segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Da Colecção Floris d'Ibyago

O BEIJO
 
Neste dia de Abril sem o beijo teu
A brisa teima em vão serenar a frol
No jardim de outrora em apogeu.

A janela sem a menina do olhar teu
É trilho perdido no último raio de sol
Sem jamais regressar ao mesmo eu.

Noitinha é hora em que se levantam
Os grilos e se deitam as borboletas
Entre pedra e folha as horas pesam.

 
O beijo que me ficou na lembrança
Devia pombo-correio ser não borboleta
Seria de júbilo o outro dia e de crença.

K. Barboza

domingo, 13 de Abril de 2014

Da Colecção Floris d'Ibyago


A SOMBRA DA SAUDADE
 
Dói saber:
Que o jardim padece do altear das alas,
Do cansaço da janela,
Da ausência do brilho da pétala,
Do toque dos dedos algodão.

Dói saber:
Que o alegrete sofre de desares,
Do forçado buraco,
De tudo o que era dilecção.

Dói manter:
Os dias sem a janela em casa,
Sem o rosto de tanto amar,
Sem os cheiros,
Sem poder sentir o coração.

Dói & mói
A fuga dos dias tintos de cores
De outrora: chocolate e violeta.
Dói tanto a sombra da saudade.
 
K Barboza

Da Colecção Floris d'Ibyago

SAUDADE INGRATA

Ficou o canto vazio no olhar do canto
Perdeu a janela a magia da borboleta
O silêncio é voz que canta o pranto
Duma saudade fugaz feito estafeta.

 
Ficou a janela aberta de vazio sentido
Suspenso e distante é o olhar incerto
Em busca da voz no cântico perdido
No vazio canto do canto hoje desfeito.

 
Ficou a canção e o canto cheio do nada
Numa pauta vazia de colorido e paixão  
Ficou riso sem luz e a saudade ingrata 
No canto destoante que punge o violão.

 
K Barboza

Da Colecção Floris d'Ibyago



E SE TE FALASSE ASSIM DA SAUDADE

 
Não era um perfume qualquer,
Que me fascinava e enfeitiçava:
O seu corpo chama de mulher,
Era o fluido que me estonteava.

Hoje nem tu e nem a borboleta.
A janela no vazio aceso das horas
Sepultura é de uma vida obsoleta
Como cigarro fumegando desoras.

A saudade que nos versos namora
Tua retirada no tejadilho do vento
Por ti sorriem e cantam a morna
Num poema do tempo sem tempo.

K Barboza

Da colecção Floris d'Ibyago

A JANELA

A borboleta migrou da janela
Onde inquieto meus dias contemplavam
Sua cor que escorria pelo olfacto do tempo.
 
Nas bermas do seu corpo flanela
Estradas e fontes dos meus dias viajavam.
Hoje ficou parede de horas sem tempo.

A borboleta migrou da janela
Onde pesarosos meus olhos pasmam
Ora na janela, ora em mim dentro.

K.Barboza

Da Colecção Floris d'Ibyago

VOO DO POETA

Neguinha & borboleta:
Uma em flor
Outra em redor.
Ambas: voo do poeta.

 K. Barboza

segunda-feira, 31 de Março de 2014

RELÍQUIAS

SIM!
SENHOR CABRITA. TENHO AS MOEDAS COMIGO.
OBRIGADO PELO INTERESSE.

Floris d'Ibyago

BORBOLETA

 
Borboleta: não te afastes de mim.
Não te vás! Espera! Não te vás!

É franco o jeito do meu jardim,
Partida é gume que ceifa num zás.
 
Mariposa: que será o depois?
Daquela sombrinha no cutelo
Da ramagem sobre nós dois
Das músicas daquele sossego?

Borboleta: que dirá o Peregrino
Dulcífera emanação de canduras?
Não te vás! Espera! Não te vás!

Mariposa: que dirão os caminhos
Feitorados pelas nossas loucuras?

K Barboza

 

domingo, 16 de Fevereiro de 2014

Floris d'Ibyago

A VENTILAÇÃO QUE CONTUNDE

 
Sotavento a Barlavento
De Tope da Coroa a Pico do Fogo
Vento lixa, tempo drama
Soprar que desventra o tempo
E o revira corcel bravo
De atrofiar o céu, o sol e o dia.
 
Sotavento a Barlavento,
De Tope da Coroa a Pico do Fogo
Tempo lixo, vento trauma  
Suflar que baralha o momento
E o vira soprar revirado
De afundir o itinerário à deriva. 
 
Sotavento a Barlavento
De Tope da Coroa a Pico do Fogo
Vento sujo, tempo infâmia 
Soprar que dissona o sossego
E o revira asno transviado   
De atordoar o pavio da vida.
 
Sotavento a Barlavento
A ventilação que contunde.

 
Kaká Barboza

quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2014

Floris d'Ibyago

ADELCE

 
Qual umbral maravilha  
Que meu riso transpôs
Antes de hoje à tardinha!

Qual detrás da entrança
Portal de cotovelo tosco    
De desventrada vidraça!
 
Por agarramento ao denodo
Honra é peste tormentosa  
Por mais se arme o fogo posto.
 
Por entornamento do modo
Decência é febre portentosa
Por mais prezado seja o gosto.
 
Qual portão de vaivém
Que ingresso languidesce! 
Qual palco de milhafres!
 
Pior que tudo isso, Adelce!
É o harém do teu desdém
Este palácio que encobres.

 
      Kaká Barboza