terça-feira, 11 de agosto de 2009

AURA DA RUA

ELES, OS RUANDARILHOS

Passamos pelos sítios seja onde for,
Ruas dentro e fora do nosso corpo
Seduzem-nos os olhos a nutrirem cenas
Dos esqueletinhos desventurosos
Outros com o olhar distante como vitrinas,
Expondo-se para ganharem moedas.
Em surdina, dizemos:
Que dó. Vamos e voltamos de novo. Repetimos.
Eles, tudo na mesma.
É como se nós fossemos:
Os não sujos,
Os que têm onde ir e estar,
Os sem trapos,
Os com estudo,
E eles os sem amor,
Sem caminho,
Com a cicatriz da rua no seu destino
Nós! Tudo temos ao contrário.
Uns muito mais e outros ainda mais.
Conforto e carteira para gastar.
Braços que dão amor e carinho,
Festas e entretenimento.
Mas há espanto nisso tudo.
Enquanto divertimos e gastamos
Eles farejam-nos o interior dos gestos,
Como se fossem mais alma as nossas.
Se tudo é tanto nosso como a deles.
Qual Direito de receberem olhares de medo e desprezo,
Se todo o rosto é igualmente parido.
Qual Direito de os seus direitos
Virem lindamente nos Estatutos e na Constituição
Se não passam de juras velhas e gastas.
Qual Direito de a sociedade fechar os olhos
E esperar que Deus os livre destes infortúnios.
Eles, os RUANDARILHOS.
Que, ainda assim, flores da nação cantarolamos.
BK

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