sábado, 25 de outubro de 2014

RAPIZIUS


Tera de Aberações
Aqui a aberração é de tal sorte que: um fulano deu um muro no murro por causa duma barrata. É aberante, não é?  
Bem vamos ao que proponho para hoje. Orçamento. Todo o mundo sabe o que é um orçamento. Um documento que sistematiza sonhos em números. Quem sonha fazer uma casa pensa logo no orçamento, com que dinheiro e onde ir busca-lo. Foi o que aprendi com o meu falecido pai. Fala-se muito do orçamento do Estado, desbocadamente, como se o dinheiro já está encaixado na tesouraria pública, e, agora, é só gastar em coisas. Falso, isso.
De um político ouvi dizer que o Orçamento do Estado para 2015 não traz esperança para os caboverdianos. Quando eu era deputado o Parlamento organizou uma formação em legística para os deputados. Em boa verdade os sabichões não marcaram presença. O orador era versado matéria de Orçamento e Lei do Orçamento. Era um expert português, Dr. Professor em direito, com elevado conhecimento e experiencia no assunto. Disse em determinado momento: “O Orçamento do Estado não é um instrumento para combater a pobreza. Em parte nenhuma do mundo. A pobreza combate-se com outros meios em outros orçamentos. Não com o OE. O OE é para fazer funcionar o estado para servir os cidadãos que são os pagadores dos impostos. O OE é para criar eficiência e transparência na gestão da coisa pública. Nenhuma lei deve ser feita e aprovada sem se conhecer os custos que ela impõe a sociedade”. Ponto final, para bom entendedor.
 
Enquanto deputado e membro da Comissão Especializada de Finanças e Orçamento, nunca as receitas do estado ultrapassaram os 43 milhões de escudos, ou seja, este montante é que faz funcionar o estado na sua plenitude, incluindo a custosa democrança instalada, que a Constituição nos impõe para agradar os Gês dos países que detêm o poder financeiro e dão-nos ajuda financeira sem a qual as aberrações eram maiores. Aqui na CVLandia! Onde ir buscar mais receitas? Onde tributar? Se os impostos são como o Diabo que todos temem e poucos pagam. Não nos iludamos. Cabo Verde não tem canela para aguentar tanto falatório oco de práticas, tanta invencionice democrática, tanta tolerância excessiva, tantos prometimentos, tantas exigências e calvo de honestidade intelectual.
O pior das aberações é que está na política vários Nhôs e Nhâs que andam a pilar ovos na cloaca do pássaro. Na terra de aberrações é normal.
KBarboza  

Depoimento

LANÇAMENTO DA ANTOLOGIA CABO VERDE PROSA LITERÁRIA PÓS-INDEPENDÊNCIA DEPOIMENTO     Caro confrade Jorge Carlos Fonseca, poeta...