sexta-feira, 18 de novembro de 2016

RAPIZIUS


Há coisas formidáveis, pois não!
Gente, acaba de dar entrada no parlamento cabo-verdiano uma inciativa legislativa que propõe consagrar o Dia 13 de Janeiro como data de igual valor e conteúdo histórico que o de 5 de Julho. 
Assim as duas datas terão a mesma dignidade histórica e política ou seja o parlamento reunir-se-á, no dia e hora, em sessão solene para celebrar o 13 de Janeiro com discursos dos sujeitos com assento parlamentar, excluindo o governo, tal como o 5 de Julho.
Adivinho a tentativa de branqueamento do Dia Maior da República - o 5 de Julho - e enaltecimento do 13 de Janeiro - como dia da pátria da bandeira azul da liberdade e da democracia - adivinho a banalização da história da luta secular do povo das ilhas pela sua autonomia, liberdade e o progresso. 

Adivinho o banquete algures num recanto aprazível da cidade de celebração da imposição de um facto - dia de eleições multipartidárias - sem cunho e nem respaldo patriótico no sentir cabo verdiano. 
Nunca um trovador das ilhas erigiu 13 de Janeiro como temática da trova nacional, jamais um braço, uma melodia, uma voz reivindicou tal glória. Jamais um cidadão singular o reivindicou para si. O 13 de Janeiro é data e facto imposto por interesseiros políticos, hoje no poder. Estamos perante o delírio da mediocridade e a banalização do sério e do senso patriótico da nação.
Fazer com que fique banal ou tornar vulgar ou vulgarizar-se é o que os tempos modernos sugerem perante o conceito de história e de memoria colectiva, adivinhando-se uma saída fácil como fútil e de tentar valorizar a rabidância politica instalada no mercado eleitoral das ilhas.

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