sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

RAPIZIUS


 

Morreu o Comandante - JOÃO JOSÉ LOPES DA SILVA - a 15 de Janeiro de 2015, Dia das Forças Armadas de Cabo Verde, o destemido JJ, o guerrilheiro Professor de Matemática, que nas matas da Guiné-Bissau, juntamente com os seus companheiros, deu o seu contributo valioso para a libertação da Guiné e Cabo Verde.

Quando ele chegou a São Vicente, onde eu era militante de base do PAIGC, fui conhecê-lo na sede do partido e estavam juntos, Jota Jota, Tchifon e Toi de Suna. O Jota mais o Tchifom traziam consigo a fama de destemidos, o misticismo do guerrilheiro que fustigava as hostes inimigas com as  suas armas, mas sobretudo o guerrilheiro convicto de que cada “ bala disparada ó mãe, e sacrifício de nos vida, no ta fazel na certeza que un dia no ta ser feliz” – letra de Abilio Duarte, outro ilustre combatente.

Certa vez estava um barco á descarregar milho a granel em São Vicente e os estivadores recusaram-se trabalhar por considerarem milho carga suja, ou seja, o salário hora devia comportar mais 50% do valor quando se tratava de carga que produzia resíduos tóxicos. Eu estava nos Sindicatos. A reunião com os estivadores não estava sendo fácil e estavam renitentes. No entanto chegou o Jota Jota e começou a falar com os trabalhadores. As coisas não corriam bem, mas o Jota Jota insistia que devíamos todos aceitar o sacrifício que a terra exigia porque não havia dinheiro na altura para as reivindicações, sendo a carga um donativo ao povo de Cabo Verde. Foi então que Jota Jota subiu na carroçaria de uma carrinha tirou a camisa e mostrou aos presentes a ferida no peito e nas costas provocado pelas balas da guerra colonial. E aconteceu. Os mais conscientes aceitaram trabalhar e o resto não. No segundo período os militares das FARP, mais os estivadores mobilizados pegaram no trabalho até o fim da descarga.

Tal era a minha admiração por este combatente, pelo Comandante, pelo melhor aluno da matemática no seu tempo de liceu e na Universidade onde estudou, o militante convicto e o Presidente a ACOLP com quem trabalhei os últimos tempos da sua vida na concepção do guião de transformação da ACOLP numa entidade respeitada e mais visível aos olhos da juventude e da sociedade caboverdiana. Morreu o combatente ficou a glória dos seus feitos.

Que aluz supernal o faça brilhar na constelação dos grandes vultos da nossa história. Haja glória e respeito aos nossos mortos veneráveis.
Paz à sua alma.
 

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