quinta-feira, 24 de abril de 2014

Da Colecção Floris d'Ibyago

         EM BRANCO

 
Não há lugar a mais fantasias.
Sei! Jamais voltarás borboleta
A janela desflorida de alegrias
Virou violácea a tua silhueta
No olhar perturbado do jardim.

 
Não há lugar a mais agravo.
Não precisas voltar ó distância.
O corpo onde vicejava o cravo
Hoje é um cemitério de ânsias
De insónia e extintos carmins.

 
Deixa-me errar pela artéria
Da saudade do tempo antigo
Em que pastor dos gestos era,
Que sentir teu cheiro amigo
Abriam brilhas dentro de mim.  

 
KBarboza

 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Da Colecção Floris d'Ibyago

O BEIJO
 
Neste dia de Abril sem o beijo teu
A brisa teima em vão serenar a frol
No jardim de outrora em apogeu.

A janela sem a menina do olhar teu
É trilho perdido no último raio de sol
Sem jamais regressar ao mesmo eu.

Noitinha é hora em que se levantam
Os grilos e se deitam as borboletas
Entre pedra e folha as horas pesam.

 
O beijo que me ficou na lembrança
Devia pombo-correio ser não borboleta
Seria de júbilo o outro dia e de crença.

K. Barboza

domingo, 13 de abril de 2014

Da Colecção Floris d'Ibyago


A SOMBRA DA SAUDADE
 
Dói saber:
Que o jardim padece do altear das alas,
Do cansaço da janela,
Da ausência do brilho da pétala,
Do toque dos dedos algodão.

Dói saber:
Que o alegrete sofre de desares,
Do forçado buraco,
De tudo o que era dilecção.

Dói manter:
Os dias sem a janela em casa,
Sem o rosto de tanto amar,
Sem os cheiros,
Sem poder sentir o coração.

Dói & mói
A fuga dos dias tintos de cores
De outrora: chocolate e violeta.
Dói tanto a sombra da saudade.
 
K Barboza

Da Colecção Floris d'Ibyago

SAUDADE INGRATA

Ficou o canto vazio no olhar do canto
Perdeu a janela a magia da borboleta
O silêncio é voz que canta o pranto
Duma saudade fugaz feito estafeta.

 
Ficou a janela aberta de vazio sentido
Suspenso e distante é o olhar incerto
Em busca da voz no cântico perdido
No vazio canto do canto hoje desfeito.

 
Ficou a canção e o canto cheio do nada
Numa pauta vazia de colorido e paixão  
Ficou riso sem luz e a saudade ingrata 
No canto destoante que punge o violão.

 
K Barboza

Da Colecção Floris d'Ibyago



E SE TE FALASSE ASSIM DA SAUDADE

 
Não era um perfume qualquer,
Que me fascinava e enfeitiçava:
O seu corpo chama de mulher,
Era o fluido que me estonteava.

Hoje nem tu e nem a borboleta.
A janela no vazio aceso das horas
Sepultura é de uma vida obsoleta
Como cigarro fumegando desoras.

A saudade que nos versos namora
Tua retirada no tejadilho do vento
Por ti sorriem e cantam a morna
Num poema do tempo sem tempo.

K Barboza

Da colecção Floris d'Ibyago

A JANELA

A borboleta migrou da janela
Onde inquieto meus dias contemplavam
Sua cor que escorria pelo olfacto do tempo.
 
Nas bermas do seu corpo flanela
Estradas e fontes dos meus dias viajavam.
Hoje ficou parede de horas sem tempo.

A borboleta migrou da janela
Onde pesarosos meus olhos pasmam
Ora na janela, ora em mim dentro.

K.Barboza

Da Colecção Floris d'Ibyago

VOO DO POETA

Neguinha & borboleta:
Uma em flor
Outra em redor.
Ambas: voo do poeta.

 K. Barboza

Prefácio da obra Gruta Abençoada

NOTA DE LEITURA Boa Entrada é tudo menos lugar erótico, mas, sim, uma ribeira exótica e cativante, situada na margem direita da sed...