segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

RAPIZIUS - Ilha do Sal e o Concorde

       

                                         
                                                 ILHA DO SAL E O CONCORDE

A 19 de Julho de 1984 demiti-me do cargo de Presidente do Sindicato da Indústria, Comercio e Serviços. Em Setembro do mesmo ano entrei para a Agencia Nacional de Viagens – Divisão Aérea – na Praia, a convite do Director Geral da ANV, Guilherme Santos Ferreira, antigo colega de trabalho na Casa Madeira. Fui admitido para exercer o cargo de Director de Divisão. Um mês depois, a nossa representada Air France em Dacar, informou a ANV sobre um programa de formação na área do Ticktyng e Markting e fui indicado para receber esta formação. Foi em Dacar que conheci o Senhor Charles – Director Comercial Regional da Air France para a África Ocidental em que Cabo Verde se insere, sendo a ANV agente da Air France. Findo o curso, consegui mais um curso ministrado pela Swissair, também nossa representada, sobre a organização e encaminhamento de pacotes turísticos e, de seguida, a Alitália aproveitou fez o mesmo, também ela nossa representada. Fiz boas amizades com os Directores Comerciais destas companhias aéreas, convidando-os a visitar Cabo Verde.

O Sr. Charles da Air France foi o primeiro a visitar-nos, tendo vindo de São Vicente o DG da ANV – Guilherme Ferreira – para o receber e negociar interesses entre as partes. No entanto o Presidente da Republica, Aristides Pereira, havia sido indigitado para falar em nome dos países menos avançados da Africa na reunião de Paris, presidida por François Miterrand – Presidente da Republica da França. No final de dois dias de visita o Director Geral Guilherme Ferreira havia sugerido ao Senhor Charles a passagem do Concorde pela ilha do Sal para levar o Presidente Aristides Pereira a Paris. Assisti os argumentos do Guilherme Ferreira insistindo que: “era prestigioso para a Air France o avião Concorde vir a Cabo Verde e transportar um dos Presidentes mais respeitados da Africa, porta-voz de vário6s países africanos, sobretudo os da francofonia de que Cabo Verde também fazia parte. O Senhor Charles foi portador deste sonho, para o tornar realidade. Poucos dias depois o Guilherme Ferreira deslocou-se a Dacar, regressando muito esperançado. O assunto foi tratado com muito sigilo. Na altura usava-se o Telex para se comunicar na aviação comercial. Eu era o último a sair da agência e o primeiro a entrar para que a comunicação se mantivesse em sigilo.

Feliz foi o dia em que o longo Telex confirmava o aval da Sede da Air France em Paris em desviar o Concorde para a Ilha do Sal para receber o prestigiado passageiro, Presidente Aristides Pereira. Na mesma semana, o Director Geral Guilherme Ferreira deslocou-se de São Vicente, sede da Empresa ANV, para a Praia, para dar a excelente noticia ao então Ministro dos Transportes, Herculano Vieira, que por sua vez a transmitiu ao Presidente Pereira. Dali em diante, todos os procedimentos foram tidos em conta e o Presidente da Republica de Cabo Verde, Aristides Maria Pereira, acabou por viajar da Ilha do Sal com destino a Paris no supersónico Concorde.
Este coroar a Cabo Verde ficou-se a dever ao amigo destas ilhas Senhor Charles, Director Comercial da Air France para África Ocidental e ao dinâmico gestor e diligente trabalhador, Guilherme dos Santos Ferreira, Director Geral da Agencia Nacional de Viagens, filho de Santo Antão, natural da Ponta do Sol, companheiro da Casa Madeira e de quarto, padrinho do meu casamento, alma crioula que a eternidade guarda para sempre.


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