sábado, 11 de janeiro de 2014

Floris d'Ibyago

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

PONTO MORTO

 
É espécie de trem
A vida vestida de sopro.
Avelhenta em viagem
E cai ponto morto.
 

Abeira-se de mim
O ponto morto.
O fim do varandim
Onde nasci,
Cresci e descobri  
Os olhos do mundo,
As cores dos dias,
O baço e o nítido
O passar do tempo
Gestos e fantasias.
 

Ó quão gostaria
Do ponto morto
Ver partir a vida   
No trem do sopro.
 
- Kaka Barboza - 

 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Floris d'Ibyago


 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
EIS-ME PROFESSORA

                      Para Drª Felisa Prado
 
É aliciante caminhar
No silêncio do pastor
Que a pedra vê andar
Na sola do pé da alma
No folego e no ardume
Levando sons e arpejos  
Ao ouvido das estrelas.

Houve afastares  
Carestia de imagens
Cortejo de saudades
Eufóricos pensares  
Atalhos e relâmpagos  
Obstinação e vertigens  
Arrepios e esbanjo.

Contive e reprincipiei.

Eis-me, professora!
Tudo recomeça donde o fio
Se parte ou onde o olhar
Sai para outro imaginário.
O ressuscitar da viagem
Do túmulo de silêncio
É sempre vinda reciclada
Do túnel de luz no fim do túnel.

Hoje, agorinha
A janela vestida de razão
Emana saudades novas  
Outras alegrias e forças
Como pontes ligando abraços
De ontem aos de sempre
Eis-me, professora…

Praia, 10.01.14
-Kaka Barboza -

Floris d'Ibyago

        










SONETO DE HOJE

   Para Simone Caputo no Brasil
 
Se de anos de estiagem há gritos
Música no pesaroso lapso da terra.
Se de daníficos anos há escritos
Trovas do povo que a dor soterra.

Irrevogáveis e lutuosos reportórios
São livrarias na vitrina da memória.
Irremissíveis e funestos episódios
São superações nutrição da história.

Se a ilha inteira era povoado inibido
Hoje vento, sol e mar viraram portas.
Calou-se a boca aberta de bramidos

E abriram-se carreiros e comportas
Água e homem já não são foragidos
Sonho, voz e o suor revieram rotas.
 
– Kaka Barboza -

 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Bes de Bilhete em Branco


A Cultura e a Corrupção
Qualquer um pode ser bom no campo.
Lá não há tentações. É por isso que as pessoas que não vivem na cidade são tão terrivelmente bárbaras. A civilização não é de modo nenhum uma coisa fácil de atingir. Há duas maneiras de um homem a alcançar. Uma é pela cultura e outra é pela corrupção. As pessoas do campo não têm qualquer oportunidade de praticar nenhuma delas e, por conseguinte, estagnam.
(Oscar Wilde, in "O Retrato de Dorian Gray"

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Poema para Thais Lino











A VIDA É UM SOPRO

                                      Poema para Thais Lino no Brasil
 
Há um remanso fatal
Que passa como pássaro  
No jardim de Ibyago
Habitat do intemporal.

 
Se a vida é um sopro
Que sem piedade fere,  
Enriquece e imola
Os que vivem a vida
Que se lhes foge da vida,
Rir de rir não engrandece.
Dó de doer não nobrece.
Nem dó de amar é prece.

A vida é um sopro
Que passa
Que desama o corpo
Que é morte,
Que é lapso de luz.

 Kaka Barboza

 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Floris d'Ibyago









No deserto dos cantos
Percorri céus apagados
Como pastor vagabundo
Incapaz de me reencontrar.
No deserto dos recantos
Percorri reprimidos passos 
De doídos dias e segundos
De ardores de maltratar.

Procurei no pranto   
O chão de mim,
Os mitos,
Os sonhos,
As sombras sílvicas  
Onde meus grilos se silenciam.
Procurei nos acordes  
O lugar onde sepultar o amor  
De amar a nívea Flor do Ibyago.

Á se eu pudesse explodir
O pesar que no alento trago  
Até estrelas e cometas  
Virarem no longe do além
Onde é fértil a Flor d’Ibyago.

27 Dezembro 2013
Kaka Barboza

Glorificação de Eusébio


Por aquilo que apreendi e experimentei nestes dias iniciais do ano, acho e digo, que Portugal é um país de sorte, de muita sorte mesmo, por aquilo que é e nutre o seu povo nos momentos em que ele é quem mais ordena.
De todos os ilustres e grandes filhos das colónias africanas que Portugal Imperial teve em mãos, Eduardo Mondlane, Agostinho Neto, Amílcar Cabral e tantos outros, foi Eusébio da Silva Ferreira, na simplicidade africana do seu ser, quem conseguiu fundir com eficácia no fogo da prova, sem albificar, a parte mais ingrata da nossa história comum, tornando-a bálsamo edificante e humanizante do respeito, da consideração e da amizade fraterna existente entre os nossos povos.
Fica na história quanto bondoso é a alma e o coração africanos. KB

RAPIZIUS

                                                                                                         MINHAS AMIZADES COM DIAHO ...