quarta-feira, 23 de setembro de 2015

EXERCITANDO DECLIVES



Há mudanças, sim!
Em todas as coisas criadas.
Há sacudimentos, sim!
Em todas as direcções da terra.

Os equinócios exilaram-se como baleias
a sensatez implodiu como carvão aceso
o calendário e os tempos de agora
são peixes e aves mortos
na areia com plástico no ventre,
são expatriados sem atalho,
são sonhos e viagens traumatizantes.

Há alterações, sim!
Em todas as coisas geradas.
Há abanões, sim!
Em todos os sentidos da vida.

Os condecorados!
Estão ao dobrar da esquina
Da Avenida Liberdade das Nações
Nas escrivaninhas e mansões.
Mas a grande mutação virá!
Quando
pelo sol o mar subir as árvores.


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Tera de Aberações






O Programa Tarde Jovem na nossa TCV é um espaço de demonstração o quanto a CV Landia está no caminho certo da desmantelação da nossa rica pertença cultural (popular). É um programa inconsistente, alienante e vazio, tão vazio que espanta.

Gestos, movimentos, discurso, canto, indumentária, tics enlatados, tudo, tudo isso, reflete a aprendizagem que a juventude dos bairros da capital fazem dos produtos pirateados no pelourinho, protegido pelas autoridades, pelos " Podores de Musica e Donos do Tempo de Antena da televisão paga por nós outros. Faz-se e fala-se e não se tira nada de útil do que o programa dá a ver e a ouvir. E não venham dizer que é um espaço para evitar os jovens a desencaminharem-se e a não se meterem em delinquência. Hoje em dia mete na merda quem quiser e não há como evitar isso, porque a CvLandia é uma terra de disfarces e da indiferença.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Poemas em Setembro 3





Nestas águas acesas
O grão dança delicioso
Bêbedo de chão.

Nestas lavras densas
O sol esperta gracioso
Da cor do mamão.

Nestas covas intensas   
O vivo esponta garboso
Soletrando pão.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Poemas em Setembro 2


 Improvisação para este tempo em que a terra nos oferece o melhor da sua generosidade - água e crença no porvir.

 Erguer-se-á neste retrato
 o amarelo da espiga
 inscrito na banda tricolor
 que deu terra aos braços das ilhas.

 Erguer-se-á nesta palma d’água
 a trova e o canto das enxadas
 e não haverá gaita
 nem violão mais cantável
 do que as enchentes e cachoeiras.

 Erguer-se-á neste ombro da terra
 o rio da vida no riso dos meninos
 e não haverá destino outro
 nem noites e sonhos trevosos
 nos lares e nas manjedouras.

 E não haverá nada mais palpável
 do que dois mares de água
 um na boca das levadas
 e outro na proa do pescador.

 Erguer-se-á neste charco
 a espiga do porvir do chão
 inscrito na banda tricolor
 de sol, suor, verde e o mar.
 no para sempre da terra dos nossos avós.

 Erguer-se-á neste pedaço
 o poema novo do poeta sem nome.

Poemas em Setembro


barragens transbordando
a conjugar o ano de azágua

o calendário em equilíbrio
no cabo das enxadas
as raizes nas mãos da lama
abrem a evidencia das flores
debaixo do sorriso do poeta
o mar engole a palavra - seca

Poemas do Litoral

ESPELHO D'ÁGUA EM ARCOS DE PEDRA Dois retractos do antigo Dezembro à janela do presente mirando o desmoronar do tecido verde das ...