quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

RAPIZIUS

RAPIZIUS

A quentura que se fazia sentir hoje, às 11H30 da manhã, riba Praia, obrigou-me tomar o primeiro táxi desocupado, que descia em direcção à Achada Santo António.
Acomodado e em marcha senti um cheiro incomodativo, era mesmo do chulé do carro, odor que vinda do forro do interior e do soalho do carro.
Aí perguntei: Homem o carro é lavado sempre e foi lavado hoje?
Resposta: Sim é lavado tod...os os dias. Porquê?
Continuei: Há um cheiro esquisito cá dentro. Alem disso o carro achocalha muito.
Resposta: O dono do carro está mesmo atrás de mim.
Continuei: Então pára que vou falar com ele.
Resposta: Não posso impedir o transito a esta hora.
Continuei: Então diz ao dono carro que não paguei o frete (150$00) pelas más condições de transporte oferecidas ao cliente.
Resposta: Risos. O dono do carro não aceita arranjar o carro, desaprova a manutenção e atrasa sempre em me pagar os salários.
Continuei: Sabe uma coisa! Hoje na nossa terra toda a barraca virou empresa e todo o rabidante virou empresário. E dá nisso tudo.
Resposta: O senhor tem razão. Lá em Pensamento há um bode emprenhado e foi coberto por uma cabra macho da Trindade. Olha como o mundo está todo trocado.
Parámos á minha porta e desejei ao motorista um dia tranquilo.
 
K.BARBOZA

FLORIS D'IBYAGO


ÍNCLITA FLOR D’IBYAGO

 

É no misterioso jardim do Ibyago
Que o doiro pólen gera o sem fim
Que a seiva do tempo destila aromas
Que a finitude da minha condição de pó
Se funde com a origem das coisas.
 
É no jardim pátria dos sentires íntimos
Que a palavra e a folha se engravidam
Abeiradas de leiras incensadas de gestos.

É no misterioso canteiro do Ibyago
Que a floração arvora os descantes meus  
Refracta a luz prata das combinações
Afina e enverga o trinar dos ditongos
Que os dedos do terno dedilham  
Imanizando eflúvios da gaveta branca.

É no mágico jardim d’ Ibyago átrio luz
Que o túrbido ondejando improvisos  
Se transmuta em ínclita Flor d’Ibyago.

K. Barboza

terça-feira, 26 de Agosto de 2014

FLORIS D'IBYAGO


TESTEMUNHO POÉTICO

 
Chegas voando
Partes voando
Levas-me voando para não sei onde.

Abraçamo-nos voando
Separamo-nos voando
Num sobe e desce vagabundo.

Fico voando 
Neste longe como insecto errante.
Ficas voando
Indiferente além no incontinente.

Voa o dia
Cai o negro na janela da sala
E o pobre jardim adormece.

Voa o voo
Cai o momento desvivem as asas
E o pobre poema permanece.
E eu: testemunho.

 K Barboza

 

FLORIS D'IBYAGO


POEMA AO BAIRRO SANTO

 
É no António Santo o talhar dos versos
Onde cada madrugada é hálito á janela;

É na lâmpada dos sentires refreados
Como a cabra ruminando plástico;

É na abóboda do céu-da-boca aos brados
Onde emerge os momentos dramáticos;

É no ponderado correndo pelo sarcasmo
Como ondas na proa duma caravela;   

É no dito a revolutear no pico da língua  
Como graus no giratório duma bússola;

É na calva vidraça do mês do marasmo 
Onde cada estultice é uma corruptela;

Que os versos se convertem em poesia
Como caos se tornou no éden de lobos.

Oh! Quão inútil António é algo achado
Em perdidos e achados tão desregrado
Que desempolga o cultivador extenuado.

 K Barboza

domingo, 24 de Agosto de 2014

FLORIS D'IBYAGO

À querida amiga, minha professora Maria José Fonseca Silva, Psicóloga ( Brasil) este testemunho poético num dia e hora sem sono com um beijão deste lado do mesmo mar que nos abraça.

TESTEMUNHO POÉTICO

Chegas voando
Partes voando
Levas-me voando para não sei onde.
Abraçamo-nos voando
Separamo-nos voando
Num sobe e desce vagabundo....
Fico voando
Neste longe como insecto errante.
Ficas voando
Indiferente além no incontinente.
Voa o dia
Cai o negro na janela da sala
E o pobre jardim adormece.
Voa o voo
Cai o momento desvivem as asas
E o pobre poema permanece.
E eu: testemunho.

K Barboza

sábado, 23 de Agosto de 2014

FLORIS D'IBYAGO


SEJAS TU, O POEMA DA MINHA POESIA

Do pensar deslizam imagens
Que se metamorfoseiam
Em sons tecendo miragens.
Do cio do silêncio gotejam ensaios
Vazados de sentires tomados
Pelo chão do manto vático.
Do olho da pena escapam
Esboços frívolos para a folha
Ávida de intentos abainhados.

Da alma apegos esvoaçam
Combinações como trinar de grilos
Almejando o fulgor das estrelas.
É o poema bordejando versos pulsantes
Ainda não semeados no útero da poesia
Para se abrir e cumprir seu destino.

É o poema ansiando a página
Do inevitável forte da palavra
De muros de aversão ao imaleável
Mas da infindável cascata do belo
Musicando sentires aprisionados.
Sejas tu, o poema da minha poesia.
K.Barboza

sábado, 16 de Agosto de 2014

RAPIZIUS


RAPIZIUS
 Todos os anos por esta altura repito a mesmíssima coisa. Minha filha Lara foi à Kebra Kanela para se banhar. Regressou cedo e me disse, agora mesmo. O mar está grosso e há bandeira amarela. Más há muita gente, incluindo cães e pessoas a reclamar. O presidente da Câmara da Praia foi inaugurar os novos equipamentos no já inaugurado parque de aparelhos de ginástica ao ar livre. No entanto os homens salva vidas reclamam de seus salários em atraso e às vezes do não pagamento. Está bem assim quando não há melhor para se oferecer às pessoas.
 Entretanto viro-me para o seguinte: ainda as pessoas insistem em confundir o tempo quente de azáguas com o VERRON e invadem as praias, largam seus meninos, enquanto a juventude sempre destemida e desafiadora lançam-se ao mar, mesmo estando revolto, sem se importar com isso e com o possível não regresso á terra.
 Posto isto, antevejo, assim como acontece todos os anos, nesta altura das águas, que o mar vai ter de afogar até à morte o fulano que ele selecionar, cumprindo-se, assim, o calendário dos dissabores em pleno plano de espera das chuvas de boa azágua.
 Numa terra cheia de "dezimportados" ..........dipos di sábi morre é ka nada.
 Fica a antevisão do jogo VERRON CRIOLO e MAR BRABO seu adversário natural.
 KB
 

quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

RAPIZIUS


RAPIZIUS
 A 19 de Julho de 1984 demiti-me do cargo de Presidente do Sindicato da Indústria, Comercio e Serviços. Em Setembro do mesmo ano entrei para a Agencia Nacional de Viagens – Divisão Aérea – na Praia, a convite do Director Geral da ANV, Guilherme Santos Ferreira, antigo colega de trabalho na Casa Madeira. Fui admitido para exercer o cargo de Director de Divisão. Um mês depois, a nossa representada Air France em Dacar, informou a ANV sobre um programa de formação na área do Ticktyng e Markting e fui indicado para receber esta formação. Foi em Dacar que conheci o Senhor Charles – Director Comercial Regional da Air France para a África Ocidental em que Cabo Verde se insere, sendo a ANV agente da Air France. Findo o curso, consegui mais um curso ministrado pela Swissair, também nossa representada, sobre a organização e encaminhamento de pacotes turísticos e, de seguida, a Alitália aproveitou fez o mesmo, também ela nossa representada. Fiz boas amizades com os Directores Comerciais destas companhias aéreas, convidando-os a visitar Cabo Verde.
O Sr. Charles da Air France foi o primeiro a visitar-nos, tendo vindo de São Vicente o DG da ANV – Guilherme Ferreira – para o receber e negociar interesses entre as partes. No entanto o Presidente da Republica, Aristides Pereira, havia sido indigitado para falar em nome dos países menos avançados da Africa na reunião de Paris, presidida por François Miterrand – Presidente da Republica da França. No final de dois dias de visita o Director Geral Guilherme Ferreira havia sugerido ao Senhor Charles a passagem do Concorde pela ilha do Sal para levar o Presidente Aristides Pereira a Paris. Assisti os argumentos do Guilherme Ferreira insistindo que: “era prestigioso para a Air France o avião Concorde vir a Cabo Verde e transportar um dos Presidentes mais respeitados da Africa, porta-voz de vário6s países africanos, sobretudo os da francofonia de que Cabo Verde também fazia parte. O Senhor Charles foi portador deste sonho, para o tornar realidade. Poucos dias depois o Guilherme Ferreira deslocou-se a Dacar, regressando muito esperançado. O assunto foi tratado com muito sigilo. Na altura usava-se o Telex para se comunicar na aviação comercial. Eu era o último a sair da agência e o primeiro a entrar para que a comunicação se mantivesse em sigilo.
Feliz foi o dia em que o longo Telex confirmava o aval da Sede da Air France em Paris em desviar o Concorde para a Ilha do Sal para receber o prestigiado passageiro, Presidente Aristides Pereira. Na mesma semana, o Director Geral Guilherme Ferreira deslocou-se de São Vicente, sede da Empresa ANV, para a Praia, para dar a excelente noticia ao então Ministro dos Transportes, Herculano Vieira, que por sua vez a transmitiu ao Presidente Pereira. Dali em diante, todos os procedimentos foram tidos em conta e o Presidente da Republica de Cabo Verde, Aristides Maria Pereira, acabou por viajar da Ilha do Sal com destino a Paris no supersónico Concorde.
Este coroamento de Cabo Verde ficou-se a dever ao amigo destas ilhas Senhor Charles, Director Comercial da Air France para África Ocidental e ao dinâmico gestor e diligente trabalhador, Guilherme dos Santos Ferreira, Director Geral da Agencia Nacional de Viagens, filho de Santo Antão, natural da Ponta do Sol, companheiro da Casa Madeira e de quarto, padrinho do meu casamento, alma crioula que a eternidade guarda para sempre.
Carlos Barbosa

RAPIZIUS


RAPIZIUS.

 OUVI AGORA MESMO: " os passageiros vindos de Africa no Air Marrocos ficaram fechados no avião durante 45 minutos até as autoridades sanitárias certificarem de que a Senhora declarada com sintomas de febre não era portadora da infecção ébola" assim noticiou o repórter cabo verdiano na RTP - Africa - em Repórter Africa das 12 horas das ilhas.
 Claro que provamos todos os dias que existe um Cabo Verde não africano... por isso "VINDOS DE AFRICA" e não VINDOS DO CONTINENTE...
 Claro que ser da CEDEAO nada de nada diz aos crioulos muito menos ao repórter, bem como os chefes de redação crioulos da nossa complicação social sempre em ascendente.
 Assim, Cabo Verde não é território africano. Portanto, um sítio no meio do mar a meio caminho de norte a sul, sendo os crioulos americanos por via do sucupira, fonte de abastecimento de vestuário, modas e cosméticos yankie, temperos, armas e munições. Entretanto, os chineses estão à porta, a chinesearnos lentamente. Um dia o milagre acontecerá com a vinda do messias num bidon de plástico ou numa caixa de brinquedos.
 Paxenxa! É o que vamos tendo após o abate de cães de quatro patas.
kb

segunda-feira, 2 de Junho de 2014

DA COLEÇÃO FLORIS D'IBYAGO


 
 
 










JANELA & BORBOLETA

Tu, janela!
Nua És impedimento.
Vazia És deprimente.

Tu, borboleta!
Ausente És perseguição.
Distante És sofreguidão.

Perfil e recorte
Ambas longínquas
Mesmo estando perto.

 Kaká Barboza