sexta-feira, 12 de setembro de 2014

RAPIZIUS

AO 12 DE SETEMBRO DIA DA NACIONALIDADE NA GUINÉ E EM CABO VERDE.
 
Lendo a entrevista publicada no JSN ficou-me na cabeça, não confusão, não novidades, mas sim contemplação, consequência da decapagem feita ao processo histórico de libertação nacional da Guiné e Cabo Verde, centralizado na figura Amílcar Cabral, para, cito: “nos aproximarmos mais dele” e tê-lo na nossa boca mais vezes.  

 “”Amílcar Cabral foi o pai do partido único, ou melhor, foi o mentor político e ideológico da ditadura que tivemos em Cabo Verde depois da independência. Isto é já um dado adquirido e indiscutível”.

Por conseguinte, temos pela frente um ditador.

“É do pensamento político de Cabral que saíram as sementes que permitiram, a 5 de julho de 1975, substituir no nosso país a ditadura salazarista pela ditadura autóctone, isto é, dos filhos da terra.”

Por conseguinte, o cantado herói do povo gerou as “sementes” da ditadura autóctone que substituiu o colonialismo.

 “Melhor dizendo, dos manuais cabralistas emerge a arquitectura política que serviu de base para a implantação do autoritarismo caboverdiano. Cabral foi um teórico de partido único. Escamoteá-lo é um erro histórico colossal.” Por conseguinte a “arquitectura política” cabralista é igual àquela do salazarismo. Houve é substituição de uma coisa por outra.

“Desenhou um Cabo Verde dirigido por um único partido. Por isso, trazê-lo hoje descuidadamente a Cabo Verde, um país democrático, requer muitos cuidados e tamanha ponderação.”

Por conseguinte Cabral, herói do povo, devia ser banido juntamente com a bandeira que idealizou logo após o 13 de Janeiro.

Então resta-me perguntar:

Que Cabral trazer para mais perto de nós?

O pai da libertação de Cabo Verde ou o pai da ditadura em Cabo Verde?

Mas foram os esquerdistas radicais de ontem formados nas escolas da ditadura de partidos revolucionários da europa, militantes do MRPP e da IV Internacional, Trokskistas, Maoístas, Comunistas, arquitectos do movimento operário crioulo, mentores da reforma agrária, agentes do saneamento na função pública e dos informadores da PIDE/DGS, compositores de baladas revolucionárias assentes no poder revolucionário dos trabalhadores contra o imperialismo e o capitalismo, os da bandeira vermelha de foice e martelo, todos eles militantes ferrenhos do partido único e altos dirigentes da ditadura em cabo Verde.

São eles, os saídos pelas portas traseiras do templo do centralismo democrático, que, hoje, viraram anti tiranos de primeira linha e democratas do grande hino á liberdade, quando ontem eram do planeta vermelho e nunca do azul d e hoje. Interessante. Sempre é bem-aventurado os arrependidos. Pois, não surpreende a escola da democracia nacional revolucionária, derreter-se em DEMOCRACIA pluralista, hoje, vigorando, contrapondo a escola da ditadura do partido único forjado por Amílcar Cabral, seguido pelos seus companheiros.

Cada vez mais entendo que em Cabo Verde há um Portugal especial. Tipo região autónoma, também, especial, onde boa parte das suas gentes vive no continente e a maioria nas ilhas, e dentro desta maioria das ilhas uma larga franja tem dupla nacionalidade, portanto, dupla adequação e duplo convívio.

Ocorreu-me o poeta Gabriel Mariano na morna…… navio di pedra ta busca rumo sem pode atcahal na se lugar… povu sangrado tchora quetinho, tchora bu sina, tchora maguado.

K. Barboza

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