segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

RAPIZIUS - Maio uma Ilha à Espera

  MAIO UMA ILHA À ESPERA

 Nesse dia cumpriu-se o horário do voo Praia/Maio. O visitante sentado a meu lado era europeu e quis saber informações de outras ilhas, mostrando-me o folheto ilustrado dos vários destinos ilhéus. Passamos em revista os custos da viagem e de estadia em residenciais domésticas, na sequencia ele comentou que a tarifa aérea de 5. 074$50 - Praia/Maio-, em cerca de 46,02€, dava para muitas milhas dentro da europa, a conversa foi interrompida pela aterragem no aeroporto local. Eram nove horas e quarenta minutos de sexta-feira. O dia estava pardacento. Em Março o vento nordeste costuma puxar muita poeira do continente para esta zona do trópico, ofuscando a visibilidade, sujando e também perturba a saúde das pessoas. Sempre achei Maio uma ilha graciosa e de parecença incomum. 
Ela goza do privilégio de ter uma população trazedora duma vivência de sossego e de paz, embalados pelo rolar saltitante do mar nas areentas praias e pontas calcárias, marcos antigos erigidos sob o peso do silêncio primitivo, recurso exótico que confere à paisagem identidade própria e qualidade de vida impar (por explorar e valorizar), oferta de luxo para todos quantos procuram a ilha e a capital Porto Inglês, para relaxar, viver, trabalhar ou augurar projectos económicos.
A longa e bela marginal (em obras) trará outra aparência á baixa da cidade porto de antigos baleeiros, marcada por pontos figurativos e marcos históricos entre os quais a emblemática igreja católica.
Contrariamente ao bulício das grandes cidades, onde, praticamente, ninguém é ou está para ninguém, a cidade e os lugarejos oferecem ao forasteiro acolhimento e convívio, modéstia e simpatia e um elevado grau de civismo reflectidos na configuração da urbe (em expansão) com elevado grau de limpeza, cuidados que, mantidos, conferem grandeza e bom nome social á ilha. Defendo a ideia de que o progresso económico e social da ilha, de modo algum, deve danar e esvaziar a reserva moral e os valores cívicos protegidos pelas famílias e pelas colectividades.  
Oriundos de Santiago, ilha vizinha, impactaram a vida económica da cidade, montando estabelecimentos comerciais e pequenas realizações voltadas para o turismo (em stand by), expectando o futuro que se desenha promissor neste sector da economia local. São vários os europeus que elegeram edificar casa própria, caso de ponta preta, passando na ilha a maior parte do ano, ou em estâncias turísticas (inacabadas pelo impacto da crise), residenciais e restaurantes mitigados, reflectindo o exíguo mercado turístico, marcado pela anomalia dos transportes (marítimos e aéreo) pelo deficiente provimento de géneros e víveres, pelo fraco fluxo interno e de visitantes externos, quiçá, agregado à fraca ou nula promoção do destino Maio pelas agências de turismo ali sediadas ou fora dela, carências que indicam que Maio precisa conectar-se a um projecto forte de oferta de pacotes de estadia variados com tarifas convidativas e bem ajustadas à qualidade de serviço prestados pelos emissores e recebedores do tráfego.
As tarifas de 5.074$50, passagem aérea e 2.900$ e 2.750$, mais taxa turística, de dormida por individuo, em residenciais de 8, 10 a 15 camas, podem não ser onerosas para alguns, porém, potenciais visitantes internos cientes de querem variar seus fins-de-semana numa ilha diferente não o fazem porque os custos não compensam. A ilha do Maio tem muito para oferecer e para agradar os visitantes. Precisa de iniciativa, orientação e bom rumo aos recursos presentes, comida, estórias, crenças, cultos, romarias, teatro e música, sobretudo do que mais sentido e fundo existe na vida maiense – o exotismo do seu silêncio.
Olhando para o motivo que me levou á ilha destaco que a Conservatória dos Registos, as Finanças, a Câmara Municipal do Maio, o Banco Comercial do Atlântico, a Residencial Marilu, a Esplanada o Corsário, foram serviços que me acolheram e atenderam às minhas solicitações. De salientar a simpatia e o bem servir em todos eles. Olhando para os amigos gradeço bastante o Delegado Escolar Sr. Adalberto Teixeira, o empresário Sr. Jorge, os músicos Tibau, Mike e Manuel, o director da Cultura da Camara Municipal do Maio, as professoras e os professores, (vários de Santa Catarina), à Dona Nhunha, ao Zé Enes, ao suíço Sr. Markos, ( residente) às professoras e amigos da Calheta, aos jovens anónimos que estimaram conhecerem-me em vida. A todos vós, caros amigos, o meu muito obrigado pela amizade e simpatia.
De forma particular agradeço o Presidente da Camara Municipal do Maio, Sr. Manuel Ribeiro, pela visita de cortesia a mim concedida e a gentileza de acolher as ideias de valorização da cultura e do bom nome do Concelho que esforçadamente dirige.
Finalmente, peço à Senhora Ministra que tutela o turismo o favor de colocar na sua agenda de trabalho uma visita ao Maio, para avaliar e propor soluções viáveis para este sector de actividade em stand by. 

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