terça-feira, 28 de setembro de 2010

DIVAGAÇÕES 4

(Cidadãos reclamam da forma como são abordadas nas operações levadas a cabo pela PN porque, segundo contam, chegam de forma brusca e com algum desrespeito.
Os abordados pedem que os agentes recebam formação quanto ao modo como abordar pessoas, que muitas vezes não sabem por que são abordadas, pois eles nem sequer comunicam o motivo das revistas). «Copiado no Liberalonline»


A ciência hoje conclui que a violência é determinada pela complexa combinação entre fatores externos e características inatas do ser humano. (copiado no Wikipedia).

O escriba disse: CIDADÃOS RECLAMAM. Entretanto as pessoas sofredoras chamam BANDIDOS aos membros dos gangues violentos e não cidadãos porque o entendimento que têm do estatuto de cidadão é OUTRO. Todos sabem que é assim e a policia mais do que ninguém sabe disso. No entanto camufla-se e não se fala e nem se comunica a verdade porque não interessa. A isso chama-se HIPOCRISIA. E há gente de boa cachola que vive longe das labaredas dos bairros contaminados e que entende que deve elibar o macaco que atira a pedra e culpar o estático rochedo. Bk

Poema à Liberdade



                                 Até os antípodas do meu eixo

                                 Falo.

                                                      Faço.

                                 Côncavo nunca na vida.

                                 Até lá... e mesmo lá.

                                 Se terrificante for a terra emergirei terramoto

                                 Se amarfanhado for o mar revoltarei maremoto

                                 Se farfalhado for o ar tornar-me-ei vendaval

                                                      Repuxado e bravo

                                                                     Rapante e indomável

                                 Para fecundar convexo a razão das vontades.

                                 Até os antípodas do meu eixo

                                 Falo.

                                                            Faço.

                                 Côncavo nunca na vida.

                                        (Do Livro Chão Terra Maiamo) BK

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

DIVAGAÇÕES 3

                                      Liberdade

A liberdade e a forma de ela ser assumida e vivida por cada indivíduo depende unicamente de si próprio e nunca há-de passar em peneiras determinantes do grau em que cada um em liberdade deve aderir e validar a o que em consciência acha melhor para si e para os outros.

Não é verdade que militar por causas (justas) corresponde à falta de liberdade individual e nem tão pouco tornar-se escravo dos partidos políticos ou dos líderes políticos. Não. Jamais é sensato pensar assim. Afinal o que é a liberdade senão o que ela significa para a pessoa e o que esta pode fazer por ela, a liberdade.

A liberdade não precisa de ninguém para existir e nem tem projectos para quem dela queira beneficiar. As pessoas é que projectam alcançar a liberdade para si e para os outros e como tal terão de militar e no duro para consegui-la.

Liberdade não combina com cegueira mental, mas sim com a oportunidade de os humanos batalharem pelos seus ideais. Kb

DIVAGAÇÕES 2


                  DIVAGAÇÕES

Estou convicto de que o Mpd e sua atual liderança nos quer roubar a verdade hoje vivida para nos impingir o passado já vivido. Não deixa de ser o ajuste de contas com o passado traduzido na festança da mudança na Gamboa sob capa da celebraçãoda nova constituição da república.

Numa cidade à beira mar plantada, mar que aliás nos põe a divagar buscando pousos sensatos, mas mar onde o líder da oposição ao governo não é mais que um navio afundado justo num tempo de triste memória para o país, mar rubro de ferrugem em que o orador clama por “mudança"quando o seu pais está engajado na transformação física, social e económica suportado por programas alargados de investimento público devidamente orçamentados e aprovados, não fiquem, pois, à espera que eu me lamente da oratória que tem a pobreza, o desemprego, a habitação indigna, salários de miséria, criminalidade, etc. como denúncia impreterível sem que vez nenhuma tenha aventado com que recursos e onde os tem guardado e como pôr cobro à situação de impunidade.

Para já, a soma paga para a festa acontecer daria para reparar todas as casas degradadas de Achada Mato e Safendi, porque foram cerca de dez mil contos semeados à beira mar sem beneficiar ninguém em concreto. Mas não. O líder ventoinha tinha de aparecer à juventude para se justificar, para posar e dar nas vistas, para mostrar-se como guia principal do livro que contém as regras maiores que todos devemos obedecer. Havia mesmo de ser assim. Havia essa necessidade de mostrar que sem o espírito ventoinha éramos todos uns cabeças pálidas sem liberdade de pensar, de cantar, de falar, de escrever, de sair, ir e vir, gozar a vida, incluindo saber o que queremos ser e quem nos deve governar.

Não, não sinto raiva disso. Vergonha, sim. Porque haveria eu de me sentir culpado? Não paguei os outdoors, não custeei a festa, não contratei, não menti e nem prometi mudança… Enfim, julgo estar de bem comigo mesmo. Sou igual a centenas de milhares de homens, mulheres e jovens da minha terra. Nem mole nem herói. Apenas testemunha. KB

domingo, 26 de setembro de 2010

O Assalto em 10 Pontos

        


  O Assalto ao Poder 2011

Mais do que nunca o movimento ventoinha, o MpD de Carlos Veiga, que congrega um grupo económico forte prepara-se para assaltar o poder em 2011.

O assalto ao poder pela via democrática ou seja por via das eleições é hoje uma estratégia gizada por grupos de interesses diversos instalados nas forças políticas híbridas, do cariz do MpD, cuja missão é fingir defender os interesses sociais do povo, para, poderem conduzir os seus negócios e as finanças de acordo com as alianças pré estabelecidas. Sabendo o MpD e seus aliados que falho esta vez, jamais serão Poder, tudo farão para alcançarem o grande objectivo: O Assalto ao Poder em 2011.

Estratégia:

1. Aliciar a maioria do eleitorado usando os recursos das Câmaras Municipais. O caso da CMPraia é explícito. (obteve grandes somas para projectos via B.Valores).

2. Asfixiar as vozes criticas pela via da intimidação ou distribuição de dinheiro e de outros bens nas franjas do eleitorado carente ou seja comprar consciência.

3. Alimentar a desilusão permanente nos jovens criando focos de instabilidade e de arruaças através de festanças e recreações (pagas pelas Câmaras Municipais).

4. Inflacionar a criminalidade, acusar as autoridades judiciais, desanimar as forças armadas e desacreditar a polícia e a sociedade.

5. Incentivar jornalistas e escribas na produção e divulgação interna e externa de notícias bombásticas e de desacretidação do país (autêntica lavagem de cérebro).

6. Falar e explorar até os limites da revolta as dificuldades das pessoas obrigando-as a exaltarem-se e a manifestarem-se cotra a governação do Paicv, contra o primeiro-ministro, levando-as a esquecer a obra feita, os ganhos sociais conseguidos pelo povo, e desvia-las das suas intenções de voto colhidas em sondagens.

7. Fazer das Câmaras Municipais afins autênticos postos de controlo das comunidades e dos municipes e torná-las fontes de emanação do descontentamento e de aversão ao governo democrático, pessimisando os beneficios sociais promovidos por este e estimulando o espirito de coitadeza.

8. Comandar os peões colocados nas diversas instituições do estado e dos institutos públicos no sentido de gerarem e de gerirem as incompatibilidades, atrasando os processos e os procedimentos que visam medidas de promoção do emprego e do auto emprego para os formandos.

9. Tentar complexar os governantes e os dirigentes do partido do governo, o PAICV, caluniando-os na praça pública, denegrindo a sua imagem e desacreditá-los junto do eleitorado nacional e da comunidade emigrada.

10. Caso não resultar e a situação lhes ser desfavorável, primeiro, confundir o processo do dia das eleições, obstruir as assembleias de voto, segundo, criar a insegurança e a deserção dos votantes, terceiro, declarar a fraude e impugnar as eleições.

(ken ki faze codjeta ten ki scodje gran di simenti e padja runho ta mondadu).
KB

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

DIVAGAÇÕES 1


Era no pendon di banana (tronco) que os meninos do meu tempo aprendiam a nadar no tanque de rega da Boa Entrada. Deste tronco mole seco saiam bons utensílios domésticos e muito apreciados antigamente. Dava para muitas e muitas coisas inclusive a esteira usada nos actos funerários cuja reza era durante uma semana, tradição muito forte em Santiago. Hoje, caida em desuso, de esteira objecto, ficou o nome que simboliza a casa enlutada.

É interessante como é que as coisas, os lugares, a terra, as plantas, os animais domésticos, as árvores, o céu e os fantasmas, são achados para fazerem parte do quotidiano, provocando e exercendo grandes influências sobre nós e as nossas vidas, regrando de certo modo a nossa forma de ser e de estar.

No meu tempo de menino a pessoa comparada a um corvo ralhava-se e refilava bastante a ponto de convidar o acusante para a briga, podendo a faca cantar mais alto durante a discussão. Hoje, não! Ser-se corvo é normal. Não é depreciativo. O corvo não brinca e nem se diverte. Diz-se que ele não farta por mais que mete comida dentro porque da goela à cloaca é uma coisa só. Passa milho e saía praga.

Os espantalhos que tomavam conta dos sítios semeados afugentavam nada estes faimadu, (esfomeados) porque são aves descaradas, daninhas e superlotadas de má fé, porque agoirentas, praguejadoras e nojentas. O corvo é vitima de praga da sua mãe. Corveja e diz quatro número que os antigos conotavam com as quatro asas de um caixão ou as quatro pontas do esquife apoiados nos ombros dos que o transportava para o cemitério.

Contrario, é o cão. Animal preferido, modesto e amigo que sabe guardar dentro de si as boas amizades. Ele não é atrevido, antes pelo contrário, é bastante prudente e desconfiado porque joga no seguro. Não gosta de ser enganado e de ser provocado. É tolerante, mas não é covarde. Nunca erra o dono e nem o caminho de casa. Os corvos, sim, jamais sabem de si porque erram arrepiando o caminho. Porém a bananeira frutifica e deixa o broto novo, enquanto o cão decifra o atalho, contudo o corvo delira no vai-vem. KB

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Post de Reconhecimento




Ex. Sr..
Dr. Jorge Tienne Cardoso
Mui Ilustre Director do Hospital Dr. Baptista de Sousa
Cidade do Mindelo
República de Cabo Verde


Com conhecimento a:

Dr. José Maria Neves, Sr. Primeiro-Ministro da República de Cabo Verde
Dr. Basílio Mosso Ramos, Sr. Ministro da Saúde da República de Cabo Verde
Dr. Arnaldo Andrade, Embaixador da República de Cabo Verde em Portugal
Professor Doutor Agostinho Almeida Santos, Cônsul Honorário de Cabo Verde em Coimbra
Professor Doutor Manuel Correia, Presidente do Instituto Português do Desenvolvimento
Autores cabo-verdianos dos livros "Tchuba na desert" e "Destino de bai"
Dr. Eduardo Castela
Dra. Rosa Reis Marques, Presidente do Conselho de Administração do Hospital Pediátrico de Coimbra


As mais cordiais saudações.

Tendo Saúde em Português tomado conhecimento através do Dr. Eduardo Castela, da inauguração do Serviço de Telemedicina - Consulta de Cardiologia Fetal e Pediátrica do Hospital Dr. Baptista de Sousa, em Cabo Verde, com o apoio do Hospital Pediátrico de Coimbra, Portugal, hoje, dia 21 de Setembro, pelas 14h 30m, vimos felicitar Vª. Exª., o Hospital que dirige e toda a população abrangida pela excelência desse Serviço, contributo para a melhoria da qualidade em saúde.

Vimos também solicitar a Vª Exª nos indique os dados bancários (IBAN e SWIFT) do vosso Hospital, de forma a procedermos de imediato à transferência bancária de 13.579,79 euros, a título de donativo, destinados a custear encargos relacionados com instalação e referido serviço de Telemedicina.

Esta verba, é proveniente de proveitos obtidos com a edição e venda das publicações "Tchuba na desert" (antologia de conto inédito caboverdiano), "Destino de bai" (antologia de poesia inédita cabo-verdiano), "Coisas que não se esquecem..." de Eduardo castela, e "Canto e Lágrimas em Terra Quente" de Hernâni Caniço, a cujos autores muito agradecemos, pela sensibilidade, apoio e fraternidade e da III Caminhada Solidária 'Vá por si, seja feliz!', organizada por Saúde em Português.

Certos da vossa melhor atenção, na expectiva da vossa resposta, tão breve quanto possível, subscrevemo-nos renovando as mais cordiais saudações, e com um abraço ao povo de Cabo Verde
Hernâni Caniço
Presidente de Saúde em Português



Para os Poetas sem Prémio


É sonda os poemas que escrevo

Na vida esmaecida pelo sol dos dias

Rumores do tempo,

Das nuvens e das brisas vadias.


É bronco o poema que escrevo

Na terra dura e árida.

Palavrões do vento,

Dos descrentes e loucos varridos.


É tronco os poemas que escrevo

Na tela pura e alva.

Maresia de vivas marés,

Das luas dos galos burlados.


Mas neles há terras e caminhos

que cada um de nós conhece

Há montes de músculo retesado

semeado de grãos selvagem.

Há homem que nunca desiste.


Há hinos e vozes mil

olhares e desafios difíceis.

Há músicas e ritmos montanhas e sombras à deriva.

BK

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Poema Intelectual

Podem mesmo acreditar.
Nunca gostaria de ser poeta como este crioulo branco
laureado com o prémio de saber poetar na língua segunda da nossa cultura
ou seja no idioma de Pessoa e digo o porquê:

Não bebe nem come xeren
Não sabe fritar ovo
Porque jeito não tem.
Não come vaca nem polvo
Não sai de riba de Praia
Nem de carro nem a pé.
Passa o tempo no Sofia
Fuma nem chaminé.
Sabe ler e escrever
E não sabe dançar.
Mulher é só p'ra ver
Gosta mais é de falar.
Vive num sobe e desce
E nunca foi boémio.
Faz anos e não envelhece.
Coisas do Arménio.
KB

Poema em Pó




Se Deus é amor..!

O que é desamor?

Por se amar

Irar-se amando é pecar?


Baixem o patamar do tornozelo

E calmamente caminhem

Por esta magra courela

Compenetrada no silêncio

De um gosto irado de tanto amar.


Quem o suor vertido do abrigo do corpo-chão seu

Lavar a tola dos deslavados aceita?


No amor é nada viril o atino de não se pecar por ira.

Cavem aqui companheiros e provem o sal-i-sucrato

Deste gostirado de tanto amar.

KB

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Vento & Ventoinha

DANINHO TEM MEDO DI DANADO

Com a recente revisão do Código Eleitoral aprovada a 01-02-10, pela unanimidade dos deputados presentes na Assembleia Nacional, procedeu-se à alteração das disposições específicas do Código Eleitoral referentes ao recenseamento no estrangeiro, visando adaptá-las aos novos princípios entretanto aprovados pela última revisão do CE (Código Eleitoral), e de outras disposições conexas relacionadas com o processo eleitoral no estrangeiro, cuja experiencia aconselhava deverem ser adaptadas, sem contudo alterar o conteúdo, o sentido e o alcance a que as mesmas se referiam.

Durante o recenseamento eleitoral geral no estrangeiro e nos períodos eleitorais, a entidade recenseadora de cada unidade geográfica de recenseamento é a comissão de recenseamento designada nos termos do Artº 78º do CE. Nesta matéria o MpD acautelou-se mal.

Furtando-se ao inicialmente acordado, cuja lista dos eleitos a esse órgão recenseador eram e são a prova cabal do consenso chegado ao nível das partes parlamentares, arrepiadamente, o MpD no seu exercício ventoinha vem desandando e desinformando, justificando-se com variantes outras e demais aborrecidas porque ninguém acredita que os craques da fraude deixaram de o ser lá porque sofrem na oposição da ganância do poder. São tão fastidiosas as acusações que se tem vido a fazer, a ponto de todos os escribas ventoinhas vêm batendo sobre a mesma coisa da forma mais incrível, a pensar que alguma vez que a hegemonia da mentira prevalecerá sobre a normalidade dos factos. Por isso essa passeata custosa (com dinheiro de que fonte?) e o buscar de factos como quem fareja o cio do verbo fraudar.

Por causa do recenseamento assistimos a actos impensados, a atitudes espinhosas, adentro da estratégia emepedina de manipulação da opinião pública dentro e fora do país, para fazerem crer que a culpa é dos outros, sempre do Paicv e do seu governo, esquivando-se concorrer de forma ordeira e pacifica nos necessários esclarecimentos que esta matéria requer. Mas não. Os aventolas preferem a confusão. Esta pretensão em querer de viva força impor regras da sua conveniência, não passa e não cola. O MpD mostra-se uma turma atrasada destinada a provocar a instabilidade do acto eleitoral e a deserção dos votantes.

É preciso que se saiba que o espaço de participação política é de todos e sem forçar ninguém. Todos os partidos têm a importância que têm. Não pode e nem devem ser convertidos em campos de ensaio de conflitos (latentes) e nem tão pouco em agentes do descrédito das instituições da república. É que acreditar nos aventolas é como atear fogo em lenha verde, fuma, fuma e não flora lume. (BK)



Cabo Verde na Morna


 Foi ontem às 18H30 horas, no Centro Cultural Portugues da Praia, a primeira apresentação pública do trabalho a solo da cantora Bia Sousa - Cabo Verde na Morna -.
A experiencia colhida no Simentera revelou-se ser muito útil para a cantora, a começar pela boa escolha que ela fez dos autores das músicas que interpretou, sendo eles Umbertona, Mario Lúcio, Antero Simas, Norberto Tavares, Luis Fonseca, Kaka Barboza,Vuca Pinheiro, José Silva e Santos. É um trabalho notório. A mim o que mais me agradou é o cuidado que ela teve em procurar os autores das músicas e deles obter a letra e a melodia originais. Há muitos registos que ficaram truncados porque o intérprete não se deu ao trabalho de procurar a letra original junto do autor, obtendo-a de ouvido ou passado por algúem desprevenido. O mesmo acontece com a melodia, facto que embaraça e adultera a obra. Não deixa de ser um desleixo do cantor.

A extraordinária morna - Morna Nobu de Luis Fonseca - é um caso flagrante. O tema original ouvido ontem tem pouco a ver com o que Nho Baltas e o Bana gravaram. Esta morna foi cantada por ZeZé Aguiar em Assomada nos finais dos anos sessenta e aprendida com o autor na prisão. Pode ser que naquela altura da clandestinidade por a letra da morna ter sido mal fixada na cabeça sofreu deturpações, acabando por ficar registada da forma como foi o que só agora com Bia Sousa é tida na sua forma original. (Excelente trabalho Luís Fonseca).

Gostei da Bia Sousa. Ela procurou ser muito séria no que fez. Gostei muito da forma com interpretou a morna Nha Terra Aonte e Aoje feita por mim e gravada pelos Tubarões. Fez-me recordar o ambiente de Mindelo nessa altura. Senti que ela dedicou-se muito. Talvez, seja pelo facto de nos conhecermos ainda em Mindelo - Fonte Cônego - onde morava (1970) a “ Bia de Nhô Kobe” aquela menininha basofinha, amiga e colega de escola da minha mulher.

Pois, Bia, desejo-te boa venda do disco e que as rádios saibam tirar bom proveito desta tua contribuição musical.
Tu não precisavas da sala cheia, mas sim de pessoas amigas e apreciadoras do teu talento e da tua simplicidade a cantar. Vi que estavas um pouco nervosa. Mas estávamos todos ali contigo. Então! Claro que no Simentera a malta se afinava pelo companheirismo selado com o bom vinho servido pelo maestro Mário Lúcio que pedia relax antes das atuações.
Que saudades. Se houve Simentera agora está-se a colhetar. Chegará a minha vez de partilhar convosco os meus inéditos. Kb


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Bia Sousa Vez & Voz

É hoje pelas 18 HORAS no Centro Cultural Português da Praia  na Achada Santo António a apresentação do disco da cantora BIA SOUSA. Cabo Verde na Morna é o título do trabalho discográfico. Bia é a primeira a contar de esquerda. Vamos, pois acompanhá-la nesta grande aventura que é viajar pela e com a música. Parabéns do Sondi ViraSon. Sucessos. KB

Os 10 Furos de CV

CARLOS VEIGA NÃO PODE SER PRIMEIRO MINISTRO, PORQUE…

1. CV nunca foi pessoa nem politico coerente;

2. De agente da administração colonial em Angola passou a Director do Saneamento da Administração Pública durante o processo de transição para a independência nacional. De activista do PAIGC a colaborador do Comandante Pedro Pires enquanto chefe do primeiro governo de Cabo Verde, valendo-se como um dos principais mentores da lei da Reforma Agrária. Revirada a casaca, tornou-se democrata e primeiro-ministro estratega dum movimento hegemónico e intolerante;

3. A sua governação nos anos noventa foi recheada de escândalos financeiros e económicos lesivos a Cabo Verde, ao seu bom nome e aos superiores interesses do povo, culminando da maneira como se sabe: cansado, nervoso e incapaz, nomeou um primeiro-ministro substituto, desrespeitando as leis, as instituições e o próprio presidente da República;

4. Fartou-se de arvorar em competente, transparente, cumpridor e moralizador da nação enquanto acontecia as maiores fraudes eleitorais, os maiores desvios de dinheiros públicos, as maiores injustiças públicas, a maior investida do crime organizado, a mais vergonhosa profanação do sagrado, a maior calamidade pública dos últimos tempos “a cólera”, tudo isso em dois distintos mandatos;

5. Não conseguiu evitar a instabilidade governativa sendo ele próprio o gérmen da inconstância que atingiu MpD, a sua bancada parlamentar, o governo, tendo o movimento ventoinha cindido em dois grupos, o PRD e o PCD de onde surgiram as mais virulentas críticas e as piores denuncias jamais feitas a um chefe político em cabo Verde (ver textos do Correio Quinze).

6. Não conseguiu moderar o sistema político dado á arrogância com que usou o poder, que o tornou teimoso, conflituoso e interventor, primeiro na comunicação social perseguindo jornalistas, segundo nos tribunais onde dava ordens calcando a sua independência, terceiro na caça e julgamento de sindicalistas, provando que podia apitar e jogar ao mesmo tempo;

7. Não conseguiu representar com dignidade a Republica de Cabo Verde por fracassar nas políticas interna e externa de Cabo Verde, por via disso, não pôde criar outras pontes e alianças sólidas com países amigos e nem tão pouco aproveitou da melhor forma as que existiam desde a independência a ponto de algumas organizações acreditadas e alguns países doadores desejarem abandonar o país;

8. Não conseguiu, nem delinear nem aplicar políticas públicas consistentes em programas de luta contra a pobreza, contra a degradação do ambiente, contra a exclusão social, contra a delinquência juvenil, nem tão pouco tinha uma visão do mercado de trabalho que propunha a formação profissional como chave para o emprego e o auto emprego. Antes pelo contrário liquidou tudo o que era infra-estrutura de acolhimento e de formação profissional e cívica dos jovens;

9. Não conseguiu, apesar dos avultados recursos externos conseguidos, apesar dos recursos das privatizações relâmpago, apesar de crer que o seu governo tinha construído uma economia e um crescimento robusto, apesar de tudo isso, não pôde pagar salários aos servidores do estado a tempo, não pôde transferir dinheiro para as embaixadas, não pôde transferir dinheiro para pagar as bolsas de estudo, não tinha reservas para garantir as importações e por via disso em 2001 o país estava á beira da rotura total e sem moral político para negociar com os credores e os doadores;

10. Não conseguiu conceber nem erigir nenhuma infra-estrutura de vulto que viabilizasse o desenvolvimento sustentado em domínios como a educação e a formação, a saúde, os transportes e a agricultura por falta de visão, de moral político e de credibilidade. Kb 

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Dâ Lónga


No dizer de Santiago lónga é igual a passo. Lónga grandi = passo largo. Há longa = dar. Longa-m kel kuza = dá-me ou passa-me aquela coisa.  Vista esta introdução vamos ao seguinte:

Periodicamente surge em Santiago, localizadamente na Praia, o chamado kontu nobu ou seja cria-se uma palavra ou uma frase curtíssima que sintetiza magistralmente um dado facto ou um dado acto.

Por exemplo; kassubódi, espádja pé, gravata, grampo, soco na rosto, kutubelada, banhada etc. Cada lugar no mundo deve ter este tipo de brincadeira que a giria popular codifica para economizar a fala.

O Meu filho contou-me isto: Dois amigos sentados á mesa numa esplanada conversavam e tomavam um refrescante. Havia mais gente e alguns lugares vazios. Entretidos na conversa, três conhecidos, amigos entre aspas, aproximarem-se deles. Os seus punhos cerrados tocavam-se em sinal de cumprimentos. Pediram para ficarem juntos sentados e assim aconteceu. Habituados ao ambiente, os recém chegados mandaram vir pizza, cola e cerveja. Comeram, falaram e riram-se avontade. No meio da conversa animada um dos chegados pediu licença para atender uma chamada no seu móvel. A seguir, a sinal do primeiro, o outro fez o mesmo. Instantes depois, o último levantou-se, fingiu chamar a empregada, tomou balanço e deu lónga, quer dizer, foi-se embora.

Como os três rapazes não voltavam aos seus lugares os dois amigos restantes começaram a ficar preocupados. Com um sinal pediram a conta à empregada. O papelinho dobrado no pires de porcelana ditava a soma de 1 260$00. Olharam um para o outro espantados. - E os outros? Disse um deles. – Sim! Os outros! Repetiu o colega. - Porra! Não me digas que os filhos da mãe dâ longa e deixaram a conta de nossa conta. - E agora! Entreolharam-se.

Desconfiada, a empregada de mesa, receando arcar com tal responsabilidade, entrou e avisou logo o dono do lugar que teve de sair no imediato para tomar conta da situação e decidir o que fazer com esses dois. Tratando-se de jovens e filhos de gente conhecida e moradora na vizinhança da esplanada combinaram que o saldo da conta seria liquidado no dia seguinte sem falta.
Eis o flagrante de como se dá longa. Um termo novo para uma esperteza também nova.
Olha a malandragem... dizia o Mario Lúcio. Kb 

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O Paraíso

Neste paraíso vive a minha osga e o meu cãozinho.


A minha casa é sempre fresquinha mesmo no periodo calorento. O facto de morar no segundo andar também ajuda. Vamos ao que interessa mais. Do frigorífico tinha tirado a minha caneca inox com água bem refrescante. Nesse dia precisava mesmo fazer umas mudanças em casa. Faço-o constantemente para desenfadar o ambiente da sala onde a família se reune a toda a hora. Enquanto deslocava a estante de vidraria de um lado para o outro, a minha filha gritou: - Osga! Osga grande. Avé Maria! Ela estava no quartinho e mudou-se para a sala. Do lado de trás via-se a imagem estática que adornava o forro do armário. «Não posso com este bicho! Não! É muito feio. Mata-o depressa». Disse a dona da casa. - Alto aí! O dono da dona casa ordenou. Não! Ela fica. Deixem-na estar. Assim a grande medalha da sorte safou-se. Pelos cálculos media uns 13 cmts e pesava 203grms. A maioria declarou que ali seria o paraíso do bicho.

As osgas não são venenosas apesar do seu aspecto ser repugnante. O que é certo é que esta medalha da sorte continua dentro de casa e não faço tenção alguma de a tirar ou matá-la. Ela presta um grande serviço. Além de dar sorte acaba com os insectos. Desejo com todo o fervor que ela se engravide e que venham filhotes. Deujá-de-kéra... para o bem e pela sorte da vizinhança.

A minha netinha Laura é fâ Nº 1 da "ogas di Kaka" = osga. Ficou mais fâ ainda ao vê-la destacada como fotografia da semana no Jornal a Nação. Obrigado Jornal pela divulgação. Tenha muita sorte e boas vendas. Mandarei, se assim o desejarem, um filhote quando nascer.

PS. A minha mãe de 89 anos ficou radiante com a noticia e mandou comprar o Jornal para ver e recomendou: « Osga em casa dá sorte e não deixa a mesa ficar sem o pão-nosso de cada dia». Obrigado mãe. KB




segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O Pátio


A janela do meu quarto dá para este pátio fresco e mais ou menos limpo. Todas os dias depois do almoço dou uma olhada para baixo. Um pé de acácia rubra está mesmo por baixo dos meus olhos. De uma à uma e meia da tarde um gangue de vadios - seis elementos - almoçam ali à sombra. Claro que é comida tirada dos contentores de lixo. Depois fumam o charro da ordem e forram-se no sono. À tardinha fazem o mesmo. Talvez por causa do tempo hoje não lá estavam, mas sim outros, não vadios, mas filhos de gente ilustrada. Estavam dois rapazes e duas raparigas. Uma era mãe e trazia um menino de menos de um ano ao colo a receber a fumarada.
Muitos jovens do bairro e de zonas mais proximas agrupam-se ali para o fumo. Alunos do liceu Pedro Gomes e tudo. Há dias em que a fumarada entra pelo quatro adentro e o cheiro permanece por algum tempo. Mas o que eu queria dizer é o seguinte: será que o que se chama de programa de combate à droga não é desperdício de dinheiro, tempo e palavra?
Não é so jovem fobado que está ali ao fumo. São os com emprego e dinheiro no bolso, choferes de automóvel de boa marca juntamente com outros que curtem este tipo de coisas. É uma opção claramente assumida.
Jamais cuidaria pela salvação de gente que opta decididamente por este tipo de vida.
Pela minha osga sim, pelo meu cão sim, pelas minhas netas sim. Tudo faria.
Por mim a canção inédita na casa de banho chega.
Nota: (saí a correr para o aeroporto não corrigi gralhas). Agora sim. Kb

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Etc e Tal e a Capital

Uma praceta ao ar livre, chão verdinho a pdm, plantada de maquinetas de desengorduramento dos cidadãos desta urbe foi inaugurada pelo atleta Uliss em nome da Câmara Municipal da Praia.
A obra e tudo mais custou mil e seiscentos contos de dinheiro vivo.
O passeião da avenida, segundo ele, vai receber mais obrinhas desta natureza para tornar os praianos mais apresentáveis, quer dizer desbanhados, digo, sem pineus deformadores do corpo. Claro que aquilo não foi feito para partir a gordura aos macacos e nem à minha querida osga de 203 gramas. Bicho não. Gente sim. Por isso é que vai ter guarda permanente.
Não vi nenhuma rabidante ali a sorrir para a câmara, apenas umas rotxotxudas a tirar os três às maquinetas e congratularem-se pela oportunidade que lhes foi dada. Resta saber se o perfume dos pupus ressuscitados pela água da chuva, a maresia da gamboa mais os minutos de exercício ajudam à desengorduração rápida dos que mais necessitam estilotar.
Etc e tal e a capital de todos nós. KB

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O SOCO DE HOJE

O Liberral online trás hoje um título assim:

SEMINARIO LICEU DE SÃO JOSÉ SEM MURRO DE PROTECÇÃO
CORRE SÉRIOS RISCOS DE RUIR
O que significa que o Liceu precisa de um bom soco para não ruir.
Ah! Estes buros a lidar com o ére
Já agora ontem a apresentadora da Record CV disse: Duas milhões de refugiados.
Por isso eu teimo em dizer: CV Tera de Entendimento Mádio

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

ALVO


Recebi uma carta escrita a mão, num mau português de propósito, por um angustiado que se diz meu primo residente em Assomada - um tal de Felizberto Barbosa Amado - Militante da Primeira hora do Paicv - correspondencia datada de 10 de Agosto de 2010 e metida nos correios do Plateau, em 18-08-10 sob o registo o2036384 e encaminhada para Assomada e que só ontem chegou às minhas mãos, eu que resido em Achada Santo Aontonio - Predios há cem anos.

O conteúdo é extaordinariamente belo. Elogios transbordantes. A coisa mais feia que disse a meu respeito foi que sou bom fazedor de música e que copio poesia. O resto foi otimo. Como sempre. É bem possivel que este meu ar de Santo perturba a paróquia rabentola.

O diabo é que essa malta erra sempre nos alvos.

Juro que o gajo não acerta o CÙ por ser alvo de outrem.
Bom dia. BK

Poemas do Litoral

ESPELHO D'ÁGUA EM ARCOS DE PEDRA Dois retractos do antigo Dezembro à janela do presente mirando o desmoronar do tecido verde das ...