domingo, 30 de setembro de 2012

Curiosidades 2

Eram 08H10 duma quarta feira e eu sentado no banco da Rua das Vendedeiras
nome que prefiro dar a esta antiga rua de Riba Praia.
À minha frente ouvia-se a vozearia das mulheres vendedeiras.
O produto almejado era aquela pecinha de roupa que as mulheres usam por baixo que,
por causa da moda, nada tapa e pouco esconde a preço de 200$ e 500$ duzia 
(16$66 e 41$66 unidade, respectivamente)
e vendido a 50$00 e a 100$00 unidade.
Imaginem só.

Curiosidades


Acordei com música da chuva e o cantar da trovoada na incandescencia dos relampagos.
Eram 04h43. Posto à janela consegui apanhar o clarão a poente madrugando enquanto murcho o Cometa adormecia sob a chuvada nos parasois, neste caso nos parachuvas brancos.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Finado's Dream



Ó Djinho, my rich brother.
I read the breath of angels that night descended upon you in that hour, you know. But this piece of land that Armenio poet says is just one site, a small site, I add, a stubborn people, is not this president or that will come from the right side of the desk a list of direct contacts of the bossy world.
Cavaco Silva, accepted. But White House! White House, my brother, has other horizons than the sunset in Djarfofogo.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Água, Chuva e Azágua

 No nosso país a àgua não é considerada património, mas sim um bem de consumo ou uma necessidade pontual. A seca, sim. Ela é mais património justamente por nos ter moldado o ser e o estar na vida. A seca reside. A àgua passa. Por ser passageira, embora sendo um bem essencial, ela não é tida por património a ser cuidado a todo o custo e a todo o tempo.

A chuva é um acontecimento periódico de celebração efémera sendo o seu aproveitamento calendarizado em função da sementeira do sequeiro. Hoje, com a construção dos diques e barragens, a percepção e a noção do que é guardar e preservar a água enquanto princípio de vida, poderá vir a se alterar no futuro. Contudo nas cidades as grandes superfícies cobertas não foram pensadas para drenar água para as cisternas. Os aeroportos por exemplo não dispôem de cisternas. Este complemento desapareceu do pensar dos arquitectos, engenheiros e proprietários de imóveis urbanos. Devia ser obrigatório mas não é porque prefere-se o mais caro - a dessalinização e a perfuração.
O grande desastre ilheu pode acontecer com seca ou inundação totais.

 Se por um lado a chuva trás alegria e ajuda a relaxar pela importancia económica que tem, por outro lado transtorna pelas perturbações que trás com ela, sobretudo quando chove bem chovido. Por a chuva não ser um padrão regular ela exerce um efeito dramático sobre a nossa cultura que por sua vez dita o comportamento dos indivíduos.
Uma estrada obstruida, um aqueduto destruido ou simples acumular de àgua frente ao gimno ou frente ao palácio do governo a comunicação social anuncia inundações como se as urbes entrassem em pânico, mesmo sendo curta a presença dessas àguas. Mal chova os funcionários e os empregados não comparecem nos seus locais de trabalho, desculpando-se que ela não os deixou sair de casa. Nas urbes quase que tudo pára quando chove.

Enquanto os camponeses trabalham e deslocam-se debaixo da chuva e em chão lamacento, os citadinos temem molhar-se e pisar a escassa lama alimentada pela chuva.

O quadrilátero inevitável que se chama AZÁGUA em que o homem, a terra, a semente e a chuva FORMAM os seus lados perfeitos é a base fundamental da nossa existência neste pedaço de chão torrado que queremos dar outra vida que não a da sobrevivencia, apenas.
Não se pode amar do que não se cuida ou não se cuida do que não se ama de verdade. 
Afinal, o que é que amamos em Cabo Verde?

domingo, 23 de setembro de 2012

Claro Ficar: Quando?

 A de Santa Maria é a manifestação mais clara que já se fez contra a ELECTRA. O jovem que se fez de porta voz foi autentico e claro nas suas declarações. Esta onda tem de pegar porque a palavra, hoje, é de todos e para todos.

Por aqui no meu bairro ou seja em toda a zona dos prédios, estendendo-se a uma vasta área da Achada Santo António, não há fornecimento de água às moradias, e, logo, são filas de autotanques a guindar a água salobra para os andares e não latas nos charafizes.

Claro que antes havia água todos os fins de semana e agora surgem com desculpas técnicas e zonas terminais e outras desculpas fedorentas como se não a empresa - ELECTRA - não fosse responsável pelo abastecimento regular de água e energia a quem por contrato está obrigado a fazê-lo
com regularidade e em boas condições.

O diabo é que ameaçam com cortes aos que não pagam as suas facturas de consumo de água e de energia e pelo não fornecimento qual deverá ser a ameaça dos que têm as suas contas em dia?

Já agora quais são as ameaças ou punições aos profissionais ladrões de combustivel, peças e outros materias da empresa?

E aos dirigentes pouco ou nada diligentes?

terça-feira, 18 de setembro de 2012

As Marias no Cristianismo

Maria de Nazaré, Maria Madalena, a samaritana ou a cananeia. Elas estavam lá desde o início. Apesar de desprezadas pela história, várias mulheres tiveram um papel fundamental na vida de Jesus. Muito mais decisivo do que se pensava tradicionalmente. A investigação bíblica recente começa a desvendar factos que contradizem a ideia feita. E a vincar que as mulheres fazem parte do grupo de discípulos de Jesus de forma igual à dos homens.

Assim é: elas estavam lá desde o início e foram apóstolas, discípulas, evangelizadoras, financiadoras, interpeladoras de Jesus. “Jesus aceitou-as e não as discriminou pelo facto de serem mulheres”, diz à 2 Maria Julieta Dias, religiosa do Sagrado Coração de Maria e coautora de A Verdadeira História de Maria Madalena (ed. Casa das Letras). “Jesus não foi misógino, foi sempre ao encontro das mulheres”, acrescenta Cunha de Oliveira, que acaba de publicar Jesus de Nazaré e as Mulheres (ed. Instituto Açoriano de Cultura).

Os evangelhos citam várias vezes as mulheres que seguiam Jesus “desde a Galileia”, onde ele começara o seu ministério de pregador itinerante. No momento da crucifixão, são elas que estão junto a Ele. Lê-se no evangelho de S. Mateus: “Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia e o serviram. Entre elas, estavam Maria de Magdala, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.” E é a uma mulher que primeiro é anunciada a ressurreição de Jesus, que os cristãos assinalam hoje, Domingo de Páscoa.

Maria Julieta Dias recorda que, em outra passagem do evangelho de Lucas, já se diz que acompanhavam Jesus “os Doze e algumas mulheres, que tinham sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demónios; Joana, mulher de Cuza, administrador de Herodes; Susana e muitas outras, que os serviam com os seus bens”.

As mulheres estavam lá, como discípulas. Em Um Judeu Marginal (ed. Imago/Dinalivro), John P. Meier, um dos mais conceituados exegetas bíblicos contemporâneos, não tem dúvidas: “O Jesus histórico de facto teve discípulas? Por esse nome, não; na realidade (...), sim. Por certo, a realidade, mais do que o rótulo, teria sido o que chamou a atenção das pessoas. (...) Quaisquer que sejam os problemas de vocabulário, a conclusão mais provável é que ele considerava e tratava essas mulheres como discípulas.”

Julieta Dias explica que só se fala em discípulo, no masculino, porque, em aramaico, a palavra não existia. Discípulo era aquele ou aquela que servia o mestre. Mesmo assim, “deve ter sido tão forte o testemunho dessas mulheres que foi quase impossível ignorar o seu testemunho, 40 anos depois, quando os evangelhos foram escritos”.

Em Jesus e as Mulheres dos Evangelhos (ed. Multinova), Maria Joaquina Nobre Júlio recorda que, na ressurreição, o desconhecido que se dirige às mulheres que iam perfumar o corpo de Jesus, lhes diz: “Porque buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui; ressuscitou! Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galileia.” Este facto revela que as mulheres estavam incluídas entre o auditório de Jesus, comenta. Sobre o seu ministério, “Jesus não falou afinal só aos discípulos homens”.

A teóloga espanhola Isabel Gómez Acebo (que é também empresária, casada e dirigente das associações de Teólogas Espanholas e Europeia de Mulheres para a Teologia) diz à 2 que “a todos os discriminados, incluindo às mulheres, Jesus veio devolver a dignidade e a liberdade”.

“As mulheres mostram uma forma nova de Jesus se aproximar”, diz Maria Vaz Pinto, freira das Religiosas Escravas do Sagrado Coração de Jesus há 26 anos e provincial (responsável) portuguesa da congregação desde Setembro de 2009. “Com elas, Jesus mostra a sua ternura e o seu humor, chama à verdade da vida e à radicalidade da entrega.”
                       « Artigo publicado no Jornal Publico e trazido para este Blog por ser deveras polémico e provocador»



sábado, 8 de setembro de 2012

O Funeral Debaixo de Chuva

 Por duas vezes aconteceu que não pude falar com amigos músicos porque vieram a falecer dias depois, sendo o primeiro caso com o Pantera e agora com o Zé Henrique.

Avistei-lhe junto á estação da Enacol da Fazenda – Nuno Duarte – e logo me dirigi a ele. Falámos mantenha. Há muito não nos víamos. Ele trazia o fato de treino dando a entender que vinha se exercitando. Achei-o muito magro, abatido mesmo. Sem me fixar direito disse: «Gostaria de te mostrar uns trabalhos. Dá-me o teu número e ligo-te depois. Guardou o pedaço de papel na algibeira». Eram cerca das 17 horas e 30, do dia 29 de Agosto e tive tempo de reparar o seu andar longo a dobrar a esquina.

A 5 de Setembro, à tardinha, no A Bolha, soube pelo Zezé di Nha Reinalda que o Zé Henrique tinha dado entrada no hospital onde ficou internado e, logo, combinamos ir vê-lo no dia seguinte. Assim foi. Eram 15 horas, hora da visita, estávamos ali à espera juntamente com os que iam fazer o mesmo aos amigos e familiares. Enquanto aguardávamos a autorização para entrar a filha Aleida vinha-nos relatando o estilo de vida assumido pelo pai nos últimos tempos e os cuidados que ela vinha tendo com ele. Dado o sinal, entrámos. Dentro fazia bastante calor. No quarto ao fim do corredor, na cama 16, estava deitado o amigo Zé Henrique sem controlo de si a receber soro e oxigénio. Cenário triste, muito triste de se presenciar. Aproximei-me e coloquei a mão no seu corpo e senti que não tinha temperatura normal e logo acreditei que ele não se aguentaria por muito tempo. De novo juntámo-nos aos filhos no pátio. No entanto, chegaram Zekinha Magra e Silva do Bulimundo para testemunharem o estado crítico do amigo. Entraram e não demoraram. Regressaram silenciosos e cabisbaixos. Então ficámos um bom bocado de tempo no pátio à conversa e a opinar sobre os problemas que nós criamos à vida quando os nossos projectos fracassam ou falham por culpa própria. Às vezes não damos conta de que a vida não tem projectos para nós. Contrariamente, nós é que temos projectos e mais projectos para ela, a vida. Se não cuidarmos bem dela pode acontecer que o V desapareça e caiamos numa da IDA sem regresso. Sinto muito quando se perde a vida do jeito a se dar oportunidade ao desleixo para nos tirar a vida da forma como o fez e o tem feito á vários dos nossos amigos de valor e muito queridos.

Quero aqui dizer aos meus amigos sobrevivos para não entregarem as suas vidas a vícios mortíferos, condenando-se precocemente, porque viver e dar longevidade à vida é aprazível e enriquece o espírito.

Todos nós temos a obrigação moral de ajudar e de exercer a vigilância e a pressão necessárias sobre aqueles que nos são queridos de modo a afastá-los dos vícios fatais sobretudo aqueles amigos de reconhecido talento e que são mais valia para a sociedade e para a sua terra.

Vimos perdendo muitos amigos, mais do que isso, vimos assistindo à morte prematura de muitos dos nossos amigos de valor que teimam em não dar ouvido aos seus amigos de verdade. É e será sempre um caso de difícil abordagem por causa da teimosia. Porém, ao insistir em sua defesa devemos ser sinceros e rigorosos mas também carinhosos e respeitadores, enfim bom companheiro e amigo de facto.

No dia seguinte, cerca das nove e trinta da manhã telefonei o filho Angelo para saber como pai tinha passado a noite, e, ele: «o papá morreu esta madrugada. O Funeral é amanhã, sábado, as dez horas. Por favor avisa os amigos dele a ocorrência.» Muita coisa tinha ficado por dizer e mostrar, muitas obras ficaram silenciadas na campa deste belo compositor e tomador de notas. Ele era um moço cordeal, servidor e partioso. Sorria sempre que contava os episódios que davam lugar às suas letras. Perdi um bom companheiro, um tradicionalista moderno, um grande letrista e um músico muito fino na concepção melódica das suas criações musicais. Aprendi mais e mais com a tua morte, ZH. Foste um bom sinal de aviso para mim e para muitos de nós, teus amigos.


Prefácio da obra Gruta Abençoada

NOTA DE LEITURA Boa Entrada é tudo menos lugar erótico, mas, sim, uma ribeira exótica e cativante, situada na margem direita da sed...