domingo, 19 de julho de 2015

RAPIZIUS


EXERCITANDO DECLIVES
Fiquei a olhar durante muito tempo o céu nocturno de ontem. A lua parecia um pires colocado justamente na posição de espera da gota de luz que nunca mais caía dentro daquela fortuna panorâmica que Julho concebeu. Julho é prodigioso em oferecer cenas inimagináveis nos céus da ilha.

Sim, aquela florescência navegava na mesma posição em que o sol escaldante se pôs. Aquela horinha tinha terminado o encontro do núcleo vaidoso em gestos e palavras, o Escrevo…. porque sim! 
Sementeira da Catarina Cardoso em Julho mês da sementeira. Ficou semeado que escrever é um acto de loucura porque, a Sophia de Mello Breyner Andresen é poeta do mar, das conchas, da luz, o Manuel António Pina é o poeta maior da casa, dos gatos, das coisas quotidianas e Catarina a ilha que faltava às ilhas, Sara o sopro leve balouçando o verbo, Samory relógio do amor na lamina dos versos cunhados de negritude, e, eu, viciado em anotações e músico do núcleo vaidoso. Tínhamos acabado de firmar na própria canela sem receios de ainda ser nebulosa, um bezerro que desconhece o paradeiro da sombra mais próxima, não nómada, mas cómodo porque há estrada, há luz, há santos e pecadores, pecando por excesso de confiança e de vaidade em si próprios, esse narcisismo que exercita e adoece a alma dos poetas, mas que o salva da vaidade ruim, essa que despreza o humanismo, a coerência e o existir do ser e das coisas.
E a lua tinha-se tornado num parentese curvo desalinhada com a gota que perdia cada vez mais o seu posicionamento. Escrevo… porque sim!

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