quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O Velho, a Mixórdia e a Mocidade





A forma trivial como os Rabidantes Culturais vêm contribuindo para a educação da sociedade, (sociedade juvenil sobretudo) que se deseja democrática, justa, solidária, instruída, culta e capaz, não passa de intenções doentias, seguindo o caminho que se está a seguir, sem que no túnel haja olho de luz no fundo.
Esta-se numa encruzilhada, numa espécie de nó cego numa corda enrodilhada.
Que fazer numa terra onde discordar do outro e ter opinião própria é crime social e público?
Pois, opinar a sério é vazar água no binde, porque vivemos numa democracia de refractários, intolerante e imbecil.
É neste mundo que se forma a nossa mocidade, toda ela, a todo o tempo.
Os poderes públicos investem, fazem, esbanjam, discursam e nada fica consolidado. Até parece que apreciamos desaprender para que tudo fique sobre joelhos e inacabado. Por exemplo: não existe um programa televisivo consolidado que instruísse e orientasse a sociedade e as diferentes camadas que a compõe no sentido da sua afirmação intelectual, espiritual e nacional. Salvo os noticiários, os programas de debates e de entretenimento oferecidos são prenhes de acasos que o esforço dos discursos não consegue reverter. São acasos baseados em modismos importados, tics espalhafatosos, comunicação sem arte, palavras encenadas, portanto sem valor esclarecedor, ficando a percepção devassada por atitudes e comportamentos comprometedores, sendo gente com canudo e paga pelo estado para trabalhar com competência e mostrar o caminho.
Muita gente em privado me confessa estar de acordo com o que eu disse sobre o Programa Tarde Jovem e muitas das opiniões expressas por escrito nesta rede de intercâmbio de ideias. Muito bem. Mas não têm coragem de dizer de forma clara o que acham não só deste programa, mas, sim, de vários assuntos que afectam a nossa sociedade e as pessoas. Poucos dão a cara. Poucos se manifestam dizendo da sua justiça.
A doença do nha boca ca sta la é cronica e terrível. Autenticidade não é coisa do caboverdiano. Prefere sentar-se no muro e ver passar a caravana. Ele é sempre o outro na sua pele, próprio de refractário.
Sei sempre o que dizer, como dizer e quando o fazer. Contudo há uma juventude por aí, arrogante, por causa duma opinião me graduou de Velhote do Caralho, Gagá, Obsoleto, Ultrapassado, etc. (leia-se Do you... Papia Criolo). Essa gente mais não tem de dizer e nem de discutir com alguém. Respondo, sim. A minha formação não aceita bugigangas, nem plágio, nem copianço de modas. Não aceita modismos. Não nasci para cuidar de bugigangas. Sou Diabo irmão de Deus numa só pessoa, para o mal da minha alma, mas, tranquilo e sem palatal furado. Poucos sabem o que faço e conhecem o meu labor. Nunca gostei de aparecer. Nasci aparecido da minha mãe. O resto é manchete e mixórdia e não corro atrás.
Prefiro mil vezes acompanhar os jovens anónimos de Santa Cruz que cumpriram com sacrifício o ciclo de azágua, que, com o recomeço das aulas celebraram o dia da cultura, o dia do poeta, com um programa vistoso e muito animado, todos eles, alunos do Liceu de Santa Cruz que, pelo teatro, pela dança contemporânea, pela música e pela poesia, demonstram quanta criatividade, quanto talento, quanto discernimento, puseram sobre o vivenciar das suas gentes e do seu concelho, servindo de inspiração para legendar a celebração do dia da cultura, longe das televisões, longe dos jornais, privilégio que a juventude urbana goza com mais frequência.
Foi sem dúvidas a melhor Tarde Jovem que assisti neste Outubro prodigioso.
Bem-haja os alunos do Liceu de Santa Cruz, uma palavra de reconhecimento à Direcção da Escola e a equipa que organizou o evento cultural e um muito obrigado pela oportunidade da minha participação.

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