sábado, 25 de julho de 2015

Julio Mês de Júbilo



Santa Cruz, 24 de Julho de 2015, 10H45. Acabo de chegar a cidade de Pedra Badejo. Olho o telemovel. É minha mulher. “ Olha, a notícia e desagradável. Acaba de morrer o teu amigo, Dr. Corsino Fortes”. Falei quase nada. Dei um até logo. Lá mesmo já se sabia do falecimento do poeta. Helder disse: “Morreu Corsino Fortes. Bom homem”. Na esplanada a rádio anunciava a morte do capitão vestido de branco. Contudo, Santa Cruz preparava-se para celebrar o dia do município. Há muita agitação. Muito entusiasmo na preparacao dos festejos. Precisamente, hoje, a Câmara Municipal vai homenagear figuras que desempenharam um papel de relevo na edificacao do concelho em varios dominios da vida pública, social e politica, personalidades cujo desempenho prestigiaram o bom nome do Concelho. Entre os filhos do concelho agraciados pela Assembleia Municipal, em acto público reunido para o feito, estavam antigos deputados, delegados do Governo, médicos, proprietários, professores, agricultores, agentes sanitários, agentes sociais e culturais, todos merecedores de menção elogiosa pelo papel desempenhado no passado e no presente, gesto nobre da Camara Municipal de agradecimento e de reconhecimento, face de uma nova feição conferida ao interior de Santiago.
O acto contou com sessão musical protagonizado pelo compositor e músico Quim de Santiago sob a directoria musical de Helder Lima, professor de música neste concelho. Várias actividades constam das celebrações, sendo o festival da Areia Grande um dos pontos altos. Estas festas são sempre momentos de exaltacao das realizacoes conseguidas, de convio, de confraternizacao entre os locais e os visitantes, de movimentação dos pequenos negócios, de música, enfim, de celebração da memória. Santa Cruz em festa contrasta o ambiente de pesar que vive Mindelo, círculo dos amigos do poeta, o inclinar da nação inteira que reconhece em Corsino Fortes, o homem de fino trato, diplomata elegante, combatente da liberdade e cidadão singelo e amante do amor.

Inclinado sobre a folha, revivia alguns momentos passados com o poeta em sua casa na Achada de Santo António. Ele era espirita. Partilhávamos do crer na elevação do espírito. “ Eu não falo da morte. Prefiro falar da vida. Ela é como um livro sem a última página.” Nesse dia falava-lhe do livro que estava para sair – Gaveta Branca – e convidá-lo para apresentador da obra. O olhar sereno, os gestos medidos, palavras de estímulo, o intenso amor ao próximo, a fertilidade das suas iniciativas, faziam dele a própria esfinge de luz inscrita na supernal radiação cósmica. Eram luz o sorriso e fragrância as suas considerações. Pela tarde, o Hino Nacional pela Banda Militar, Parada e Bandeira a Meia Haste, o minuto de silêncio solicitado pelo Presidente da Assembleia Municipal, após citar o simbólico eco: “Não há fonte que não beba da fronte deste homem”. Assim o poeta, meu irmão, meu amigo, Corsino Fortes, tomou assento nas celebrações do dia do Município de Santa Cruz, de Nho Santiago Maior, celeiro da ilha e altar de – A Cabeça Calva de Deus – fundão de todos os cumes do mundo.

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