terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Rapízius


Sim ou não este dito, fica esta lavra.
“Não há fogo no inferno, Adão e Eva não são reais" (Papa Francisco)
O Papa Francisco e as suas reflexões actuais sobre o Vaticanismo e o catolicismo no mundo são pertinentes ante os reptos actuais do Homem. Lembra Nhô Naxo. A este, ainda hoje, atribui-se-lhe ditos que nunca proferiu e com o Papa vem acontecendo o mesmo e estreia-se como legendário.
De facto a ser verdade a declaração da inexistência do fogo do inferno é o mesmo que branquear Diabo e seu habitat, onde almas indignas da fé eram remetidas pelos ministradores da doutrina do mistério da fé. Basta ver que as infernais cadeias, as penitenciárias de outrora, são, hoje, espécie de parques de recreio, em resultado do culto aos direitos humanos, erigido em anúncio utilitário.
 
Por conseguinte, sendo humano ou não o Sujo, limpa ou não sua fé, o moderno garante a coabitação de Deus, Diabo, Santos e Pecadores no mesmo salão do paraíso. Para mim o inferno existe. Só que subiu de posto. Ele é o nosso rosto. A sociedade das nações comporta o inferno real e moderno de que o Papa Francisco, talvez, por prudência, não fala e não falou.
Conquanto a Adão e Eva. Não é real o casal que simboliza fidelidade eterna, Adão e Eva, duas figuras petrificadas e alojadas num cabeço fendido da serra do Pico de António, observado da minha Assomada-cidade, vista única, figuras míticas do imaginário santacatarinês. Adão e Eva são e serão reais para todo o sempre.
Que acabe o inferno em que se vive na terra hoje em dia, mas os donos do paraíso das nossas origens nunca, eles são a pele primeira da emancipação do homem.
KB
     

 

domingo, 26 de janeiro de 2014

Recordando TUTUTA

 
Conheci a Tututa em Mindelo em 1970, na loja Benvindo na Rua de Lisboa, acompanhado do irmão Tchuff que fez questão de me apresentar a dona do piano que se ouvia no disco vinil, cuja sonoridade enchia o espaço frente a Casa Madeira onde eu trabalhava.
 Sorridente, simpática era a senhora que me ofereceu a face para um beijo, viva era a fisionomia da pianista que possuía uma das melhores mão esquerda no piano em Cabo Verde.
 Dos músicos que conheço Djosa Marques, Tututa e Chico Serra são os grandes do nosso folclore, os possuidores de esquerda fenomenal no acompanhamento da morna e da coladeira e de outros géneros tradicionais nossos.
 A morte da Tututa, para mim, é ganho de uma luz fecunda no firmamento dos grandes da nossa terra que formam a constelação dos imortais. Os grandes nunca morrem por aquilo que fizeram e o que representam na história do nosso povo e da nossa terra.
 Tututa, tal como o irmão Tchuff foram demais vibrantes interpretes da nossa música e da nossa cultura popular, foram expoentes e exemplos de como se deve encarar e aproveitar o que a humanidade criou para servir os povos, os homens e as mulheres apostados na criação e na recriação de motivos e de conhecimento para significarem como entidades de respeito e da nossa eterna admiração. Piano instrumento que a Tututa dominava é demais exigente para quem intensamente vivia a vida de cuidar de si e dos filhos.
 Admira-me a querida Tututa, sabendo que o seu instrumento de trabalho era impossível levá-lo ou tê-lo ao colo como é o caso do violão ou cavaquinho, por exemplo. De todo o modo ela semeava alma nas teclas a preto e branco que formavam a sua tábua de entretenimento. Bem haja esta rica senhora, autêntica Donana orgulho de nos vida (citando M de Novas).
 Que o assento fosforescente do universo receba esta luz crioula de partida para o ponto inicial de vida. Gloria eterna à alma e à obra de Tututa, ELA simples no nome e no viver.
 Um abraço de solidariedade à família Évora, residentes e ausentes na terra longe.

 Carlos Alberto Barbosa

Floris d'Ibyago


E SE TE FALASSE ASSIM DO AMOR

 

E se te falasse assim do amor
Meus olhos, os teus não buscam
Nem a tua a minha alma  
Nem meus, os teus lábios
Nem a tua a minha carne.

Mas a palavra Não.

Do não quero
Não me toques
Não me canses
De cada vez que insisto
Em roubar-te em privado
Os cantos da tua curvidade
Que meu tacto pesquisa
Como abelha na melífera flor.

Teu, meu sexo não pede
Mas o prazer do Não
Do não sejas atrevido
Do sai da minha roda
Não abuses da ocasião
Não és meu tipo de par
Do não abrir a verdade
E camuflar o gesto.

Apraz-me o Não iludindo o Sim.
 
Kaka Barboza

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Floris d'Ibyago

 

      CRAVO DE BURRO
 
 
 
Apelidaram-te Cravo de Burro
Oh! Dor perfumada multicor
Lindeza no breve duma haste
Agitando ao sabor dos alíseos
Que rojam em Achada Galego.
 

Brotaste cravo do ermo
Sabor indócil para o mel
De travor verde ao gosto
De flor de planta multicor
Originária das Américas.
Tão distante é a meninez
Do tempo em que te via florar.
Tão remoto é Achada Galego.
Hoje, meu rosto é repertório
De um prendido a termo.
 

Tive a meus pés o ermo
Os alíseos de Achada Galego  
Vendo-te de revés. Ó! Cravo.
Anima-me o apegamento
De tramar estéreis versos.
 

Praia, 23.01.2014
Kaka Barboza

CV Lândia Mind


       CVLANDIA MIND
 
      Agora vêm com esta: "Ronaldo tem sangue negro cabo-verdiano". Nhôôô!
      Quer dizer que galo branco de "sangue negro" que sobe ao poleiro e canta alto é alvo propaganda e regozijo, enquanto o negro de sangue e de pele crioulo não sai do seu padjigal. Horace Silver, por exemplo, (os negros europeus das ilhas) arvoraram jamais uma saliva sequer no mastro dos grandes, realçando a sua ascendência puramente cabo-verdiana.
      Há vários outros exemplos de filhos da terra por este mundo fora que se destacam em vários domínios da honradez, ciência e da cultura, filhos do útero de ouro nativo, que jamais seus feitos foram exaltados e vasculhados suas origens, porquê?
       Neste caso o dito popular vincula-se e muito bem: Santo di Kaza ka ta faze milagre.
BK
 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O LIVRO


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O LIVRO
 

O livro é como uma estrada
Construída por etapas,
Portanto uma respiração pela palavra,
Porém um dólmen em papel,
Quiçá um candeeiro de saberes.

O próximo livro
É continuação da estrada, 
É respirar contínuo pela palavra,
É o outro na sua pele
Quiçá um poleiro de expores.
 

22.01.2014
Kaka Barboza

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Entre Mito e Pelourinho


Sim senhor.
Os sindicatos levaram os trabalhadores seus afiliados e outras pessoas à rua para exigirem não os seus direitos, mas sim ampliação dos direitos adquiridos.
O cenário ficava completo se o patronato e os empregadores saíssem também à rua para reivindicarem os seus direitos. Mas não. Preferem ficar no anonimato.
 
Mas uma coisa me intriga.
Ninguém é obrigado a dar trabalho a ninguém.
A empresa é que contrata trabalho e não dá emprego, emprego no sentido de guarida à mão de obra. A empresa é capital a pagar o processo produtivo para colher lucros para continuar a produzir bens e serviços e etc. e não trabalha quem quiser, trabalha aquele que é contratado para produzir.
Por mim temos um sindicato e uma acção sindical arcaica que não participa na dinamização do mercado do trabalho e nem está voltado para o combate ao desemprego. Coabitam com os que trabalham e como não há outra coisa a dizer nem a fazer junto dos seus associados e dos que não o são, reivindicações e ampliação de direitos é a base de animação da classe perante um pais que mercado não é, perante um país que sobrevive da ajuda orçamental, resultado dos impostos tirados a outros povos: não passamos de pelourinho onde cada um procura tirar o seu dia dia.
É preciso muito cuidado com o mito do rendimento médio.
 
KB

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Celebrar a Terra


PAU DE FINADO
 
Decorridos três anos e nove meses, sobre a data da morte do marido, Luzia resolveu pôr de lado aquela compostura rígida imposta pelos costumes da terra. A vizinhança não recebeu de bom agrado a deposição do luto. Por outro lado, como não era ainda mãe de filho, acabaram por ir-se acostumando à sua decisão. Pouco tempo depois, a mulher começou a sentir perturbações. Noites sem dormir, nervos, ouvido mouco e coisas a escapulir-lhe das mãos. Sentia uma voz a chamar por ela sempre que ia ao olho d’água buscar água. Tudo isso vinha confundindo-lhe a cabeça, complicando-lhe cada vez mais a vida. Decidiu ir visitar os padrinhos em Chão de Carriço. Fizera o percurso com sentido atormentado. De tanto pensar na sua situação, a coisa tomou-lhe a cabeça e desmaiou ao pé duma ribanceira. Ela estava molhada de cabeça aos pés quando a pegaram para traze-la de volta. Os vizinhos aguardavam ansiosamente a chegada do curandeiro e vê-lo trabalhar. Coloquem-na de comprido na cama e deixem-me só com ela: - disse o recém-chegado. Ele começou com aqueles dizeres que pareciam rezas, gesticulando enquanto a mulher tremia, revirando os olhos na cabeça, nem cauda de lagartixa decepada. De súbito, a mulher soltou um valente grito. Levantou-se e pôs-se em fuga como rato perseguido e só parou no fundo da ribeira. Sentada numa pedra arranjava os seios e apalpava o baixo-ventre. O homem tinha recomendado calma aos que ameaçaram segui-la. Pediu que aguardassem pelo regresso dela, confiando que tudo estava bem com ela e que voltaria bem-disposta à casa. A partir dali a jovem viúva passou à vida normal longe do pau de finado que se cria ter entrado nela. ...
(Excerto da coletânea de contos Descantes de Nha Ribeira) KB

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Floris d'Ibyago





           INTEIRAMENTE

 
Olhando os anos começo a ver ruas
Correndo ruas tantas vezes pisadas
E buracos tantas vezes tropeçados
Que de mim não dão conta.

Mas o que tudo isso soma
Se as ruas são outros caminhos
Que andam sem saber para onde vão
Que rumo e que sortes levam.

Mas o que tudo isso rende
Se a idade que levam nos pés 
E os buracos em que tropecei 
A caminho do hoje dos anos 
São passares que ambulam
Belos e maus transpores,
Sem saber onde permanecem
E que destino têm dentro e fora de mim.

Encarando os anos começo a ver fins  
Apressando horas e horas vagas
Consumindo o tempo da idade
Que de mim não dão conta.
Inteiramente…

 - Kaká Barboza -


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

OBLATA PA ANU NOBO

                   Neste Janeiro de 2014 completou 10 anos sobre a morte de Fulgêncio Tavares - Ano Nobo

Composição feita pelo 5º Aniversário da morte do grande Mestre e Ícone de Santiago ANU NOBO, sem Estátua no seu Concelho de Naturalidade - São Domingos - por ser de gente inculta a mandar nos destinos dos nossos municípios, desconhecedora ou desprezadora da história social do Concelho e dos que deram e dão o bom nome a essas localidades que dizem representar, salvo, raríssimas expceções.

 
 OBLATA PA ANU NOBU

 
 Dja di tenpu n kre kantaba
 Un ómi un amigu
 Na ton dun melo-suave
 Sen palavra kansadu.
 Ku krensa y txeu amizadi
 Xintadu na valor son di terra.
 Pa n kanta sen medu d’izagera
 Pa mundu konxe si valor
 Omi sinples di don y saber
 Ki ama fundu folklore di terra
 Batuku é lenda si koroa
 Nos Profeta alma bon jardin.

 Poeta omi lendáriu di terra
 Ki kria un gerason seguidor
 Len Prera lugar di memória
 Ki enaltise si txon di nasensa.
 Tud’ anu Anu Nobu é más nobu
 Santiagu bai na si korason
 É fika na krensa di puvu
 Lovadu, lenbradu e amadu
 Tudu anu, Anu Nobu é más nobu.

 Praia, 24.1.09 – Letra & Muzika – Kaka Barboza

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

LÁGRIMAS DA DEMOKRASIA

 
 
 

LÁGUAS DI DIMOKRASIA

 
Kel láguas ki kapri dentu-l mi
Sai di fonti sagradu
Dun petu maguadu
Dun alma penadu
Kel gritu perdedu na tempu
É dor di momento ki konfundi ku ventu
Suspiru fogadu ki frin nha razon
Na láguas di dimokrasia fingidu.
 
Na vira volta di roda sem fin
Pa lua xeia limia noti nos tudu
Na vira roda di volta sem fin
Pa sol manxi ku luz pa nos tudu.
 
Kel palavra promesa
Ki abri-m speransa
Kontorna-m nha dizeju 
Ten ki ta kai na pó di justisa
Pa novo sol manxe ku lei di sentença.

Kel palavra mudansa
Ki fla ma kuza ta sérba diferenti
Láguas di pobri é strada d’inserteza
Kalman di sorti di ken ki podi más txeu.

Letra & Melodia
Praia, Jul di 1998
KaKa Barboza

domingo, 12 de janeiro de 2014

Floris d'Ibyago




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
POEMA EM DIA SOMBRIO

 
De rosto inclinado para o sueste é o busto
Do Combatente da Liberdade da Pátria,
De feitos foscados pelo castanho nordeste,
De corpo e braços avulsos ao vento,
De poemas e líricas acantonados,
De sangue da morte pela liberdade
Exilado pelo triunfo da dimokransa,
De látego anilado arvorado símbolo
Doação informal de raso peito,
De sortilégio e demagogia,
Do grogue virado vinho,
De Ti Manel virado Man Bia,
Ante o destilador tranquilo da história,
Ante os heróis da luta,
Ante o povo herdeiro do sol, suor, verde
E o mar da parição da una liberdade,
Da grande liberdade que ainda navega
E canta a cor da espiga primeira
O peso do grito labanta braço,
E dança o júbilo de Júlio
Na tropicalizante alegria de viver
E de morrer na pátria das flores da nação
Que a luta de séculos fecundou.

12.01.14
Kaka Barboza

sábado, 11 de janeiro de 2014

Floris d'Ibyago

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

PONTO MORTO

 
É espécie de trem
A vida vestida de sopro.
Avelhenta em viagem
E cai ponto morto.
 

Abeira-se de mim
O ponto morto.
O fim do varandim
Onde nasci,
Cresci e descobri  
Os olhos do mundo,
As cores dos dias,
O baço e o nítido
O passar do tempo
Gestos e fantasias.
 

Ó quão gostaria
Do ponto morto
Ver partir a vida   
No trem do sopro.
 
- Kaka Barboza - 

 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Floris d'Ibyago


 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
EIS-ME PROFESSORA

                      Para Drª Felisa Prado
 
É aliciante caminhar
No silêncio do pastor
Que a pedra vê andar
Na sola do pé da alma
No folego e no ardume
Levando sons e arpejos  
Ao ouvido das estrelas.

Houve afastares  
Carestia de imagens
Cortejo de saudades
Eufóricos pensares  
Atalhos e relâmpagos  
Obstinação e vertigens  
Arrepios e esbanjo.

Contive e reprincipiei.

Eis-me, professora!
Tudo recomeça donde o fio
Se parte ou onde o olhar
Sai para outro imaginário.
O ressuscitar da viagem
Do túmulo de silêncio
É sempre vinda reciclada
Do túnel de luz no fim do túnel.

Hoje, agorinha
A janela vestida de razão
Emana saudades novas  
Outras alegrias e forças
Como pontes ligando abraços
De ontem aos de sempre
Eis-me, professora…

Praia, 10.01.14
-Kaka Barboza -

Floris d'Ibyago

        










SONETO DE HOJE

   Para Simone Caputo no Brasil
 
Se de anos de estiagem há gritos
Música no pesaroso lapso da terra.
Se de daníficos anos há escritos
Trovas do povo que a dor soterra.

Irrevogáveis e lutuosos reportórios
São livrarias na vitrina da memória.
Irremissíveis e funestos episódios
São superações nutrição da história.

Se a ilha inteira era povoado inibido
Hoje vento, sol e mar viraram portas.
Calou-se a boca aberta de bramidos

E abriram-se carreiros e comportas
Água e homem já não são foragidos
Sonho, voz e o suor revieram rotas.
 
– Kaka Barboza -

 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Bes de Bilhete em Branco


A Cultura e a Corrupção
Qualquer um pode ser bom no campo.
Lá não há tentações. É por isso que as pessoas que não vivem na cidade são tão terrivelmente bárbaras. A civilização não é de modo nenhum uma coisa fácil de atingir. Há duas maneiras de um homem a alcançar. Uma é pela cultura e outra é pela corrupção. As pessoas do campo não têm qualquer oportunidade de praticar nenhuma delas e, por conseguinte, estagnam.
(Oscar Wilde, in "O Retrato de Dorian Gray"

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Poema para Thais Lino











A VIDA É UM SOPRO

                                      Poema para Thais Lino no Brasil
 
Há um remanso fatal
Que passa como pássaro  
No jardim de Ibyago
Habitat do intemporal.

 
Se a vida é um sopro
Que sem piedade fere,  
Enriquece e imola
Os que vivem a vida
Que se lhes foge da vida,
Rir de rir não engrandece.
Dó de doer não nobrece.
Nem dó de amar é prece.

A vida é um sopro
Que passa
Que desama o corpo
Que é morte,
Que é lapso de luz.

 Kaka Barboza

 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Floris d'Ibyago









No deserto dos cantos
Percorri céus apagados
Como pastor vagabundo
Incapaz de me reencontrar.
No deserto dos recantos
Percorri reprimidos passos 
De doídos dias e segundos
De ardores de maltratar.

Procurei no pranto   
O chão de mim,
Os mitos,
Os sonhos,
As sombras sílvicas  
Onde meus grilos se silenciam.
Procurei nos acordes  
O lugar onde sepultar o amor  
De amar a nívea Flor do Ibyago.

Á se eu pudesse explodir
O pesar que no alento trago  
Até estrelas e cometas  
Virarem no longe do além
Onde é fértil a Flor d’Ibyago.

27 Dezembro 2013
Kaka Barboza

Glorificação de Eusébio


Por aquilo que apreendi e experimentei nestes dias iniciais do ano, acho e digo, que Portugal é um país de sorte, de muita sorte mesmo, por aquilo que é e nutre o seu povo nos momentos em que ele é quem mais ordena.
De todos os ilustres e grandes filhos das colónias africanas que Portugal Imperial teve em mãos, Eduardo Mondlane, Agostinho Neto, Amílcar Cabral e tantos outros, foi Eusébio da Silva Ferreira, na simplicidade africana do seu ser, quem conseguiu fundir com eficácia no fogo da prova, sem albificar, a parte mais ingrata da nossa história comum, tornando-a bálsamo edificante e humanizante do respeito, da consideração e da amizade fraterna existente entre os nossos povos.
Fica na história quanto bondoso é a alma e o coração africanos. KB

Txabeta Em Estado de Alerta

                                                                                                                                     ...