segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O Pátio


A janela do meu quarto dá para este pátio fresco e mais ou menos limpo. Todas os dias depois do almoço dou uma olhada para baixo. Um pé de acácia rubra está mesmo por baixo dos meus olhos. De uma à uma e meia da tarde um gangue de vadios - seis elementos - almoçam ali à sombra. Claro que é comida tirada dos contentores de lixo. Depois fumam o charro da ordem e forram-se no sono. À tardinha fazem o mesmo. Talvez por causa do tempo hoje não lá estavam, mas sim outros, não vadios, mas filhos de gente ilustrada. Estavam dois rapazes e duas raparigas. Uma era mãe e trazia um menino de menos de um ano ao colo a receber a fumarada.
Muitos jovens do bairro e de zonas mais proximas agrupam-se ali para o fumo. Alunos do liceu Pedro Gomes e tudo. Há dias em que a fumarada entra pelo quatro adentro e o cheiro permanece por algum tempo. Mas o que eu queria dizer é o seguinte: será que o que se chama de programa de combate à droga não é desperdício de dinheiro, tempo e palavra?
Não é so jovem fobado que está ali ao fumo. São os com emprego e dinheiro no bolso, choferes de automóvel de boa marca juntamente com outros que curtem este tipo de coisas. É uma opção claramente assumida.
Jamais cuidaria pela salvação de gente que opta decididamente por este tipo de vida.
Pela minha osga sim, pelo meu cão sim, pelas minhas netas sim. Tudo faria.
Por mim a canção inédita na casa de banho chega.
Nota: (saí a correr para o aeroporto não corrigi gralhas). Agora sim. Kb

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