quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

RAPIZIUS - Olhar a Nossa Televisão


A forma trivial como são trabalhados e apresentados alguns programas ditos culturais na televisão em nada contribui para a educação da sociedade, sobretudo dos juvenis e das crianças, que se quer democrática, justa, solidária, instruída, culta e participante, não passando, tudo isso, de intenções degastas. De tanto repeti-las ficaram sem crédito. De tanto desacreditar, no túnel já não se vê olho de luz no fundo. Está-se perante um nó cego na corda enrodilhada. Portanto uma encruzilhada difícil, porque desorganizada e desacreditada.
O que fazer numa terra onde discordar do outro e ter opinião própria é acção que dá brigas, destrinça e segregação?
O que pensar e o que dizer da democracia refractária e intolerante instaladas no sistema, quando opinar é vazar água no binde?
Muda-se, tira-se, põe-se e fica-se pelos discursos anos a fio, a justificar a falta de coragem e de saber para tomada decisões sérias que dêem resultados palpáveis e oriente a sociedade para as boas práticas, mas não, não acontece. O objectivo é manter o eleitorado animado e garantir votos nas urnas, porque ter o poder nas mãos é ter estatuto social elevado e obter proveitos calculados.   
Os poderes públicos investem, fazem, esbanjam, discursam e nada fica consolidado. As remodelações e as mudanças sempre tiveram lugar, umas por revanchismo, outras em busca de resultados. Porém, o que acontece é que cada partido detentor do poder escolhe galhos para os seus galos.

Se me perguntarem, digo que não existem conteúdos televisivos consolidados, assim como não há procedimentos administrativos consolidados, nem leis consolidadas. Há muita encenação e pouca consolidação. Não há um único estabelecimento de ensino que instrua e oriente a juventude no sentido de elevar sua formação intelectual, espiritual e nacional, prefere-se o genérico e a recreação, porque preparar bons conteúdos dá trabalho e da maçada, toma tempo e ninguém está para isso. Por isso há copianços e más imitações, daí, más aprendizagens. O palco da televisão tornou-se lugar privilegiado e muitos dos que lá vão comunicam sem arte e sem valor esclarecedor, quando não ficam por discursos estéreis e ideias rebuscados que dificultam a compreensão do homem comum. Autenticidade não é coisa do caboverdiano. Ele prefere sentar-se no muro e ver passar o rancho. É próprio do cidadão refractário. 

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