domingo, 29 de janeiro de 2012

Com Alma


    Caros Amigos

    Caros Leitores

    Caros Seguidores

    Quero, aqui da distância, daqui da Gaveta Branca, dizer-vos um alou, leitores do Brasil, de Portugal, de Cabo Verde, dos Estados Unidos, da Europa riba e do continente Africano e vos gradecer também pela contínua visita ao Son di Virason.
    Creiam-me vosso amigo sincero.

    Tenho procurado agenciar as minhas opiniões com prudência e com boas maneiras, mas admito ter exagerado alguma vez por ter sido vítima dos reprováveis ataques dos anónimos. PEÇO DESCULPAS.

    Este fim-de-semana o meu pensamento esteve conectado com TODOS VÓS, patrícios diasporizados, sobretudo, com os músicos e os artistas no geral que têm mantido e revigorado as nossas tradições além fronteiras. Isso, porque fui convidado a apresentar em Assomada – Santa Catarina – no dia 01 de Fevereiro de 2012, o livro de César Monteiro cujo conteúdo é deveras curioso e destacado. Trata-se de uma análise sociológica à situação da nossa música ou da música feita por caboverdianos na diáspora lisboeta.

    Terei a oportunidade de, aqui, publicar a minha intervenção sobre o mesmo.
    Obrigado. KB

    Nota: Segue um poema recado.



                            ALENO!
                                         Pa Mimória di O. Pantera


                           Manenti…Aláno!

                           Porfiado ta bira-l strela

                           Tinta fincado ta bira-l tela

                           Gota-gota ta bira-l legrête

                           Sima teimosia bedjera. Aleno!



                           Manenti… Aláno!

                           Sol-a-sol ta po-l cende

                           Tenpo ardedo ta ganha tenpo

                           Dia agendadu ta po-l rende

                           Sima teimosia bedjera. Aleno!



                           Manenti…Aláno!

                           Brio di panu terra na torno

                           Ta mata tontura di speransa.
                          
                           Manenti... Aleno!.

                           Páxenxa di noiba na strono.

                           Manenti... Alano!

                           Sima teimozia bedjera.

                           

                          Si kâ fila!

                          Kulpado ka santo…

                          Ka mi!… ka bó! ...

                         É silencio koba nos boka.

                         KB

                           2007-03-02

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Poesia Sem Alma

Donna Boris



Poesia sem alma

É como uma musica sem melodia

Um pôr do sol em tempestade

Um alvorecer sem pássaros cantantes

Um jardim sem perfume e flores.

Poesia sem alma

É como papel sem palavras

Tela sem arte

Vida sem ser...

Poesia sem alma

É como me sinto agora

Coração bate, mas há demora.

É sentido sem sentido.

Eu, só eu e um teclado mudo.

Poesia sem alma

Onde está você?

(Postado por Donna Boris poetisa)

BOM FIM DE SEMANA A TODOS OS MEUS SEGUIDORES E LEITORES.
OBRIGADO PELA VOSSA COMPANHIA. KB

Meter Água ou Meter Alma

Diz-se que somos um pequeno estado de uma grande nação e de alma do tamanho do mundo. Mas o que se faz, se diz e acontece cá dentro leva-me a crer que, de facto, o que  temos é boca grande por onde é capaz de passar em cheia toda água existente na face do globo.
E alma?
Ela é pequena, pequena mesmo, do tamanho de um pássaro no pomar dos nossos sonhos.

A nossa alma finge-se grande quando se afirma que somos um país aberto ao mundo e como tal tudo vem cá ter porque estamos lá, na aldeia global, onde tudo é pertinho, á distancia de um clic, e, prontos, decidido está…. estamos inseridos, estamos conectados, estamos abrangidos etc. e tal. Tudo bem. Ficou dito, portanto, somos os maiores entre os grandes. 

O diabo é que andamos divertidos com o zouk love, o hip-hop e outras propagandas imbecis que desviam os reais interesses das pessoas e do país no geral e nem damos conta de que a nossa alma fica sem tempo de se sentir ela mesma, tudo porque somos abertos e porque somos cidadãos do mundo de corpo inteiro.

No entanto como a alma dos nossos combatentes e heróis da pátria é pequena; como não temos generais que defenderam com alma os ideais da pátria; como os nossos poetas e escritores são desalmados; como a própria bandeira e o hino não têm alma, e, finalmente, como de dia somos a alma do pássaro e à noite a dos outros, continuaremos pássaro que voa dentro de nós a renúncia ao seu próprio ninho e seremos barco que de manhã aporta e à tarde devolve-se à longa jornada aventureira.

Por esses andares as estátuas de Diogo Gomes e António Noli vão ser alma da Cidade Velha e na Praia Nelson Mandela alma do AIP e almejo para mim um cantinho na própria terra quando o meu pássaro deixar de voar.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Mijo ou Água


     Lendo o post do Djinho Barbosa, em Son di Santiago - Liberdade de Expressão & Free Mijo - imediatamente, fiquei a pensar se mijo e água normal não são a mesmíssima coisa.

     Vamos pensar juntos um pouco: As gentes do interior de Santiago, os qualificados badius di fora pelos badius da Praia, por respeito a si próprias e para com os outros, antigamente procuravam sempre sítios fora do alcance dos olhares para fazerem mijo, isto é, para fazer água, como se costumava dizer. Em boa verdade, antes, usava-se a metáfora para citar nomes de coisas e de actos considerados deselegantes justamente para que a pessoa não fosse vista como mal-educada.
     Era assim: mijo>água; pupu/cocó> necessidade/mato; órgãos genitais >corpo de homem /corpo de mulher, e assim por diante.

   Conquanto aos praianos, nascidos e criados, nem pensar em ser descabido quanto mais incivilizado. O abusador ou o faltoso tinha toda a sociedade em cima, incluindo a Polícia de Segurança Pública. É que não havia condescendência para com os actos indecorosos fosse onde fosse quanto mais na via pública.
     A liberdade de expressão reivindicada em todo o lado e em todo o mundo dá também no FREE MIJO e FRIS FRIEZAS, que levam as pessoas a serem humilhadas, injustiçadas, roubadas, agredidas, violentadas e matadas por quantos nasceram para não ficarem na barriga, que, crescendo, optaram pela marginalidade e pelo bandidismo, público este, indesejado, que as instituições e os agentes dos direitos humanos apelidam de grupo de cidadãos em conflito com a lei porque vítimas da própria sociedade, sabendo que tal grupo é formado por indivíduos e pessoas de toda a espécie e feitio, portanto, de bandidos declarados no dizer dos agredidos que mal gozam do direito à vida e ao sossego de espírito em seus bairros, em suas ruas e em suas casas.  

     Uma curiosidade. Sabiam que mijo txóko curava gente com finado no corpo?
     Será que a Praia precisa se banhar nesta água bendita para se livrar dos maus haveres que inclina a sua balança de civismo?

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Os 37 Dias de Janeiro



Diz o ditado do povo que, Janeiro, de dezassete em diante, são dias de cruz na boca porcausa dos seus trinta e sete longos dias. Não é difícil compreender o porquê dessa máxima quase sem lógica nenhuma.

Como se sabe o mês de Dezembro é o de gastos exagerados por causa das festas do Natal e do Fim do Ano, levando as pessoas a não olharem para dentro da carteira ou seja tiram-tiram-tiram e não guardam o cobre suficiente para aguentar a casa em Janeirão pelo que elas vêm-se obrigadas a tomar fiado nas loginhas e mercearias, entrando o ano com saldo negativo, mas daqueles negativos da cor do xintido kansado.

O diabo é que, em Fevereiro, as festas das Cinzas e logo depois as Pascoais convidam as mesmas pessoas a novos gastos, despesismo que conduz à inevitável derrapagem financeira, situação de dificil recuperação, obrigando muitos a viverem na condição de MOSGUEDJADO SI, claro que com os possidentes a vida é sempre na descontra. O baú aguenta-se bem. Mas com os de média e baixa renda a coisa fica mesmo cansada.
Pois, o arroz de caldo de galinha, pintado de  engodos de panela, a chamada mesa de pobre é a que, nos longos dias de Janeiro, os tais 37 Dias, dá trabalho à barriga e safa os dias ingratos.
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Parece o Carnaval mas...


Na Europa, cada manifestação do Orgulho Gay contou, em média, com 1.000.000 de pessoas.
Cada manifestação contra a Corrupção teve em média cerca de 2.500 pessoas!

Estatisticamente, fica provado que há mais gente a lutar pelo direito a levar no cu, do que pelo direito a não ser enrabado.

É o que temos...

Vamos começar a pensar reclamar o respeito pelas minorias…

Ps: Mandou-me uma amigo para colocar no Blog. KB

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Praia e o Carnaval


           Após viver 11 Carnavais em São Vicente (1968-1979) julgo ter uma opinião acerca do Brincar o Carnaval, tanto em Mindelo como na Praia.

           Mindelo por ser uma cidade com habitos urbanos antigos absorveu e bem o essencial de culturas trazidas pelos muitos habitantes, digo habitantes de outras paragens, que ali deixaram as suas legações e que os mindelenses incorporaram e criolizaram.

            Houve tempo em que Praia teve o seu Carnaval, e, diga-se, com muito nível, que, hoje, apenas residuos constatamos, justamente porque houve um vazio, isto é, a cúpula organizadora deixou de existir e o carnaval apagou-se longamente no tempo. Há algum esforço para se recuperar o Carnaval que a Praia merece. Mas há algo a impedir que isso aconteça. Primeiro, organização, segundo, preparação tempestiva e, terceiro, adesão consciente dos que vêm no Carnaval uma forma de expressão artística. No meio disso tudo há o que eu chamaria de inibição do espírito, fenómeno gerador da ideia da incompatibiliade, quer dizer o "aristocráta" é povo quando lhe convém, quando não é COPU LETI no dizer deste mesmo povo. 
  
            Durante muitos anos, a quarta-feira de cinzas, por razões religiosas e outras, se sobrepôs à terça-feira do Carnaval, e jogar com estas duas situações foi e está sendo difícil, e não sei dizer para quando HAVERÁ um Carnaval à Praia, isto é, um Carnaval que dê mais sentido artistico e cultural a o que, de ano para ano, se experimenta com os incipientes grupos carnavalescos da capital.

            Nho DÔI, o fundador do Grupo Carnavalesco Mindelense, VINDOS DE ORIENTE, do qual eu pertencia, quando vivia em Mindelo, radica-se de há alguns anos para cá na Praia. Este ano, o sanvicentino prometeu realizar um Carnaval na Praia à semelhança do de Sâo Vicente e, para tal, criou um núcleo fundador, distribuindo convites e correspondencias a várias entidades para subsidiarem o programa e convidando cerca de 600 pessoas para integrarem a proposta do grupo ESTRELA DA MARINHA, tudo isso pensado e feito em Dezembro, último.

            Mas acontece que, até hoje, o homem não teve a resposta desejada, nem dos contactados (apoiantes), nem dos convidados para integrarem o grupo (rapazes e raparigas). Fiz as músicas - Samba e Marcha - os ensaios são frequentados por adolescentes e crianças. Ainda não há músicos, quer dizer, banda de suporte musical nos ensaios e para o dia da apresentação.

             Das duas, uma: não acreditam no homem por desconhecimento do seu corriculum carnavalesco ou acham-no pouco para realizar o programa que inclue andores com muita exigência artística. Continuo a achar que, quanto à realização de um bom Carnaval na Praia, diria, um Carnaval não com as carecteristica do de Sâo Vicente, mas que tivesse o que Santiago e Praia oferecem em termos de motivos para incorporar esse grande evento cultural, está longe de acontecer.
          Fico na minha. Aqui, prima-se pela BATUCADA, com participação improvisada de passeantes e curiosos em DETRIMENTO da adesão atempada de integrantes nos grupos que a acontecer de forma organizada engrandecia cívica e culturalmente o Carnaval da Praia. Fico para registar o que nos reserva o Carnaval Praiense de 2012.
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Tera de Aberações - 01.2012.20 -

Será que o sacrifício daqueles que foram para a cadeia política colonial, os pegaram na espingarda contra a ocupação estrangeira e os que seu sangue morreu ferido para a nossa libertação é compatível com a vida de GAFANHOTO que muitos caboverdianos levam nos dias de hoje na nossa terra?
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Tera de Aberações - De hora a Hora


«A minha expectativa é que o Governo JMN deixe de ser pedinte e consiga atrair grandes empresas mundiais, inclusive americanas, a utilizar o nosso território para produzir, criando assim postos de trabalho, e logo exportar para o EUA (fazendo uso do AGOA), e para o resto do mundo. Isso sim seria exceder as expectativas senhor primeiro-ministro». (Liberalonline - Abraão Vicente)

Sim, Abraão Vicente. Li tudo. Li o teu artigo todo. Calma, rapaz. Entraste na politica logo como deputado, para o bem ou para o mal do teu destino crioulo. Cabeça fria e no lugar certo para comandar o resto do corpo é o que te desejo neste novo calendário.

Sobre o conteúdo em itálico dito (escrito) por ti, pensei o seguinte:

Talvez por nunca teres pegado numa chave de fenda, martelo, garlopa etc. nem funda para espantar o corvo, quer dizer trabalho suado, pesou nada aquilo que tiraste da cabeça para fora. Se é para cumprires o papel de opositor ao 1º Ministro JMN, então, todas as bugigangas deste mundo estão à tua disposição para uso e desuso.

Agora, opinar que o governo é pedinte, logo eleito por pedintes, é vergonhoso para quem é culto. E não te esqueças que como deputado da nação estás inserido num sistema pedinte. Opinar que se devia atrair grandes empresas mundiais, incluindo empresas americanas, para aqui se instalarem, produzir e exportar para os estados unidos e não sei para onde mais, é, no mínimo, Txacóta, Sr. Deputado, poeta, pintor, escritor e articulista.

Não conhecer a realidade humana, técnica, financeira, laboral, profissional e material das ilhas, é grave para quem quer fazer carreira política, e o mais grave é desconhecer o chão que pisa.

Esta tua expectativa não inverteu as minhas. Os assuntos de estado não vão para a praça pública.

Nota: quando numa delegação parlamentar fores para este mundo fora saberás o que é não ter tradutor.

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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Coisas do Guita


Interessante!
 Voces vão fazer o seguinte:
Fixem o quadro e se quiserem ler o que ali vem, com os dedos colocados no rabo do olho, afastem-se um pouco do ecran, imitem  os olhos de um chinês e descobrirão.
Interessante! Não é?

domingo, 15 de janeiro de 2012

Téra de Aberações - De Ano a Ano


Caro amigo Alte Pinho

Não sei se visitas o meu Blog, não sendo o caso, convido-te a fazê-lo e ler o que escrevi a anteceder a postagem aqui do teu artigo VAI PARA A TUA TERRA.

Volto a repetir. É atordoante viver rodeado de "labregos crioulos". Não pagam impostos, roubam energia, surram nos meninos e cãezinhos em casa, só falam da familia pelo natal, e não têm vergonha de receber salário completo sem o merecer, enfim gente que nem perante o seu Deus conseguem identificar-se por ser anónima e despatriada.
É horrorizante isto.
Veja o poema que escrevi em Honra Deles:


São como traças estes couros gulosos

Clássicos vermes assaltantes e desalmados.

O instante chegará e o saco desbambar-se-á

e de novo elevar-se-ão os altos desígnios.



São como carrapatos estes parasíticos calos.

Autênticos seres com o diabo pactuados.

O instante chegará e o saco desbloquear-se-á

e de novo revitalizar-se-ão os ânimos.



Empanque algum reterá a hora da corrença

e como finados incinerados abismar-se-ão.

É a minha dura crença.



O instante não tardará marcar a sua presença

e como lagartos hibernados sumir-se-ão

É a minha forte crença.

Kakà Barboza
(Livro ChãoTerra Maiamo - 1999)




sábado, 14 de janeiro de 2012

Viva o 14 de Janeiro

"Se os Mercanos tomarem conta qualquer desses dias os TACV não vai entrar em Boston. Eu conheço um filho de um ex-deputado artista e palhaço que faz parte desta organização". (comentário anónimo no jornal online a semana)
Tal ideia vem de um ezquizóf e deriva do artigo publicado no a semana online que fala sobre a presença dos islamitas em Cabo Verde e a conversão de alguns filhos da terra, entre os quais o meu filho Lenine Barbosa, maior, de 37 anos de idade, dono do seu bolso e cachimónia, como se cada um é obrigado a ser o que os outros querem que seja. 
Eu não sou católico. Prefiro o racionalismo. Não atuo no anonimato. Tenho cara e colhões. Não me escondo detrás de nomes de finados. O meu é Kakà Barboza. 
Claro que esta maravilhosa ideia vem de um finado, digo, filho da puta, que me quer bem como artista e como ex-deputado palhaço.  
Não devias responder, podem dizer uns.... mas faço, porque tenho FALO de homem ainda com esta idade, idade de ir para a cova. Respondo, sim, com veemência.
Os anónimos são como orina de cachorro. São o que são. Nem católicos, nem protestantes... nenhum deles, apenas uns desmatrículados, uns filhos da putona, dito num bom português.
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O Convidado

Sábado, dia 14 do corrente, serei palestrante no Liceu da Calheta de Sâo Miguel, a convite do seu director, para versar sobre o tema: Abertura Politica e a Democracia em Cabo Verde. Estarão presente professores, alunos, pais e encarregados de educação e outros convidados.

                                                       

Dois anos atrás tinha sido assim.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Tropecidades 1

Recordo que o Son di Santiago, Blog do Djinho, já tinha postado esta tabuleta afixada na praça Cruz do Papa. Com o desgaste do Filu, também a placa desgasta-se de forma acelerada. Tentem captar o que ali resta. KB

Depoimento

LANÇAMENTO DA ANTOLOGIA CABO VERDE PROSA LITERÁRIA PÓS-INDEPENDÊNCIA DEPOIMENTO     Caro confrade Jorge Carlos Fonseca, poeta...