sexta-feira, 1 de maio de 2015

RAPIZIUS

 
 
Ao amigo Manuel Brito-Semedo, irmão em Mindelo Amilcar Barbosa ( aniversariantes hoje) o que um dia pensei após tomar consciência de que parei nos 50, sem mais dar conta do umbigo que no 1º de Maio sobreveio no calendário cartesiano que teima imputar-me o seu peso sobre os nervos.
Fujam dos anos que o calendário nos impõe gratuitamente.
Ele é ingrato, destemido e implacável. Esmaga sem nada dizer.
Estou sem ele, tranquilo, sem bolo, sem velas, apenas com votos dos meus irmãos, amigos do perto e do longe, (votos amigos e sinceros que não param de chegar e que muito agradeço).
Não me achem despropositado. É que eu descobri a fórmula de longividar a vida que, não sendo receita, convenhamos, não servirá de exemplo.
O máximo que eu posso dizer é o seguinte:
amem-se e amem as boas amizades;
preservem as antigas e boas amizades;
amem o belo;
sejam loucos pelo menos uma vez em cada hora da vida;
amem a infância em vós residente;
vivam intensamente mas sem fantochada;
Invoquem o espírito dos vossos pais e avós;
comam cachupa guisada se possível com ovo mal passado, linguiça da terra ou txitxarro frito, regado com leite condensado, mel de abelha, mel de panqueca (qb), não havendo, açúcar (qb) por cima, composição que longivida;
leiam, tomem notas e escrevinhem coisas, mesmo sem nexo;
sejam delinquentes civilizados e competentes marginais. Mais não digo.
Obgdo a todos.
 
Olhando os anos começo a ver ruas correndo ruas
tantas vezes pisadas
e buracos tantas vezes tropeçados
que de mim não dão conta.
Mas o que tudo isso acrescenta
se os anos são órbitas que não sabem onde vão dar
que rumo e que sortes trazem nas curvas.
Mas o que tudo isso arrende
se a idade que levam às costas e os buracos em que tropecei
são passares que ambulam bons e maus transpores!
Mas o que tudo isso importa
se os anos permanecem sem saber que destino têm dentro
e fora do meu sangue.
Encarando os anos começo a ver fins adiando o tempo
tantas vezes em viagem dentro e fora de mim
que de mim não dão conta.
kb

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