sábado, 28 de outubro de 2017
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
Poema de Desespero
Outubro
O calendário e seus acenos com o passar
dos dias
deixa cenas hesitantes
recados invisíveis
nas caves de outubro e seus armários.
O vento no cimo dos montes com o
passar das horas
traz no rosto águas hibernada
e na praça oferta-se gado e carne
ao desbarato.
O camponês e seus lamentos com o
passar das noites
deixa palavras reditas
rogos aflitivos
aos altares despidos de santos e
vigários.
Enquanto isso…
o verde morre deus foge e tudo fica mascarado. quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Prefácio da obra Gruta Abençoada
NOTA DE LEITURA
Boa Entrada é tudo menos lugar erótico, mas, sim, uma ribeira
exótica e cativante, situada na margem direita da sede da padroeira que dá nome
ao Concelho de Santa Catarina, parcela de bela paisagem, ribeira de muita vida
e de muita história, guardiã de ricas tradições, de trapiches, de cultivo e de figuras
notáveis, enfim, chão de cantadeiras, de músicos, de poetas, de artesãos e de
gente renomada. Eis que desta típica ribeira emerge para a literatura cabo-verdiana
a aluna prodigiosa, que cedo despertou-se para a vida e para a busca de saberes,
próprio dos filhos deste chão. A nossa aproximação deveu-se, talvez, à música e
á poesia que faço, facto ocorrido em 2013, período em que a conterrânea Artemisa
Ferreira formara-se em Tecnologia de Informação e Comunicação e preparava o
Mestrado em Realização Cinematográfica e Televisão, altura em que tive o
privilégio de ter em mãos o caderno de poemas da sua autoria. Impressionou-me no
imediato a ousadia da linguagem, o tratamento poético dado ao erotismo crioulo,
o estilo e a descrição inesperada, tudo a ver com a essência do amor, com o dom
femíneo, com a desmistificação do corpo e do sexo, onde a transfiguração do
real é explorado com paixão e arte.
A colectânea, Gruta Abençoada,
em avaliação contém um ciclo de poemas em que o erotismo é assumido como seres á
procura da realização de seus desejos num mundo de ardência constante, único, ante
a verdade que a sustenta e a mística da gruta donde tudo parte “Faminto os veados escorregam no abismo da
paixão”. A autora presenteia-nos com uma obra rara na literatura das ilhas,
justo pela forma como desmascara o corpo e alivia os gestos e os apetites eróticos,
elementos usados como símbolos munidos de inquietudes, de momentos excitantes e
de sentido extranormal, de vitalidade discursiva, onde o fascínio e o
fantástico viajam pela Gruta até o
fim do caminho, até a impalpável labareda, onde o trânsito das palavras e o seu
vínculo na folha em branco, abandeiram-se em textos sem precedentes, onde o ineditismo,
o absurdo das sentenças e a ousadia dos propósitos sobressaem de forma desabusada
conferindo arrojo e legitimidade á escrita erótica tal qual ela se nos
apresenta “O leite que jorra gesto/ Nos lábios
não murcha. Enquanto o gosto cheira/ O paladar consome / O queijo salgado no
palato”.
Os poemas são repletos de vida e de sensualidade. “Deixa-me amar-te à flor da pele/ Deixa-me
amar-te em gotas” versos dando vida à eternidade do amor, onde o poeta apropria-se
do físico, explora-o e livra-se dele em linguagem cuidada expondo o “nun prit” da
própria alma “Despe a pele morna que o
espirito sustenta”, metamorfoseando o real em inautêntico, dando rumo à perseguição
do desejo de amar e ser amado, ateando o fogo erótico, aliciando a morte do
possesso para a Gruta Abençoada “Deixa-te ressuscitar nos meus traços”.
São de ânsia e de agonia do tempo erótico o respirar profundo de cada verso. São
percursos que ganham alcance poético na linguagem extrovertida e na prudência em
diferenciar as fronteiras entre o erotismo e a pornografia, optando, a autora, por
uma não confusão entre uma e outra coisa. Em toda a narrativa o sexo não conta como
órgão pujante, mas como fonte de ardência poética, “Deixa-me amar-te assim, nua, quente e fértil” onde o tacto, o corpo,
o amor, o desejo, o folego, o cálice, o anoitecer, o despertar, o leito, a sensualidade,
a linguagem e o próprio sexo ardem como candeeiro único, para a salvação do
amor verídico, aquele que debitamos a quem amamos de verdade, a quem o sexo é revelação
do amor e algo natural praticado pelo par amante do amor.
Eis um dos momentos cativantes da poética de Artemisa
Ferreira, onde tudo o que vive se esvai no extasie e na nudez da gruta:
Agarras-me aqui / Bem aqui / Apalpas-me assim …assim
Seguras-me a língua / – Empresto-te o paladar
Suga a seiva embriaga-te em mim / Pedes-me os pedaços
Dou-te os caroços… enfeitiça-te em mim.
Os poemas da presente colectânea são manifestamente poemas
de amor, sendo a obra o escrutinar do arrojo de um começante e estreante nas
lides poéticas, definindo-se a autora Artemisa Ferreira como pessoa de imensa
beleza interior e de espírito inventivo, quiçá, pioneira da poesia lúbrica
actual das ilhas, livro que vale a pena ter, ler e apreciar até o último momento.
Pela amizade e pela cumplicidade fica esta nota, símbolo do
meu apreço e gratidão pelo ensejo de figurar no pórtico desta bela e complexa
obra.
Minhas sinceras felicitações.
Kaká Barboza
RAPIZIUS
As Medalhas e o
Dia da Cultura
Briosas brilham
no peitilho do meu casaco minhas medalhas, doiro como dentes do milho da terra.
Elas são a jubilação clara duma idoneidade revalidada, talvez, pela simples condição
de meus cânticos jamais choveram desamor e hipocrisia no chão da nossa história.
Homenagear,
louvar, distinguir e condecorar, são formas patentes de exaltação da moral e da
vida de uma nação e, quem as promove executa um dever cívico e nacional. Celebrar
com decência outros homens pela dignidade dos seus feitos ou das suas obras é
um acto de cultura e de elevado sentido patriótico. Ao se elogiar e agraciar os
dignos destes símbolos está-se a dar, seguramente, um passo colossal na elevação
do espírito, da moral e da auto-estima dos homens e das mulheres da nossa terra,
está-se a conferir reputação aos cidadãos que se destacam pela lucidez e
criatividade. Outra coisa é charme político e encenação na esperança de se branquear
as chagas dos poderes instituídos.
É no
povo que reside a parte mística e a parte moral duma sociedade, é nele que devemos
inspirar para produzirmos as obras que o ajude a formar-se e a reformar-se. É formidável
a máxima: dento di alguen k’é alguen, dito
popular com conhecimento casuístico; formulação simples mas de forte e profunda
significação, dentro de cada pessoa mora o sinete configurador da sua conduta e
da sua maneira de ser e de se relacionar com os outros, é onde somos nós, em
nós mesmos.
Os nossos
camponeses, antigamente, para provarem o seu reconhecimento e gratidão para com
a pessoa prestável oferecia ovos, frango, cereais ou legumes, cabrito, bezerro
ou leitão, gesto que funcionava como tributo àquele ou àquela considerada pessoa
de bem e estimada na comunidade, ofertas tidas como distinção porque grande o
seu valor simbólico, porque plenos de afecto e de sentido humano. Quantas professores
ou professoras não receberam dos seus alunos ou dos seus pais estes pequenos
tributos em sinal de reconhecimento? Não é por acaso que no momento da declaração
de amor sincero à mulher escolhida o homem rebuscava na natureza a exacta comprovação
consubstanciada em três pés de Banana Tunga,
um para ela, um para o próprio e outro para Senhor Deus lá no céu, justamente,
bananeira, planta imperecível, útil e duradoura.
A pessoa
bem notada é aquela que enxerga o valor das coisas, dos homens, dos animais e
das plantas, caso contrário não passa de um desatilado que consegue jamais avaliar
o chão do seu tacão quanto mais avistar o tempo, o momento e o ambiente que o
rodeia.
Sabiam que dagúma
significa: afável, gentil, dócil, cortês etc.
terça-feira, 17 de outubro de 2017
RAPIZIUS
Adivinhem!
O Boeing dos TACV gemia em pleno espaço
em direcção às ilhas. Estou a três horas de Boston no seat five B, cinto deslaçado,
descalço e encostado à almofada. A cabeça tinha ficado em Randolph, Roxbury,
Milton, Dorchester e Brockton, com os amigos, cinco espaços de múltiplos abraços,
cinco belas lembranças: Aquário, Biblioteca de Boston, Prudential Tower, Katy
Circle e Milton . Many thanks again and again to all friends. Acomodei-me no
assento, tirei da pasta o bloco e comecei a rascunhar palavras de agradecimento
para os amigos. O tempo passava devagar. Meu corpo molificou e fiquei á deriva.
De repente dei conta que estava numa sala cheia de gente, onde decorria uma
reunião. O primeiro orador, frenético, insistia em falar de coisas que as
pessoas não se mostravam dispostas a ouvir, mas que o orador considerava esplêndidas.
Senhor Saltão, queira terminar, por favor. Agora é a vez do Senhor Ratão, disse
o apresentador. No entanto, a secretária começou por ler o curriculum do Sr.
Ratão, quando uma voz grave modificou o ambiente fazendo parar a apresentação,
deixando tudo como no princípio. Um sujeito bem composto apareceu e com uma
certa autoridade foi afastando os da frente até chegar ao lugar onde a mesa
estava constituída. Todos se interrogavam sobre o que é que esse homem ia fazer.
Em posição, pediu e deram-no o microfone. Meus senhores, atenção, vou colocar
dois pontos para a vossa ponderação. A minha Doutora morreu por falta de Doutor.
E agora? Como arranjar uma nova? Foi-se a fêmea e ficou o macho. Como arranjar
outra? Não éramos casados. Mas ela era minha fiel companheira. A
sala silenciou-se. Não se sabia o que dizer. Porém, da última fila, uma senhora fina e elegante, trajada de peças multicores, com
um macaquinho ao colo, avançava entre a assistência a gritar. Deixem-me passar.
Por favor deixem-me passar. Aqui dentro está montes de Dôtor, por acaso algum é
veterinário. Não desejo que o meu companheiro tenha a sorte da Doutora. Em
lugar do silêncio, gargalhadas e apupos tomaram conta do lugar.
Uma jovem senhora, simples
e sorridente, carinhosa, saiu da multidão, apoderou-se logo do microfone, disse
com ternura na voz: amigos, alegra-me estar aqui no meio de gente ilustre. Todos
sabem que homem é um animal intelectual de intestino longo. Sabem qual é o ser sem
intestino? Piolho. Disse alguém! Corrigiu a senhora. Ninguém acertou. O
silêncio foi cortado por ela mesma. Corvo! É corvo, gente. É um ser sem
intestino. Come, defeca logo! O zuído na sala parecia motor de avião. Cansado
naquela posição, endireitei o pescoço e acordei. Os passageiros dormiam
enquanto o lusimento trazia o alvor, para dentro da cabine. Subi a cortina da
janela. Quatro horas depois, a hóstia laranja voava, devagarinho, da sua jangada de sono, sorvendo o
escurinho e lá em baixo umas pintas acastanhadas em série emergiam do mar. Adivinhem!
sábado, 14 de outubro de 2017
RAPIZIUS
BOAVISTA A
PEDRA TRÊS
Logo
nos primeiros dias de Fevereiro de 1966 parti para a ilha da Boa Vista
mobilizado pelo Técnico de Obras da Junta Autónoma dos Portos, Manuel Barbosa, meu
tio, para trabalhar como apontador nas obras de recuperação do cais de madeira
do porto de Sal Rei. O barco de pesca Fada da Ultra - Empresa de Transformação
do Pescado - transportou-nos juntamente com o material, cimento, ferro, pregos e
madeira para os trabalhos de reparação do cais de madeira. Dona Clarice - Nha Cakish – deu-nos de arrendamento um quaro
grande no primeiro piso onde morava.
Em pouco tempo já era conhecido de muita gente,
principalmente, dos trabalhadores, homens e mulheres, de resto a reduzida
população da ilha favorecia a aproximação entre as pessoas de forma rápida. O
facto de ser eu a fazer a chamada ao ponto e proceder pagamentos ao pessoal era
normal que assim fosse. Outrossim jogava o futebol e ingressaram-me no Benfica de
Sal Rei. Com o mar à porta aprendi a remar, a nadar e a gostar mesmo do mar. O
areal era infindo, limpo e imperava o sossego.
A
terra era seca, rasa e de muito sol. Cedo, a paisagem da ilha convidou-me a perceber
quanto determinado era o boavistense, quanto corajoso ele era e o que é que
teve de suportar para sobreviver, fazendo das dunas o seu cavalo de esperança e
da aridez o bordão do sustento, premissas que moldaram um jeito de estar, de
ser e de se relacionar com a natureza, um proceder que influencio a sua maneira de
compor, de cantar, de dançar e de se manifestar quer nas praticas domesticas e
nos festejos populares, cultura bem diferenciada da das gentes das restantes
ilhas do arquipélago. A ilha da Boa Vista influenciou bastante a minha
juventude, marcando fortemente a minha forma de tocar violão. Era raro não
haver no fim do dia de trabalho tocatina entre amigos. Eu morava bem perto da
casa do Sr. Gregório, pai de Herculano Vieira, do Dança e da Maxencia, todos eles
tocadores de violão. Quase todos os rapazes da vila eram violinistas. Aos fins-de-semana
era serenata ao luar, pois, não havia luz eléctrica nessa altura.
Anos
depois, pisando o mesmo chão, revendo a mesma casinha de
madeira ali no cais antigo, de olhar ancorado na mesma baía, o longínquo trouxe-me
o inolvidável, as gentes de outrora Nha Clarice, Nha Guidinha, Nh’Aguinólde, Vaiss
Carpinteiro Naval, Fulim, Nhófa, Dansa, Nery, Bia, Fidélia, Mestre Marcos, irmãos
Da Cruz e Fausto Rosario, Firrin, Rosário, Nhunguin, Txunkin, Firmino, Mestre Djon
de Ti Pól, Noel Fortes, Ultra, Alfandega, Loja Dona Irene (hoje, Dona
Hirondina), os botes carregados de peixe escalado vindos das Gatas e os ensaios
do Carnaval no quintalão da Ultra. Anos depois, o sentimento era igual, mas a
realidade tinha mudado completamente. Na ilha da Boa Vista, a terceira em
dimensão no conjunto do arquipélago, fervilhava a nova era, a dos andaimes e a das
grandes construções, a da procura e das migrações, a do aumento
populacional, a da edificação da futura cidade de Sal Rei. Além, um pouco
para interior a Ribeira do Rabil, a mais virgem bacia hidrográfica das ilhas, o casamento das covas com as sementes, anuído pela gota-gota nas parcelas agrícolas, era oiro sobre o índigo, as grandes obras em curso, o Aeroporto
Internacional do Rabil, de amplo tapete basáltico listrado de branco, era a porta
de entrada para os visitantes, os hotéis de grande porte eram, adentro da
perspectiva de valorização e revitalização da ilha, acréscimos formidáveis.
Vislumbrava-se um futuro promissor, onde o revigoramento das tradições culturais da ilha,
acções de redescoberta dos bens culturais e patrimoniais, trunfos fortes a
serem trabalhados e exibidos aos forasteiros, àqueles interessados num turismo
pacífico, da busca de informações, do conhecimento da história, das figuras
destacadas, dos lugares com nome, das curiosidades locais, dos costumes, enfim da
identidade de um povo, como disse antes, que fez das dunas o
cavalo de esperança e da aridez o bordão do sustento.
Boavista está-se desenhando como uma forte região de Rota
Turística, mas, para isso acontecer de forma equilibrada e rentável, o poder
local terá de ter muita lucidez, muita capacidade de trabalho e de gente
capacitada para vislumbrar caminhos a seguir, o que obriga a uma acção inteligente nunca a reboque das modas copiadas para satisfazer pressões e interesses políticos
imediatos em detrimento da avaliação correcta de cada projecto e de cada medida
a implementar-se. Fala-se em todo o lado: temos potencialidades. Mas a questão
é como transformá-las em ofertas e produtos de consumo de qualidade. Turismo
não é banhos de mar e pisar praias arenosas e limpas. É antes um fenómeno que gera
em si um vaivém de gente de latitudes e culturas diversificadas, de diferentes
modos de falar, de estar e de actuar, com aspectos positivos e negativos a
impender sobre a realidade física e humana da localidade onde é exercida. Importa
reflectir sobre o que tem interesse para vida dos naturais, numa palavra que
ganhos de futuro. Muitos vêm no turismo uma espécie de prancha de redenção para
muitas das actividades artesanais moribundas, porém, outros pretendem apresentar artefactos imitados como sendo escultura nacional para o consumo dos visitantes.
Que ofertas devem ser trabalhadas para contrapor este
estado de coisas?
Agendado estão a preservação dos objectos, do património
construído, da cultura urbana, da cultura rural, das artes e dos ofícios
tradicionais e um conjunto de coisas, mas não há orçamento, se ele existe desaparece
em acções demagógicas do chamado apoio social, enquanto os criadores das artes sofrem do desgaste e da perca do entusiasmo.
A criação do ambiente favorável através de afectação de
recursos, medidas legais e administrativas, acções de formação e de promoção
das artes é obrigação constitucional, é um direito dos criadores, é obrigação e
não favor ou favorecimentos. O papel do sector público e do privado na promoção
do turismo, deve ser o mesmo na promoção e protecção das artes e dos seus
criadores; a contribuição da comunidade local no desenvolvimento do turismo
deve ser a mesma devida à cultura; o bom turismo, os impactes sócio cultural deste,
o turismo como agente de mudança sociocultural, os impactes culturais do
turismo, o desenvolvimento do turismo cultural, são matérias que estão no
âmbito do achismo, ficando por descortinar o que é relevante e como encaminhá-lo.
As equipas camarárias, todas elas, tinham de deslaçar da apatia e lançarem-se na criação
de ideias motivadoras dos seus munícipes, na criação de redes de promoção e de divulgação
da imagem social das localidades, na equiponderação das valências em resultado das
transformações que vão tendo lugar, para melhor poderem sugerir caminhos
a seguir.
Valeu muito a estada na ilha pedra três do triângulo
da minha existência.
À Yléh do deserto de Viana um beijo do peregrino.
À Yléh do deserto de Viana um beijo do peregrino.
Sabiam que arrabil é nome da antiga rabeca
pastoril de origem árabe.
De Volta ao Blog
É interessante esta mesa violão com a garrafa do vinho na
fonte do som e a tentadora taça de cristal a coroar o belo objecto de
decoração, a mesa.
Mas senti-me tocado, altamente ferido, ao ver os braços dos
instrumentos partidos lá onde doí a sonoridade das inversões dos acordes.
Doeu-me o entorse da décima segunda escala onde o Mi esgota-se na sua oitava.
É
como estrangular na pauta a clave de Sol ou do Fá a sílaba que dá inicio à uma
canção...claramente, senti dores nas articulações.
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24 ANOS DE ACÇÃO E DE RECREAÇÃO NUMA TERRA COMO A NOSSA É COISA PARA SE CELEBRAR COM VELAS AÇUCARADAS. VIVA A JUVENTUDE EM MARCHA.
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Neste lado caro da vida Não fosse a anuência das várzeas Estendidas nestas marginais Os polígonos de carne inclinados Sobre o Chão do tempo ...





