segunda-feira, 2 de Junho de 2014

DA COLEÇÃO FLORIS D'IBYAGO


 
 
 










JANELA & BORBOLETA

Tu, janela!
Nua És impedimento.
Vazia És deprimente.

Tu, borboleta!
Ausente És perseguição.
Distante És sofreguidão.

Perfil e recorte
Ambas longínquas
Mesmo estando perto.

 Kaká Barboza

 

sábado, 31 de Maio de 2014

Da Coletânea Flotis d'Ibyago


 
 
 
CICATRIZES DA PAIXÃO
 

 
 Defronte à janela
 Há a um triste marco,
 Abrigando no rosto
 O olhar duma paixão cinza,
 Que nuvioso boceja sombras
 Feridas de enganos e erros.

  Ao pé da janela
 Passam meadas da saudade,
 Do sonho que jamais volta.
 No coração dela
 Revolteiam palavras surdas
 Antes cachoeiras cantantes
 Levando o fervilhar amante
 À outra margem da felicidade.

  Atrás da janela
 No corpo da palma da mão
 Deambulam tristes versos
 Feitos de cicatrizes da paixão.

  Kaka Barboza


quinta-feira, 8 de Maio de 2014

Da Coleção Floris d'Ibyago


MAIO MEU!

 O gesto do sol,
 O céu moreno,
 O mar apetitoso,
 O traje da natureza,
 Os botões de flores,
 A nudez da praia,
 A quentura à sombra,
 Os risos, o brilho e as cores,
 O ritmo dos corpos,
 O vaivém dos festeiros,
 Os grilos trinando,
 Os Santos e pecadores
 O passar das horas e dos dias
 Para o outro lado da idade,
 O tempo adormecido
 Nos meus cabelos brancos,
 O lento aproximar do fim,
 Carregado de tanta ternura,
 A memória de sítios idos,
 De pernoitas nos braços da noite,
 De luares e serenatas de amor,
 Dos bilhetinhos deixados no livro,
 Do acordar do dia seguinte,
 Do esperar ansioso à tardinha,
 O esplendor que esmaga:
 São amames do teu terno ventre
 Sem delírios, sem cansaço,
 Sem limites, sem miragens nos olhos.
 Sem fraudulência, sem hesitações.
 Maio meu!
 És a minha adorada esfinge.

    Kaka Barboza

quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Da Colecção Floris d'Ibyago

         EM BRANCO

 
Não há lugar a mais fantasias.
Sei! Jamais voltarás borboleta
A janela desflorida de alegrias
Virou violácea a tua silhueta
No olhar perturbado do jardim.

 
Não há lugar a mais agravo.
Não precisas voltar ó distância.
O corpo onde vicejava o cravo
Hoje é um cemitério de ânsias
De insónia e extintos carmins.

 
Deixa-me errar pela artéria
Da saudade do tempo antigo
Em que pastor dos gestos era,
Que sentir teu cheiro amigo
Abriam brilhas dentro de mim.  

 
KBarboza

 

segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Da Colecção Floris d'Ibyago

O BEIJO
 
Neste dia de Abril sem o beijo teu
A brisa teima em vão serenar a frol
No jardim de outrora em apogeu.

A janela sem a menina do olhar teu
É trilho perdido no último raio de sol
Sem jamais regressar ao mesmo eu.

Noitinha é hora em que se levantam
Os grilos e se deitam as borboletas
Entre pedra e folha as horas pesam.

 
O beijo que me ficou na lembrança
Devia pombo-correio ser não borboleta
Seria de júbilo o outro dia e de crença.

K. Barboza

domingo, 13 de Abril de 2014

Da Colecção Floris d'Ibyago


A SOMBRA DA SAUDADE
 
Dói saber:
Que o jardim padece do altear das alas,
Do cansaço da janela,
Da ausência do brilho da pétala,
Do toque dos dedos algodão.

Dói saber:
Que o alegrete sofre de desares,
Do forçado buraco,
De tudo o que era dilecção.

Dói manter:
Os dias sem a janela em casa,
Sem o rosto de tanto amar,
Sem os cheiros,
Sem poder sentir o coração.

Dói & mói
A fuga dos dias tintos de cores
De outrora: chocolate e violeta.
Dói tanto a sombra da saudade.
 
K Barboza

Da Colecção Floris d'Ibyago

SAUDADE INGRATA

Ficou o canto vazio no olhar do canto
Perdeu a janela a magia da borboleta
O silêncio é voz que canta o pranto
Duma saudade fugaz feito estafeta.

 
Ficou a janela aberta de vazio sentido
Suspenso e distante é o olhar incerto
Em busca da voz no cântico perdido
No vazio canto do canto hoje desfeito.

 
Ficou a canção e o canto cheio do nada
Numa pauta vazia de colorido e paixão  
Ficou riso sem luz e a saudade ingrata 
No canto destoante que punge o violão.

 
K Barboza

Da Colecção Floris d'Ibyago



E SE TE FALASSE ASSIM DA SAUDADE

 
Não era um perfume qualquer,
Que me fascinava e enfeitiçava:
O seu corpo chama de mulher,
Era o fluido que me estonteava.

Hoje nem tu e nem a borboleta.
A janela no vazio aceso das horas
Sepultura é de uma vida obsoleta
Como cigarro fumegando desoras.

A saudade que nos versos namora
Tua retirada no tejadilho do vento
Por ti sorriem e cantam a morna
Num poema do tempo sem tempo.

K Barboza

Da colecção Floris d'Ibyago

A JANELA

A borboleta migrou da janela
Onde inquieto meus dias contemplavam
Sua cor que escorria pelo olfacto do tempo.
 
Nas bermas do seu corpo flanela
Estradas e fontes dos meus dias viajavam.
Hoje ficou parede de horas sem tempo.

A borboleta migrou da janela
Onde pesarosos meus olhos pasmam
Ora na janela, ora em mim dentro.

K.Barboza

Da Colecção Floris d'Ibyago

VOO DO POETA

Neguinha & borboleta:
Uma em flor
Outra em redor.
Ambas: voo do poeta.

 K. Barboza