segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Floris d'Ibyago



AFINAÇÕES - Finata EmSi - In Floris d'Ibyago em construção.
(.......)

não amo o que dever ser amado por todos
amo a vaidade do silêncio e seus mistérios 
amo a loucura e o delírio dos movimentos 
amo o itinerário das nuvens e das águas 
amo a prestidigitação do trono d’Ibyago 
aborrece-me e enfada a paz que tanto trai
amo o vasto jardim suspenso no longe Ibyago
flor estranha que escreve música aos astros
flor distinta que fura sentido ao intangível
flor distinta sem alma e sem trilhos no íntimo
flor divinal que aflora tragédias e magias
flor sem virtudes sem cemitérios nem palácios
flor que frui imagos carregados do longínquo
amo a flor sóbria incolor da cor da flor d’Ibyago
flor vagabunda que dessabe o jardim do Éden
flor que floreja e desenflora relâmpagos e trovões
flor de inferno no pólen e paraíso nas raízes
flor do meu grado que um dia nomeei de Ibyago
ai! Tártaro florido! ai báratros! ai infinidade
se eu pudesse explodir a ira que em mim trago
reduziria o mundo malvado em nano-partícula

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Cores do Fim



Cores do Fim

No dorso dos dias construi a coragem
com raios de sol escrevi minha viagem
pelos caminhos vicinais da vida.

Na mata do tempo vivido volitam afectos
e aflições que meus passos perseguiram.

Nos trastos do peregrino jazem emoções
e sonâncias que meus dedos arpejaram.

Na cadeira de rei de olhar fixo no dentro
sinto a chama dos anos apagar na cinza    

de meus cabelos brancos - cores do fim.    

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Antologia de poemas em DiVersos


Acabo de receber da DiVersos o livro - Poesia e Tradução - Dez Poetas de Cabo Verde - contendo poemas em língua portuguesa, mas também poemas traduzidos de outras línguas, nomeadamente, cabo-verdiano e francês.
Os organizadores da obra escolheram para esta edição poemas de autores cabo-verdianos, como sendo António de Nevada, Filinto Elísio, João Vario, Jorge Carlos Fonseca José Luis Hopfer Almada, José Luiz Tavares, Kaká Barboza, Mario Fonseca, Mário Lucio e Vasco Martins, como se diz na advertência: ao fim de vinte anos, a DiVersos consagra pela primeira vez um número inteiro a uma só leitura, a poetas de uma só ou principal pertença geográfica e histórica - mas não de uma só língua.
Sinto-me muito honrado em ter sido convidado a pertencer a esta plêiade de autores com poemas meus inéditos e outros traduzidos do livro Konfisson na Finata, tradução que me agradou bastante por se aproximar bastante dos originais em crioulo. Por outro lado, a apresentação da obra agrada pelo aspecto gráfico e exposição dos conteúdos poéticos, bem como a biografia explícita de cada um dos integrantes da obra.
É encorajador saber que lá longe haja quem, neste caso o amigo Rui Guilherme Silva, esteja atento a o que os poetas do litoral, como é o meu caso, produzem por estas bandas, cumprindo a sua vocação de escrever e de continuar a escrever sempre.
Fico muito agradecido pela oportunidade e pela confiança em mim depositada.

Escrevo... porque, SIM! Obgdo.

sábado, 11 de novembro de 2017

Poema O Itinerário do Fim



O Itinerário do Fim

o apagamento já ondula
vem com os anos e anda lentamente
trepa na pele e abeira-se do coração
vem para tornar leve os olhos cansados
vem com o sol e desce com as estrelas
para o alívio do pastor e suas crenças
ancoradas na varanda da vida

o apagamento já flutua
vem de forma imprevista mas sentida
nos acordes dissono do peregrino
que guarda a vida vivida os amantes
as cores da alvorada e as serenatas

o apagamento já circula por inteiro
para levar o corpo e salvar a poeira
da excitada fogueira que mata a morte
e deixa ficar na pauta a irrequieta voz
sem súplicas e nem pedidos de perdão

o itinerário do fim em vista é mesmo aqui
na escrivaninha guardiã das madrugadas
de insónia dos solfejos da Osga Rosa
e o que me defrauda e me entusiasma

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

RAPIZIUS




                                                                            RAPIZIUS

Consultei o Professor Leno Mendes Tavares - Biólogo - para me ensinar qual era o nome cientifico de Dondágu - Santiago e Nagóia - Santo Antão. 
O Professor, pesquisando suas fontes, concluiu que aqueles pertenciam à família dos anisópteros, indicando, que no Brasil dizia-se Libélula a Dondágu. De seguida consultei a Wikipédia para melhor me situar e encontrei vários nomes de insectos pertencentes á família dos Anisópteros. 
Libélula, lavadeira, fura-olho, odonatas são nomes atribuídos a estes seres que habitam lagoas ou poças de água consoante os continentes. 
Saltou-me á vista o nome Odonata e logo comparei com o de Dondágu, deduzi, logo, que se tratava de crioulização do nome ... Odonata > Dondágu... outrossim, porque na minha infância dizíamos Dona-Dona a estes seres que enchiam as lagoas e o tanque da Boa Entrada.
Obrigado Professor Leno Mendes Tavares cuja informação me permitiu adivinhar a origem do nome Dondágu ou Dona-Dona.

Eureka.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Espelho d'Àgua Em Arcos de Pedra em Poesia







e assim termina a coletânea de poemas Espelho d'Água em Arcos de Pedra


XVI

sob o escasso verde
                        o seco sobe
                           e sabe a água

sob a excessiva sede   
                      o róscido desce 
                           e sabe a gáudio

domingo, 29 de outubro de 2017

Poema de Denúncia





Outubro Três

Escuta-me sementeiro moribundo
Os meus versos não cuidam de ti
Vieram para denunciar ao mundo
O que restou do lugar e do que vi

No sope da coragem dos povoados
De Palha Carga a Achada Rincão
Há fauna gente e gado recurvados
Sobre o bater do próprio coração

Escuta-me ó verde do campo seco
Os versos são como grãos de areia  
Que viajam nas agulhas do vento

As folhas secas voantes no terreiro
Não são mortalhas nem melancolia
São refrões no batucar do guerreiro


RAPIZIUS

                                                                                                         MINHAS AMIZADES COM DIAHO ...