terça-feira, 7 de junho de 2016

Um dia de Sorte



A quentura que se fazia sentir, às 11H30 da manhã de hoje, riba Praia, obrigou-me a tomar o primeiro táxi que descia em direcção à Achada Santo António. Acomodado e em marcha, senti que vinha de dentro do carro um cheiro forte e incomodativo. Olhei para o fundo do carro. Era de plástico o tapete. Normalmente o tapete de feltro, quando ensopado, choca e rescende. Mas não era o caso. Olhei os sapatos do motorista. Deduzi, que o forte chulé era mesmo dele, vinha dos sapatos, quer dizer, sapatilhas, mafor que inundava o interior do carro de cada vez que manobrava o pedal do travão ou a embreagem. Nem cara borda fora aliviava o nariz do mau cheiro.
Aí perguntei: - Homem o carro é lavado sempre? Foi lavado hoje?
- Sim: Todos os dias. Porquê? Respondeu.
- Há um cheiro esquisito cá dentro. Alem disso o carro achocalha muito. Disse-lhe.
- O dono do carro está mesmo atrás de mim. Respondeu-me sem demora.
- Então pára por favor que vou falar com ele. Não posso impedir o trânsito a esta hora. Explicou o motorista.
- Então diz ao dono carro que não paguei o frete de 150$00 pelas más condições de transporte oferecidas ao cliente. Risos.
- O dono do carro não aceita arranjar o carro, atrasa sempre em pagar-me os salários. Comentou.
- Sabe uma coisa! Hoje na nossa terra toda a barraca virou empresa e todo o rabidante virou empresário. E dá nisso tudo. Disse-lhe com tranquilidade.
- O senhor tem razão. Esta terra virou duma forma que a gente não entende mais nada. Olha, lá em Pensamento, há um bode prenha. O senhor não imagina. Foi obra de uma cabra macho, essas crias da Trindade. O mundo está todo trocado. A explicação foi suficiente. O mundo está mesmo trocado.
Parámos á minha porta. Paguei desejei-lhe um dia de bom trabalho.


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