quarta-feira, 15 de junho de 2011

Poema Fim do Mês

             São como traças estes couros gulosos
Clássicos vermes assaltantes e desalmados.
O instante chegará e o saco desbambar-se-á
E de novo elevar-se-ão os altos desígnios.

São como carrapatos estes parasíticos calos.
Autênticos seres com o diabo pactuados.
O instante chegará e o saco desbloquear-se-á
E de novo revitalizar-se-ão os ânimos.

Empanque algum reterá a hora da corrença
E como finados incinerados abismar-se-ão.
É a minha dura crença.

O instante não tardará marcar a sua presença
E como lagartos hibernados sumir-se-ão
É a minha forte crença.

 (KB - ChãoTerraMaiamo)

domingo, 12 de junho de 2011

Duas Portas Abertas

                   DOMINGO OU DIMINGU

O domindo é para mim como chaveiro de muitas portas e por assim ser vou abrir apenas duas portas para os meus amigos olharem para dentro.

1 PORTA. Faço-o há montes de anos. Hoje vou preparar o almoço assim: Sopa de salsa para aliviar os orgãos internos e tirar as gorduras de ontem do esqueleto.
Estufado democratico de cabeça de peixe (diversas cabeças), banana madura frita, manga com sal e malagueta, tomate e alface e massa fininha, regado com vinho do Fogo, isto é, Manecom por ser doce.

         2 PORTA.  Acabo de terminar o livro CLAROS D'ALMA & SOLOS de cerca de 250 páginas. Um antigo professor meu vai lê-lo e rever a escrita e abro com esta nota:

"A estada de dois anos e dois meses em Assomada a trabalhar na Câmara Municipal de Santa Catarina estimulou e ajudou-me a recuperar memórias, a revisitar os lugares, os sítios, as ribeiras, inclusive a reavivar relações com as pessoas conhecidas no passado, algumas delas próximas da casa dos meus pais. As noites de grilos, as madrugadas friorentas e o peso do silêncio também ajudaram bastante na síntese das notas tomadas na agenda de bolso e em pedaços de papel ao longo de vários anos.  Quis com esta obra contemplar aspectos e momentos simbólicos vividos em Santa Catarina, Boa Vista e São Vicente, espelhando sentires e vozes do meu espírito, mas também ilações tiradas das andanças pelos caminhos vicinais da vida, onde o paisagístico, o humano, os factos, as lendas, as crendices e vivencias se evidenciam e se intercalam naturalmente e onde a prosa se confunde com a alma da terra.

           Repetindo o já dito no texto: «Na vida nada sucede ao acaso. O que dela resulta vem de provaçôes, estágios e motivações». Assim, ao tornar público o conteúdo deste livro, pretendo que, no acessório, ele seja tido como uma simples dádiva, a minha fácil dádiva aos que dela queiram tirar algum proveito, esperando ter reabilitado heranças testadas vez única na vida justamente por ocorrerem em espaços e lugares outros, com gentes, crenças e cultura também outros, e ainda em tempo e conhecimentos bem outros. " BK

sábado, 11 de junho de 2011

Notas de Fim-de-Semana


             Duas notas de fim-de-semana

1.  Todos os dias às sete e meia da manhã a voz do chefe de obras chama pelos trabalhadores. Entre os doze ou treze homens nenhum é caboverdiano. Eles são da Guiné. Num falar rápido (português provinciano) ele dá as instruções do dia. Ao meio da manhã o chefe aparece de novo para controlar o andamento do trabalho. O falar alto dele é denunciador de  que as indicações dadas não foram cumpridas.

 De forma discreta perguntei ao encarregado e os outros se entendiam bem as instruções que lhes eram transmitidas. As respostas foram estas: “Não entendo tudo mas apanho qualquer coisa”. “Não consigo entender tudo, mas entre colegas desenrascamos”.“Ele fala rápido e se a gente perguntar algo ralha-se connosco”. Pareceu-me que: Politicamente as províncias ultramarinas eram portuguesas e humanamente nunca o foram por razões de óbvias.

2. O encontro de ontem, dos homens da música com o Sr. Ministro da Cultura, foi bom e as ideias lançadas e as propostas assim como estão delineados são curiosas e podem produzir grandes efeitos se levados à prática.

    Do meu ponto de vista há a considerar o seguinte: uma coisa é as ideias, outra coisa é as deliberações e outra coisa ainda é a realidade material e humana que as suportam e as dão sentido e significação prática. Aqui nesta terrinha não faltam sonhos, ideias e desenrascanços, mas é onde também muito boa gente não se apercebe que a magia do discurso cria nela a ilusão do já conseguido como se o anúncio de uma decisão é ter o cobiçado boi na corda.

    Às vezes, decidimos num sentido enquanto a realidade corre noutro sentido. Não quero, de modo nenhum, desfazer-me da muita coisa boa dita no referido encontro de músicos, mas a meu ver há questões básicas que têm a ver, primeiro com a aquisição de gestores aptos, práticos e de qualidade, capazes de cumprir as regras definidas e fazê-las cumprir juntos dos interessados,  segundo com a coerência e a confiança que deve existir entre os que comungam dos mesmos sentires e ambições, e terceiro com o associativismo das classes urbanas. 

    Não me causa espanto nenhum o facto de na nossa terra as regras firmadas, em muitos casos, não passarem de bonitas decorações jurídicas, sem que na prática ajudem a moldar opiniões,  posturas e sobretudo o cumprimento dos deveres e as obrigações entre as partes interessadas.

    Ser-se cidadão culto e apto não basta um Adão astuto avistar o paisagístico e residir na cidade, assim como fazer ou criar cultura não é vogar no jorro das modas e avassalar apoiantes de rua. Por mim, enquanto o culto da cultura não passar pela aprendizagem didáctica, muito do que existe e faz-se não passam de frenesis onde a curtição prevalece sobre o que de direito à cultura devemos dar e dedicar com respeito.  (KB)

Textos Exilados

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