sexta-feira, 14 de agosto de 2009

TERA DE ABERAÇÕES 3

Ainda a propósito dos doutorados crioulos.
Há algum tempo atrás o vereador porta-voz da Câmara Municipal de Assomada, formado e com mestrado, respondendo a uma denúncia, lia um documento, escrito ou não por ele. Foi uma vergonha. Vergonha para Assomada e para Santa Catarina. Lia e as palavras pareciam temer os dentes, a língua e os cantos da boca. Muito atrapalhado estava o porta-voz discursando em língua portuguesa. Se calhar é um desses doutores a mais na nossa terra de que se falou no LiberalOnline.

Há bem poucos dias a vez foi do médico do Centro de Saúde de Ponta d’Água a mostrar sérias dificuldades em falar o português e a explicar de forma clara a razão porque tinha entrado água da chuva pelo tecto do edifício novo, invadindo os compartimentos e a deixar os utentes sem atendimento adequado.
Francamente. Baixei a cara não sei se de mal-estar ou coisa parecida.
Grande quantidade de… ou abundância de… dá em móia.
E quando há móia a qualidade é duvidosa. (Kb)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

TERA DE ABERAÇÕES 2

“Há doutores a mais em Cabo Verde” felizmente o articulista escreveu doutores com o “d” minúsculo.
Se o David Hopfer Almada o disse, é uma afirmação que deverá ser bem avaliada.

Que os há, há. E bastantes. Caso a sociedade em que vivemos não fosse alimentada pela atitude demagógica de uns tantos e fossem eles menos hipócritas, possivelmente, a qualidade da terra, dos homens e de vida hoje constatadas teria pulmões sadios para nadar milhas e mais milhas em direcção ao rendimento médio do país ao nosso alcance. Mas não. Samos o que semos.

Somos uma terra de Desabafos. Mas só uns podem fazê-lo, deitando para cima dos outros as suas bugigangas. Há muita incoerência porque há gente inconsequente. Mas o pior é que há muita falta de autenticidade nesta terra. O caboverdiano teme ser autêntico. Aqueles que procuram sê-lo, as suas atitudes são rapidamente rapinadas e conotadas com tudo e mais alguma coisa.
Nesta terra assistimos muito à falta de sentido de pertença. É uma doença que se agrava cada dia mais. Contrariamente, aqui atrapalha-se e confunde-se tudo, porque, justamente, há doutorados a mais e de toda a gama. É resultado da muita mistura e da pouca distrinça entre o que é favo e fava.
(veja o post seguinte). Kb

terça-feira, 11 de agosto de 2009

AURA DA RUA

ELES, OS RUANDARILHOS

Passamos pelos sítios seja onde for,
Ruas dentro e fora do nosso corpo
Seduzem-nos os olhos a nutrirem cenas
Dos esqueletinhos desventurosos
Outros com o olhar distante como vitrinas,
Expondo-se para ganharem moedas.
Em surdina, dizemos:
Que dó. Vamos e voltamos de novo. Repetimos.
Eles, tudo na mesma.
É como se nós fossemos:
Os não sujos,
Os que têm onde ir e estar,
Os sem trapos,
Os com estudo,
E eles os sem amor,
Sem caminho,
Com a cicatriz da rua no seu destino
Nós! Tudo temos ao contrário.
Uns muito mais e outros ainda mais.
Conforto e carteira para gastar.
Braços que dão amor e carinho,
Festas e entretenimento.
Mas há espanto nisso tudo.
Enquanto divertimos e gastamos
Eles farejam-nos o interior dos gestos,
Como se fossem mais alma as nossas.
Se tudo é tanto nosso como a deles.
Qual Direito de receberem olhares de medo e desprezo,
Se todo o rosto é igualmente parido.
Qual Direito de os seus direitos
Virem lindamente nos Estatutos e na Constituição
Se não passam de juras velhas e gastas.
Qual Direito de a sociedade fechar os olhos
E esperar que Deus os livre destes infortúnios.
Eles, os RUANDARILHOS.
Que, ainda assim, flores da nação cantarolamos.
BK

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

TERA DE ABERAÇÕES


VERRÕES TURRÍSTICOS CV

Descuido não é certamente. De propósito também não deve ser. Raízes étnicas longínquas? Talvez!... A má apropriação das palavras, do seu sentido e da pronúncia, deve ser, seguramente, uma das razões por que se desconfia do ALUPEC e é levado com xuxadeira.

Em certos lugares de venda de petiscos escreve-se nas tabuletas em português:
TEMOS MORREIA; PERNA AÇADU; CACHUPA GUIZADO; PEXE FRITO – TUDO BARRATO
Nas rádios e televisões diz-se em português:
Durrão Barozu; Barraki Obáma; Verrão 2009; Rádio (r) rastado.
Reziste Predial; Reziste de nascimente; Todoj oj anos temoj o horrário único.

Pior do que isso é admitir e propagandear que há VERRÃO no arquipélago lá porque o tempo vira quente e húmido por causa do período das chuvas. Na geografia do tempo das ilhas sabe-se que elas estão sob as influências do período seco ou das brisas e período quente das chuvas ou das águas.

Que verão turístico (propagandeado) é este sabendo que:
1. Em finais de Julho até Outubro sobem as monções do sul para a nossa zona, um convite ao convívio com o calor húmido e a espera das chuvas.
2. Chovendo, as cheias inundam a boca das ribeiras enlodam e enlixam a beira-mar.
3. É período do mar grosso que mata todos os anos em kebra Kanela, Prainha, Gamboa e San Francisco.
4. É período das moscas, das diarreias e do paludismo.

Podemos alguma vez vir a CORIGIR essas coisas incluindo essa mania de VERRÃO inexistente em Cabo Verde, para…. Tempo de Azágua ou Período/Ocasião/ Quente?
Esta é uma tera de aberações.

domingo, 9 de agosto de 2009

ESCRITA NA RUA


O MEU AMOR PELA JOIA

A noite estava fresca e a vila rescendia de um mesclado em que o cheiro da buganvília, do eucalipto e de flores dos arbustos que vinha das redondezas, se misturava ao perfume subtil do refogado que a essa hora, na maioria das casas, revigorava o caldeirão de kaxupa a cozer em lume brando. As noites de Assomada ofereciam a qualquer um o mais belo céu estrelado do mundo.
Tinha saído de dentro de casa nesse instante, como era costume, para o quintal, onde um gracioso pessegueiro marcava o seu centro. Desde que vi, pela primeira vez, a moça de Pedra Barro, alguém que passou a representar um pedaço da minha existência, o pilão onde sempre me sentava passara a ser uma espécie de local de estágio das minhas fantasias. As cenas ali recompostas pareciam autocolantes de alta gama e cada vez mais sedutores. Eram películas tão efectivas como se as raízes do meu tutano tivessem urgência em se nutrir dessa obcecação que insistia malhar-me a cabeça em constância.
Tudo começou quando no fim das missas de Domingo colocava-me estrategicamente num ponto, para poder controlar os movimentos dessa moça, para lhe dar a perceber claramente o meu interesse por ela. As raparigas daquela idade davam-se por respingonas, por bravas mesmo. Primeiro pelo medo de serem vistas junto aos rapazes pelos pais ou gente conhecida, e segundo pela forma rígida como eram educadas. Ao sair da igreja ela passava por mim sempre a correr, sempre a correr e não era fácil detê-la, para atender quem quer que fosse. As minhas cartinhas que uma antiga colega de escola levava para ela surtiam pouco ou nenhum efeito. Esta situação manteve-se até o dia em que resolvi mesmo ir esperá-la à esquina da casa de Nha Clara, na boquinha da tarde, a seguir à missa da tarde. Ali fincado, espiando, espreitando vezes sem conta, avistei-a no meio de colegas a vir, e preparei-me para a abordagem. Era a minha primeira tentativa do género.

(Do livro - DESCANTES DA MINHA RIBEIRA -) KB

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

ESCREVER NA RUA



Ao desembainhar o Blogue para o desenferrujar, diante de mim, numa rama de acácia um pássaro galava a sua fêmea vezes seguidas e eu a pensar na quantidade de ovos que devia ir para o ninho.
Mas, não. Dos beirais, de cada vez, voa um casal apenas.
Nada como aperitivar primeiro.
E por falar em aperitivos saibam que está na gráfica o meu próximo volume de contos "Descantes da Minha Ribeira". 12 Contos. Para vos falar a verdade é um livrinho fixe. Um livro para estar nos bairros, nas aldeias e na rua.

Poemas do Litoral

ESPELHO D'ÁGUA EM ARCOS DE PEDRA Dois retractos do antigo Dezembro à janela do presente mirando o desmoronar do tecido verde das ...