O OE é para criar eficiência e transparência na gestão da coisa pública. Nenhuma lei deve ser feita e aprovada sem se conhecer os custos que ela impõe a sociedade”. Ponto final, para bom entendedor.
 
Enquanto deputado e membro da Comissão Especializada de Finanças e Orçamento, nunca as receitas do estado ultrapassaram os 43 milhões de escudos, ou seja, este montante é que faz funcionar o estado na sua plenitude, incluindo a custosa democrança instalada, que a Constituição nos impõe para agradar os Gês dos países que detêm o poder financeiro e dão-nos ajuda financeira sem a qual as aberrações eram maiores. Aqui na CVLandia! Onde ir buscar mais receitas? Onde tributar? Se os impostos são como o Diabo que todos temem e poucos pagam. Não nos iludamos. Cabo Verde não tem canela para aguentar tanto falatório oco de práticas, tanta invencionice democrática, tanta tolerância excessiva, tantos prometimentos, tantas exigências e calvo de honestidade intelectual.
O pior das aberações é que está na política vários Nhôs e Nhâs que andam a pilar ovos na cloaca do pássaro. Na terra de aberrações é normal.
KBarboza  

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

RAPIZIUS


RAPIZIUS
Já ouvi e encontrei a Osga Rosa no seu lugar de costume. Onde, não digo, para não haver sequestro. O meu dia começou bem, com a opereta matinal da Rosa Barbosa, sugestão da Profª. Gabriela Mariano.
Ora bem. Tenho estado a ler a opinião de políticos, 1/2 políticos, ¼ políticos, x/4 políticos sobre diversas matérias e sobre diversos aspectos que nos tocam, aqui na CV Lândia.
Para mim isto é assim:
Os políticos são como o Fogão Primo. Eleitos, são cozinha lavada, espalha fogo novo, bico novo, sola nova, petróleo coado, fogão limpo com solarina, desentupidor novo, ficando o fogão brilhante e cheio de esperança.
Depois, detesta-se o fogão e a cozinha e almeja-se tudo novo em folha.
Depois, fazem, fazem, fazem… e diz-se estar tudo na mesma.
Depois, falam, falam, falam … e olha-se para o lado oposto.
Depois, dizem pouco ou calam-se… e adormece-se como galinhas.
Tudo, porque aqui só se fala em desemprego e em dificuldades.
Tudo, porque aqui parece ser pátria do paternalismo.
Não se fala em trabalho e na valorização do trabalho. Contrariamente, na diáspora, trabalho é trabalho, intervalo é outra coisa.
Aqui a indiferença e a tolerância, por um lado, o paternalismo e o populismo, por outro lado, é doença colectiva que não deixa o indivíduo libertar-se por completo, descomplexar-se e encontrar-se consigo próprio, para se erigir como entidade pensante e autónoma e se auto transformar no tão falado cidadão laborioso. Ser arrojado é sentir-se autónomo. Fala-se muito em autonomia e empreendedorismo, o mesmo que auto empoderamento. Tretas. Ninguém é obrigado a dar trabalho a alguém. O trabalho procura-se e faz-se por conta própria. Enquanto o indivíduo se achar escravo do trabalho, enquanto não abraçar a profissão que escolheu e dominar o seu ofício, atola-se em lamúrias, ficando á espera do APOIO dos outros.
A minha OSGA é autónoma e só tem o meu respeito e carinho.
 

 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

RAPIZIUS


RAPIZIUS
Quando ouvi o barulho eram 03H16 da madrugada. Não chovia. Algo de vidro partiu-se. Acendi as luzes. Fui ver. Pistola pronto a disparar. Casa de banho, nada. Dois outros quartos de dormir, nada. Janelas da sala e da cozinha, nada. Parado diante do frigorífico, olhava á volta, a pensar estalo. Claro que senti vidro a estalar. Sono espantado, sentado na cadeirona, olhei o tecto, lá estava a minha Osga Rosa. Havia muito tempo não a via. Fiquei sem saber se era ela, irmã/ão ou filha/o. O certo é que estava rosadinha, gordinha, compridinha, destacada ao pé do cortinado creme rendado a tapar a janela. Apontei a pistola e falei para ela: - Ó! Coisa fofa! Não acredito que o barulho que ouvi foi arroto ou peido teu! Baixei a arma. De repente os olhos pararam na estante. Não estava lá a minha fotografia. Levantei-me. Pensei logo na história dos finados passeando pela casa dos poetas. Já os senti nos momentos de escrita a altas horas da noite. Um deles fez-se meu melhor amigo. Vejo-o sempre a andar de um lado para o outro, de camisa branca, calças cinza escura, sapato polimento, tipo professor na sala de aula, inquirindo o aluno. Sim, dizia, levantei-me, aproximei-me da estante, olhei na vertical até o chão, lá estava o quadro partido. Era isso. De fotografia na outra mão, olhei na direcção da Osga Rosa. Já não estava no sítio. Sabido do que tinha acontecido, falei para ela em voz alta. Quer dizer! Andaste á pesca e o abanão frenético da cauda fez-me tombar do sono e quase levavas um tiro. Doutra vez entraste no violão tirei-te de lá com muito cuidado para não te magoares. E hoje ia-te magoar no duro com uma bala. Mas pior seria não te acetar e o rodopio do projéctil em ricochete alojasse em mim, isto é, em lugar perigoso. O que farias? Eu morto e tu viva! Telefonavas? Osga Rosa! Osga Rosa!
KB

domingo, 21 de setembro de 2014

FLORIS D'IBYAGO


EQUINÓCIO

Entrei na porta grande deste sossego.
Bela é a viragem e lindo é o lugar.
Não tenho de olhar para baixo nem para o lado.
É para dentro.
Olhar o dentro volteando o eixo do tronco.
É para dentro.
Sempre para dentro o achar.
Nunca para cães ganindo a luz dos astros.
Não olhar o arrabalde.
Sempre dentro.
Onde não há amigo cão.
Tive um chamado Vírgula.
Amigo devoto do cheiro e dos trâmites da casa.
Sinto-me dentro.
Bem dentro.
Tudo é torneado como coração do violão.
Tudo é malva como aeração da água.
Quão bela recreação.

kb

 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

RAPIZIUS

AO 12 DE SETEMBRO DIA DA NACIONALIDADE NA GUINÉ E EM CABO VERDE.
 
Lendo a entrevista publicada no JSN ficou-me na cabeça, não confusão, não novidades, mas sim contemplação, consequência da decapagem feita ao processo histórico de libertação nacional da Guiné e Cabo Verde, centralizado na figura Amílcar Cabral, para, cito: “nos aproximarmos mais dele” e tê-lo na nossa boca mais vezes.  

 “”Amílcar Cabral foi o pai do partido único, ou melhor, foi o mentor político e ideológico da ditadura que tivemos em Cabo Verde depois da independência. Isto é já um dado adquirido e indiscutível”.

Por conseguinte, temos pela frente um ditador.

“É do pensamento político de Cabral que saíram as sementes que permitiram, a 5 de julho de 1975, substituir no nosso país a ditadura salazarista pela ditadura autóctone, isto é, dos filhos da terra.”

Por conseguinte, o cantado herói do povo gerou as “sementes” da ditadura autóctone que substituiu o colonialismo.

 “Melhor dizendo, dos manuais cabralistas emerge a arquitectura política que serviu de base para a implantação do autoritarismo caboverdiano. Cabral foi um teórico de partido único. Escamoteá-lo é um erro histórico colossal.” Por conseguinte a “arquitectura política” cabralista é igual àquela do salazarismo. Houve é substituição de uma coisa por outra.

“Desenhou um Cabo Verde dirigido por um único partido. Por isso, trazê-lo hoje descuidadamente a Cabo Verde, um país democrático, requer muitos cuidados e tamanha ponderação.”

Por conseguinte Cabral, herói do povo, devia ser banido juntamente com a bandeira que idealizou logo após o 13 de Janeiro.

Então resta-me perguntar:

Que Cabral trazer para mais perto de nós?

O pai da libertação de Cabo Verde ou o pai da ditadura em Cabo Verde?

Mas foram os esquerdistas radicais de ontem formados nas escolas da ditadura de partidos revolucionários da europa, militantes do MRPP e da IV Internacional, Trokskistas, Maoístas, Comunistas, arquitectos do movimento operário crioulo, mentores da reforma agrária, agentes do saneamento na função pública e dos informadores da PIDE/DGS, compositores de baladas revolucionárias assentes no poder revolucionário dos trabalhadores contra o imperialismo e o capitalismo, os da bandeira vermelha de foice e martelo, todos eles militantes ferrenhos do partido único e altos dirigentes da ditadura em cabo Verde.

São eles, os saídos pelas portas traseiras do templo do centralismo democrático, que, hoje, viraram anti tiranos de primeira linha e democratas do grande hino á liberdade, quando ontem eram do planeta vermelho e nunca do azul d e hoje. Interessante. Sempre é bem-aventurado os arrependidos. Pois, não surpreende a escola da democracia nacional revolucionária, derreter-se em DEMOCRACIA pluralista, hoje, vigorando, contrapondo a escola da ditadura do partido único forjado por Amílcar Cabral, seguido pelos seus companheiros.

Cada vez mais entendo que em Cabo Verde há um Portugal especial. Tipo região autónoma, também, especial, onde boa parte das suas gentes vive no continente e a maioria nas ilhas, e dentro desta maioria das ilhas uma larga franja tem dupla nacionalidade, portanto, dupla adequação e duplo convívio.

Ocorreu-me o poeta Gabriel Mariano na morna…… navio di pedra ta busca rumo sem pode atcahal na se lugar… povu sangrado tchora quetinho, tchora bu sina, tchora maguado.

K. Barboza

sábado, 6 de setembro de 2014

RAPIZIUS


Copo leti é antónimo de Dajn Branko Dja. Porquê?
Bem pouco tempo atrás, mais propriamente nos anos oitenta, uma pessoa de categoria social mais baixa que convivia com outra de estatuto mais elevado, empregado comercial classificado ou funcionário público oficial, sentia-se bem posicionada em resultado do tipo de relações que mantinha a esse nível que, pelo sim pelo não, ajudava na aquisição de bons hábitos, das boas maneiras, inclusivamente, despertar a consciência da necessidade de pretender objectos e utensílios domésticos de mais valor e de boa serventia.
A letra da coladeira gravada pelos Bulimundo Djan Branco Dja, ilustra bem o que pretendo dizer. Veja-se por exemplo: bu ta dan cama, bu dan fogon, bu ta da sofá sima quel ki Sr. Txôtxo ta traze di Lisboa, afirmando, Djan Branco Dja, deixando antever que havia uma espécie de ambição de a pessoa lutar para obter um bom grau na sociedade, sabendo os níveis de pobreza doméstica a que muitos e muitas, dolorosamente, se submetiam. Djan Branco Dja não era apenas o chamado Conto Nobu, mas sim uma aquisição ou seja a pessoa auto promovia-se, desejando ser bem conceituada na comunidade.
O inverso é Copo Leti. Ontem, uma moça do Cobom contou-me que ao vir de um visita de morto, uma amiga convidou-a para o jantar. Como tinha trocado mãozada com várias pessoas, achou por bem dizer á amiga que ia á casa lavar as mãos e voltava num instante, tendo a anfitriã replicado no imediato. Então não precisas vir. Estás armada em Copo Leti. Tudo dito.
KB  

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

RAPIZIUS


RAPIZIUS
Tomado no asemana online:

Para Filomena Gonçalves (deputada da oposição) a solução para este flagelo (criminalidade em Cabo Verde) passa pela criação de políticas sociais ( como se não existissem) “que não exclui ninguém, que valoriza o mérito e que estimule a juventude cabo-verdiana a trabalhar”.

Que tabuleta bem ornamentada!
 "que não exclui ninguém"
 (ser do bando e ser bandido é opção de cada um)
 "que valoriza o mérito"
 ( Mérito? Num sistema viciado até o tutano falar de mérito é despremiar a própria palavra).
 "que estimule a juventude cabo-verdiana a trabalhar”.
 ( Trabalhar? Quem? Se trabalho é dinheiro txapo na mon).

 Meter estes chavões é faxi di más. BaSTa convocar o microfone.

 A hipocrisia e a falsidade é tanta nesta terra que gangues de bandidos, no entendimento dos políticos, dos comentaristas, dos estudiosos, dos pesquisadores, dos magistrados, dos policiais, dos governantes, a bandidagem não existe.

 São jovens e cidadãos em conflito com a lei, branqueamento lindíssimo que engrandece a constituição, as leis e a república inteira.

 Enquanto os que mais sofrem desmentem tudo isso chamando o gado pelo seu nome verdadeiro BANDIDOS, marginais, lúmpenes, adjectivos que qualificam a opção tomada e a profissão escolhida.

 Queiramos ou não aceitar. A escola de bandidos da Praia (gente sabida) vem gerando profissionais de alto nível técnico, todavia, discretos e com boa apresentação. A demagogia e a hipocrisia instaladas na tolerância sem princípios nos aproxima cada vez mais do terrorismo urbano. Cura? Existe. Cabra acasalado com Santxu.... ta pari kuza xúxu.. voz di povu.
KB 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

FLORIS D'IBYAGO


ÍNCLITA FLOR D’IBYAGO

 

É no misterioso jardim do Ibyago
Que o doiro pólen gera o sem fim
Que a seiva do tempo destila aromas
Que a finitude da minha condição de pó
Se funde com a origem das coisas.
 
É no jardim pátria dos sentires íntimos
Que a palavra e a folha se engravidam
Abeiradas de leiras incensadas de gestos.

É no misterioso canteiro do Ibyago
Que a floração arvora os descantes meus  
Refracta a luz prata das combinações
Afina e enverga o trinar dos ditongos
Que os dedos do terno dedilham  
Imanizando eflúvios da gaveta branca.

É no mágico jardim d’ Ibyago átrio luz
Que o túrbido ondejando improvisos  
Se transmuta em ínclita Flor d’Ibyago.

K. Barboza

terça-feira, 26 de agosto de 2014

FLORIS D'IBYAGO


TESTEMUNHO POÉTICO

 
Chegas voando
Partes voando
Levas-me voando para não sei onde.

Abraçamo-nos voando
Separamo-nos voando
Num sobe e desce vagabundo.

Fico voando 
Neste longe como insecto errante.
Ficas voando
Indiferente além no incontinente.

Voa o dia
Cai o negro na janela da sala
E o pobre jardim adormece.

Voa o voo
Cai o momento desvivem as asas
E o pobre poema permanece.
E eu: testemunho.

 K Barboza

 

FLORIS D'IBYAGO


POEMA AO BAIRRO SANTO

 
É no António Santo o talhar dos versos
Onde cada madrugada é hálito á janela;

É na lâmpada dos sentires refreados
Como a cabra ruminando plástico;

É na abóboda do céu-da-boca aos brados
Onde emerge os momentos dramáticos;

É no ponderado correndo pelo sarcasmo
Como ondas na proa duma caravela;   

É no dito a revolutear no pico da língua  
Como graus no giratório duma bússola;

É na calva vidraça do mês do marasmo 
Onde cada estultice é uma corruptela;

Que os versos se convertem em poesia
Como caos se tornou no éden de lobos.

Oh! Quão inútil António é algo achado
Em perdidos e achados tão desregrado
Que desempolga o cultivador extenuado.

 K Barboza

domingo, 24 de agosto de 2014

FLORIS D'IBYAGO

À querida amiga, minha professora Maria José Fonseca Silva, Psicóloga ( Brasil) este testemunho poético num dia e hora sem sono com um beijão deste lado do mesmo mar que nos abraça.

TESTEMUNHO POÉTICO

Chegas voando
Partes voando
Levas-me voando para não sei onde.
Abraçamo-nos voando
Separamo-nos voando
Num sobe e desce vagabundo....
Fico voando
Neste longe como insecto errante.
Ficas voando
Indiferente além no incontinente.
Voa o dia
Cai o negro na janela da sala
E o pobre jardim adormece.
Voa o voo
Cai o momento desvivem as asas
E o pobre poema permanece.
E eu: testemunho.

K Barboza

sábado, 23 de agosto de 2014

FLORIS D'IBYAGO


SEJAS TU, O POEMA DA MINHA POESIA

Do pensar deslizam imagens
Que se metamorfoseiam
Em sons tecendo miragens.
Do cio do silêncio gotejam ensaios
Vazados de sentires tomados
Pelo chão do manto vático.
Do olho da pena escapam
Esboços frívolos para a folha
Ávida de intentos abainhados.

Da alma apegos esvoaçam
Combinações como trinar de grilos
Almejando o fulgor das estrelas.
É o poema bordejando versos pulsantes
Ainda não semeados no útero da poesia
Para se abrir e cumprir seu destino.

É o poema ansiando a página
Do inevitável forte da palavra
De muros de aversão ao imaleável
Mas da infindável cascata do belo
Musicando sentires aprisionados.
Sejas tu, o poema da minha poesia.
K.Barboza

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

RAPIZIUS


 A 19 de Julho de 1984 demiti-me do cargo de Presidente do Sindicato da Indústria, Comercio e Serviços. Em Setembro do mesmo ano entrei para a Agencia Nacional de Viagens – Divisão Aérea – na Praia, a convite do Director Geral da ANV, Guilherme Santos Ferreira, antigo colega de trabalho na Casa Madeira. Fui admitido para exercer o cargo de Director de Divisão. Um mês depois, a nossa representada Air France em Dacar, informou a ANV sobre um programa de formação na área do Ticktyng e Markting e fui indicado para receber esta formação. Foi em Dacar que conheci o Senhor Charles – Director Comercial Regional da Air France para a África Ocidental em que Cabo Verde se insere, sendo a ANV agente da Air France. Findo o curso, consegui mais um curso ministrado pela Swissair, também nossa representada, sobre a organização e encaminhamento de pacotes turísticos e, de seguida, a Alitália aproveitou fez o mesmo, também ela nossa representada. Fiz boas amizades com os Directores Comerciais destas companhias aéreas, convidando-os a visitar Cabo Verde.
O Sr. Charles da Air France foi o primeiro a visitar-nos, tendo vindo de São Vicente o DG da ANV – Guilherme Ferreira – para o receber e negociar interesses entre as partes. No entanto o Presidente da Republica, Aristides Pereira, havia sido indigitado para falar em nome dos países menos avançados da Africa na reunião de Paris, presidida por François Miterrand – Presidente da Republica da França. No final de dois dias de visita o Director Geral Guilherme Ferreira havia sugerido ao Senhor Charles a passagem do Concorde pela ilha do Sal para levar o Presidente Aristides Pereira a Paris. Assisti os argumentos do Guilherme Ferreira insistindo que: “era prestigioso para a Air France o avião Concorde vir a Cabo Verde e transportar um dos Presidentes mais respeitados da Africa, porta-voz de vário6s países africanos, sobretudo os da francofonia de que Cabo Verde também fazia parte. O Senhor Charles foi portador deste sonho, para o tornar realidade. Poucos dias depois o Guilherme Ferreira deslocou-se a Dacar, regressando muito esperançado. O assunto foi tratado com muito sigilo. Na altura usava-se o Telex para se comunicar na aviação comercial. Eu era o último a sair da agência e o primeiro a entrar para que a comunicação se mantivesse em sigilo.
Feliz foi o dia em que o longo Telex confirmava o aval da Sede da Air France em Paris em desviar o Concorde para a Ilha do Sal para receber o prestigiado passageiro, Presidente Aristides Pereira. Na mesma semana, o Director Geral Guilherme Ferreira deslocou-se de São Vicente, sede da Empresa ANV, para a Praia, para dar a excelente noticia ao então Ministro dos Transportes, Herculano Vieira, que por sua vez a transmitiu ao Presidente Pereira. Dali em diante, todos os procedimentos foram tidos em conta e o Presidente da Republica de Cabo Verde, Aristides Maria Pereira, acabou por viajar da Ilha do Sal com destino a Paris no supersónico Concorde.
Este coroamento de Cabo Verde ficou-se a dever ao amigo destas ilhas Senhor Charles, Director Comercial da Air France para África Ocidental e ao dinâmico gestor e diligente trabalhador, Guilherme dos Santos Ferreira, Director Geral da Agencia Nacional de Viagens, filho de Santo Antão, natural da Ponta do Sol, companheiro da Casa Madeira e de quarto, padrinho do meu casamento, alma crioula que a eternidade guarda para sempre.
Carlos Barbosa

RAPIZIUS



 OUVI AGORA MESMO: " os passageiros vindos de Africa no Air Marrocos ficaram fechados no avião durante 45 minutos até as autoridades sanitárias certificarem de que a Senhora declarada com sintomas de febre não era portadora da infecção ébola" assim noticiou o repórter cabo verdiano na RTP - Africa - em Repórter Africa das 12 horas das ilhas.
 Claro que provamos todos os dias que existe um Cabo Verde não africano... por isso "VINDOS DE AFRICA" e não VINDOS DO CONTINENTE...
 Claro que ser da CEDEAO nada de nada diz aos crioulos muito menos ao repórter, bem como os chefes de redação crioulos da nossa complicação social sempre em ascendente.
 Assim, Cabo Verde não é território africano. Portanto, um sítio no meio do mar a meio caminho de norte a sul, sendo os crioulos americanos por via do sucupira, fonte de abastecimento de vestuário, modas e cosméticos yankie, temperos, armas e munições. Entretanto, os chineses estão à porta, a chinesearnos lentamente. Um dia o milagre acontecerá com a vinda do messias num bidon de plástico ou numa caixa de brinquedos.
 Paxenxa! É o que vamos tendo após o abate de cães de quatro patas.
kb

segunda-feira, 2 de junho de 2014

DA COLEÇÃO FLORIS D'IBYAGO


 
 
 










JANELA & BORBOLETA

Tu, janela!
Nua És impedimento.
Vazia És deprimente.

Tu, borboleta!
Ausente És perseguição.
Distante És sofreguidão.

Perfil e recorte
Ambas longínquas
Mesmo estando perto.

 Kaká Barboza

 

sábado, 31 de maio de 2014

Da Coletânea Flotis d'Ibyago


 
 
 
CICATRIZES DA PAIXÃO
 

 
 Defronte à janela
 Há a um triste marco,
 Abrigando no rosto
 O olhar duma paixão cinza,
 Que nuvioso boceja sombras
 Feridas de enganos e erros.

  Ao pé da janela
 Passam meadas da saudade,
 Do sonho que jamais volta.
 No coração dela
 Revolteiam palavras surdas
 Antes cachoeiras cantantes
 Levando o fervilhar amante
 À outra margem da felicidade.

  Atrás da janela
 No corpo da palma da mão
 Deambulam tristes versos
 Feitos de cicatrizes da paixão.

  Kaka Barboza


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Da Coleção Floris d'Ibyago


MAIO MEU!

 O gesto do sol,
 O céu moreno,
 O mar apetitoso,
 O traje da natureza,
 Os botões de flores,
 A nudez da praia,
 A quentura à sombra,
 Os risos, o brilho e as cores,
 O ritmo dos corpos,
 O vaivém dos festeiros,
 Os grilos trinando,
 Os Santos e pecadores
 O passar das horas e dos dias
 Para o outro lado da idade,
 O tempo adormecido
 Nos meus cabelos brancos,
 O lento aproximar do fim,
 Carregado de tanta ternura,
 A memória de sítios idos,
 De pernoitas nos braços da noite,
 De luares e serenatas de amor,
 Dos bilhetinhos deixados no livro,
 Do acordar do dia seguinte,
 Do esperar ansioso à tardinha,
 O esplendor que esmaga:
 São amames do teu terno ventre
 Sem delírios, sem cansaço,
 Sem limites, sem miragens nos olhos.
 Sem fraudulência, sem hesitações.
 Maio meu!
 És a minha adorada esfinge.

    Kaka Barboza

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Da Colecção Floris d'Ibyago

         EM BRANCO

 
Não há lugar a mais fantasias.
Sei! Jamais voltarás borboleta
A janela desflorida de alegrias
Virou violácea a tua silhueta
No olhar perturbado do jardim.

 
Não há lugar a mais agravo.
Não precisas voltar ó distância.
O corpo onde vicejava o cravo
Hoje é um cemitério de ânsias
De insónia e extintos carmins.

 
Deixa-me errar pela artéria
Da saudade do tempo antigo
Em que pastor dos gestos era,
Que sentir teu cheiro amigo
Abriam brilhas dentro de mim.  

 
KBarboza

 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Da Colecção Floris d'Ibyago

O BEIJO
 
Neste dia de Abril sem o beijo teu
A brisa teima em vão serenar a frol
No jardim de outrora em apogeu.

A janela sem a menina do olhar teu
É trilho perdido no último raio de sol
Sem jamais regressar ao mesmo eu.

Noitinha é hora em que se levantam
Os grilos e se deitam as borboletas
Entre pedra e folha as horas pesam.

 
O beijo que me ficou na lembrança
Devia pombo-correio ser não borboleta
Seria de júbilo o outro dia e de crença.

K. Barboza

domingo, 13 de abril de 2014

Da Colecção Floris d'Ibyago


A SOMBRA DA SAUDADE
 
Dói saber:
Que o jardim padece do altear das alas,
Do cansaço da janela,
Da ausência do brilho da pétala,
Do toque dos dedos algodão.

Dói saber:
Que o alegrete sofre de desares,
Do forçado buraco,
De tudo o que era dilecção.

Dói manter:
Os dias sem a janela em casa,
Sem o rosto de tanto amar,
Sem os cheiros,
Sem poder sentir o coração.

Dói & mói
A fuga dos dias tintos de cores
De outrora: chocolate e violeta.
Dói tanto a sombra da saudade.
 
K Barboza

Da Colecção Floris d'Ibyago

SAUDADE INGRATA

Ficou o canto vazio no olhar do canto
Perdeu a janela a magia da borboleta
O silêncio é voz que canta o pranto
Duma saudade fugaz feito estafeta.

 
Ficou a janela aberta de vazio sentido
Suspenso e distante é o olhar incerto
Em busca da voz no cântico perdido
No vazio canto do canto hoje desfeito.

 
Ficou a canção e o canto cheio do nada
Numa pauta vazia de colorido e paixão  
Ficou riso sem luz e a saudade ingrata 
No canto destoante que punge o violão.

 
K Barboza

Da Colecção Floris d'Ibyago



E SE TE FALASSE ASSIM DA SAUDADE

 
Não era um perfume qualquer,
Que me fascinava e enfeitiçava:
O seu corpo chama de mulher,
Era o fluido que me estonteava.

Hoje nem tu e nem a borboleta.
A janela no vazio aceso das horas
Sepultura é de uma vida obsoleta
Como cigarro fumegando desoras.

A saudade que nos versos namora
Tua retirada no tejadilho do vento
Por ti sorriem e cantam a morna
Num poema do tempo sem tempo.

K Barboza

Da colecção Floris d'Ibyago

A JANELA

A borboleta migrou da janela
Onde inquieto meus dias contemplavam
Sua cor que escorria pelo olfacto do tempo.
 
Nas bermas do seu corpo flanela
Estradas e fontes dos meus dias viajavam.
Hoje ficou parede de horas sem tempo.

A borboleta migrou da janela
Onde pesarosos meus olhos pasmam
Ora na janela, ora em mim dentro.

K.Barboza

Da Colecção Floris d'Ibyago

VOO DO POETA

Neguinha & borboleta:
Uma em flor
Outra em redor.
Ambas: voo do poeta.

 K. Barboza

segunda-feira, 31 de março de 2014

RELÍQUIAS

SIM!
SENHOR CABRITA. TENHO AS MOEDAS COMIGO.
OBRIGADO PELO INTERESSE.

Floris d'Ibyago

BORBOLETA

 
Borboleta: não te afastes de mim.
Não te vás! Espera! Não te vás!

É franco o jeito do meu jardim,
Partida é gume que ceifa num zás.
 
Mariposa: que será o depois?
Daquela sombrinha no cutelo
Da ramagem sobre nós dois
Das músicas daquele sossego?

Borboleta: que dirá o Peregrino
Dulcífera emanação de canduras?
Não te vás! Espera! Não te vás!

Mariposa: que dirão os caminhos
Feitorados pelas nossas loucuras?

K Barboza

 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Floris d'Ibyago

A VENTILAÇÃO QUE CONTUNDE

 
Sotavento a Barlavento
De Tope da Coroa a Pico do Fogo
Vento lixa, tempo drama
Soprar que desventra o tempo
E o revira corcel bravo
De atrofiar o céu, o sol e o dia.
 
Sotavento a Barlavento,
De Tope da Coroa a Pico do Fogo
Tempo lixo, vento trauma  
Suflar que baralha o momento
E o vira soprar revirado
De afundir o itinerário à deriva. 
 
Sotavento a Barlavento
De Tope da Coroa a Pico do Fogo
Vento sujo, tempo infâmia 
Soprar que dissona o sossego
E o revira asno transviado   
De atordoar o pavio da vida.
 
Sotavento a Barlavento
A ventilação que contunde.

 
Kaká Barboza

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Floris d'Ibyago

ADELCE

 
Qual umbral maravilha  
Que meu riso transpôs
Antes de hoje à tardinha!

Qual detrás da entrança
Portal de cotovelo tosco    
De desventrada vidraça!
 
Por agarramento ao denodo
Honra é peste tormentosa  
Por mais se arme o fogo posto.
 
Por entornamento do modo
Decência é febre portentosa
Por mais prezado seja o gosto.
 
Qual portão de vaivém
Que ingresso languidesce! 
Qual palco de milhafres!
 
Pior que tudo isso, Adelce!
É o harém do teu desdém
Este palácio que encobres.

 
      Kaká Barboza   

 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

ORLANDA AMARILIS


 
 
 
 

                         (Jornal a Semana)
Lisboa: Corpo de escritora Orlanda Amarilis
cremado hoje 03 Fevereiro 2014
 O funeral da escritora cabo-verdiana Orlanda Amarilis realiza-se segunda feira e o seu corpo será cremado, informou ao semana online a família revelando que as cinzas ficam no jazigo onde está o seu marido e um filho.
 Lisboa: Corpo de escritora Orlanda Amarilis cremado hoje. 
Orlanda Amarilis Lopes Rodrigues Fernandes Ferreira, 89 anos de idade, era natural da Assomada, Concelho de Santa Catarina. A autora era casada com o célebre escritor Manuel Ferreira e era filha do investigador Armando Napoleão Fernandes autor do primeiro Dicionário Crioulo Português. Teve dois filho.
 
A viver em Portugal desde os meados dos anos 1950, a escritora, Orlanda Amarilis, pertenceu ao movimento literário Certeza (1944), revista que depois da Claridade marcou um momento significativo na vida cultural cabo-verdiana.
 Como ficcionista, colaborou em várias revistas, nomeadamente Colóquio/Letras, Africa, Loreto 13 da Associação Portuguesa de Autores, está representada em várias antologias. Publicou vários livros de contos, nomeadamente, “Cais de Sodré Té Salamansa” (1974), “Ilhéu dos Pássaros” (1983) e “A Casa dos Mastros” (1989). Contos seus foram traduzidos para o russo, húngaro e holandês.
 
Escritora de talento e ficcionista de grande qualidade literária, o seu trabalho foi reconhecido por críticos portugueses como Jacinto Pedro Coelho, Duarte Faria, Fernando Assis Pacheco, Casimiro de Brito, Pires de Laranjeira entre outros. Deixa o filho Sérgio Ferreira e esposa, a neta Andreia e restante família enlutada.
OL

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Rapízius


Sim ou não este dito, fica esta lavra.
“Não há fogo no inferno, Adão e Eva não são reais" (Papa Francisco)
O Papa Francisco e as suas reflexões actuais sobre o Vaticanismo e o catolicismo no mundo são pertinentes ante os reptos actuais do Homem. Lembra Nhô Naxo. A este, ainda hoje, atribui-se-lhe ditos que nunca proferiu e com o Papa vem acontecendo o mesmo e estreia-se como legendário.
De facto a ser verdade a declaração da inexistência do fogo do inferno é o mesmo que branquear Diabo e seu habitat, onde almas indignas da fé eram remetidas pelos ministradores da doutrina do mistério da fé. Basta ver que as infernais cadeias, as penitenciárias de outrora, são, hoje, espécie de parques de recreio, em resultado do culto aos direitos humanos, erigido em anúncio utilitário.
 
Por conseguinte, sendo humano ou não o Sujo, limpa ou não sua fé, o moderno garante a coabitação de Deus, Diabo, Santos e Pecadores no mesmo salão do paraíso. Para mim o inferno existe. Só que subiu de posto. Ele é o nosso rosto. A sociedade das nações comporta o inferno real e moderno de que o Papa Francisco, talvez, por prudência, não fala e não falou.
Conquanto a Adão e Eva. Não é real o casal que simboliza fidelidade eterna, Adão e Eva, duas figuras petrificadas e alojadas num cabeço fendido da serra do Pico de António, observado da minha Assomada-cidade, vista única, figuras míticas do imaginário santacatarinês. Adão e Eva são e serão reais para todo o sempre.
Que acabe o inferno em que se vive na terra hoje em dia, mas os donos do paraíso das nossas origens nunca, eles são a pele primeira da emancipação do homem.
KB
     

 

domingo, 26 de janeiro de 2014

Recordando TUTUTA

 
Conheci a Tututa em Mindelo em 1970, na loja Benvindo na Rua de Lisboa, acompanhado do irmão Tchuff que fez questão de me apresentar a dona do piano que se ouvia no disco vinil, cuja sonoridade enchia o espaço frente a Casa Madeira onde eu trabalhava.
 Sorridente, simpática era a senhora que me ofereceu a face para um beijo, viva era a fisionomia da pianista que possuía uma das melhores mão esquerda no piano em Cabo Verde.
 Dos músicos que conheço Djosa Marques, Tututa e Chico Serra são os grandes do nosso folclore, os possuidores de esquerda fenomenal no acompanhamento da morna e da coladeira e de outros géneros tradicionais nossos.
 A morte da Tututa, para mim, é ganho de uma luz fecunda no firmamento dos grandes da nossa terra que formam a constelação dos imortais. Os grandes nunca morrem por aquilo que fizeram e o que representam na história do nosso povo e da nossa terra.
 Tututa, tal como o irmão Tchuff foram demais vibrantes interpretes da nossa música e da nossa cultura popular, foram expoentes e exemplos de como se deve encarar e aproveitar o que a humanidade criou para servir os povos, os homens e as mulheres apostados na criação e na recriação de motivos e de conhecimento para significarem como entidades de respeito e da nossa eterna admiração. Piano instrumento que a Tututa dominava é demais exigente para quem intensamente vivia a vida de cuidar de si e dos filhos.
 Admira-me a querida Tututa, sabendo que o seu instrumento de trabalho era impossível levá-lo ou tê-lo ao colo como é o caso do violão ou cavaquinho, por exemplo. De todo o modo ela semeava alma nas teclas a preto e branco que formavam a sua tábua de entretenimento. Bem haja esta rica senhora, autêntica Donana orgulho de nos vida (citando M de Novas).
 Que o assento fosforescente do universo receba esta luz crioula de partida para o ponto inicial de vida. Gloria eterna à alma e à obra de Tututa, ELA simples no nome e no viver.
 Um abraço de solidariedade à família Évora, residentes e ausentes na terra longe.

 Carlos Alberto Barbosa

Floris d'Ibyago


E SE TE FALASSE ASSIM DO AMOR

 

E se te falasse assim do amor
Meus olhos, os teus não buscam
Nem a tua a minha alma  
Nem meus, os teus lábios
Nem a tua a minha carne.

Mas a palavra Não.

Do não quero
Não me toques
Não me canses
De cada vez que insisto
Em roubar-te em privado
Os cantos da tua curvidade
Que meu tacto pesquisa
Como abelha na melífera flor.

Teu, meu sexo não pede
Mas o prazer do Não
Do não sejas atrevido
Do sai da minha roda
Não abuses da ocasião
Não és meu tipo de par
Do não abrir a verdade
E camuflar o gesto.

Apraz-me o Não iludindo o Sim.
 
Kaka Barboza

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Floris d'Ibyago

 

      CRAVO DE BURRO
 
 
 
Apelidaram-te Cravo de Burro
Oh! Dor perfumada multicor
Lindeza no breve duma haste
Agitando ao sabor dos alíseos
Que rojam em Achada Galego.
 

Brotaste cravo do ermo
Sabor indócil para o mel
De travor verde ao gosto
De flor de planta multicor
Originária das Américas.
Tão distante é a meninez
Do tempo em que te via florar.
Tão remoto é Achada Galego.
Hoje, meu rosto é repertório
De um prendido a termo.
 

Tive a meus pés o ermo
Os alíseos de Achada Galego  
Vendo-te de revés. Ó! Cravo.
Anima-me o apegamento
De tramar estéreis versos.
 

Praia, 23.01.2014
Kaka Barboza

Txabeta Em Estado de Alerta

                                                                                                                                     ...