domingo, 15 de março de 2015

POEMAS AO MAR NO DIA MUNDIAL DA POESIA





Cedo fui ver o mar do perto e o do longe, o mar lá onde a linha da vista se confunde com o céu, lá onde os poetas colhem ervas para o seu jardim, o mar de Jorge Barbosa, o mar dos trovadores das ilhas, o mar imigrante, o mar de Eugénio Tavares, o mar território, mas o meu mar de hoje nos meus poemas.........







MAR

 I
O mar da minha beira-mar ...
De aguarela onírica virou:
Ponte aos portos das nações.

O mar do meu marulhar
De partida e pranto virou:
Praias no mapa das opções.
O mar do meu talha-mar
De triste contraposto virou:
Rota na proa dos porões.
O mar do meu sussurrar
De mágoa noutra água virou:
Pistão móvel das mutações.

 II
Mar muro inserido do céu
Rusgando nos refestos da ilha
O sossego das praias desertas
Mar rendilhado trepidante
Pendente sobre pórticos de areia
Onde os búzios acerbam os seios
Mar cinta económica exclusiva
Multíplice caminho liquefeito
Onde os faróis refulgem miras
Mar ronha asilada no Eu ilhéu
Jubilação no olhar embarcadiço
Onde fenece o pendão do adeus

III
Mar um livro de grandeza
Uma respiração pujante
De serenidade e profundeza
Lê-lo!
É toma-lo nos braços e amá-lo
Como faz o simples tocador de búzios
Que delonga dos lábios o som marinho
Onde se conjuga a dança dos golfinhos
Mar orla dum remo logrando vagas
Plangor na proa do leme espumante
Mar rosca sem-fim na boca das rotas

IV
Mar a vagem que teceu a viagem
Serviçal a Sul e Emigrado a Norte
Mar larga avenida embarcadiça
Na fina seiva doce das mágoas
Mar assobio em alhetas corroídas
Rolando ao vento a dessalinização
Mar têmpera no olho do milho
Rebento no céu da boca da ilha


KBarboza - in Terra Dilecta - não publicado.

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