quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Téra de Aberações – Da ignorância à Inoperância



Era sábado de manhã na cidade de Milton – Mass. – USA -. Estávamos na garagem a arrumar coisas eu e o meu cunhado enquanto um som distinto e agradável aproximava-se do lugar. Questionei. O meu cunhado respondeu: Queres gelado. É o ding-dong. Carrinho dos gelados. Aos fins-de-semana passa para servir a meninada do bairro.

Lentamente o som da viatura esboroava-se na distância sem aborrecer ninguém. Ali é uma zona pacata. Ninguém incomoda o outro com música, barulho, vozearia, enfim selvajaria. Acontecendo, o incomodado avisa a polícia. Claro que ali a cidade, as regras e as autoridades funcionam.

Aqui, lamentavelmente, no meu bairro, em casa, nas esplanadas, nos parques, nas ruas e mercados, no trabalho, quem repousa, quem se diverte com amigos ou estiver concentrado em seus afazeres é confrontado com a brutal sonoridade gerada pelos veículos de propaganda que fazem das ruas, dos bairros o local de despejo dos anúncios aparvalhados, pedindo comparência do povão nas paródias musicais e outras extravagâncias de fins de semana. É o culto do barulho na rua. Já tinha dito isto. Aqui á rua não é espaço de lazer. É rua no olho da rua. Porque não usar a TV, folhetos e a Rádio? Porquê esta forma bárbara de difusão de eventos e paródias musicais?

Claro que a Câmara autoriza. Mas a Câmara autoriza tudo e mais alguma coisa. Todo o espaço que aparece é para os quiosques que começam em refrigerantes e acabam em cervejas e grogues e confecção de bafas e batizado com vozearia e música ferrenha até altas horas da noite.

Claro que os cidadãos, cidadãos não, as pessoas não merecem respeito algum porque calam-se.

Claro que elas são tidas por alimárias, alimárias a nutrir-se deste tipo de selvajaria imposta por aqueles que se acham no direito de corromper a cidade e os bairros e os lugares em nome do seu negócio devidamente visado pela Câmara Municipal. Receitas municipais ou clientes políticos para as futuras eleições?

Claro que o silêncio, o resguardo, o respeito pelos outros, a civilidade é coisa de COPU LETI.

E mais do que claro ... garrafon di sfregon ki sta manda. Praia, a cidade das tropecidades onde tudo pode acontecer, onde o estímulo à degeneração é prática tolerada em nome da demokrança instalada, onde o poder é refém da ignorância e da inoperância.

Voz di poeta é voz di profeta: Txota ta spantadu padja runhu ta mondadu pa ka inpata lugar. KB

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