sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

RAPIZIUS - Decapagem da História


             DECAPAGEM DA HISTÓRIA

A tentativa de decapagem do processo da luta de libertação nacional da Guiné e Cabo Verde consta da obra (livro) de um “pesquisador crioulo” pondo em causa a reflexão e a acção de Amílcar Cabral, líder do movimento libertador das duas terras, Guiné e Cabo Verde, sendo mais um golpe em Cabral ca Morre, atitude de quem o tinha como pai da nossa nacionalidade.
Passo a citar partes publicadas na imprensa local:  
“Amílcar Cabral foi o pai do partido único, ou melhor, foi o mentor político e ideológico da ditadura que tivemos em Cabo Verde depois da independência. Isto é já um dado adquirido e indiscutível”.
Primeira conclusão: temos pela frente um ditador.
“É do pensamento político de Cabral que saíram as sementes que permitiram, a 5 de Julho de 1975, substituir no nosso país a ditadura salazarista pela ditadura autóctone, isto é, dos filhos da terra.”
Segunda conclusão: o cantado herói do povo gerou a ditadura autóctone que substituiu o colonialismo (ditadura Salazarista).
 “Melhor dizendo, dos manuais cabralistas emerge a arquitectura política que serviu de base para a implantação do autoritarismo caboverdiano. Cabral foi um teórico de partido único. Escamoteá-lo é um erro histórico colossal.”
Terceira conclusão: “a arquitectura política” cabralista é igual àquela do salazarismo. Houve substituição de uma coisa por outra.
“Desenhou um Cabo Verde dirigido por um único partido”.
Quarta conclusão: a ideia Cabral herói do povo devia ser banida assim como a bandeira da independência.
Então resta perguntar:
Que Cabral trazer para mais perto de nós?
Que pai da libertação tem Cabo Verde ou que pai da ditadura tem Cabo Verde?
Tenho resposta. Os esquerdistas radicais formados nas escolas da ditadura de partidos revolucionários e comunistas da europa, trokskistas, maoístas, comunistas de todas as tendências, arquitectos do movimento operário crioulo, mentores da reforma agrária, do saneamento de reacionários na função pública e informadores da PIDE/DGS, compositores de baladas inspiradas no poder revolucionário dos trabalhadores contra o imperialismo e o capitalismo, advogados da bandeira vermelha foice e martelo, todos militantes ferrenhos do partido único da independência e altos dirigentes da ditadura em cabo Verde.
Os saídos pelas portas traseiras da escola do centralismo democrático, autoproclamados de anti tiranos de primeira linha e democratas ilhéus pais da liberdade, donos do hino ao irmão, os que ontem de bandeira vermelha em punho, que, hoje, em seu lugar arvoram a bandeira azul da justiça e da felicidade para todos os crioulos.
Interessante, isso. Muito interessante, saber que os sectários da democracia nacional revolucionária derreteram-se em democratas-liberais-cristãos, em julgadores da ditadura do partido único forjado por Amílcar Cabral e julgadores da história que cinicamente recusam.
São estes os críticos de Cabral e dos seus companheiros de luta.
Cada vez mais, preso o sentido da palavra lacaio e cada vez mais entendo que Cabo Verde é ainda Portugal do além mar, tipo quintal autónomo, onde parte significativa dos habitantes vive da metrópole e larga franja nas ilhas, possuindo dupla nacionalidade, dupla apropriação e dupla morada.
O poeta ilhéu Gabriel Mariano (nacionalista) deixou claro neste verso imortal: navio di pedra ta busca rumo sem pode atchal na se lugar/povu sangrado tchora quetinho, tchora bu sina, tchora maguado.


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