segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

MoribundAndando Sobrevivendo




A 30 de Dezembro de 2007, Domingo, esta árvore paria o Blog Son di Virason.
Seis anos depois,
ei-los moribundandando sobrevivendo quase morto na pedra onde se enraizou e cicatrizou os sons e as virações da vida e do tempo que não param de aldrabar a morte. 
KB

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

DIA DA CULTURA


                     NESTE DIA DA CULTURA QUERIA APENAS DIZER:

 Investir em cultura não é tê-la na condição de PARENTE POBRE dos regimes e dos ciclos políticos, é dar-lhe alma e vigor de que precisa para se libertar e se projectar ainda mais dentro e fora de Cabo Verde. KB

 

 

domingo, 13 de outubro de 2013

Floris d'Ibyagu


FERE OUTUBRO P’RA VALER

Fere Outubro p’ra valer a alma
Abre um vão entre pedra e mar
Não sendo o mesmo o sal do Sol
Que no pilão o amor em ais põe.

Roí e mói a doída canção à alma
Que dói no Lá Bemol do bronze
Que de nívea nem janela nem luz
Nem atira nem cala a dor de amar.
 
Se ainda há cânticos celebrando
A pedra que Outubro fere e injuria
O gostirado de tanto amar impera.
 
Se ainda há carreiro de ida e volta
Que chama Outubro destruir quer
Do ibyago refloram odoríficas fés.

Praia, 13.10.13 – Kaká Barboza 

 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Floris d'Ibyago

 
                  PRESSENTIMENTO
 
Tem Outubro surpresa que injuria 
Tem dias e horas que maltratam
Tem itinerários vazios de alegria
Tem na boca mágoas que matam.

É pelo sonho que a vida realiza o chão 
É pelo não que o amor ama a sua dor
É pela distância que júbilo é senão
É pela pedra que a estrela cala o pastor.

Ontem o poema embriagado no prazer
De viajar o beijo ao ecrã do teu móvel
Hoje pressente o que está para chegar.

Importa e duro dói o que fica por dizer
Do tempo suspenso pela palavra imóvel
Que Si & Lá inuma no Dó a dor de amar.

  Kaká Barboza

sábado, 5 de outubro de 2013

Floris d'Ibyago



ENTRE IBYAGO E FLOR


Entre ibyago e flor
Pedra e mar há níveos sonhos
Como sons arrancados da distância.
 
Entre a pedra e mar
Flor e ibyago há silvos longos  
Como abraços de abraçar memórias.

Há a querença sílvica
Que pastor lonjura os olhos não chora 
Sustém e memora o voto “para sempre”.
    
Praia, Kaka Barboza

 

sábado, 28 de setembro de 2013

Lembrando Manuel de Novas


Quatro anos se passaram sobre a morte do grande músico e trovador das ilhas Manuel de Novas, deixando-nos o seu génio de comunicar através da música a mundivivência crioula, pelo que recordá-lo é uma forma de perpectuar a sua memória e seu legado que constitui património cultural nacional.
São as associações cívicas locais de vocação cultural mais o Governo Municipal que têm o dever moral de enaltecer os seus munícipes destacados e de os fazer lembrar, prestando-lhes homenagens em actos de rua, nas escolas e noutros espaços, porque homenagear não é só no dia da morte é fundamentalmente depois dela, celebrando a memória dos filhos destacados como é o caso de Manel de Novas.
Glória eterna à memória do poeta e trovador das ilhas Manuel de Novas.
Minha lembrança a este dia e ao meu inspirador de sempre. KBarboza

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

25SET13 a ACL


E criámos a Academia Caboverdiana de Letras, imortalizando os pioneiros e os fundadores das letras cabo-verdianas, num cerimonial pleno de luz e clarividência.

De se louvar o grupo de trabalho inicial, erigido em núcleo fundador que muito se empenhou, dedicando horas e horas do seu tempo à esta nobre causa que ontem, 25 de Setembro de 2012, viu a ACL de jure ser reconhecida perante uma bela assembleia de personalidades da cultura e de representantes dos poderes públicos, tendo ao centro a figura do Presidente da República, o confrade Jorge Carlos Fonseca, membro dos fundadores da Academia.

Enquanto membro do Conselho dos Fundadores e eleito para o Conselho Consultivo da ACL, ocupando a cadeira 32 do patrono Virgílio Avelino Pires, escritor - contista - de finos recortes literários que deixou em "HERANÇA" colectânea de contos a expressão máxima do seu “engajamento político-social e cultural ao colocar em pauta a verdadeira condição da mulher cabo-verdiana, seus sonhos e expectativas perante uma terra inóspita, quase improdutiva, sem muito ou quase nada a oferecer, numa denúncia de emigração e prostituição” (Sónia Queiroz – Brasileira - estudiosa da literatura contemporânea caboverdiana).
Desta feita tudo farei, na linha do juramento prestado, para conferir dignidade aos propósitos defendidos pela ACL, cabendo-me, especificamente, enaltecer a gesta e o legado literário de Virgílio Avelino Pires, pessoa conhecida em Assomada, ainda criança, em casa dos meus pais, contista santiaguense de qualidades humanas e intelectuais salientes, compelindo-me, no quadro da ACL, emprestar qualidade, pertinência e criatividade às minhas produções literárias.
Bem-haja a Academia Caboverdiana de Letras.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

RAPÍZIU 40


 Há 40 anos atrás, participei das comemorações da Independência da Republica da Guiné-Bissau. A cidade de Bissau, na altura, era uma urbe bonita, de longas ruas e avenidas limpinhas, muitas árvores e jardins bem cuidados, a parte baixa da cidade era linda, bem localizada e bastante movimentada, enfim, cidade africana construída pelos portugueses que de urbanismo nada de nada tinha a ver com as cidades da então Praia e Mindelo. O muito espaço permitiu a construção de habitações baixas, rés-do-chão jardinado, alpendres e varanda mesmo para o clima da região, de primeiro e segundo pisos eram alguns edifícios públicos e estabelecimentos privados.

Em finais de Outubro parti de Mindelo e o 24 de Setembro de 1974 deu-se comigo em Bissau. Os guineenses tinham acabado de tomar em suas mãos a terra, sentindo-a muito sua. Via-se isso em todo o lado da cidade de Bissau. Na periferia era a pobreza escancarada. A população pouco ou nada escolarizada vivia na lufa-lufa da rabidância, próprios de uma sociedade com fossos sociais bastante pronunciados.

Apesar de essa realidade chocar muito o visitante atento, bons momentos ali passei, convivendo com guineenses e caboverdianos que ali trabalhavam e viviam com as suas famílias.

Tinha sido o Dr. Boal a me assistir e a medicar no Hospital Simão Mendes, recomendado pelo então Secretário-geral do PAIGC - Aristides Pereira, que me tinha concedido audiência uns dias antes no secretariado-geral do partido na praça dos Heróis Nacionais.

Foi uma experiencia agradável e emocionante, sobretudo porque tive a oportunidade de ver muitos dos que se entregaram à causa da luta de libertação das nossas terras.  

Informei-me bastante nos trinta e poucos dias que ali passei. Regressando, algo latente veio dentro de mim, em resultado do contacto directo com a cultura desse país irmão, dança e ritmo, manifestações coroadas com o espectáculo de honra, o Balé Africano, de Okinka Panpa e a dois grandes concertos musicais de uma das mais prestigiadas bandas africanas de então, o Bembeya Jazz Nacional da Guiné Conacri, tudo isso graças à minha condição de membro do PAIGC – Cabo Verde. Foi decisiva a aprendizagem para o estilo de música que desde então passei a compor - o funanbah - que ainda hoje ando a aperfeiçoar.

Alegra-me o dia de hoje e ao mesmo tempo me entristece saber, ver e ouvir o que por lá se passa e acontece nesta terra africana que encheu de glória a luta de libertação dos povos oprimidos.

Entristece, lembrar as fortes mensagens do poeta e músico Carlos Shwartz prenhe de sonhos e ditames que incomodava a elite instalada, caído por terra, mas que um dia há de, certamente, renascer com a força do tan-tan (adormecido).

Kaka Barboza

sábado, 21 de setembro de 2013

Sentires de Um Pastor de Estrelas


              SENTIRES DE UM PASTOR DE ESTRELAS

Tenho por assento a pedra,
por almofada o silêncio,
por música o silvo
e por vereda o tempo que durar os sentires.

Tenho por paixão a viagem conducente à gruta do amor,
uma vez alcançada,
no prado da razão sentinte ininterruptamente se nutre.

Deste assento sondo o tempo interior,
indagando o itinerário da estrela que ontem à tardinha
pastoreava os gestos.

À varanda do tempo debruço-me para me esquecer de mim
e aproximar-me do além de infindos bosques e funduras.

Mesmo nada podendo colher do incerto,
pastor dos teus rastros,
da itinerância do teu perfume,
do teu céu sem limites,
tenazmente continuo.

Mesmo sem poder tocar tua mão,
teu gesto e tua femínea silhueta.
Amo-te com o forte gosto tirado do tanto amar.

Mesmo longe o perto que sonho,
sinto o teu quente olfacto,
o acomodar na cama,
os passos e o café da manhã,
o acender do cigarro,
a roda no asfalto,
o digitar da mensagem,
o desfilar do sol e o suspiro à tarde.

Mesmo nada sentindo,
sinto o apertar e o roer,
o apartar e o doer
do gosto irado de tanto amar.

Mesmo nada desejar,
sinto o silvo do beijo cativo no olhar.
Mesmo nada amar,
sinto-me amar o gostirado de tanto amar.


O Domingo traz sempre o sopro
rolando maduras folhas a um onde qualquer
e por detrás do afumar do dia
é teu os contornos como bagos lácteos.

Agrada-me o silente abraço de mil apertos
e beijos mil de cilíndricos odores.
Agrada-me a loucura de andar o tempo
para a frente e para trás.
Agrada-me a vaidade de amar o perto inatingível do teu peito.
Agrada-me a melífera saudade que me demulce o sentir.
Agrada-me iludir-me adormecendo estrelas em teus níveos seios.
Agrada-me imaginar-te ilha onde tarda o entardecer
e finda a estrada dos meus sentires.
Agrada-me a pétrea almofada do voto “para sempre”.

Praia, 2013-09-20
Kaka Barboza

 


segunda-feira, 1 de julho de 2013

Julho é Azágua

RIMAS D’AZÁGUA
 
É di ozerba tenpu armadu
Inxada na pó gran skodjedu
Lugar linpadu rosa kemadu
Kanpones speransa na petu.

É di ralenbra txon modjadu
Pó di batata na regu ku suor
Sinal di lua katoku finkadu  
Txota Kunben y grilu kantor.

É di rakorda txon mondadu
Padja kasadu midju sakedu
Ta boneka ku kabelu bazadu
Obu kurtuniz baxu di brédu.

É di atxa sabi e sta kontenti
Xintadu rodiadu bera funku
Ta konta ta storia só manenti
Midju ta ila pilon ta kufu-kufu.
 
É di ralenbra pa nu atxa sabi
É di raporta manenti nha genti
É di konta pa tudu mundu sabi
É di fla ti boka bába di nosenti.

Praia, 01.07.12 - Kaka barboza

sexta-feira, 28 de junho de 2013

PROCEFIA


"Cada vez mais o verde fica sem cabo por onde pegar já que arco-íris de bruma é inevitavelmente chuva de pó sobre o azul que afinal é castanho. Apenas opinion após caldo de bidion."
 
Escrevi o parágrafo anterior uma hora antes do resultado da sentença e do que vai acontecer em Mindelo por estes dias.
É minha opinião firme de que Cabo Verde está a caminho de uma irremediável metamorfose - lagarta em kupit - conducente a um incontrolado futuro próximo comprometedor da remota morabeza.
Escrevo e digo em tempo e horas, perpetuando a profecia. 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Canárias - SILA - Itinerante


 
 
Momentos inesquecíveis em Hierro, La Palma, Gomera, Lanzarote e Fuerteventura (islas canárias). Aquando da minha participação no Salão Internacional do Livro Africano itinerante, evento em que Cabo Verde esteve representado por livros e música na primeira semana de junho 2013.
De dizer que a literatura, a música e a arte plástica Caboverdianas são muito tidos em conta pelos outros e nem damos conta disso, (displicência ou desnecessidade).

Canárias - SILA - Itinerante

 

CANARINA, ILHOA

Silvos da ilha e do mar alçados
Na femínea voz canarina do timple
Como deuses em altares de pedra
Canções em espirais de girassóis
Orando ao pavilhão das crateras.
Do magma, olhos, ouvidos e recifes
Hierro, Palma e Gomera, filhas.
Lanzarote, Fuerteventura, Tenerife
A Gran Canária, nativas trilha.
E tu! Canarina, ilhoa!
E se Malaguenha te cantar…
Com sal&sucrato da morna?
Vias-te pássaro ou leoa?
Benévolos os meus nos teus
Olhos de bagos de noite
Cabelos faíscas de astros
Amoroso gesto de “kretxeu”
Sorriso claro do alvorecer
Andar de pluma
Voz de nevoa
Silhueta no braço dos abraços
Sonhos e afeições
Odores e paixões
Sopros e relâmpagos
Sentires de um pastor de estrelas.
  Praia, 20.6.13 - Kaka Barboza
 

Canárias - SILA - Itinerante

 
Poema coroando a digressão itinerante de SILA pelas cinco ilhas das canárias, ainda ecoando no coração do Peregrino, meu violão.

  CANARIA, ISLEÑA

 Silbidos de la isla y del mar alzados
 A altares de piedra, como dioses,
 Al pabellón de los cráteres orando
 Espirales canciones de girasoles
 En la femínea voz canaria del timple.

 Del magma, ojos, oídos y arrecifes
 Hierro, Palma y Gomera, hijas.
 Lanzarote, Fuerteventura, Tenerife
 Gran Canaria, nativas trillas.

 Y tú! Canaria, isleña!
 
Si te cantase (una) Malagueña
Con sal&sucrato de “Morna”:
Te imagina(ba)s pájaro o leona?

 
Benévolos los míos en los tuyos,
Ojos granados de noche.
Cabellos centellas de astros
Amoroso gesto de “kretxeu”
Sonrisa clara del alba
Andar de pluma
Voz de niebla
Silueta en el brazo de los abrazos
Sueños y emociones
Olores y pasiones
Soplos y relámpagos
Sentires de un pastor de estrellas.

- Poema de Kaká Barboza –
Traducción do portugués por Profesora Dra. Felisa Prado

SILA - Itinerante


El SILA 2013 lleva a Madrid los sonidos de la Macaronesia. Literatura de Cabo Verde y Canarias llegan al Colegio Mayor Nuestra Señora de África, en colaboración con La Asociación Española de Africanistas.
18:30-­19:00 h. SILA PRESENTA Presentación del SILA 2013, a cargo de Francisco González, miembro del Comité Organizador y Director de LFD S.L, e intervenciones del Director General de Cooperación y Patrimonio Cultural del Gobierno de Canarias, Aurelio González González, José Ramón Guerrero Fernández, Director del Colegio Mayor Nuestra Señora de África y de Basilio Rodríguez Cañada, Presidente de la AEA (España).
19:00-­20:00 h. DIÁLOGOS EN LA TARDE: La literatura caboverdiana escrita por mujeres. M. Felisa Rodríguez Prado, experta en literatura caboverdiana, introducida por Rebeca Hernández Alonso, Profesora de la Facultad de Filología de la Universidad de Salamanca.
20:00-­21:00 h. MESA REDONDA: El reto de la traducción de la literatura africana. Participantes: Juan Miguel Zarandona Fernández, Profesor de la Facultad de Traducción e Interpretación de la Universidad de Valladolid y José Ramón Trujillo, profesor de la Facultad de Filosofía y letras de la Universidad Autónoma de Madrid y Director de Sial Ediciones. Modera: Ángeles Castillo Nuez, traductora y Miembro de la AEA.
Se contará con un área de exposición de libros y zona de librería..

Canárias - SILA - Itinerante



Rodríguez Prado subrayó que han sido las mujeres quienes han rescatado e iluminado la intrahistoria, es de decir, la historia de aquellos que no han sido los grandes protagonistas de la historia.
En la imagen, la profesora Rodríguez Prado hace un rato en Yaiza (Lanzarote), junto a Syra Jiménez-Pajarero Arias, miembro del departamento de Cultura y Comunicación de la Casa-Museo José Saramago.

Canárias - SILA - Itinerante


Literatura e autores de caboverdianos em destaque no SILA 2013, evento que decorre até setembro e dedicado a este arquipélago macaronésio, coisa nada refletida na nossa imprensa, nem rádio, nem TV, evidente sinal de que na cultura, livros, são, muitas vezes, ornamentações de estantes oficiais e domésticas.

Canárias - SILA Itinerante - Gomera


Cabo Verde y La Gomera unidas por la música
Publicado por:
Redaccion  enInsulares 14/06/2013     

La Voz de La Gomera En el marco del Salón Internacional del Libro Africano, y más concretamente dentro del SILA Itinerante, el poeta y músico caboverdiano Kaka Barbosa recaló en La Gomera, más concretamente en el Archivo General Insular, para deleitarnos con su música, pero también con su pensamiento: una suerte de viaje por los recuerdos de un país tan cercano geográficamente y tan desconocido para nuestro Archipiélago.
Habló de mornas, de historias que en el pasado no fueron tan gratas, pero que con la Independencia del país africano, han vuelto a resurgir con fuerza como su cultura, y Kaka Barbosa es uno de sus máximos exponentes junto a la recordada Cesaria Évora.
Presentamos aquí en exclusiva un video donde se recoge parte de la actuación musical que Barbosa ofreció a los espectadores en el Archivo Insular el pasado miércoles día 12.

 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O Curto Céu da Ceuzany

                 O CURTO CEU DA CEUZANY


Longe de mim prejudicar esta linda menina merecedora de um outro céu que não curto que “Nha Vida” a destinou. Devo dizer que esta jovem foi recebida como maravilha e encanto à sua passagem por esta cidade da Praia, integrando a banda Cordas de Sol, um grupo musical recheado de jovens talentos que representam muito bem a oração musical da ilha de Santo Antão. A cantora Ceuzany tem talento, tem presença e tem poder de canto. Ela pode chegar lá e voar sem receios no amplo céu da arte de cantar e de interpretar canções do mundo.

A forma como as músicas de Nha Vida foram preparadas e concebidas parecem vir de um território mítico e não de um país real, que é Cabo Verde. Nha Vida traz consigo tentativas e adaptações que são verdadeiro início de uma vida de apalpações direccionadas para a satisfação de quê, de que mercado, de que promoção artística, de que valorização musical, de que autores, de que produtores, de que músicos, de onde e quê, afinal.

A Harmonia Ldª caiu no embaraço de, primeiro, ter de lidar com a reposição do nome do verdadeiro autor do tema “Na ondas di bo corpo – de Dany Mariano”, segundo, ter de vir lidar com o grave acidente que é o CD “ Nha Vida”, a começar pela desatenção que devotaram à preparação dos temas musicais registados, entregando-os á responsabilidade da intérprete Ceuzany, para dar o impossível, facto que encurtou-lhe sobremaneira o céu onde pudesse voar lindamente. A Ceuzany precisa de ser aconselhada? Sim, precisa, por professores do canto para eliminar certos vícios do palco.

Conquanto ao tema “N’ka Pur Si” – de Kaka Barboza – devo dizer que os músicos de Santiago, os jornalistas das rádios, os amantes da música, todos eles ficaram muito chocados e tristes por verem a música que marcou a geração dos anos oitenta, pela singularidade melódica e pela retratação de um período simbólico, um, pelo surgimento do funaná, e, dois, pela gravação em estúdio de vozes inéditas de Santiago, Zezé e Zeka Nha Reinalda, em que o mestre Paulino Vieira, apostado num arranjo ousado do funaná, eternizou “NKa Pur Si”, sendo a letra um valor intimista ao mesmo tempo eufórico, próprio do santiaguez e devo dizer com toda a clareza que Paulino Vieira é o primeiro músico arranjador de Barlavento a ler e a interpretar Santiago na sua dimensão musical autêntica. O desastre ora verificado com “Nka Pur Si” e outros temas de matriz santiaguense deriva da incapacidade de se saber e de se obter Santiago na multiplicidade da sua vivência e história.

Ao surgir no mapa musical das ilhas, nos ouvidos dos residentes e dos embarcados o registo discográfico “Nha Vida”, pensava-se em acréscimos e nunca em regressões. “Nka Pur Si” no “Nha Vida” não deixa de ser um desarranjo assente na incapacidade, no oportunismo comercial e na asneira intelectual. Não fui consultado, e deu no que deu, texto truncado, descabido, sem nexo entre a melodia e a letra, esvaído dos traços mais comuns da geografia e pensar filosófico santiaguenses, dando cabo da natureza envolvente.



Nka Pur Si – registado no CD “Nha Vida”

Ai! Ai! Fidju fémia….
Min ka bá Lisboa….
Djan krebu djan krebu
Min ka bá Olanda…

Kel poku ki terra dá
Ku tra bá djuntá di meu
Lisboeta ka invejá
E Olandes ka fiká di riba

Djan krebu, djan krebu
Djan krebu fidju fémia
Dexan dezabri ku bó
Po da konta di nha nobu

Nta fazebu sinhorinha
Na midida bus dizeju
F’ka txutxutxe ponta margura
Na bainha mon d’se dono

Ai ai fidju fémia
Min ka ba Lisboa
Min ka ba olanda
Pamo min ka konsigui

…………………………..



NKA PUR SI (ORIGINAL)
             (Funana)



Dja-m krebu, dja-m krebu
Dja-m krebu fidjo fémia
Dexa-m dizabri ku bó
Pa-m da konta di nha nobu

Nta faze-bo sinhorinha
Na midida bu dizeju
Faka txuntxa ponta margura
Na bainha mon di si donu

Ayan! Fidjo fémia
Mi-m ka bá Lisboa
Mi-m ka bá Olanda
Má mi-m ka pur si

Kel poku ki terra da-m
N trabadja N djunta di meu
Lisboeta ka inveja-m
Olandês ka fika-m di riba

Praia, 23.05.1983 – Letra & Múzika – Kaká Barboza


Devo sublinhar que roubaram á melodia no essencial da sua estruturação. Não se partiu do Lá menor, simetrizado com Mi menor para cair em Ré Maior e depois ficar nos básicos Lá m e Mi m de sua marcação tonal. O próprio Paulino Vieira se enganou no disco Nka Pur Si quando apôs Ré menor, quando devia ser Ré Maior, lapso de que se desculpa “por ignorância”, confessa ele, todas as vezes que nos encontramos.

Este apontamento é um sinal de protesto contra uma clara atitude de desrespeito para comigo, autor do tema “Nka Pur Si”, contra o que se tentou chamar de adaptação, contra o encurtamento do céu da Ceuzany, um talento enrolado num autentico desarranjo musical, descaracterizante e barato. Irei discutir isso em fórum apropriado e sem demoras.

O disco “Nha Vida” mostra claramente a fragilidade com que a Harmonia Ldª caiu após o desaparecimento da Cesária Évora, cantora que dava força à nossa música e respeito aos compositores e músicos, além do substancial rendimento caído nas contas dos promotores.

Felizmente, teremos sempre o aberto céu das ilhas, todo ele contínuo, majestoso e inatacável no seu mistério de abençoar a nossa música e inspirar a viola e voz sem perderem a noção da caboverdianidade.

Pa más ki kabesa-l txeia é rabulisentu, margen é senpri txon di nubu rabentu.
KBarboza

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Poema de Meia Tigela



POEMA DE MEIA TIGELA


                                           Para os filhos da pedra

Filhos da pedra, onde finda, onde começa
O tramo da parede da fruta que vos pariu?
Onde principia a blasona, a praga onde termina?
E a fúria de saberem o tão incontável
É vossa inútil presença em todo onde há solarias?


Filhos da Gruta, da compulsão mais inconfessa,
De rótulos bastardos filhos da fraga,
Da pua do arco da ruindade e sua fístula,
Do pornográfico ventre da puta racha-madre.


Filhos da Bruta onde nasce e se abre o hediondo?
Do esterco jardim estreito berço de nascença
Onde a praga surge e floresce a cor do possesso
No ensanguentado sangue sôfrego e insalubre.

Filhos da Burla onde cresce e se tece o biombo?
Onde é afinal o final da proxeneta vossa e só vossa?
E onde tem tido origem os úberes donde acontece
Tão magra escória e louco e imundo truque?


07-02-2013 - Kaka Barboza

terça-feira, 15 de janeiro de 2013


                                           ELOGIO FÚNEBRE A TIO JOÃOZINHO


João Alves, de seu nome de casa, Nhô Djonsinho, epíteto que deu nome à rua onde morava, na Achada Santo António, de há 50 anos, natural da Ilha do Fogo, nascido a 06 de Abril de 1924, despede-se, é como se nos tivesse oferecido uma derradeira arcada longa, longa de 88 anos de melodias, de harmonias, de desarmonias, de consonâncias divertidas em “Dó Maior” e de chagas dolentes em “Si menor” e de ânsias futuristas em “Sol Maior”. Deixou-nos o mestre do violino, o pai, o cidadão, o amigo, o pedreiro de tantas pedras talhadas e de tantas paredes erguidas neste chão Pátrio.

Ele, João Alves, último da linhagem do meu falecido pai, acaba de nos deixar, para, na constelação dos grandes brilhar como aqueles cuja obra transcende os limites territoriais das ilhas que os viu nascer. A obra de João Alves é um rico testemunho de como se constrói e se protege uma família, de como se tutela os tomados e educados como filhos, de como se cultiva a benquerença.

Nhô Djonzinho Alves está no epicentro dos êxitos que marcaram e produziram a contemporaneidade do panorama musical caboverdiano. Músico, violinista com mãos de pedreiro, profissão que sempre abraçou com igual competência, que, de dia, de ferramenta em punho construía moradias, à tardinha ensaiava melodias, dando corpo à música com o violino que o acompanhou há vários anos e, aos fins-de-semana, animava os sítios onde era chamado a actuar. Para Nhô Djonsinho, a música representava um estado de espírito, mas ao mesmo tempo uma sabedoria que, com mestria soube tocar a alma dos filhos e de todos aqueles que compartiam dessa escola de virtudes.

No momento da morte de um grande, sentimo-nos demasiado pequenos para compreender e explicar a humildade, a tolerância e a grandeza de espírito dos homens de bem, acontecimento que neste momento se celebra. Contudo, somos suficientemente adultos para nunca esquecer deste ícone vivo e do legado a nós deixado, porque de grandeza humana e universal.

A memória de João Alves, do Tio Djonzinho, fixa-se no rosto da letra que dá nome à sua rua, e, fixa-se, também, para todo o sempre, na sua carreira musical, fazendo da música uma arma da continuidade do imprescindível ao sustento da identidade de um povo, mas também um instrumento de promoção da música e da civilidade e da promoção dos valores da cultura nacional. Por isso tudo, por tudo o que fizeste, construíste e nos deixaste, atrevo-me a dizer com toda a classe, provaste como se conquista o “ Mestrado na Universidade da Vida”.

Meu caro amigo, meu tio, meu artista, meu inspirador. Nada disseste. Não disseste se “Vais Voltar” para uma “Tocatina de Domingo” à varanda fresca da tua casa, ou para me contares as histórias antigas, as de como meteste os meninos no Lá-Mi-Ré da arte de criar arte.

Partiste com a idade do teu primo irmão, meu pai, 88 anos, de forma serena, deixando-nos mais tristes, mais sós e mais órfãos, mas, ao mesmo tempo, mais fortes, mais homens! Seremos, pois, na partitura das nossas vidas e da nossa indefectível consanguinidade, os novos maestros, os donos de mão segura do teu exemplo, como forma de honrar a tua memória.

Meu caro amigo, meu tio, meu mestre, meu artista, meu inspirador, se eu tivesse o engenho e a arte dir-te-ia coisas ainda mais lindas do que estas arrancadas do canteiro destroçado do meu peito.

Lembrando uma das tuas singulares arcadas e, orando, pediria ao “Senhor para escutar a minha prece”, dizendo-lhe que estamos aqui para nos despedirmos de ti. Dizendo-lhe que a suavidade da tua alma merece as honras e as excelências do paraíso que te acolherá.

Estamos todos, dizendo-te, num curto adeus de sonoridades, que ouviremos as tuas melodias para que a tristeza se converta num fio de esperanças novas e de dias cheios de ventura e de fraternidade.

Descansa em paz, no reino do Senhor, disse a Igreja de Deus, e na paz dos poetas, cantores, criadores de boniteza e de embalos, dir-te-emos.  Até sempre.

Praia, 14.01.13 – Carlos Alberto Barbosa - Kaká Barboza



sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Ódio aos Barbosas




Viram no LiberalOnLine o que disseram da familia Barbosa!

Dos BARBOSAS!...

É um ORGULHO saber que a nossa larga e longa familia, OS BARBOSA, tem árvore genealógica sadia, porque nós respeitamos a história e a memória dos nossos ascendentes.

Contrariamente, os Filhos da Pedra não gozam desta felicidade enorme - ter referências familiares antigas, tão antigas quanto a terra que hoje os suporta a todos - já que bastardos foram e de sanguinidade incógnita são, para todo o sempre.

            Carlos Alberto Lopes Barbosa - Kaká Barboza



Txabeta Em Estado de Alerta

                                                                                                                                     ...