sexta-feira, 27 de maio de 2016

Eu, o Espelho e a Metáfora


Eu, o Espelho e a Metáfora

Colocar-me “nun prit” diante do espelho foi a sugestão. O exercício da semana. E fi-lo. Esperei a hora adequada para o fazer. Uma da manhã. Hora silenciosa e de todos na cama. À entrada, o aparador ostenta a superfície polida do vidro há anos. Nele, todos os dias confiro o porte. Já me posei vezes sem conta nu, ora bailando, ora treinando os músculos. O espelho é sugestão de nós mesmos, portanto, depositário de privacidades, um acesso que não se abre e nem se fecha. Se há alguma verdade neste mundo, ela é a nudez. Nascemos nus. O que a nudez tem a dizer é sempre pureza. Perdemo-la ao nascer e esperamos que um dia volte a aparecer em qualquer momento da nossa vida.
A nudez é a fornalha virtuosa do amor, assim como a lua-de-mel é exercitar o amor, sendo expressão da verdade dos amantes unidos pelo calor e pelos vapores da alma. Resumidamente, a nudez é o nado-mundo em chamas.
Escrever sobre a nudez é materializar a nudez da mente, sendo as palavras movimentos ditados por elas, o mesmo se dá com a música. A pauta é produto da alma no apogeu da sua nudez. Sendo a nudez, diante do espelho, a metáfora de um polígono real em movimento.
Nunca a nudez me pareceu estranha. Visito o meu corpo nu sempre. Nunca perdeu virilidade. Nunca se aterrorizou de si próprio. Pois, amo a nudez do meu corpo no palco do espelho, onde o completo afigura-se estátua de bronze erigida no centro de um reino. A nudez verdadeira é insubmissão, entre o começo e o fim de um gesto. Ela é uma espécie de princípio e fim do édem, tal como o paraíso de Adão e Eva, onde nus armaram o pecado original, multiplicando o prazer cárneo em todos os seres, sendo, por isso, um tabu, algo impedido pela moral social, porque atribuído a loucos. A nudez pública é imoralidade. Mas a nudez esmerada é arte, símbolo da carnalidade, explorada e mercantilizada pelos Mídias na suposição de que se trata da prática da liberdade de expressão corporal, coisa atendível em sociedades abertas, que, no entanto, nas acanhadas ou pequenas é ofensiva, porque conotada com putaria. Do ponto de vista artístico a nudez é metáfora, insubmissão e sensualidade, usualmente, código do erotismo.  
Tanto o nu do espelho quanto a nudez de um corpo são o dócil dom de aceitar desafios.
Nada é mais sincero do que a nudez do pensamento reflectido numa folha em branco em forma de exercitar declives.

Encontro com uma Investigadora

                    
                

1)    Como surgiu o teu interesse pela poesia e pela música?
Eu encontrei instrumentos musicais em casa. Acho que vim duma família de músicos e tocadores. O meu avô e o meu pai tocavam e tenho vários tios músicos, de salientar Nho Djonzinho Alves, (pai de Kim Alves), primo do meu pai. Havendo tais condições a atracção e a aprendizagem é fatal. Assim nasceu o meu interesse pela música. Muito mais tarde, com a idade de vinte e dois anos comecei a compor letras para as minhas composições e dai a iniciação poética. Com muita leitura, treino e aprendizagem acabei por chegar onde estou neste momento.

2)   De onde surge a inspiração para escrever poesias e para musicá-las?
Não acredito e nem alinho nessa da inspiração, a rebuscada à beira mar, nas pontas, nos lugares especiais. Estes sítios são agradáveis e convida-nos, por vezes, à meditação e á tomada de notas ou de ideias que vão surgindo, sobretudo quem observa e regista os factos ou então quem lê muito a experiencia dos outros. São necessárias as informações que captamos.
Há períodos que sinto necessidade de escrever para responder a solicitações internas que são uma espécie de necessidade pessoal de preencher lacunas e equilibrar as emoções.
Tanto na música e na poesia acontece o mesmo. Há temas que pela sua importância e acutilância sugerem desenvolvimento de ideias. No caso da música há improvisações seguido de um tempo de construção de frases melódicas mais propriamente dito.

3)   Porque é que compões apenas em crioulo na sua forma mais genuína? Porque é que usas muitas expressões típicas do interior de Santiago?
Escrever em caboverdiano, quer dizer em crioulo, não é imitar o português. A língua que falamos não é tradução do português e nem podia ser, mas em certos casos há estes indícios ou seja as pessoas mais instruídas fazem salada. A nossa língua, a língua materna é ela mesma. Há uma matriz que se enriquece á custa de línguas mais avançadas, mas o vernáculo que este povo criou traz expressões que significam e representam bem aquilo que ele sente, pensa e interpreta a vida e o mundo que o rodeia. Reparando bem, é no interior, (no campo) que reside o pátrio da língua materna. A minha escrita representa a vida que levei na minha infância, diante da qual não posso fugir e nem inventar outra. Aprendi a usar bem a nossa língua, a observá-la e estudar as suas variantes, como se fala em todas as ilhas do arquipélago. Sem este conhecimento é impossível realizar uma escrita avançada da nossa língua sem inventar acrescentos ridículos e plágios do português, coisa que acontece nos centros urbanos desenvolvidos.

4)   Consideras-te um compositor de intervenção?
Pode ser. Desenvolvo temas diversos, temas que têm a ver com as relações sociais e com a vida que levamos. Produzimos muita coisa e importamos muito mais. Há muita coisa que impende sobre nós enquanto sociedade, enquanto colectividade, querendo ou não. É na tentativa de pretender destrinçar temas que servem para cada coisa ou para cada momento que os conteúdos ditam o que é tido por música ou poema de intervenção. Não sou alheio aos problemas da terra e ao estádio do seu desenvolvimento e os que afectam o mundo.

5)   Para ti o que seriam músicas de intervenção?
Há várias designações para isso: música de intervenção, música contestatária ou reivindicativa. Mas uma música traz consigo uma dada mensagem, isto é aquilo que o autor produz para traduzir o seu estado de alma ou de espirito. Suponho que ninguém se incumbe de produzir música contestatária para se tornar músico de intervenção. Para mim, arte é elaborar sobre o que somos e sentimos e ela acontece de forma intuitiva, tão necessária quanto os gestos e as ideias que produzimos num dia de vida. Depois há os acabamentos necessários e a destinação de seja qual for a forma artística.

6)   No período anterior à luta armada as músicas de intervenção tiveram algum papel importante?
Claro. Foram composições saídas da consciência popular e que evidenciaram o estado de coisas e a situação com que o povo se confrontava nos diferentes momentos. Estas composições retractam o sonho de um futuro melhor para si e para a sua terra. Os movimentos independentistas identificaram-nas e beberam nelas o suficiente para enformarem o essencial dos ideias da luta libertadora em prol das classes oprimidas e marginalizadas na nossa terra. Em todos os momentos as músicas de intervenção têm um papel a desempenhar.

7)   De onde veio a inspiração para compor a música “Dimokransa”? E o que quer transmitir com esse termo?
Dimokransa é um jeito crioulo de se estar na política, isto é, na política participada. Essa coisa chamada democracia. É esta coisa que se vê e se vive todos os dias, há uns anos, consubstanciada em factos proporcionados pela conjuntura política surgida nos anos noventa, em que o advento do fenómeno total liberdade de expressão aparece como salvação nacional, como receita de debelação dos males e das angústias do povo, em que uns aparecem como donos da verdade e outros apenas como observadores. O tema por si só explica tudo.

8)   Na actualidade há quem classifique o hip-hop como o novo género musical que mais se usa para fazer músicas de intervenção. Na sua perspectiva porque é que tal se verifica?
Sabe, eu não ligo o hip-hop. Não tenho tempo para o avaliar em todas suas dimensões. Não faço isso porque não é caso do meu interesse. Por isso passo ao largo. Mas género musical caboverdiano não é de certeza. Sabe, hoje em dia, vivemos num mundo em que se dá enfase ao consumo de muita coisa, até de bugigangas. Entra na loja China, e veja. Veja o entretenimento que se faz nas televisões do mundo. Há muita palhaçada. Há de tudo e para todos. Eu prefiro matéria que satisfaça o meu espírito. 
A transparência anda a matar a verdade das coisas e a própria vida. As ruas, os gangues, as rivalidades, a auto marginalização, auto desgraça, passaram a ser temas interessantes de divulgação e até de estudo, porque eles existem  e foram desenvolvidos, sendo, porém, setas disparadas em todos os sentidos, contra raças, contra posses, contra autoridades, contra hábitos e costumes, contra a civilidade, contra tudo que não seja do agrado da chamada cultura de rua ou urbana, provocadores de actos improvisados e sem continuidade. Numa palavra: estilo de vida de grupos com interesses antagónicos que poderá trazer alguma carga reivindicativa, mais no sentido de sobrevivência do ego do que, propriamente dito, luta cívica colectivizada. De denúncias o mundo esta farto.
Fui maltratado por vários Hipopistas por expressar a minha opinião em relação a o que são conteúdos dos temas e a imitação ridícula do americano. Mas não me importo com isso. Todo o mundo tem o direito de inventar o bla bla que entender. Hoje em dia é artista e músico de fama quem aparece nos palcos dos festivais para divertir a massa, com temas que dizem alertar consciência das pessoas para a necessidade de lutarem contra os males sociais e injustiças, usando, críticas virulentas, gestos e coreografia inadequados, tudo importado de outras latitudes. Hip-hop é relato ritmado e pincelado de sons.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Cronica de um Trovador

              
Abril, cidade da Praia, costuma ser ventoso e pardacento. A poeira arrastada do deserto saheliano para este corredor atlântico é avassaladora a ponto de estorvar a navegação aérea, de perturbar a saúde das pessoas, de turvar o verde vivo das plantas e o colorido das flores, incluindo os automóveis e os haveres domésticos. A vida cobre-se do chamado “pó di terra”, pó esbranquiçado e finíssimo, asfixiante.
Eram cerca das dez e tal da manhã, quando a voz de um homem ao telefone me convidava um encontro. Combinamos para as dezasseis horas no Restaurante O Poeta, lugar acolhedor e de linda vista para o mar.
Quinze minutos antes da hora, estava eu sentado numa mesinha de quatro cadeiras, a olhar o mar aberto a tanger a linha do céu lá longe. Aproveito sempre estes momentos para registar umas ideias no bloco de notas. Voltei a cara vi entrar uma senhora, seguida de um senhor. Pela hora só podia ser a pessoa esperada. Era ele mesmo. Saudámo-nos entre risos. Sentámo-nos. Encomendou-se água ao empregado de mesa. Discretos, os nossos olhares mediam o semblante de cada um. O senhor começou por informar sobre os motivos da sua vinda à cidade da Praia. De seguida, ele falou da agenda de contactos com algumas entidades oficiais, com vista a obter os apoios necessários.  
As divas vacinaram-me com o dom de descobrir em quem confiar ou não em pouco tempo. Facilmente eu compreendi que se tratava de duas entidades respeitosas. Sra Dra. Felisa Prado e Sr. Francisco Gonzales. Pela postura e pelas ideias acreditei no projecto apresentado que consistia na organização do Salão Internacional do Livro Africano – SILA, na sua IV Edição, a realizar-se em Canárias. Acordada a minha participação, despedimo-nos, trocando cartões-de-visita. O nosso próximo encontro ficou marcado para 29 de Abril, dez e trinta, na Livraria Nho Eugénio - Eugénio Tavares, poeta e trovador maior das ilhas crioulas.
Neste encontro, sem a presença da senhora Felisa Prado, conheci em detalhe o esboço do programa do Salão Internacional do Livro Africano, SILA - 2013, em que Cabo Verde era o país focado. Dei o meu acordo de princípio em participar do programa que incluía o percurso por cinco ilhas do arquipélago das Canárias, para, como músico, compositor e poeta falar sobre a poética na música atlântica de Cabo Verde em concertos nos espaços públicos. No entanto a Srª. Drª Felisa Prado tinha deixado Cabo Verde – Praia - nesse mesmo dia. Ciente da amizade que havíamos construído, convidei o Sr. Francisco Gonzaléz a tomar parte no convívio familiar, dia do meu aniversário, 1º de Maio, em minha casa. À hora combinada fui buscá-lo ao Hotel Trópico. A casa estava cheia de irmãos, cunhadas e sobrinhos. Na verdade nossas festas é sempre uma tempestade de alegria, um ferventar de amizade contagiante, que colocou o visitante à-vontade, inda mais, com dois irmãos meus formados em Cuba, a facilitar o diálogo com o convidado.
Fui, eu mesmo, a preparar o prato da noite: Camarão descascado marinado á minha maneira, carne de porco assada desfiada, creme de beterraba, peito de frango desfiado, creme de salsa e contros, salada com queijo de cabra esmiuçado, croquetes, linguicinha da terra e o prato mata-borrão da festa, canja, justamente para dissuadir o efeito da bebida. Cantou-se o tradicional parabéns a você, seguido de foto de família. A noite passava e a casa não sentia. Todavia a hora di bai é sempre o momento desolador da festa. Nisto, só os da casa ficaram a dar jeito às sobras e arrumar a loiça. Tinha sido uma noite sã, pesando nada o calendário de sessenta e seis azáguas na idade do boi que, apesar-de-tudo, sentia-se valente e corajoso.


quarta-feira, 18 de maio de 2016

RAPIZIUS



Não sou homem de extravagâncias. Andei 30 anos a ensaiar e a tentar construir a árvore necessária para o poiso daquilo que vislumbro ser o produto evolutivo do que chamo Som di Terra.
Não devemos ter medo do moderno que decorre do pensar reflexivo sobre as bases do passado. O presente é todo nosso e ninguém nos tira isso.
Com estudo, tratamento adequado e acrescentos úteis vimos construindo a nossa viagem segura do futuro da nossa música.
Não haverá desregramentos, mas sim continuidade e respeito á memória e às heranças de que sou um fiel depositário.
Afinal a música é uma espécie de literatura desenhada com alma cujos acordes num braço de pau e com a ajuda da caixa-de-ressonância narra a estrada das emoções que a nossa vida interior reproduz.
Sou a ponte sobre novas águas, mas de novos destinos conforme o relógio do tempo e a geografia da vida nos nortear.
Ser fiel às raízes é demasiado duro, mas ser leal é o que prefiro ser hoje, amanhã e sempre. Um abraço.


quinta-feira, 5 de maio de 2016

Curiosidades da CvLandia


Os integrantes das Forças Armadas, o Exército, são por certo os que mais falam em servir a Pátria. Refiro-me aos momentos celebrativos e juramentos à Bandeira pelos soldados dados como prontos ( prontos a servir a Pátria).
A partir dali a Pátria de que se fala evai-se como fumo.
A palavra Pátria não toma assento nos discursos dos governos, dos políticos, dos parlamentares, dos universitários, dos comunicadores (Radio e Televisão) dos estabelecimentos de ensino, nem nas cidades, aldeias, achadas e fajãs das ilhas.
Digo isso, porque, ontem, nas cerimonias fúnebres dos soldados que encontraram a morte na Caserna do Monte Txota, o Chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas invocou timidamente a palavra " Pátria " cujo sentido ficou diluído no que são as funções do estado e da governação. Pudera.
Se os combatentes da liberdade da Pátria são tidos por peças decorativas num cantinho da história sem repercussão social;
Se os símbolos nacionais, bandeira, hino e armas da república não são portadores de referencias patrióticas;
Se os livros escolares, se o ensino, se a formação académica, se a comunicação social não invocam e nem promovem o espírito patriótico;
O que esperar duma sociedade e de um povo que tem por pátria a sua barriga, a bazofaria e o sonho à evasão?


RAPIZIUS

Fui tomar aquela coisa das sextas-feiras no Nho Eugénio. Numa mesinha de duas cedeiras uma era ocupada por José Maria Neves. Tinha á frente a chávena de café, quer dizer, café tomado.
Cumprimentei-lhe e convidou-me a ficar. De seguida, chegou Eurico Pinto Monteiro que se juntou a nós. Três primos duma sentada na prestigiada Livraria Nho Eugénio. Zé Maria estava bem disposto. Calmamente, disse, apenas isto: "passei na maior tranquilidade tudo o que devia ser passado ao novo Primeiro Ministro".
Assim é que é quando se é um homem de estado: - Disse para ele.
Falamos da necessidade de férias e do distanciamento da política por algum tempo. Ele, Zé Maria, é um dos mentores da Academia Caboverdiana de Letras. Foi ele quem autorizou a cedência do prédio onde é a sede da ACL e quem a inaugurou. Tem lá o seu lugar de académico.
Em conversa exortei-o a escrever. A escrever, sobretudo, poesia para o bem da espiritualidade literária das ilhas. Doravante, ele é um homem livre com opções diversas - formador, académico ou consultor e conferencista.
Deixa marcas em todas as ilhas, marcas da sua governação. Marcou Santiago de forma significativa e duradoura.
Podem dizer tudo quanto quiserem dele. Houve quem disse que se: Narciso estivesse vivo morreria de ciumes. Mas, quem neste mundo não foi narcisista por um segundo. Só os bárbaros não o foram.
Quem acompanhou os discursos do Zé Maria Neves, enquanto primeiro responsável do governo nestes quinze anos, não encontrará, por certo, em momento algum, um conteúdo assistencialista, discurso de coitadeza, de lamento e de resignação. De espirito altruísta ele sempre convidou toda nação a sonhar com ele, a alavancar do alicerce das dificuldades a coragem, a força e o sentido patriótico na realização do progresso.
Muitas vezes acontece os espíritos audazes marcharem muito á frente do calendário civil e do ritmo biológico do seu povo ou da sua comunidade. Não fosse assim, estaríamos a cantar Mar é Morada di Sodadi, Caminho de Santómé e Fomi 47, em pleno 2016, ainda hoje, dia da entrega da governação ao novo Primeiro Ministro - Ulisses Correi e Silva.
Será que o povo entendeu que UCS de estatura física semelhante ao do Zé Maria era quem melhor podia ocupar a cadeira do poder?
Um dia o poeta Mario Fonseca, disse-me: " Olha cuidado com os líderes baixinhos " “eles são como malaguetinha”. “São obstinados e audazes”. UCS é baixinho. É um líder baixinho.
Quero crer, por aquilo que tenho ouvido, UCS poderá vir a ser no horizonte desta legislatura, uma figura marcante, não pelo conteúdo da campanha, momento de grandes emoções e empolganços, mas por aquilo que vai poder fazer e pelo bom encaminhamento dos dossiers uns mais duros que outros.
Cá do Nho Eugénio, onde, quinzenalmente, tomo aquela coisa, espero viver longamente, para um dia, me encontrar com UCS numa mesinha, confirmando-me a sua satisfação em ter cumprido o seu papel como deve ser e ter passado com dignidade a pasta de Primeiro-ministro ao seu sucessor.

Todavia, peço que me entendam, por favor... Ulisses Correia e Silva há um só, a quem dou um palmo de confiança, mas não acredito de modo nenhum no MpD.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

RAPIZIUS

Saí da Livraria Nho Eugénio. Olhei o ecrã do móvel. Eram 11 horas e 15 minutos. Entrei na loja de frutas ao lado para apanhar brócolos e berinjela. À porta esperava-me o vendedor do Jornal Expresso das Ilhas.
- Sr. Barbosa, sei que o senhor não compra jornais, mas o senhor é homem de cultura. Tenho boa coisa para si: - Disse-me em tom alegre.
Parei para ver. Tirou da mochila um livro e disse-me:
- Hoje o Sr. vai levar o jornal tem boas notícias. Olha, jornal e livro pelo preço de 500$00. Boa compra não é! Olha, o livro é de um homem da cultura como o senhor, Chiquinho: - disse-me entusiasmado.
- Olha, meu caro, o livro chama-se Chiquinho e o escritor é Baltasar Lopes. - Expliquei para ele, mostrando a capa do livro.
- Sim, Salazar, aquele que mandava em Portugal. Replicou.
Desatei a rir, enquanto tirava o dinheiro da carteira.

Ele, também, sorridente pediu-me uma moeda para levar uma fruta do expositor logo à nossa frente.

RAPIZIUS

                                                                                                         MINHAS AMIZADES COM DIAHO ...