sexta-feira, 9 de junho de 2017

Rapizius




                                               

                                             BILHETE PARA UMA LARVA NO PARAÍSO

Hoje, recordei-me de um caso penoso. Retracto de um autêntico pantanal, Reino natural de uma larva viridente, Chulo do afecto de folhas empilhadas. Um mosaico a metamorfosear modos. No olhar dos quirópteros tudo girava. O tempo parecia romancear saudades. O carpo parecia ter dó da sua origem. O retracto trazia um busto escondido De um ser aflito por louros e láureas, De deliradas falas empilhadas de ódio, A carpintar facas pelo tempo adentro, Sem poder dedilhar e cantar a morna, Sem poder segurar e abraçar o violão.
Que triste fim de um sapo enturvado, Que a todo o tempo olha-se ao espelho, Da água com se fossem pratos de barro, Poiso da cobiça e da própria morte, quiçá seu paraíso.
Amigos e caminhos não me hão-de faltar, Amenos que me falte em alguma parte, Uma margem de silêncio para me repousar.


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