quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Floris d'Ibyago

 

      CRAVO DE BURRO
 
 
 
Apelidaram-te Cravo de Burro
Oh! Dor perfumada multicor
Lindeza no breve duma haste
Agitando ao sabor dos alíseos
Que rojam em Achada Galego.
 

Brotaste cravo do ermo
Sabor indócil para o mel
De travor verde ao gosto
De flor de planta multicor
Originária das Américas.
Tão distante é a meninez
Do tempo em que te via florar.
Tão remoto é Achada Galego.
Hoje, meu rosto é repertório
De um prendido a termo.
 

Tive a meus pés o ermo
Os alíseos de Achada Galego  
Vendo-te de revés. Ó! Cravo.
Anima-me o apegamento
De tramar estéreis versos.
 

Praia, 23.01.2014
Kaka Barboza

CV Lândia Mind


       CVLANDIA MIND
 
      Agora vêm com esta: "Ronaldo tem sangue negro cabo-verdiano". Nhôôô!
      Quer dizer que galo branco de "sangue negro" que sobe ao poleiro e canta alto é alvo propaganda e regozijo, enquanto o negro de sangue e de pele crioulo não sai do seu padjigal. Horace Silver, por exemplo, (os negros europeus das ilhas) arvoraram jamais uma saliva sequer no mastro dos grandes, realçando a sua ascendência puramente cabo-verdiana.
      Há vários outros exemplos de filhos da terra por este mundo fora que se destacam em vários domínios da honradez, ciência e da cultura, filhos do útero de ouro nativo, que jamais seus feitos foram exaltados e vasculhados suas origens, porquê?
       Neste caso o dito popular vincula-se e muito bem: Santo di Kaza ka ta faze milagre.
BK
 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O LIVRO


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O LIVRO
 

O livro é como uma estrada
Construída por etapas,
Portanto uma respiração pela palavra,
Porém um dólmen em papel,
Quiçá um candeeiro de saberes.

O próximo livro
É continuação da estrada, 
É respirar contínuo pela palavra,
É o outro na sua pele
Quiçá um poleiro de expores.
 

22.01.2014
Kaka Barboza

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Entre Mito e Pelourinho


Sim senhor.
Os sindicatos levaram os trabalhadores seus afiliados e outras pessoas à rua para exigirem não os seus direitos, mas sim ampliação dos direitos adquiridos.
O cenário ficava completo se o patronato e os empregadores saíssem também à rua para reivindicarem os seus direitos. Mas não. Preferem ficar no anonimato.
 
Mas uma coisa me intriga.
Ninguém é obrigado a dar trabalho a ninguém.
A empresa é que contrata trabalho e não dá emprego, emprego no sentido de guarida à mão de obra. A empresa é capital a pagar o processo produtivo para colher lucros para continuar a produzir bens e serviços e etc. e não trabalha quem quiser, trabalha aquele que é contratado para produzir.
Por mim temos um sindicato e uma acção sindical arcaica que não participa na dinamização do mercado do trabalho e nem está voltado para o combate ao desemprego. Coabitam com os que trabalham e como não há outra coisa a dizer nem a fazer junto dos seus associados e dos que não o são, reivindicações e ampliação de direitos é a base de animação da classe perante um pais que mercado não é, perante um país que sobrevive da ajuda orçamental, resultado dos impostos tirados a outros povos: não passamos de pelourinho onde cada um procura tirar o seu dia dia.
É preciso muito cuidado com o mito do rendimento médio.
 
KB

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Celebrar a Terra


PAU DE FINADO
 
Decorridos três anos e nove meses, sobre a data da morte do marido, Luzia resolveu pôr de lado aquela compostura rígida imposta pelos costumes da terra. A vizinhança não recebeu de bom agrado a deposição do luto. Por outro lado, como não era ainda mãe de filho, acabaram por ir-se acostumando à sua decisão. Pouco tempo depois, a mulher começou a sentir perturbações. Noites sem dormir, nervos, ouvido mouco e coisas a escapulir-lhe das mãos. Sentia uma voz a chamar por ela sempre que ia ao olho d’água buscar água. Tudo isso vinha confundindo-lhe a cabeça, complicando-lhe cada vez mais a vida. Decidiu ir visitar os padrinhos em Chão de Carriço. Fizera o percurso com sentido atormentado. De tanto pensar na sua situação, a coisa tomou-lhe a cabeça e desmaiou ao pé duma ribanceira. Ela estava molhada de cabeça aos pés quando a pegaram para traze-la de volta. Os vizinhos aguardavam ansiosamente a chegada do curandeiro e vê-lo trabalhar. Coloquem-na de comprido na cama e deixem-me só com ela: - disse o recém-chegado. Ele começou com aqueles dizeres que pareciam rezas, gesticulando enquanto a mulher tremia, revirando os olhos na cabeça, nem cauda de lagartixa decepada. De súbito, a mulher soltou um valente grito. Levantou-se e pôs-se em fuga como rato perseguido e só parou no fundo da ribeira. Sentada numa pedra arranjava os seios e apalpava o baixo-ventre. O homem tinha recomendado calma aos que ameaçaram segui-la. Pediu que aguardassem pelo regresso dela, confiando que tudo estava bem com ela e que voltaria bem-disposta à casa. A partir dali a jovem viúva passou à vida normal longe do pau de finado que se cria ter entrado nela. ...
(Excerto da coletânea de contos Descantes de Nha Ribeira) KB

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Floris d'Ibyago





           INTEIRAMENTE

 
Olhando os anos começo a ver ruas
Correndo ruas tantas vezes pisadas
E buracos tantas vezes tropeçados
Que de mim não dão conta.

Mas o que tudo isso soma
Se as ruas são outros caminhos
Que andam sem saber para onde vão
Que rumo e que sortes levam.

Mas o que tudo isso rende
Se a idade que levam nos pés 
E os buracos em que tropecei 
A caminho do hoje dos anos 
São passares que ambulam
Belos e maus transpores,
Sem saber onde permanecem
E que destino têm dentro e fora de mim.

Encarando os anos começo a ver fins  
Apressando horas e horas vagas
Consumindo o tempo da idade
Que de mim não dão conta.
Inteiramente…

 - Kaká Barboza -


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

OBLATA PA ANU NOBO

                   Neste Janeiro de 2014 completou 10 anos sobre a morte de Fulgêncio Tavares - Ano Nobo

Composição feita pelo 5º Aniversário da morte do grande Mestre e Ícone de Santiago ANU NOBO, sem Estátua no seu Concelho de Naturalidade - São Domingos - por ser de gente inculta a mandar nos destinos dos nossos municípios, desconhecedora ou desprezadora da história social do Concelho e dos que deram e dão o bom nome a essas localidades que dizem representar, salvo, raríssimas expceções.

 
 OBLATA PA ANU NOBU

 
 Dja di tenpu n kre kantaba
 Un ómi un amigu
 Na ton dun melo-suave
 Sen palavra kansadu.
 Ku krensa y txeu amizadi
 Xintadu na valor son di terra.
 Pa n kanta sen medu d’izagera
 Pa mundu konxe si valor
 Omi sinples di don y saber
 Ki ama fundu folklore di terra
 Batuku é lenda si koroa
 Nos Profeta alma bon jardin.

 Poeta omi lendáriu di terra
 Ki kria un gerason seguidor
 Len Prera lugar di memória
 Ki enaltise si txon di nasensa.
 Tud’ anu Anu Nobu é más nobu
 Santiagu bai na si korason
 É fika na krensa di puvu
 Lovadu, lenbradu e amadu
 Tudu anu, Anu Nobu é más nobu.

 Praia, 24.1.09 – Letra & Muzika – Kaka Barboza

RAPIZIUS

                                                                                                         MINHAS AMIZADES COM DIAHO ...