quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

DI VAGAR DE VAGAR

 
Contente espaço cantante
Como repenicar de pássaros   
Que no varandim do tempo
São abstracções e paisagens. 
 
Ó terra corpo que esbraseia  
Cada esquina da tua pele
Cada desenho do teu gesto  
Cada curva do teu perfume
Cada sombra do teu trânsito
Cada música do teu sossego
São aprovações e néctares.
 
Ó fonte d’água desfalecida
Cada colorido tombado
Cada levada desarmada
Cada semente agonizante
Cada inquietude do pardal
Cada espera apodrecida
São desninho e privações. 
   
Mesmo que o falecimento
Apague o rasto do lavrador    
Que te tratou e te semeou
Não acaba aqui o sonho.
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

RAPIZIUS


Bau & Voginha: Passado e Presente em Anthologia Acústica 
 “Música fonte poderosa de inteligência espiritual”
 
A meu ver, os dois músicos, Bau & Voginha, são símbolos nas linhas paralelas da imensa pauta em que se assenta o legado musical das ilhas, a música criada pelos nossos mestres e que nos acompanha na infinda viagem da construção da caboverdianidade, aquela que conserva, transmite valores e memória, mas também, a que realça a criatividade da alma crioula.
Esta Anthologia Acústica revela-nos momentos que já é história, mas sempre presente, momentos reflectidos num projecto que nos faz viajar na riqueza melódica de um tempo em que músicos de renome associados a outros mais recentes, todos cultores do bom violão caboverdiano, cujos temas reflectem música de característica nacional, isto é, aquela que constitui o nosso folclore popular, solos de Luís Rendall, John Rendall e Tazinho, temas populares dos mestres Morgadinho, Malaquias, Olavo Bilac, Beleza e Fidjinho d’ Chiquinha, seguidos de temas de Kim Alves, Voginha, Bau, Nhelas Spencer e Betu, criações de linguagem continuada devidamente identificadas na obra Anthologia Acústica, constituindo esta plêiade de músicos uma verdadeira constelação de “ nomes sonantes que a todo o instante, pelo nosso universo musical nos tocaram e nos influenciaram pela sua magistralidade suprema do desenvolvimento de todo potencial humano.“ citando a nota de abertura da obra.
Esta obra vale pela organização, pela escolha dos autores e temas, pela sua apresentação gráfica, sobretudo, pelos registos sonoros que a tecnologia de hoje permite ilustrar, facilitando e ajudando os executantes a abordar os instrumentos de apoio com mestria – o violão caboverdiano – tirando deles e das máquinas melhor proveito da sonoridade, melhor qualidade, mais gosto e mais equilíbrio auditivo. Como resultado de um projecto intencional a Anthologia Acústica traz música assente na leveza de cada momento e convida-nos a penetrar na perspectiva de um novo amanhecer para as gentes das ilhas e alicia-nos a servir de ponte entre passado e presente.
Além disso, esta obra musical ajuda-nos a reflectir um pouco sobre a música caracteristicamente caboverdiana em relação a também produzida em Cabo Verde e por caboverdianos, actualmente, produtos diferenciados, sendo uma de valor real e enraizado, e outra episodicamente recreativa alimentada por amadores da música muito a reboque das modas, sendo estas, a meu ver, criações gratuitas em virtude de também atitudes gratuitas, representando o pitoresco e jamais algo emergente do sentir terra-terra do caboverdiano, tocando superficialmente a sensibilidade do ouvidor alheio atento á procura de algo cativante e com implicações nos problemas locais do homem e da terra, algo significante e representativo da maneira de ser e de viver do povo e do pulsar da sociedade.
Sempre foi a paisagem viva das ilhas, o homem com os seus hábitos, seus costumes, suas crendices, seus dramas e a própria terra com as suas vicissitudes e contingências e problemas específicos a influenciar temáticas tanto na música como na literatura nacional. Uma obra de arte não profana. Antes pelo contrário ufana a existência de um povo e as suas glórias.
Quando Bau & Voginha dizem: “ Para nós a música simboliza uma fonte poderosa de inteligência espiritual, que cada ser humano tem o potencial de contribuir para elevar o nível de sentido e valor da alma”. Sendo eles de fibra, alma e sentir caboverdianos estarão, por certo, de acordo comigo ao dizer que os seus nomes fazem parte da partitura em que se assenta a universalidade da nossa música e da cultura.
Carlos Barbosa – Kaka Barboza
 
 
 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

RAPIZIUS

Eu insisto que não temos comunicação social, mas sim complicação social.
Como é que Cabo Verde pode estar a imitar e a repetir o que a imprensa portuguesa elabora e divulga como sendo verdade para todos.
Porquê considerar o partido ganhador das eleições na Grécia, radical?
Radical em quê?
Os eleitores são radicais em quê?
Não ser conformista e subserviente é radicalismo?Bolas! ...
A Janira e o PAICV deviam radicalizar certas questões.
De tolerância Nevista a CV Landia está cheia.
Por exemplo:
Radicalizar a verdade, radicalizar a qualidade, radicalizar a conduta e os procedimentos, radicalizar a militância e a democracia, radicalizar o trabalho e a produtividade.
Aquele que não serve tem que procurar o seu destino, os bajuladores fora, os branqueadores da realidade fora, os preenchedores de cargos que emperram os serviços e as instituições de funcionar destituidos, os incumpridores penalizados, os esbanjadores pagam pelos prejuízos causados etc. etc..
Assim devia ser o PAICV de esquerda não para agradar a imposição do ocidente, mas, sim, para por a terra no caminho do trabalho e da justiça social, para pôr os festeiros da terra a pensarem no trabalho e não na festa à custa dos impostos nossos e dos outros povos. Isto é que e o que devia acontecer já amanhã, E se a complicação social não serve para educar e informar como deve ser...fechar a antena.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Mindel Mind


 
 
 
O África, os calcinha preta, o milhão de gente, o vereador, a Câmara de São Vicente, o dinheiro que sempre há, o próprio Mindelo em peso, são desaforos contrapondo às Crónicas Desaforadas de João Branco.

 Não existe desaforo maior que esta gíria puramente mindelense....depôs de sab morrê é ka nada... só há uma coisa a dizer: txá kagá

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

RAPIZIUS


 

Morreu o Comandante - JOÃO JOSÉ LOPES DA SILVA - a 15 de Janeiro de 2015, Dia das Forças Armadas de Cabo Verde, o destemido JJ, o guerrilheiro Professor de Matemática, que nas matas da Guiné-Bissau, juntamente com os seus companheiros, deu o seu contributo valioso para a libertação da Guiné e Cabo Verde.

Quando ele chegou a São Vicente, onde eu era militante de base do PAIGC, fui conhecê-lo na sede do partido e estavam juntos, Jota Jota, Tchifon e Toi de Suna. O Jota mais o Tchifom traziam consigo a fama de destemidos, o misticismo do guerrilheiro que fustigava as hostes inimigas com as  suas armas, mas sobretudo o guerrilheiro convicto de que cada “ bala disparada ó mãe, e sacrifício de nos vida, no ta fazel na certeza que un dia no ta ser feliz” – letra de Abilio Duarte, outro ilustre combatente.

Certa vez estava um barco á descarregar milho a granel em São Vicente e os estivadores recusaram-se trabalhar por considerarem milho carga suja, ou seja, o salário hora devia comportar mais 50% do valor quando se tratava de carga que produzia resíduos tóxicos. Eu estava nos Sindicatos. A reunião com os estivadores não estava sendo fácil e estavam renitentes. No entanto chegou o Jota Jota e começou a falar com os trabalhadores. As coisas não corriam bem, mas o Jota Jota insistia que devíamos todos aceitar o sacrifício que a terra exigia porque não havia dinheiro na altura para as reivindicações, sendo a carga um donativo ao povo de Cabo Verde. Foi então que Jota Jota subiu na carroçaria de uma carrinha tirou a camisa e mostrou aos presentes a ferida no peito e nas costas provocado pelas balas da guerra colonial. E aconteceu. Os mais conscientes aceitaram trabalhar e o resto não. No segundo período os militares das FARP, mais os estivadores mobilizados pegaram no trabalho até o fim da descarga.

Tal era a minha admiração por este combatente, pelo Comandante, pelo melhor aluno da matemática no seu tempo de liceu e na Universidade onde estudou, o militante convicto e o Presidente a ACOLP com quem trabalhei os últimos tempos da sua vida na concepção do guião de transformação da ACOLP numa entidade respeitada e mais visível aos olhos da juventude e da sociedade caboverdiana. Morreu o combatente ficou a glória dos seus feitos.

Que aluz supernal o faça brilhar na constelação dos grandes vultos da nossa história. Haja glória e respeito aos nossos mortos veneráveis.
Paz à sua alma.
 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

DOIS CASOS DE AMOR


     AMOR POEMADO

 
Quero, hoje, voar o destino
Na mais secreta asa do sonho
Pleno do teu corpo desnudo
No lençol flanela do momento.
Quero, hoje, voar o desejo
No mais airoso leito do amor
Pleno do frenesi do teu beijo
Ontem á janela botão de flor.
Quão fértil e totalmente belo
É ver transitar sobre a pele
O gesto canela dos teus lábios
Ungidos de deliciáveis labelos.
Quão fértil é sondar teu corpo
Inegavelmente desenroupado
E não deixar fugir uma só gota
Do santo suco que dele brota.
Ó d’oiro cálice do vinho amante!
Ó gosto canela corado de laivos
Do mel salsa marejado de suor!
Ó sólida fonte da água bramante
Dá-me a sorte de ser eu o falcão  
Solto nos ais dos teus segredos.
KB




OLHAR CRUZADO

Como um pássaro receoso
Estavas à janela da noite
Quando meus olhos viram os teus.
Logo voei no sonho de querer saber
A cor do céu que em ti existe.
Asa de vidro saí à tua procura.
Eramos dois pássaros  
No doce vogar da noite
Em tímidos voos em redor da janela.   
Logo virou minha a tua e tua a minha.
Parecias tudo o que eu sempre quis
A mão de querer no meu ombro
O rio da vida no meu sangue
Dei-te outro nome e um lugar
No mais belo que o sentimento tem.
Lavuska! Olhar cruzado
De dois pássaros à janela.
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RAPIZIUS


RAPIZIUS
 Há mesmo corrida da liberdade se a liberdade é a própria corrida PARA O HOMEM SE FAZER E SENTIR-SE LIVRE??.
 Corrida maior é aquela que nos permite livrar dos rabidantes políticos e da dimocrança instalada, dos rostos demagógicos, das mãos da corrupção, dos pés da tolerância doentia e da conspurcação da nossa mente com festejos e trofeus na mesa azul da indiferença.
Haja inferno reciclante de tudo isso.
 Muitos lobos precisam ser corridos da corrida desportiva do povo para a sua liberdade plena, para a conquista da dignidade e da autenticidade, da luz para todos.
 É nojento o punho de seja lá que escritor pago para branquear incompetências e fazer dos broncos paladinos da liberdade e da dignidade humana. Enjoa os Xarlies crioulos que sobre o muro esperam saltar para o conveniente na hora xis.... Carafu nhafu nho!
 

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

DESABAFO

A bagunça social que assistimos hoje em dia em todo o lado é porque o homem deixou de ser simples e distinto na sua maneira de ser.
Simples é ser nobre e humano e Distinto é ser respeitador e ser respeitado.
Enquanto a ambição desenfreada de uns pretenderem subjugar a humildade de outros haverá discórdia, luta pela justiça e pelo respeito, persistindo o mal estar o corolário é a confusão e a guerra e não a propalada paz e amor e fingimentos de todo o tipo.
A luz tem de ser igual para todos.
  





domingo, 11 de janeiro de 2015

RAPIZIUS


 
 
 
Morreu José Francisco Monteiro Baptista , mais conhecido por Zé Kubala, menino da Rua Sá da Bandeira, com quem joguei a bola de meia no passeio de Dona Belinha mãe da Dudu Gonçalves, nos idos anos 60. Morreu o rapazinho educado pela JAACV em Cuba, Escola Nacional de Arte - Havana, onde se formou na música, na guitarra clássica mais concretamente, o primeiro a fundar escola de música para adolescentes após a independência nacional.
Numa manhã, nas instalações do Gimno desportivo de Chã de Areia, ele dava-me a conhecer a ideia da fundação do certame musical “ Todo Mundo Canta” e, ali, com ele alinhavamos o primeiro guião que viria a ser o seu projecto que marcou definitivamente o processo da valorização da nossa música, dos autores, dos intérpretes e executantes músicos. Dias depois ele mostrou-me o programa com a indicação do local, mês e dia e o regulamento do concurso. Como participante e amigo convidou-me a participar como músico e interprete no certame para dar mais visibilidade ao projecto, proposta, logo aceite por mim. A primeira realização contou com algumas vozes importantes na altura como Calu Bana, Fátima, Bia Rendall, Falecido Tek, Regina de Doia (professora) e suportado pela banda Sinbodiana que integrava entre outros Vavá de Santinha na viola baixo.
Após três sessões, em três fins-de-semana, estive na final com Calu bana em 1º Lugar e eu em 2º lugar. A partir dali, participei em todas as mesas de júri enquanto durou Todo Mundo Canta, juntamente, com Ano Nobu, Sr. Tuna, Sr. Pipita, Sr. Benoni, Professor Djik Oliveira, Dona Fernanda Fontes, Kim de Santiago, Ney Fernandes e vários outros.
Isto para reafirmar que devemos a Zé Cubala a idealização do maior evento cultural na vertente musical jamais feito em Cabo Verde, realização que serviu de palco de consagração dos nomes mais sonantes na arte de interpretar a musical nacional. São muitos que passaram pelo crivo de Todo Mundo Canta e que hoje continuam a dar-nos a graça da continuidade da obra de Zé Cubala.
Honra e glória à sua alma. Que a luz maior do universo o tenha no seu grande foco, fonte de emanação dos grandes espíritos.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

RAPIZIUS


TERRA DE ABERRAÇÕES
O debate que está sendo feito sobre segurança no país peca por ser um debate politizado, quando devia ser um debate técnico e baseado em evidências. A conversa decorre sob o já sabido - politicamente correcto -, tanto por parte da posição, como da oposição. Não se fala em crise de autoridade em várias esferas do poder (entenda-se poder como exercício e intervenção dos actores políticos e agentes institucionais), dizia, não se fala no sistema de corrupção que estimula a bandidagem do colarinho limpo, não se fala em acção repressiva com medo de ferir susceptibilidades, enfim, há falta de autenticidade na avaliação correcta dos factos, privilegiando-se, constatações e comparações desajustadas.
 Para mim, ter segurança é garantir por todos os meios que ninguém faça uso da sua liberdade, para castrar a liberdade do outro. Na construção do humanismo tem de haver vítimas, não importa a condição social de quem dela se afasta ou se desintegra por seja quais forem as razões. É o estado através das suas instituições e dirigentes responsabilizados a fazerem cumprir com rigor e justiça as normas que garantam aos cidadãos a sua livre circulação e ao gozo do seu direito à vida digna e em paz. Qualquer perturbação desses direitos devem merecer acção adequada DOS PODERES PÚBLICOS, doa a quem doer.
Tolera, tolera ta gera asnera.
 KB