quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Bilhete Celebrativo 1


BlogBrodas

30 dias, 720horas, completou, hoje, o SondiViraSon como nado-vivo, girando em torno do seu eixo, no sistema Gaveta Branca, cuja placenta situa-se na galáxia Txáda Santantónidisantiagu.
Infantil, decididamente infantil. Celebrar mensalmente, sim, porque no mundo de hoje há muita precocidade, morti bidjaku, sobretudo com kassubódi a espreitar se o corpo não trás mascotes de ouro ou um TiKruz, o novo celular (T+) de longe mais barato que Tcome na manso.

Sim, masturbanços, pívias, nhetas, da kavalu midju na mô, fôga banana etc. etc., de qualquer forma, o nadinho-vivinho conheceu o que é sentir o orgasmo de ter de jogar neste jogo à cabra cega, onde um certo dentro da gente é posto fora p´ra desvaler. (Des)agrada e alivia, não só pela evidente partilha, mas, (permitam-lhe dizer) pela reinvenção de nós em nós mesmos.

Assim, o SVS declara que gosta de brincar com os seguintes amigos: Abrão língua xúxu, João café margoze, Paulino walkman, Djoy escape sem fumo, Djinho santo d’águ, Baluka so mara tempo, Velu máka tubo, Pedra na bika, Hiena jorn aldo norte, Eileen kokeluche, conquanto aos restantes companheiros, o blogabraço pode vir a prosperar com o andar da idade, deseja feliz karnaval.

SVS deseja aos moribundos - morte súbita -, aos anémicos - morte lenta -, aos ramediados - morte parcial. SVS confessa que doravante passará a usar sibitxi por o Djaroz fitisseru lhe ter tirado da pena o debate blogosférico.
Bom Carnaval a todos vocês, pa nhôs tudu, pa bzôt tude.
Até os 60 dias com as suas 1440horas si lâmpida ka fundi.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Post pa Poeta JLTavaris


Má Juzé... obi li rapaz! Kuzé ki buliu rixu si ki bu ka purdua kaneta, bu ka purdua papel. Nha rapaz! Abó mardugada nega-u? Abó fridu ku kuzé? Bó Nóni é kenha?
El nen na tinta ki fari dedu na kel kau.
Abó pueta... rapaz, si krê lagoa fra, dondagu nloxa na greta, bentu faze banketi ta trossa d'azágua.
Môs djatu é li ki ten, pa rakua branku, pa spanta pretu diskudadu.
Heen! Abó N ka kanta na ka d'ôxi.... ó ki bu odja branku ta ngoda pretu ma rodidju sta na meiu.
Áli un gazadju d'alma pa bu rakinta korpu.
Pa J.L.Tavares

Mimória txôru
Sinu-l ferru son gaitadu
Ku tenpu stribadu na tabanka

Mimória múzika
Raiba riba-la na dedu Brianda
Língua na séu ta pinta azágua

Mimória kantadu
Ayan! Dja-n krebu dja-n krebu
Un konbersu un kansera xintidu

Mimória kodjéta
Gran na kalman ta kórre lugar
Spiga denti raganhadu na pilon

Mimória vultus
Nhága Baxu Figuera Finadu
Sibitxi ossu rozadi na garganton

Mimória txon
Nomi na pregu kuatu kaminhu
Lenbransa txoradu sodadi matadu

Mimória mar
Lantxa kor d’arku da bedja
Inkantada nluaradu n’Aguas Bela

Mimória txadas
Sinbron pó di Spinhu Katxupa
Óbu ngatxádu na zmíru Gatu Serra

Mimória djátus
Pandu petu kenti sima lanbiki
Gadjôfra briu na soku ku gana dâ

Mimória mosinhus
Raiba nossenti kantiga panta txota
Kaminhu sola na txon ta korre arku

Mimória terra
Briu di Tiagêz ta finka txopu
Demo! Ta nhakia Santiagu.

Kaka barboza
Praia, 2008-01-29

domingo, 27 de janeiro de 2008

Bilhete Descomplexado



1. Na vida de um artista ver uma obra publicada, seja qual for a sua natureza, é um momento exaltante para o autor. Ele é o primeiro a amá-la, e o último a recusá-la. Não estou vendo outra hipótese, já que uma obra é fruto do talento do seu criador, cujo impacto o ajuda a medir os passos da sua carreira artística, considerando os prós e os contras.

2. O Cd recém lançado no mercado por Zezé de Nha Reinalda tem merecido várias apreciações críticas por parte dos que o adquiriu e dos que, simplesmente, através da radiodifusão tiveram acesso a alguns dos mais significativos temas, nomeadamente, DUKUMENTU, título da colecção. Fala-se a boca miúda que, opostamente ao advogado pelo próprio Zéze, o disco, não é um bom disco, porque ficou muito aquém daquilo que se aguardava de um compositor referência obrigatória no nosso panorama musical.
3. Quanto a mim o Zéze cometeu falhas imperdoáveis na interpretação dos temas a que tanto se dedicou. A sua soberba voz tenor, rara em Cabo Verde, não se revelou estável, não esteve com o Zéze que vimos em Lua di Vidro, Kaminhu di Djabraba, Guentis d’Azagua, Feia Kabelu Bedju, Enterru dun Kamponês, músicas que perfizeram uma época, que marcaram o percurso do cantor, e que nos mergulhou fundo nas nossas vivências crioulas. Não. Não foi desta vez que o Zéze me agradou e se representou melhor cantando. Na edição da longa entrevista publicada nos jornais, o Zéze defendeu-se, escudando-se desta forma: «nunca gostei da unanimidade», antecipando-se à crítica. Ele sabe que o fez. Preveniu-nos. Mas, nós somos seu amigo, apreciador das suas qualidades como pessoa e como músico. Sem dúvidas nenhumas que ele pertence á galeria dos bons, dos nossos bons criadores de sonoridade.
Estaria a faltar-lhe mesmo um director musical do calibre de Paulino ou Kim Alves, ou de um outro que exigisse dele mais naturalidade e rigor na interpretação??

4. O porquê do fraco sucesso?
Quanto a mim o Zezé não pôde controlar as suas emoções no momento da verdade – registo – deixando-nos a sensação de que ele, Zéze, não esteve no canto que se propôs cantar, destrabalhando um pouco a voz, permitindo deslizes (sobretudo nas subidas de tom) diligenciando-se mais em justificar o teor das mensagens que ajeitou para a sociedade, do que manter a calma suficiente para melodizar como nos velhos tempos, e, de maneira nenhuma, não por falta da boa base instrumental que o disco contém.
5. Todavia, é preciso continuar a ouvir com bons ouvidos e apreciar o virtuosismo que o compositor Zezé di Nha Reinalda, nosso músico, nosso amigo colocou nos seus temas. Acredito que ele tem muito ainda para dar à nossa praça, carente da boa música, carente da qualidade e mais carente ainda de bons apreciadores. O Zézé tem o grande mérito de nunca ter sido pedinchão dos fastidiosos apoios e outras lamúrias do género. Sei que ele entenderá onde eu quero chegar com este apontamento.
Fica um meloabraço deste seu admirador sincero.
Kaka Barboza

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Bilhete Sem Título

Fto.Kb Este belo cidadão fazia footing na hora de ponta

TROPECIDADES

Era podre o cheiro na paragem
E o Djoka escapou-se do atropelo
Atrasado sujo e parou na viagem
Ninguém conseguiu convencê-lo

À esquina da loja China tropecei
Por mera sorte não parei no chão
No buraco meti o pé e me magoei
Meu saco preto fugiu-me da mão

Essa ruazinha sequer nome tem
Os sujeitos não contestam nada
Todos passam por Zé ninguém
No mercado é bulício e pancada

O polícia levou o vendedor errante
A coisa cambiada era contrabando
Ficou irritado o homem do volante
É tanta e quanta gente aldrabando

Aqui é a cidade justa do quebra-pé
De buracos lixarada e quebra-mola
Vale mais em casa do que ir ao café
Ouvir sempre gente a pedir esmola

Aqui é capital de vários presidentes
Leis hábitos e costumes inventados
Pessoas e alimárias são passeantes
As críticas caem em balaios furados

Rachados bocados pedaços e partidos
Pó mosca lixo avaria desvios e fofocas
Mexidas ajustes biscate e favorecidos
As tropecidades que selam as bocas.

(2000) Kaka Barboza


quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Bilhete para Baluka Brazão


Fto. Kb Cidade velha. Hora dos grilos

Eu acredito, piamente, que em cima das pedras existe a civilização de calcanhares em luta contra os calcanhares de Aquiles, autenticos estorvos, para que a vida seja vida de facto.
Igualmente, por baixo das mesmas pedras, existe a dos grilos, onde fanfarrões, escribas, músicos, pintores, políticos e indivíduos falhados, são inexistentes, onde cada saltão pastoreia as suas estrelas sadiamente, pulando de canto em canto cavando no escuro o buraco das suas luzes.

Um dia este cantador, morador do canto, impostor e pastor de estrelas, apareceu dentro do cálice que me foi oferecido pela minha sogra Alice, colocado a um canto da oficina onde existo com os meus rabiscos. Olhei curiosa e longamente o visitante. Fi-lo mal nenhum. Devolvi-o ao pátio pela janela, donde, talvez, teria entrado.
Gente «Kalka prutxi, froxa bua». Este adágio popular só podia vir de quem, alguma vez, conviveu com saltões.
Vamos então conferir o que o GRILO pode e sabe fazer:
Ele pode saltar obstáculos 500 vezes maiores que ele. Seus ouvidos ficam nos joelhos.
Algumas vezes os grilos podem causar danos a tecidos, principalmente os de seda e lã.
Ocasionalmente um grande número de grilos pode entrar nas residências atraídos pela luminosidade das lâmpadas acesas durante a noite.
Tem pessoas que se encantam com seu canto, por lembrar da zona rural, mas para outras chega a ser perturbador.
Os grilos diferem dos gafanhotos por apresentarem as antenas longas.
Os mais jovens são bastante semelhante aos adultos e diferem só por não possuírem asas.
Tanto os adultos quanto os jovens alimentam-se de diversas espécies de plantas.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Post ComRosto SemPosto


Fto. Kb Este homem sonhou e deu-nos uma Pátria


Ft.Kb Estes meninos saberão sentir e dizer: Tenho uma Pátria


Li no asemanaonline (comentários) umas barbaridades que dá pena e mete dó.
Cá dentro de mim nas minhas aritméticas antiquadas é assim:
Não devia ter sido adiada, mas, sim, acontecer - A GUERRA DA INDEPENDÊNCIA- aqui xuxa-se porque no cemitério soldados ninguém tem, mas sim finados mortos.
Nos Combatentes da Liberdade da Patria, vejo poemas e canto desalimentados.
(no coments)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Post em Continencia



Fto kb Este é Txota Suári exímio tocador e afinador da gaita de foles

Ontem, Txota veio para me ver e cumprimentar, como é seu costume. Falámos da vida e, claro, de música também. Na altura ao ser irformado da sua homenagem, perguntado, disse: «quero que o meu amigo Kaka Barboza vá falar de mim. Ele conhece-me bem, tocámos muitas vezes juntos» Aceitei, falei e deixei ficar no seu quadro a frase que bem merece a sua vida e obra.

Como se ele tivesse lido o artigo que escrevi comentou largamente as letras de hoje em dia, os sons, os roubos que se fazem, as adulterações etc. e a dado passo da nossa conversa ele saiu com esta: « Eu sou stramado como tu. Gente stramado tem dom de letra e de música». (Stramado significa mestiço, mestiçagem cultural.)

Actuou nas festas de Nho Santamaro - Tarrafal - sua terra natal e vai estar dentro de dias numa actuação na Praia. Longa vida ao T.Suári

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Bilhete para Djinho & Djoy Amado

Meus caros
Li, em tempos, um artigo que analisava vários tipos de músicas produzidas em diversos países, as suas influências e os mercados do consumo. Entre outras afirmações, registei: «anti-música é para salvar a música». «Anti-música» foi tida como um tipo de música nova vinda de uma certa franja inconformada ou seja de grupos com boa formação musical, que decidiram seguir caminhos próprios, rompendo com certos padrões consagrados. Esta situação, conotada com o que se passa na terra de O. Pantera, comecei a perguntar a mim mesmo: Temos nós anti-música? Se sim, qual é? Salvar como? Produtores e promotores onde param?
Às tais perguntas os seguintes comentários:

1.A nossa sociedade tal como ela se nos apresenta hoje, é, para mim, uma sociedade carente de satisfações, sim, mas mais de ordem imaterial do que material, por um lado, ditadas pela redução da importância do passado, com os seus rituais, crenças, mitos, cantigas, estórias e lendas, por outro lado, pela fraca sedimentação do novo em constante aquisição, afectando a automotivação das pessoas. Há retardanças dum lado, há adiantamentos do outro. Há sectores advertidos, há os entorpecidos. Mudar, para virar o fraco em robusto, é um processo idêntico ao do vaso-transmissor. Por exemplo: enquanto temos o oceano a tapar-nos os olhos, água na torneira não; enquanto temos uma selva de sonoridade, música de qualidade, pouca; enquanto há uma riqueza cultural notável, (por explorar) produtos culturais de competição, fracos. Paradoxal! Não é?

2.Pois, a cultura tem de ser vista como um todo. Como pertença de um povo não tem dono e ninguém manda recado à cultura para ela ter em conta x,y,z coisas. É preciso cultivar a cultura investindo em espaços e nos seus criadores, lá onde estiverem. Se as escolas, liceus e universidades, ajudam o processo, os núcleos de interesse não devem excluir-se.
Sejamos líquidos uns com os outros. No culto da nossa melodia há muita música com rosto-de-plástico, e tem o valor que tem; na prateleira musical nacional há carradas de CD’showismo; há festival musical oficioso a granel, … (forma de os artistas e bandas sobreviverem?) – tudo em nome da cultura – exceptuo deste contexto o festival da morna na Boa Vista.

3.Há bem poucos dias ouvimos no – Grande Salto – que: «a música contribuiu bastante o progresso do nosso país», (que música?) mas a realidade nua e crua com que essa notável pertença se confronta, meus caros, é muito adversa. Se há corpos que nutrem sons delirantes, há cabeças preteridas de apreciar um bom som. Se há ambientes (muitos) em que a mensagem vale o que vale, ambientes onde a mensagem é apreciada, poucos/raros, quer se trata de música ou de «antimúsica».

4.Assim sendo, no nosso caso, se «anti-música» é a música dos Cd’s taxativamente recosidos de zouk, déka, kuduru, bruku-bruku e rapsó-ypop, etc. e outros forrobodós copiados a torto e a direito, largamente difundidos; dos Cd’s velhacos ricos de imbecilismo, grávidas de plágio e falidos em letras, pão-nosso de cada dia, estamos vertiginosamente feitos.

5. As rádios e as televisões, ao menos as públicas, (rádio meio mais à mão de todos) se não gerirem melhor o tipo de cobertura que vêem dando a este estado de coisas, contrapondo, positivando a boa música, não á noitona, quando, geralmente, está-se fora, nas discotecas, bares, xintadas tardias e no sono, mas sim de dia, mais horas e mais vezes por dia, estamos feitos.
Nestes termos, jamais o país do Panterobatuku conhecerá e falará do Trás di Son, Dança das Ilhas, Fragmentos, do Mário Lúcio, do Vasco Martins, de Cordas do Sol, do Talulu, do Vlu, etc. e jamais saberá distinguir e falar dos autores e compositores, e de apreciar os instrumentistas, etc. jamais a música de boa qualidade tomará assento no palco das boas audições; jamais as outras artes engrossarão os seus públicos.

6.Temos de poder abordar e avaliar, sem complexos, a prateleira da discografia nacional – discografia projecto –, e … (ia pedir desculpas, mas lembrei-me do saudoso Manuel Delgado, que ao conferir um texto meu, findou, dizendo: «sim senhor, mas a pena do poeta não pede desculpas») … dizia, e uma certa “discografia lasciva” alinhada com outros interesses.
Há muita fedegosa em redor, mesmo ao pé do nosso olfacto que, francamente, ao meu violão e aos meus grilos em nada agradam. É o que penso.
Um blogabraço de kaka barboza.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Bilhete para Eugénio Lopes











Caro Eugénio

Quando a palavra é gratuita contagia fogosamente a praça.
Ninguém por tal veneno morre, sendo ela verdade.
Mas a do poeta é sentença que à alma e só a ela recompensa.
(Nunca vi poesia na rifa ou nos jogos de azar. Livro ChãoTerra Maiamo. Kb)

Caro poeta,
Há dias nós os dois, no espaço de convívio afável o Cometa, qual fatídico astro foragido que o tempo não lhe deu tempo para adorar a crioula noite e ouvir os grilos, entre cana de Lagedos e projectos teus, conferímos as nossas afinidades, evocando a ausência do Djoy do Djaroz. Música, poesia, borboletas e grilos irrompiam das verdianas expectativas de 2008, nossas.
Os improvisados momentos bestiais, existem. Criámo-los nós.
Sabias que o poeta-músico é como a enxada? … Ele cava e lavra ressoando.

Cavei Chã o fogo azul das tuas utopias
O anil das suas pupilas
Cheguei ao crime azul de seres poeta.

Oh! Como é planta o cio azul da tua tira.
Fosse ele vulgar e em branco ...
Fugia eu para o rubro do inferno da luz
Onde impera o azulíssimo
Onde é-se livre e tudo é azul à antiga.

Ali, nascem os poetas-músicos.
Oh! Como amo teu vício azul pelas gorgoletas.

Ggrilos amo e crepúsculo é o alento
É cor diurnal do son(h)o dos cantos meus.
Os teus... "azul apesar da noite como te vejo"
(improvisação - Kb)

*§*
Santa virgem moça
levo-te a meu bel-prazer
enterneço-te entre simbolos e imagens
aos prados céus montes nem te importas.

Espraio-me na candura do teu cheiro
afogo-te em rios de goelas famintas.
Ei-la no meu reino grude ao meu braço.
(Poema de Eugénio Lopes)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Bilhete Sem SobreSSaltos

Caros Blogantis
Alguns de vós deram-se ao trabalho de me brindar com boas vindas ao “universo da blogosfera”, desejando boa companhia e muita aparição. Agradeço-vos muito e espero, sinceramente, não vos privar com os meus partos. Nunca prego enferrujado, serei.

Meus caros amigos, um pastor de estrelas alimenta-se de crepúsculos; um estudante é um aprendisando; difícil é ser-se um (re)Virante do Som, trás acordos e acordes outros.
Deveras, não sei se no Univ-Blogosfera, entrei. Todavia se tal existe e se assim for, saboreá-lo-ei fatia a fatia com as pupilas duma esferográfica e sem fecho antecipado, gosto, vou gostando.
Mas, amigos, qual linha editorial e em no me do quê, qual sujeição, qual quê!... se já disse “quero viver com brio ta matxika sanzala, pastoreando as estrelas e criando ocasos”.
Vem para a página o produto da minha oficina e nada mais. A matéria-prima sei eu escolhe-la. Nela, de avental de pele de boi, bigorna, martelo, fogo duro da forja, lavro a palavra até ser falo, para fecundar a pele mole da memória dos outros. Assevero-vos: Um dia, num dos terríveis cercos que a vida me impôs, tranquilo desenlacei-me e deduzi sem o auxílio de ninguém que não era e nem foi preciso inspirar-me na coragem alheia para me valer da minha.

Portanto, companheiros, aceitem este varão que respeita o que cria e a criatividade dos demais. Bênção, se de Deus ou do Diabo, não importa a mão, na minha cabeça a minha boina. Sei que sou para cumprir a minha tarefa, aliás, tenho vindo a cumpri-la diazá, e fá-lo-ei com orgulho dentro ou fora de qualquer corpo. Bloguizo, e espero comentários e não pouparei os meus a temas que me são caros, mesmo expondo a minha palavra diante da imperante.

Vamos a um assunto: Eu ouvi bem, e muito bem, há dias na TCV, tudo o que se disse e se escreveu à posteriori (cafémargoso) acerca do estádio da nossa cultura em relação à inclusão, (igual a abrangimento) (rejeito graduação, inclusão sim porque pode haver exclusão) do nosso país no rol dos de rendimento médio. Reparem que não autoclassificámos, mas sim determinadas bitolas ponderadas pelos outros ditaram-nos tal condição. Se a bitola construída se aplica num e noutros casos não, a estória é outra. Mas, todos nós sabemos que, cá dentro há muita desafinação, há muita coisa bóss, muita omissão. Está-se a edificar um conjunto de urgências. Agora, quem confere o quê? Quem direcciona o quê? Existem mentes disponíveis? Há muita farrompa e comparência com resultados, pouca. Lava-se muito as mãos, mas para lavrar interesses …!...? ponto final. Não esqueçamos. Hoje, tudu é como um clik, tempo de sedimentação escasso. Parte-se sempre para a outra porque a novidade diz que é assim, assado e cozido e as coisas ficam no ar como nuvens de azágua atrasada.

O Mário esteve contido, esperava mais dele, contudo frisou e muito bem que: «conversa sobre a cultura não é fazer cultura». Pois, bem, uma sociedade ciente da sua cultura sabe que evolução não é saltar coisa nenhuma, não é queimar etapas, não há velho para o fogo e o novo a surgir do nada. A cultura vem de nós próprios, do homem cru que temos, a todo o tempo. Agora, falar de uma elite cultural nacional actual forte e actuante, capaz de impor outra vida à cultura, a ponto de provocar o aparecimento do novo tal como aconteceu com o grupo claridoso, ainda está para comparecer. O Leão ponderou algumas questões com equidade e João Branco foi o mais arrojado. Sendo a cultura, não a política cultural, um campo vasto e arrebatador, o jornalista, entre conferir o canhenho e dinamizar o debate, não pôde, com desenvoltura, devolver para ninguém certas réplicas pertinentes. Humbertona ficou-se pelos percursos e cursos actuais da nossa música.

Não queria, mas digo isto, a Associação dos Escritores, e outras cívicas, são órfãs, sem amparo dos seus membros, sem a vitalidade desejada, a patinar porque gente nova não quer participar e nem tomar conta delas. No entanto proliferam escribas e fazedores de tudo de toda a sorte e calibre. Ninguém tem tempo; não há tertúlias; literatura é para magnatas e música é animação nas discotecas e pintura e outras artes não têm público… e sempre os mesmos à volta das mesmas coisas…e as mesmas soncices crioulas. Há espaços, sim, com teias de aranha. Reivindica-se a emancipação, fala-se do faltante, mas no fundo a borra diz-me que há fantasmas por aí.

Há outro caminho. Sejamos nós, hoje, a fazer isso, sem sangrar a cabeça (post do Abrão). «Omi ka ta sotadu pa é toma ton. Ton ki ta toma-l». O Leão falou bem: «não temos quem tomar em mãos os produtos culturais para criar mercado, valorizando o trabalho dos artistas no geral». Eu digo mais: «correr nunca atrás de nenhum, mas sim existirmos criativos e fiéis à arte de produzir ARTE.

Ante este particular, precisamos é de poder forçar o advento de um campo para crítica, para nos familiarizarmos com o oposto, pressionando os apresentadores das obras a serem críticos. Assim, sim, a cultura e adjacentes terão movimento de rotação e de translação, haverá dia e noite todos os dias, luz e ausência dela igualmente para todos, conforme o ponto em que o observador se acha.

Outrossim, uma renovada cadeia de diálogo inter-cultural, constituída em redes de interesse, para se provocar certos rompimentos (ordeiros) como forma de se sair do entendimento médio para o de nível superior, precisa-se, porque; amparar no furado é semear grãos ao vento.
Kaka Barboza

Post à Praia Centenária

Fot. Kb Vai acontecer obras neste momumento

PRAIA CENTENÁRIA


Pa To C. Silva

Cheio di ser cada dia más Praia
Um poco más di nós y di sol.
Cidadi é um raia generosa
Um avenida di rosa moldado
Na paredi di um novo tenpo.
Cachoera di fadiga exemplar
Na dureza di mapa y paisagem.

Cheio di ser cada vez más Praia
Um poco di nos alma y di sol.
Cidadi é um cambraia radiosa
Um avenida di rumo marcado
Na século sem spírito fitchado.
Figuera di seiva exemplar
Na largueza di júbilo y miragem.

Cheio di ser cada dia más Praia
Um troço más di nos y di sol.
Cidadi é riso dun coxa briosa
Moda farol ponto marcado
Na lemi di jornada dum barco.
Bandera di heroísmo exemplar
Na firmeza di Julho y coragem
2007-02-23
Kaka barbosa

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Post para VdMaKtUb



Fot. Kb. Os teus anjos já podem vir de Ovnis para o Gamboa Festival e Self Service

Estimada Amiga
Hoje vi acácias postas na rua da rua onde transito para outros lugares da tua Praia. Um alívio. Acácias?!!! Árvores de adorno?!!! As que tenho mesmo frente à minha varanda, credo! Esticaram tanto as suas ferozes raízes, meteram-se pela fossa adentro, penetraram na tubagem acima e foram sair na minha sanita. Vá, ri-te a vontade. Miiinha saniiita, menina. Felizmente topei a tempo e horas. Podiam chegar a outros tubos… tubo digestivo por exemplo.
Vá! Tu, Filinho, etc. vocês os platões do pratô tomem conta do P da Rai(v)a & Bloguizem.
Doravante, aposto o meu post em Picos e Assomada.

Si ki ta dâ…Sóré… minhas desculpas… má!...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Meu Quinto Livro


PENADA SINKU

Ao vos apresentar o meu quinto livro CÃNTICO ÀS TRADIÇÕES, um livro de Contos & Estórias de Ponta Esquina, escrito em língua portuguesa e em caboverdiano, fica este desabafo: «fantasio ser um artesão da palavra capaz de escrever nas duas línguas da nossa cultura com aptidão e correcção.» Pode ser que não venha a ser. Mas acredito que, em não podendo fazê-lo, uma outra pessoa interessada o pode. É vencer alguns desafios. A aprendisagem, a redacção e a prática é a chave, enfim o exercitar da mente, treinando prego no papel.

Falar, saber falar e saber escrever bem o caboverdiano está ao alcance de todos. Mas, primeiro é matar os preconceitos existentes em relação á nossa própria língua. Segundo é anular a ideia que se tem de qual crioulo é que vai ficar. (Burrice... senão Madeira e Açores eram visigodos). A lingua do caboverdiano existe tal qual este povo a criou. Terceiro nem o crioulo, nem Alupec (alfabeto) nem os meus poemas e letras das minhas canções são do Manuel Veiga Linguista. Dizia eu, que é um nítido e seguro ponto de partida, para se evoluir em outras línguas e, quando isso acontecer teremos então gerado o que ainda não se verifica: a assunção do verdadeiro português falado e escrito pelos caboverdianos. Explico-me para não ficarem dúvidas: verdadeiro no sentido material da coisa (fluência, musicalidade e conotação próprias) onde as ênfases de cada ilha funcionam como autênticos temperos de linguagem. Os jovens escritores angolanos e mocambicanos dão-nos prova disso.

Em “CANTICO ÀS TRADIÇÕES” encontramos o seguinte:
1º. O conteúdo é puramente "santiago-caboverdês" concretamente Santa Catarina espaço do meu taganxo;
2º. O vernáculo a influenciar a escrita, e a escrita assente nessa procura do português caboverdiano, figurando determinadas palavras nativas, para que as frases ou as enunciações não ficassem descalças da sua significação, importância e fidelidade.

Assim, na portada do livro, da nota de abertura, lê-se o seguinte:
Esta colectânea de Contos e de Estórias de Ponta Esquina compõe-se duas partes, uma escrita em português e outra em ‘caboverdês’, duas línguas da nossa cultura colocadas aqui em pé de igualdade, sem complexos, sem prejuizos, certo de que o domínio de ambas abre e aumenta em todos nós a possibilidade de melhor nos instruirmos noutros idiomas.
De há vários anos a esta parte, baseada na experiência própria, a aposta do autor tem sido conduzida no sentido da obtenção de um resultado que visa lançar pistas para uma futura união ortográfica e bases para a criação de uma literatura moderna em ‘caboverdês’.
Esta colectânea é um cântico onde a memória e a mundivivencia se confundem na palavra tradição, mas também onde a paisagem, as crenças, os mitos, as crendices e as personagens simbolizam os contornos de um mundo em que as gentes e os meninos desse tempo jamais deixaram de acreditar.
Era na boquinha di tardi qui pardal ta binha di campo sintaba na ques árvore grandi di praça di Vila di Assomada, rodiado pa casa di Nha Babá di Senhor Barreto, pa varanda di Correio, Paços di Concelho, Igreja y Casa di Irmãs di Caridade, qui mininos ta djuntaba na um di ses esquina, tudo dia, pa ovi contado estória té muto tardi. Tinha rapazes qui ta fazeba nós vive fantasia y emoções di conto qui ta lebaba nós a esquece di hora di jantar. Canto y canto vez no leva castigo pamódi no ta tchigaba casa tardi.
Ca ta faltaba també partidas di Bocaje, Djon Grandi, Djon Piqueno, Djon Sem Medo, heróis, qui ta maravilhaba mundo di nos meninensa. (Kaka Barboza).

Vivamos um pouco estes dois textos:
«Vamos! Vamos! Depressa para a lição». Aquela voz de cana rachada ecoando na sala fazia tremer o coração dos alunos e parecia baralhar o ar dentro do compartimento enquanto ele não indicasse por onde ia começar. Port... Hist… Geog... Aritm... Ciênc… páginas destes livros rebolavam como faróis respirando fogosamente na cabeça dos alunos. Isto acontecia num tempo em que ser professor era como atear o fogo em lenha verde num fogão de três pedras e para os alunos a escola era um calvário de aprendizagem.
- Tu, ali, menino! Quem mandou plantar o pinhal de Leiria?
- O pinhal de Leiriiiia. O pinhal de Leiii.
- És algum ruminante? Ruminar perguntas para quê? Vá, diz lá e depressa.
Confuso, o menino tinha levantado os olhos do chão piscando para o lado. Uma sopradela fê-lo responder de pronto: - Egas Moniz.
Mal fechou a boca a palmatória tinha caído com tanta força sobre a tampa da mesa que o estalido fez estremecer o tímpano da classe fazendo-a abaixar a cabeça de medo.
- Chegaste a abrir alguma vez o livro de história, seu burro! E quem foi Egas Moniz?
- Ele ajudou D. Afonso Henriques a fundar o seu castelo: - disse o aluno.
- És pior do que a porta do castelo que tens dentro da tua cabeça.
O pau de giz arremessado em direcção ao menino passou como um raio acabando por se partir em três bocados ao bater contra o quadro. O menino era baixinho e escrevia com dificuldade naquela ardósia larga colocada de forma oblíqua sobre o cavalete de madeira posicionado no canto esquerdo da sala.
- Não estás a desenhar balaios... ó burro. Escreve direito. Seu batráquio. Com letras equilibradas. Vá! Como deve... a última palavra caiu juntamente com mão pesada da palmatória forte na cabeça do aluno fazendo-o recuar como que sugado pelo intervalo das carteiras que se alinhavam como umas jangadas vazias. Atarantado e a soluçar, o menino aproximou-se do quadro a tentar corrigir tudo vigiando sempre a posição do professor.) Do texto “Viva a 4ª Classe”.
#-#-#
(Txéki! Txéki! Passa negro! Dobra as asas e desaparece. Teu sítio é lá na ponta do Mau Passo onde tem rocha ruim. É lá que a tua mãe te pariu e te largou vago no mundo. Covarde! Dobra as asas e vai-te poisar lá no lugar de Nho Cirilo que não tem guarda. Úúú-o-o. Desaparece no inferno! Vai, Chico Dias! Txéki! Txéki!
Depois dos exames era assim por todo o lado. Gritos eufóricos tomavam conta dos ouvidos das pessoas e o quotidiano delas estava virado unicamente para azágua. Nos finais do mês de Julho, as terras do sequeiro traziam sinais de covas entulhadas. Uma de feijão ou duas de fava e quatro grãos de milho. No abrigo da terra eram fortes doses de esperança cativas na emergência da queda de uma boa chuvada. Tinha gente que por agoiro semeava em pó, isto é, depois da primeira lua de Julho e outras adivinhando a presença das chuvas detrás dos sinais do tempo metiam confiantes os grãos na terra seca. Sementeira é em chão molhado, assim cria Nho Zebedeu.
Os meninos viviam com entusiasmo o guarda-corvo, tarefa, sem dúvidas divertida e igualmente muito importante já que era uma das condições essenciais para se garantir o emergir do verde vivo que só o chão molhado sabia pintar. Os guardas da sementeira atiravam fundas para o céu e diziam nomes feios esconjurando os corvos de cada vez que eles passavam sobre os espaços semeados. A pior coisa que se podia dizer a uma pessoa era que ela se comportava como um corvo.
Não tinha poiso certo este viageiro vestido de negro, perseguido por todos onde quer que fosse. Estes daninhos duma figa acabavam sempre familiarizando-se com os espantalhos sobretudo quando a fome os apertava. Poisavam mesmo assim sobre as covas e lá conseguiam esgaravatar e descobrir os grãos de milho deixando os de feijão. Qualquer distracção ou ausência prolongada dos vigilantes era fatal. Vasculhavam tudo e causavam sérios danos à sementeira. Nem a astúcia em se espalhar os grãos dentro da cova os confundia.
O quinze de Agosto, dia de Nossa Senhora da Graça, era considerado a altura limite para a queda das primeiras e significativas chuvas. Não se registando, as pessoas começavam a encarar a hipótese do ano atrasado, ou de má azágua. Do texto (Chico Dias)
Eis alguns exemplos daquilo que eu quis que fosse entendido. Comprem este livro pfvr. Kb

Post para o Posto Nº 5























Fot.kb - Aí está o 5º posto sumarando o jogo vigiado pela belíssima cunhada Lú.
Não é que eu queria só Bilhetes. Postal surge na emergência deste aniversário.

Caríssimo mano nº 5
Os aniversários classificam-se em agitados os (intas) e silenciosos os (entas).

Pois, hoje é teu aniversário. FELICiADADES. Normalmente nestas alturas a malta aparece para agitar a casa. Torésma! Como sangue defende sangue, o grogue é de Lagedos, para todos os efeitos legais, comemorais, animais e outros terminados em ais, nomeadamente.... é pá o Txiska não está! Ele é bom demais em dar continuação aos terminados em....

Todas as vezes que a irmanada se encontra passamos em revista o estado físico de cada um e criamos as nossas conversas de alto nivel científico. Nem contra e nem a favor a torésma e isto nada tem a ver com abstenção. Pôxa!... O Antero e o Lelo são capazes de contar e de improvisar partidas uma tarde inteira e sen tenp pa falá na vida d'gente... né sin Djéna?

Quero, pois, que a globalização saiba que tenho um maravilhoso irmão, curtidor das coisas boas da vida, partioso, bom caboverdiano, bom amigo dos amigos, boa pena, bom cantor e tocador, bom jogador de biska, bom quarto defesa, bom fazedor de caldo de peixe e de grelhados, e para acabar com referenciamentos... Nhaco d'omi...., Nhaco Mano.

Na hoooora do pffffffffffffffffff lá estaremos para em Fá Maior... Paaaarabéns a....... Kb

Bilhete Sem Destino


Fotos Kb.
Da rotunda que liga Achada Grande (estrada do aeroporto) à rotunda Châ d'Areia, estendendo para a rodunda Homem de Pedra e Avenida Cidade de Lisboa, estou em crer que diabo faz da cidade o inferno. Com este poste derrubado, mesmo à frente do Palácio do Governo, a conta vai para 3o postes danificados, sendo 22 derrubados e oito com duros golpes na base. Continhas certinhas. Carros danificados existem, claro! Eeee Sinistrados? A minha peritagem duziu o seguinte: Algo organizado para tantos derrubes???... Só gáta e brio de corpo para a corrida de madrugada, não me convence. Polícia alerta!

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Post às Autoridades e à Polícia


Aqui roubaram os parafusos de sustentação da barra.



Aqui a barra estancou o carro que descia


Aqui houve sorte demais para o chofer e acompanhantes

Hoje eu tive de ir mesmo para Assomada-Cidade em serviço particular. Normalmente canto quando faço estrada. Desta vez, não. As minhas atenções fixavam-se nas defensas danificadas nas bermas mais arriscadas. O seu número aumentou escandalosamente.


Em plena Avenida Cidade de Lisboa havia isto. Aqui teve azar o chofer.

Tinha acabado de regressar à Praia, quando vi esta camioneta assim. Parei para a deixar passar. Só que a sua viajem era direitinha para a Esquadra da Polícia em ASA.
Viva! A polícia esteve impecável. Viu, agiu contra este atentado.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Meu Quarto Livro


PENADA KUATU

CHÃOTERRA MAIAMO é o meu primeiro livro publicado em língua portuguesa.
Foi escrito nos finais dos anos noventa (98/99) e publicado pelo Instituto da Biblioteca Nacional em 2001. Foi dedicado à “juventude das nove ribeiras da nossa terra e pela sua infatigável luta em prol do bem e da justiça”. A Nota de Leitura é da autoria da escritora Drª. Ondina Ferreira, quem apresentou o livro de um único poema – ChãoTerra Maiamo. Foi para mim uma rica experiência na medida havia duas situações em presença. Ao mesmo tempo que eu escrevia “Konfisson na Finata” em caboverdiano, outra poesia emergia em língua portuguesa e, até parece, que o heróico se amantisou com a indignação. Os anos noventa obrigaram-me a uma produção literária e musical mais rigorosa.
Quem se atentar literalmente sobre os textos do poema dará conta, com certeza, de que o todo o processo arquitectural firma-se em fortes motivos conjunturais, aliás não podia ser de outro jeito, já que a década de noventa gerou muitas expectativas e o povo viu-se traído no fundamental da sua existência. O trovador é peremptório quando diz: «Simentera é simenti skodjêdu» Fica um poema para vos desafiar a mente:
I
DEBATE
Está-se a vender o país!
É pedra! Não vale nada.
Está-se a destruir a raiz!
É democrança instalada.

Está-se a comer no lixo!
É o diz-que-diz da malta.
Está-se a virar mais rico!
É sorte de quem trapaça.

Está-se a perder a matriz!
É blasfémia do asemana.
Está-se a castigar o infeliz!
É lei que nunca se engana.

Está-se a comer tudo isto!
É fama de quem governa.
Está-se a beira do abismo!
É o povo quem mais ordena.

O que é que nunca se diz?…
Que está-se numa cagada.
E como é que se vira feliz?
Quando se ira e se ataca.
(Praia, 1998 Kb)

II
É raro um poeta ficar & não morrer sofrido.
Escreve para os papéis & contacta os espíritos.
Não compra anéis & gasta em livros.

Nunca vi poesia na rifa ou nos jogos de azar.
É pato, pateta o poeta. Devia dizer-se grilo.

Grila, grila, grila & não se pira.
Está.

Ambos:
o poeta e o grilo cantam em estranho trilo.
Que nobre sorte entre o calcanhar & a pedra ficar.


A Drª Ondina Ferreira (apresentadora) fez as seguintes considerações a respeito do livro:
«Chão Terra Maiamo de Albely Bakar, pseudónimo do poeta/músico Kaká Barbosa ou mais concretamente, do cidadão Carlos Alberto Lopes Barbosa, é uma colectânea de poemas escritos, desta vez, em português.

Este reparo tem todo o cabimento, visto que parte substantiva dos poemas anteriores dados à estampa foi redigida em língua crioula, e na variante de Santiago. Trata-se de um experimentalismo linguístico na obra de Barbosa que também é uma aculturação da sua lírica e uma assumida, consciente e sentida forma de a expressar. Poeta de delicadas composições líricas e de vibrantes versos de intervenção, que ora sob forma musicada, ora permanecendo em textos escritos, quase sempre nos conduzem aos temas mais caros na sua poética: a mística da terra, o amor vivido versus amor pressentido, a condição humana/telúrica/comportamental, condicionada no forte jogo da recusa/aceitação e no dilema imenso da vontade que esbarra com o poder e o querer.

Voltando a Chão Terra Maiamo, vale interrogar se o longo poema de que se compõe, não poderá ser analisado como texto épico, pela vibração clamorosa, urgente e imperativa que certos excertos do mesmo transmitem ao leitor. O sopro épico atravessa quase todo(s) o(s) poema(s) do livro, conferindo ritmo e tom em crescendo e galvanizando o discurso poético. A visão profética, o sonho, a utopia, quais fortalezas humanas, surgem nos versos de Chão Terra Maiamo com muita ressonância emotiva. Mas também, a sina, o destino os insondáveis desígnios espreitam a terra maiamo e os seus moradores.

“ Chão Terra Maiamo! /nos socalcos da tua vontade/limitar-se não é resignar-se/não é pactuar debalde e desprovido/não é actuar em atalhos fúteis/não é aturar a mediocridade da vida/ É irar-se por amor a ti sentir e ... resistir// Chão Terra Maiamo! /nos troços da tua verdade/concordar não é acreditar/não é aceitar sem desafio/não é acertar no incerto/não é acoitar no extravio/ É virar e revirar certo para existir e... construir”. (Pág...18)

Neste sopro épico que respigam os versos da presente colectânea, a sátira e o escárnio alinham-se e fazem-se entender na descrição de um tempo e de um estado de coisas que exasperam e revoltam o poeta que os expressa em duros versos: “ são como traças estes couros gulosos/clássicos vermes assaltantes e desalmados. //O instante chegará e o saco desbambar-se-á //e de novo elevar-se-ão os altos desígnios. //São como carrapatos estes parasíticos calos./Autênticos seres com o diabo pactuados./O instante chegará e o saco desbloquear-se-á/ e de novo revitalizar-se-ão os ânimos.”

Igualmente um matiz melancólico de um certo passado que não se revê no presente, pincela muitos dos versos registados neste livro. Será porque o sujeito poético versus o(s) outro(s), também já não é o mesmo? Ou será porque já não é possível a repetição tal e qual de determinadas emoções passadas e vividas, de certos sentimentos expressos? Assim no-lo faz supor o poeta: “tanta coisa absurda repete-se/ e faz-se //Amar como dantes não sei jamais //ficou invertido o meu riso de rapaz// canto a fé porque ficou na canção...// Amo-te sim: de outro jeito”. (Pág...)

A fina observação da lida do próximo, entre a “espera e a esperança”, entre o “ espernear e o desespero” que não desarma. Que se levanta e que se deita tenaz e estóica:
“ De manhã o sol/ é sempre a renovada esperança/no cuidar cansado de certos homens // À tardinha o sol/ é sempre o resignado falhanço/ no espernear dos mesmos homens // Esperar a esperança ... / é desespero ou desesperança?” (Pág...)

É minha convicção que o leitor terá em Terra Maiamo um expressivo e rico momento poético de Albely Bakar / Kaká Barbosa, revelador de fruição realística da vida em fase plena de maturidade, de conhecimento, de serenidade, que aqui não é sinónimo de passividade abjurativa, pelo contrário, o poeta indigna-se, intervém, por vezes, mais do que ele próprio desejaria, mas não abdica da condição. Di-lo o poeta de forma inequívoca: “ Se terrificante for a terra emergirei terramoto/ se amarfanhado for o mar revoltarei maremoto/ se farfalhado for o ar tornar-me-ei vendaval/ repuxado e bravo e indomável // Até os antípodas do meu eixo/ falo/ faço/ côncavo nunca na vida.”

As forças da natureza, porque eternas, poderosas e indesmentíveis, são as cúmplices e os termos de comparação, alegóricos e hiperbólicos de que se serve o poeta neste compromisso solene de se manter espiritualmente erectus.
( Os cinquenta anos de vida do poeta, completos em Maio, p.p., presentearam-nos com os reflexos desta maturidade alcançada? Faço aqui um propositado parêntesis, para convidar o leitor a ir à página ....., e ler o excerto que lhe dará alguma pista de auto-retrato, embora transfigurada pela plurissignificação poética.

Aliás se me fosse permitido fazer o Registo de nascimento do poeta Albely Bakar, compunha-o do seguinte modo: Filho de: “ um dia de maio inscrito no calendário. Nascido no pelado ocre deste naco de terra batida. Gerado no fogo ardente do amor. Veio no angélico feto, a sigla, a sina ou a sorte. Sua dura sorte cavalga só e silenciosamente. As cruzes do tempo cravaram-lhe os seus contornos. Surgiu do reino dos espíritos dos seus avós: senhores, escravos e morgados. Todos homens, cavalgando sonhos.” (Adaptação do poema da página....)

Fecho o parêntesis para retomar um dos temas sempre presente e também muito caro a Albély Bakar / Kaká Barbosa, o tema do amor que mesmo que não fuja à configuração esperada, ele surge renovado na interrogação particularíssima do sujeito poético, sobre cambiantes humanas, transcendentes, telúricas de que o sentimento se reveste e se transvasa, no “irar-se amando”, no “gostirado de tanto amar” e ainda no “amor, é nada viril” (pág...). Há uma reiteração ao longo dos versos, deste amor abrangente que toca a humanos e à terra: “esta magra courela/ compenetrada no silencio/ de um gosto irado de tanto amar”. Idem.

O amor também se manifesta sob forma de arrebatamento perante o belo que se vislumbra: “ nos doces olhos e no jeito desamparado de Sandra,” mas também, se demonstra “ na tempestade de pobreza desesperada” em que: “ a vadiagem obstou-lhe decifrar o afecto...” (Pág...)
Terra Maiamo, no fundo, lá bem no fundo , é para o poeta, a sua primeira e única instância do saber e do querer amar, e se angústia por vezes se sobrepõe a este afecto, a este pacto com a terra é ainda derivada e resultado do “ comprometimento que me penhorou a viola / o rosto, os passos o sentir e outros desejos”. Para acrescentar no mesmo passo: “ Só te pedi como filho de parida / o direito em ter uma larga pátria de amor...// Rejeito o não direito de calar a tua dor / presto-me a lutar e a jamais recuar.” (Pág...)

É com esta Nota breve e de certa forma imperfeita, embora munida da tentativa de induzir o leitor a folhear o livro e a penetrar nos versos primorosos que o compõem, que termino a leitura, de um dos melhores se não o melhor, até o momento, trabalho(s) poético(s) de Albély Bakar/ Kaká Barbosa». (Praia, Março de 2001)

III
Os finos lábios e os delgados gestos teus
espoletaram o invólucro dos meus desejos.
Os murmúrios e o sopro dos segredos teus
detonaram o labirinto dos meus intentos.

Vamos esgotar o tempo e secar o beijo
e sugar o baldo mel em toda a colmeia.
Vamos apagar o tempo e acender o leito
e rolar no banco do amor até secar a ribeira.

Lembras-te quando...
na primeira onda do teu sorriso me embriaguei
e na pluma do teu manancial de amor acordei?

(este poema foi escrito no dia 5 de Julho de l999)

ChãoTerra Maiamo, um livre livro respiro de um Pastor de Estrelas. Kb.

Bilhete para o Paulino

Engenho - Txan di Kana - Fot. Kb

Picos - Monti Nguli Lansa - Fot. Kb


Caro conterrâneo

Bom Ano. São os meu desejos sinceros.
Felicito-te oh Paulino pela magia das crónicas e pela vitalidade das imagens blogadas por ti. Enquanto navegante viciado na Internet dei com as tuas postagens faz algum tempo. Entusiasmaram-me bastante a forma como te dedicas à escrita. Tem cio a alma tua pena.

Assim como tu, também gosto de captar e de reportar imagens e factos.
Conheci-te melhor na tal visita recente da nossa deputação à tua ilha natal. És muito afim a o que escreves e a o que fotografas. Estás aí e falas de mim sem saberes. Topas?
Há em nós um "sibitxi" transmitido pelo nosso chão, pela aldeia e pelas gentes. Poucos são os filhos, tenho de o dizer, filhos letrados desta terra portadores desta coragem de se autopsiarem e descobrir o que costumo chamar “taganxo” para dali se manifestarem sem complexos.

Olha, taganxo é uma espécie de sinal claro situado no centro do nosso imaginário prenhe de ancestralidade, uma espécie de farol mentor da nossa psique. O mundo rural onde nascemos e crescemos juntamente com os nossos pais, avós, padrinhos, irmãos, companheiros de escola, namoradinhas, animais, paisagem, seca, azágua, que muitos de nós só damos conta quando confrontados com a necessidade de nos libertarmos dos atalhos alienantes para vivermos a nossa própria existência.
Como tu senti essa necessidade de partilhar o ventre das ilhas com outrem perto ou distante de nós, de partilhar as coisas boas do nosso chão pertencido, enfim partilhar factos e curiosidades dos nossos recantos, dos nossos municípios etc. É uma necessidade incontida. Sonho com municípios fortes, com Câmaras cultas promotoras do seu território, criadoras de uma boa imagem social local. Só que elas têm de saber contar com certas vozes e opiniões, porque uma Câmara sem identidade a governar uma comunidade com forte identidade, é como esperar resultado do ovo “relempióde” (Stº Antão) do ovo bazalisku (STiagu). Cadê p’tin?

Conjugando teu Blog mais o meu, ultimamente nascido do soberbo mister - partilhamento de ideias e convicções - ocorreu-me o seguinte:
1. Blog CV é um dentro fora da gente;
2. um rosto de muitos rostos;
3. uma escada da nossa própria estrada;
4. um jogo à cabra-cega; e afinal
5. uma gaveta indiscreta de memórias;

Nesta medida vou poder postar opiniões, reflexões e factos que jamais irão parar ao contentor do lixo electrónico de ninguém, a menos que eu os queira “delete” propositadamente.

Nasci em e sou louco por Maio, mas também por Setembro, pelo seguinte:
Maio, mês do verde combalido e Setembro mês do verde desabrido. É que o nosso comum é sermos oriundos de ilhas agrícolas. É uma vantagem em todos os sentidos. Nas cidades há jardins artificiais e escritos urbanos (aristocráticos) cheirando poluição, nostalgia e esperanças arremendadas.
O campo é interior do espaço livre onde a poesia voa sem medo de poisar na torre dos consagrados; a enxada um boldoser sem caixa de velocidades; e, claro, os homens pedra e a mulher lama e os meninos a fronte do dia a seguir. Que mais querem!?...
Um dia eu disse isto num poema: poesia é um díssono cordato; é razão provocada e o sentir apelado. O taganxo ditou, escrevi. So isso!...
Gramo muito Santo Antão até porque o meu estimado cunhado Ijzé Liz é nativo de Lagedos, terra onde ainda vive a professora, a agricultora nossa querida mãezinha Isabel Jardim.
Fica aqui, Paulino, um abraço amigo e pitoresco.
Aguardo a oportunidade para transformar o barulho em cima em convívio e música. (Kb)

domingo, 6 de janeiro de 2008

Bilheti pa Txiska na Mindelo


Pesquisas do Txiska. Pneus do futuro
Oi broda Nº 3

Nháko d’anu pa bó. Como Soncent não brinca, festando, algum exagero faria sentido. Mas sei que não alinhaste. Inocência é mãi d’Prudéncia. Mas, conheço-te bem. Bróda, fruto proibido é apetitoso desde os tempos paradisíacos. Foi sempre assim. Se Eva não tivesse tido olhão hoje não tínhamos a cultura da “bundanação” e este 2 00 8 vai ser o diabo… Oito!? Tem coisa implícita. Tenho estado a indagar e a seguir os dias. Oito, é parideira. Vou repetir isso sempre.
Sim, inaugurei o ViraSon com um bilhete para o 10. Viste-me a garfiar o gajo na cozinha!? Agu abertu kel ki ta-dâ-ta-dâ. Se bem que muito bugu-bugo deixei para outros.

Já te tinha contado? Dr. tirou-me o “sábi” e deixou-me ficar a dieta que dá moleza para fazer. Ao prescrever disse-lhe claramente: «Sr. Dr. escreve o que é capaz de tirar o impróprio». «Abstenção e ginástica: - disse-me, mirando por cima do aro». Confesso-te, sinto-me bem pecando do jeito como incorro. Diabo também é justo. Se koza guiná mariod, grand fók ta livia mal.
Sabes que em casa do Nº 5 torésma e cana não faltam sobretudo com este Benfica karangói. O azulista do Xéto, deve estar a troçar de nós, os encarnados. Ele é o único desenfileirado dos irmãos.

Lembras-te do delicioso passeio dos manos pela foréta aqui em Santiago?
Tens de vir passar uns dias largos coma a irmanada, mas com a condição. Deixas ficar Mindel fundiód na Soncent.

Meu caro... fazem tanta propaganda suja da Praia suja etc. Até cartazes na rua houve. Mas os seus arquitectos vivem bem. Marimbam na Praia. O maior lixo vem das suas casas. Sujam mais do que as paxorrentas vacas passeando na avenida e os cães que guardam a zona do Prédio. Os maldizentes criam lixo e põem-no na rua. Querem a casa isenta da porcaria. Devia haver dia de pôr o lixo fora para ser levado. Noutros lados onde se respeita a rua é assim.

E por falar nisso. Eu tenho essa coisa de indagar o sentido que certas palavras têm em crioulo. Sentido não tem sentido em crioulo. Sabias?

Xintidu é outra coisa. Rua não tem sentido de espaço habitável, praticável e de lazer. Sabias? Entra-se em sentidos proibidos sem problemas. Para-se em sentido contrário. Há discursos sem sentido. Há muita coisa sem sentido, incluindo programas de televisão sem sentido e artigos de jornais sem sentido. É que faz sentido não haver sentido.

Na pratica, entra-se na saída e sai-se nas entradas na descontra. Até tropa em sentido atende o telemóvel.

Isto da Rua então. Rua é rua da negociata; rua do filho na rua; rua da briga na rua; rua de mijo na rua; enfim, rua infernal e do kassubódi.
Enquanto não tivermos autenticas RUAS, com nome, com prestígio, com encanto e com residentes decentes, diria mesmo. ruas com identidade, continuamos com a Rua na rua. Lugar de despejo e de zaragata.

Mas ó mano, mesmo assim, aqui há vida pá, há dinheiro, há luxo, há hipocrisia, há fofocas, há expediente e oi f’txód... Há exibição nas ruas. Porra, isto é cidade e generosa demais. Atura tudo e não se cansa. Podem não concordar comigo. Lá o povão é quem paga tudo. Mas não é verdade. Não achas?
Dá um salto. É tão lindo o panorama circundante à nova circular. Quando olho para o baldio perco a idade e dispeço-me de tudo. Olho, respiro o cheiro campesino, parto para o outro lado da cabeça onde não há tropecidades, nem dietas anti ácido úrico e outras bugigangas que a cidade nos mete na cabeça. Sabias que a cidade por ser cidade é doentia?
Santo Pimpim nasceu, viveu e morreu sem ter visto e pisado uma cidade.

Finalmente convido-te para o Son di ViraSon. Envia as descobertas das tuas viagens internetais. Veja as imagens dos tais pneus. Disseste bem: «gente há-de ficar de fora».
Sinceramente, espero-te na Praia para cruzarmos umas confidências. Adeus. Bom Ano. Kb

sábado, 5 de janeiro de 2008

Nha Tresseru Livru

PENADA TRES

Na anu 2003 “Editora Artiletra” publika nha tresseru livru “Konfison na Finata” obra komessadu na 1997 y terminadu na 1999. Sima data ta konta, entri trabadju prontu y altura di publikassãu, intervalu nkurta txêu. Ke livru li iziji un skrita ku pensamentu más evoluídu y ku más kriatividadi, daí kriassãu di palavra FINATA, palavra ki dá ki pâpia. Finata é "nata finu di son di palavra" Fianasson+Serenata. Fina + nata > Finata. Un forma di kantu poétiku.

N dexaba klaru na momentu di aprezentasãu di livru ki “Konfison na Finata” era un OBRA pa dipôs, (25 ó 50 anu dipôs), justamenti, pamódi maioria de pessoas ka sta na kondissões di lê-l y panha tudu ú ki sta na livru. Só un leitura studadu, nxinadu y ponderadu pode esplika si konteúdu komu devi ser. É ka un skrita fásil. Má é ka un livru trankadu tanbé. É pressizu sabe le-l ku interessi y ku kuidadu pa panhadu tudu rikeza ki textu ta transmiti na kada versu y na kada momentu di kada puema. É un proposta di inovassãu lietráriu. É puema si kalhar más grandi eskritu na kabuverdianu, pau n kabuverdianu.

Pa interessadu ki gosta y krê entra na spíritu di livru N ta remete-l pa “Diklarassãu di Autor” en ki di un forma klaru principal linhas di si pensamentu puétiku sta esplikadu.
É si: «Li na sonbra-l nha koraji mi é nha odju, nha xintir, nha kudar di mundu, kel ki é di mé di véra, ki ta rola na bóka di ténpu, di kel ki ta torse-nu dia pur dia báxu-l fadiga di buska vida y ki pa más ki n'el nu atína, si nos kudadu é poku, nu ta fika nu ka ta sabe kal k-é nos ponta pa nu distôrse.
Rabuskandu inda na fundu-l nha mimória konserbadu, sénas y rumoris di pasadu, ki guardadu na pézu-l distánsia y suspensu na virason di ténpu ta anda, n ten ma ta farola-m, ma ta oronbo-m na xintidu, dému, vultus nun konbersu fogadu, tápu, déntu-l mi, sima ki silénsiu ngomadu ta kre foga-m na si tumúltu, ô ta kre própi toma-m xintidu.

Es konfison li, é un afirmason, rezultadu di un spruménta en ki xintidu konfrontadu ku kontisimentu markadu na figurinu di ténpu, pustadu ta dizafia konsénsia d'ómi, dému, ki ker dizer, un konfison puétiku, baziadu konparadu y balansiadu na djogu di palavra, na intentu di kre konxe na pundi ki pontu ten ponta, ô talvês, di tenta buska fra n'entrimeiu di sal ku súkri, pa na disbendu d'intimidadi si segredu, sabedu na purbansu, txoróti-txoróti, na pendon di verdadi modis ki kuza pôdi ta ser sentensiadu.

Finason, Konbersu Konparadu, Konbersu Sábi, Konbersu d'Ora y Konfison na Finata, é laivu dun sentimentu nativu pulsadu di sprítu, ki na pó di nos kondon, kada lábru é, dému, dispontar dun fodja na rostu di ténpu.
Momentu di kada konfison é un pozison prisizu di sentimentu d'alma dun verdianu, na okasion fogadu di si ténpu y pa na sirbintia di meresimentu atxádu, p'é signifika y é da si tistimunhu bibu na konfigurason tálu-a-tálu di nos kadernu grandi letradu na kriolu pa nxínu di manhan.

Letras ki npedra versus des pensamentu ka más ki faískas di mumentu kapridu dun luminar singelu di spritu, ki na pokindadi si luz y na modéstia-l si xintir é krê dêxa na rostu si bandera un fiása-l si krénsa, mesmu ki pa otus na sis lén-tén soberbu, n ka más ki un pingu di sentimentu umánu xiringadu n'orela largu di rostu di mundu, má ki ta kunpri sakédu y di si modi si arti di sta vida.
Sima ki ôdju d'águ ta pari nassenti pa da lavada;
Assi nos língua é ôdju-l staka finkadu na modjadu.
(Konfison na Finata)
(extratu)
Finata 20
Txuba é spiga-flor na ligria-l nos speransa
Bib'alma na sonbra-l konfortu sen si mágua
É son d'inxada na txon podu ki ka ta kansa
Odju seku d'Otubru gran é kudar d'azágua
Si abertu séu di txuba é simenti na bonansa
Así perdedu é plantas na dor di ka ten água
Jeografia di tenpu é odju txobedu na fodjada
Si Sael sopradu é kastigu-l tenpu na morada.

Finata 35
Téra ratomadu era amor na petu ku mimu
Odju di vontadi era forsa na pó di fraqueza
Koraji konvertedu Ómi bira óbu na si ninhu
Pustadu na odju-l mundu é dizafia si kabesa
Ku krensa bebedu n'ôdju fonti nos mosinhus
N'un disgobedju total na transu-l konpo téra
Odju labanta kerse altu fáxi dia bá ta prima
Anel anel ta ngrola ta kutúma ta ba ta firma.

Finata 42
Altivu kriolu sen medu bu bai sima Xínbia
Ti ki bu karapati na verdadi y bai sen presa
Si bu nase bu anda y bu ka more a míngua
É pamó bo é bibu tan y donu di bu kabesa
Grandi livri dja bu é dja ka meste pustula
Nen di frenti nen di trás y nen di p'albesa
Bai na getu y na gostu di sentimentu-l téra
Firmi na kondon di-u ronku lavradu na veia.

Konbersu Konparadu

Formozu é mi di nha mai
Ki djôndjo korda ku letra
Ki solda pedra ku son
Ki gêmia n’el sin ku nau
P’é djuga djogu na mundu d’Ómi

Bodona é mi di nha pai
Ki é kázia na boton d’amizadi
Ki é préga na kóz di maldadi
Ki é Déus y Diabu mamantadu
P’é purba y é djurga mundu d’Ómi.

Nota: Kada Fianata ten oito versu di rima alternadu y dôs últimu enparelhadu. (Igual a Lusíadas)
Kada versu ten kadensia di melodía di morna.
Gramátikus e estudiozus di lingua kabuverdianu ta toma konta de figura di stilu y otus kuzas.


Ami, apenas N kunpri nha tarefa...kanetada... kelôtu é ku mundu des mundu.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Bilhete para Guita Jr. Inhanbane

Caro irmão Guita
Acaso fosse vivo São Tomé, falo não da terra do leve-leve, mas sim do Santo mesmo, este de olho-vivo que só crê vendo, ele juntava-se a nós sem pensar duas vezes, (eu, tu, o Ndalo, o Pedro Muiambo e a malta santomense próxima) para de vez crer sem ter que ver que a amizade verdadeira fica e refresca-se com um simples Hello. Sei que acreditas no que acabaste de ler.

Poucos anos atrás o Ndalo fez-me surpresa. Veio a Cabo Verde e tlin-tlin … o telefonema vinha mesmo do outro lado da minha casa no bairro onde moro. Ena pá foi uma coisa inesquecível. Passámos em revista, primeiro a nossa estada em São Tomé, depois os nossos projectos literários etc. claro está, tocados, falámos de vocês outros, e da lonjura que hoje nos separa.

Enfim, caro amigo, juro que a cinta do equador coligou de que maneira a nossa amizade.
Lembras-te do nosso encontro com o "coronel do dinheiro" que não queria desembolsar o argent de poche e de estada para a malta?. Ainda por cima ficou a dever o Muiambo. Fulanos deste tipo nascem e morrem pobres. Dizia, das declamações, das tocatinas, da visita às roças e do almoção em Angolares!?
E do vinho de palma que as senhoras júris não poupavam. Olha, a nossa saudosa Gabriela Antunes, fez falta ao mundo da cultura africana. Rigorosa como ela era. A mim dizia-me sempre: «Ah! Sim! És o tal que a Auzenda me recomendou. O músico, o poeta, o animador do ambiente. Estou a ver». Senhora muito competente. Deixou-nos saudades.

Guardo devotamente a gravação em mini-disk feita por Ndalo e todas as vezes que oiço esta reportagem, imagens feitas carruagens comendo trilhos de gargalhadas não param de exercitar no ecrã do meu imaginário. Bons dias passados juntos.
Eh pá.... lembras-te do tal passageiro que na ida levava fato e boina dentro do avião?
Porra! Este gajo só pode ser poeta. Homem de negócios não; sacerdote não tem jeito; governante e diplomata não viajam assim… bolas, rapazes, ele é participante como nós. A tua guita não falhou mesmo, amigão.

Agora, coisa séria. O nosso projecto de publicação conjunta do cardernão de poemas mantém-se vivo. Tenho uma colectânea pronta e tu deves ter outra pronta. Não sendo, trata de o fazer. Logo que possível arranjaremos forma e meios de os publicar mesmo sendo fora dos nossos países. Não achas? Pensa nisso.

Amigão, espero que curtas este pequeno desabafo que a tecnologia ajuda a chegar depressa às tuas mãos. O Ndalo vai de certeza curtir também esta página de amizade e quero crer que esta foi uma forma digna de reacendermos a nossa larga amizade.
Jamais me esqueci como falavas do teu Inhanbane, do Índico, das praias, das conchas, da poesia e das musas, das loucas musas. Por isso, meu caro, vai um sonheto visado por este pastor de estrelas, para o regalo dos lados do sol poente das tuas andanças:

KATINARA

No seio dos teus olhos flúem lavas
Colorando o céu da tua tez morena
Na viola jóia da tua ventura díspar
A gota se apagou e o cristal enlevou

De terno teus lábios pareciam vagas
Altas tatuadas de canções de serena
Suspiros de espuma rolantes do mar
Uma concha que na praia desabafou

Eras um navio na vela duma oração
A singrar suave a sul dentro de mim
As milhas de uma melífera sedução

O meu sofrido desejo grande assim
Era um vazio porto de doída canção
Onde as vagas vagiam bem mansim


Teu amigo Kaka Barboza

Bilhete para GiLopes

Caro Gilberto.
Quando olho para a Praia dali do Poeta lembro-me sempre de ti. Não sei se te ocorre neste momento. Um dia, juntos, neste mesmo sítio, disseste-me assim: «olha para isto… isto aqui dava uma grande cidade; uma linda cidade; é pá com uma apresentação bestial; repara para este porto; aquelas encostas bem protegidas, casas com porte e algum verde… bfffff… que cidade?! Estes altos e baixos é a grandeza disto» Lá, ele tem razão. Não por ser um sonhador. Quem aprecia sabe que é assim. A Praia precisa de ser mais trabalhada, para merecer a nossa boa apreciação. 2008 é parideira já o disse.

Sim, tenho visto os teus mails. Bestial foi o último. O do resumo de 2007. Ouve esta. Sabes dos mails que a gente tem de reenviar para tantos “mailantes” não cumprindo vem o azar. Pois, claro. Tal azar apanhou-me mesmo nesta quadra festiva. Preenchi o boletim do totoloto nacional, meti na pasta, e olha, com a trupida da festa não tive tempo de metê-la na agência e pumba… Uns dias depois conferi de propósito para ver o que lá havia. É pá! As bolas saídas trouxeram cinco dos números colocados por minhas próprias mãos no bilhete. Azar meu não ter conseguido mais umas coroas. É pá uns quarenta e tal contos.
Lendo o resumo que me mandaste, lembrei-me dos mails não reenviados. O azar meu é por tua causa. Fostes tu a mos enviar com o pedido de os reenviar. Agora resta saber se terei outros azares ou se acabou com o fim do ano.

Agora uma pergunta enquanto bom e grande navegador na Internet.
Nada descobriste na net que ajuda-nos a transformar os desentendimentos, os males estendidos, os fracos entendimentos, em entendimento real, quer dizer, fazer entender a malta que devemos fazer render o trabalho sem ter que pensar em graduação? Quando achares isto diga-me. Levo-o ao parlamento.

Sei que gostas muito da Praia, não de agora, não pelo facto de o Palácio das Comunidades ter sido fincado no coração de Achada Santo António. Sei que gostas disto. Eu busco entender a Praia do – Projecto morado dentro de ti – onde vives, passeias, convives, trabalhas e rendes. Já agora porque não publicas os teus poemas?
Para terminar mesmo informo-te: o Cometa está completamente renovado e agradável. A nossa zona do Prédio ficou mais animada e atraente.
Convido-te um café ou um copo um dia destes. Bom ANO. kb

Nha Segundu Livru

PENADA DÔS
Na 1986 N termina nha segundu livru “Son di ViraSon”. Dez anu dipôs é foi publikadu pa Editora Spleen (1996). Kuriozu é ki na altura di publikassãu di nha primeru livru, el é ki têsta proposta de primeru alfabetu unifikadu pa skrita di nos língua maternu. Tanbé nha segundu livru, “Son di ViraSon” têsta ALUPEC, proposta retifikadu y propostu pa un ekipa tékniku más alargadu. ALUPEC komu isntrumentu di skrita é ten más representatividadi y más aplikabilidadi ki kel anterior.

“Son di ViraSon” foi konsideradu un bon livru pa krítikus, tantu pa aprezentassãu gráfiku komu pa estétika di linguajen e manssajen puétiku. Autor di livru dedika-l: “pa konsiensia di nassãu kriolu y referensia di tudu kabuverdianu”

Na livru Deklarassãu di Autor ta fla ú seginti:
«Na buska konpassa passu ku mundu y ku tenpu korrenti, en ki própi tenpu dexa di keba na tenpu, ale-m inda purfiadu ku mi mé, teimadu na dizafia mimória, ta tenta ntende kal k’era verdadi di onti, verdadi di oji y pa dia di manhan riba dês txon kabuverdianu.

Si “Vinti Xintidu Letradi na Kriolu”, primeru publikasson reflêti na Son di Nos Eransa y na Son di Ravoluson, na ora sertu di si tenpu y ku si papiar rasteru na getu y na gostudi sentimentu-l terra, “SON DI VIRASON”, é kel un kontu, kel un konbersu, na ton di si konduta, demu xapatá-xapatá, txon-txon, sen burgonha, pabia é na ntendimentu-l verdianu ordiadu ku si natureza.
Sima sabedu, un ómi ka nporta el é di pundi y di ki nasson di mundu. É debe ten, sin, briu, farronpa, gostu pa ku kel ki é di se-l própi, ki é di si rassa, ki é di alma di sê nasson.
Kualker atitudi di disprezu ki podi leba-l a ranega, ó skêsse, ó dexa di konxe, di ka gosta, ó ka seta kel ki é di se-l y ki ta pertense si povu, sima múzika, badju, artezanatu, lenda, estória, kumida, língua y até konportamentu síviku, etsétra, é más ki di kondenadu. É di ranegadu dispatriadu.
Pa ki un povu rakonhisse kelotu y é leba-l en konta, el y si modis de sta na mundu, djuntu ku sis kuzas y na si getu, é ten ki ta mostra-l el sen xinti burgonha y sen átxa poku si kabessa.
Sima sabedu tanbé, soberbia di tenpu ka ta purda nada y é ta leba-nu a tenta poi di parti sertus kuza sima uzu, kustumu, modis di pâpia na si forma popular, indimenu oji, ki karru, estrada, rádiu, televizãu, sinéma, viajis, imigrassãu, kooperantis, enfin (diz) involvimentu di mundu é kuzas ki sa ta alkansa tudu algen si krê di kantu más rakuadu, sendu tudu keli ki sa ta provoka mudansa na modi di sta y di pensa y di faze di nos tudu, ó nu krê ó nu ka krê.
Pur issu “SON DI VIRASON” – eskritu na getu y na gostu di sentimentu-l terra – é djondjodu ku primeru publikassãu, (VXLK) – undi ki kada xintidu letradu é fidju di sirkunstansias di vida en ki alma di terra y alma di povu gemiadu na kada palavra sta pustadu na konfronta ku tenpu timenti solussu é un sinal di vida.
Pa tudu kel ki lé, ta fika un pididu si: tenta konfina bu xintidu ku sentru-l nha taganxu bu da-n di bó pa-n obi. (k.b).» Ta fika textu di un di sis puema.....

MI É SIMA MI PROPI
(Puema-finasson)
Mi é transadu má sen burgonha
Ta buska ten má sen orónha
Konbersu klaru ka trapadjadu
Skola poku má ku postura
Ka letradu ka ta nganádu
Sen dinheru ka trapasseru
Ka bá kortel ka tomadu nómi
Ka debe ónra na banku grandi
Ki fari na pódi justissa.

Ka di prassa ka ten inveja
Ka donu txon nen proprietáriu
Ka soberbu ka interesseru
Ka mufinu ka diskudadu
Ka farronperu nen mal tadjadu
Ka mintrozu nen lixonxêru
Ka rabeladu nen malkriadu
Mandis kontu bixerru mansu
Ten leti sertu na tudu mai.

Diskunfiadu konberssu txeu
Ka ta kunpradu ku amizadi falssu
Ruspetu finu pa kel ki bale
Disprezu sertu pa mal lobadu
Ka ten xintidu na kuza genti
Ka ten galon ka txôra poi
Na piskos só kularinhu branku.

Ka portugês ka ninhun dês
Ka nbarkadistu ka ten sodadi
Ka klandistinu nen pé na boti
Mantega leti midju terra
Spritu batuku alma sinboa
Faze-n kel ki ami N é
Kauverdianu ka konparadu
Omi firmi riba-l mundu
Pa purba mundu legradu ó rukutidu.
Faze bu kalku djobe bu djurga.
AMI É SIMA MI PROPI.

É na livru “Son di ViraSon” ki ten puemas muzikadu pa mi sima: Juana, Mensagi Grandi, Dimokransa, Terra Madrasta, Kunjunturadu, konpozissões di anus noventa. Dimokransa foi fetu na 1991 y si sussessu sta ser agora na 2007/2008 etc. (16 anu dipôs). Restu é pa estudiôzu y krítikus ben fla di sês.

A propózitu di krítikus. Li na terra ten kenha kapaz di opina dretu sobre tudu trabadju fetu na kabuverdianu ti gossi, ten. Má ten algun dizinteressi tanbé. É presizu ki alguns intelektuais pusta más na lingua kabuverdiano, pa pôde konxedu distrinsa, pa kada kuza fika na si lugar, pa fika ta sabedu klaramenti kal ki é LIVRU OBRA y kal ki é só livru.

Má komu un monti di intelektual dês terra ta átxa ma literatura inda é kel di klaridozus y ses sigidoris, y ma literatura na kriolu é un kuza igual ku kenha ki ta produzi-l, ker dizer "karpinterus" na sis sírkulus di interessi. É tãu verdadi ki ó ki ta papiadu di obras na kriolo, ta ben logu Pedru Kardozu, Eugéniu Tavares, komo si dipôs dês kuza kaba. Má ó ki dôs ó três krê aumenta ses kurrikulun ês ta ben ter di mi y di kes otus pa ranjas suporti pa argumenta tézi di “dóta” y ó ki bira “dóta” tudu ta fika kel mé.

Ten ki viradu más, inkluindu Ministériu di Kultura, y dessididamenti pa kultura popular, pa undi ki kultura ta fazedu, ta vive y ta reproduzi tudu dia. Ivestimentu fórti é lâ. Ami N sabe ma nha obrigasãu é produzi múzika, skrebe ben skrebedu y fla ku arti. Keli ki é nha tarefa. (K.B.)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Bilhete para Ondjaki

Caro Irmão Onddjaki
As minhas caras mantenhas para ti. Contente por te ver no meu blog, jovial e de saúde. Espero que 2 mil y 8 seja bom de mais para ti, para os teus sonhos e para todos os lados dos sóis das tuas andanças. Sempre cá na terra, eu, vendo as coisas caminhar.
Olha, as nossas terras irão mais depressa quando de alto a baixo a gente saltar de entendimento médio, para entendimento superior. Assim, sim! Vamos poder contar com mais entendidos e entendidas.
Os poetas, os músicos, os compositores, os pintores, os artistas no geral, que nunca foram entes tidos, só precisam de sossego e algum desafogo para continuarem a pastorear as suas estrelas. Tenho três obras prontas na gaveta e não saíram em 2007 porque achei o ano bengala, quer dizer manco de “kumbú”. Os patrocínios foram para as obras dos antigos loucos, os consagrados da Claridade.
Como este ano parece ser mesmo o do “doido oito”. Há-de sobejar algum. Pelo menos há um pato solteiro ou solteira, (2) um par de ovos e outros dois coitando a olho nu. Progressos! Será?
Vamos a ver! Vai um poema para o regalo dos teus óculos:

MEU BRINCO DE PEDRA

Vestirei o meu brinco de pedra
Para cantar de forma intimista
Doce mais que dantes cantava
No aqui da idade da minha tira
Onde é nova a trova que prego.

Canto a pedra-brinco e brinco
Para a minha calma guerreira
Porque tudo em mim é caminho
Que passa como a sementeira.
Devo é não ficar preso ao milho.

Mais de meia de mim é proscrito
O restante é a aturdida saudade
Da boa azágua ainda que incerta
No aflito olho do grão sem idade
Do pó de mim na pena do poeta.

Canto a pedra-brinco e brinco
No colo ventre do voltar do galo
Pelas tocatinas a que me destino
Pelo Sol incivil agitado no canto.
Devo é não ficar preso ao antigo.
(Kaka Barboza)

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Nha Primeru Livru



Na 1984 Institutu Kabuverdianu di Livru publika nha primeru livru “Vinti Xintidu Letradu na Kriolu”. Más di metadi di livru foi skrebebu riba d’agu mar a bordu di naviu “Luise Bornhopfen” y só entri 1974/76 N konpleta-l. Na altura nha livru meresse seginti komentáriu di pessoas kredensiadu di nos mundu literáriu: «Não há dúvida de que, para o autor, o aspecto tradicional é uma referência necessária, um ponto de partida, mas o intuito não é de ficar por aí. Há um projectar do passado no futuro passando pelo presente que é uma simples escala de transição (visão de conjunto)». “Manuel Veiga”. «Quando vierem a lume duas ou três dessas colectâneas, mais significativas pelo grau de apuro literário, ainda que estreia literária de gente nova se trate, os potenciais leitores e críticos dirão da pertinência ou não pertinência desses apontamentos». “Osvaldo Osório”.
No entantu própi autor di livru na altura skrebeba ú seginti: «Na kudar di tenpu rakuadu, na ozerbar di kel korrenti, más xintidu na dia di manhan, es livru é rezultadu di anus ta matuta, ta buska ta rabuska na fundu nha mimória konservadu, kal ki era verdadi di onti, di oji y pa dia di manhan riba txon di nos terra». Nhos permiti-n fla ma pa mi, Arti, na kel kazu li, Poezia, é un kuza ki ta nanse di transu di konhesimentu ki un pessoa ten di si taganxu, ker dizer di si propri vivênsia y di meiu undi ki é ta vive, y ta fika klaru, ma kel algén ten ki ten “un don raru ki natureza” ki ta da-l es kapasidadi di podi sintetiza, kria y enfatiza, pamodi entri fantizia y realidadi é ki un poeta ta kira akilu ki djan txiga di fla «átxa k’atxadu inda”.

Xínbia Pingu d’Oru
(Puema)
Xínbia pingu d’oru
Sai na altu kutelu
É djáta-djatu
É púpa-púpu
Kudi na fin di mundu
El si nobidadi
Kore séti légua
Séti rubera
Séti mar
Séti mundu
Finda na Pik’Intóni.

Xínbia pingu d’oru
Ten konbersu dóxi
Sima figu ponta rotxa
Ki durba santxu ku si sabideza
El é roskon sima prinsipi
Kontenti sima kabalu
Ingratu sima lobu
Ki ten tudu ka ten nada.

Xinbia pingu d’oru
Ten ardilu di fitissera
Xintidu di inkantada
Séti bida sima gatu
Séti dia sima sumana.

Xínbia pingu d’oru
Ka kurtu ka kunpridu
Ka di pó ka di pedra
Ka bódi ka kabalu
É sima Nhordés faze-l.

Son di Nos Eransa y Son di Ravoluson é dôs grupu de puemas distintu un di kelôtu. Nton kenha ki lé y ki konxe konteúdu di livru ta kaba pa diskubri kuandu é ki autor finka pé na txon di si konsiensia pa é lavra y senpri ku ómesmu sentidu, ku ómesmu filozofia y ku ómesmu stétika y konfigurassãu linguístiku. Nton nu lé:

Rakumendason
(Puema)
Ayan mossinhus!
Kontissimentu podi kontisse ti skanssa riba la na seu.
Mundu podi anda-dizanda ku boita sima é krê.
Má nhos firma xintidu na ú ki N ata fla nhoris!
Pa más ki rotxa díli di tremura
Veia d’águ perde na si greta
La undi ki era fonti sertu si nomi ka ta perdi
Pabia nomi ka só NOMI si-si.

Diklarassãu di autor djâ na altura ta flaba u seginti: «Ês trabadju pa ti ki é sai na klaru, foi un vá-ka-ta-vá, gerra brabu dentu-l mi ki, pás na konsiensia, dizabri ku mundu éa ramedi. Ês livru é ka pa sirbi-n di puleru pa djongo, má só konta ozerba kaminhu y toma rumu». É si ki N odjaba kuzas désdi ki N komessa ta lida ku skrita na kabuverdianu. “Vinti Xintidi na Kriolu” é primeru livru publikadu na alfabetu sprimental pa skrita na língua di terra. Na okaziãu N tinha propostu pa livru serba fetu na dôs forma skritu. Na di meu y na de sês. Y assim kontisse y livru sta inda ta kunpradu. Txêu jovens ki gosta di skrebe na kabuverdianu inspira na kel livru li. Si ki ês própi fla-n. Txau ti próximu bez.

Txabeta Em Estado de Alerta

                                                                                                                                     ...