quinta-feira, 27 de junho de 2013

Canárias - SILA Itinerante - Gomera


Cabo Verde y La Gomera unidas por la música
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Redaccion  enInsulares 14/06/2013     

La Voz de La Gomera En el marco del Salón Internacional del Libro Africano, y más concretamente dentro del SILA Itinerante, el poeta y músico caboverdiano Kaka Barbosa recaló en La Gomera, más concretamente en el Archivo General Insular, para deleitarnos con su música, pero también con su pensamiento: una suerte de viaje por los recuerdos de un país tan cercano geográficamente y tan desconocido para nuestro Archipiélago.
Habló de mornas, de historias que en el pasado no fueron tan gratas, pero que con la Independencia del país africano, han vuelto a resurgir con fuerza como su cultura, y Kaka Barbosa es uno de sus máximos exponentes junto a la recordada Cesaria Évora.
Presentamos aquí en exclusiva un video donde se recoge parte de la actuación musical que Barbosa ofreció a los espectadores en el Archivo Insular el pasado miércoles día 12.

 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O Curto Céu da Ceuzany

                 O CURTO CEU DA CEUZANY


Longe de mim prejudicar esta linda menina merecedora de um outro céu que não curto que “Nha Vida” a destinou. Devo dizer que esta jovem foi recebida como maravilha e encanto à sua passagem por esta cidade da Praia, integrando a banda Cordas de Sol, um grupo musical recheado de jovens talentos que representam muito bem a oração musical da ilha de Santo Antão. A cantora Ceuzany tem talento, tem presença e tem poder de canto. Ela pode chegar lá e voar sem receios no amplo céu da arte de cantar e de interpretar canções do mundo.

A forma como as músicas de Nha Vida foram preparadas e concebidas parecem vir de um território mítico e não de um país real, que é Cabo Verde. Nha Vida traz consigo tentativas e adaptações que são verdadeiro início de uma vida de apalpações direccionadas para a satisfação de quê, de que mercado, de que promoção artística, de que valorização musical, de que autores, de que produtores, de que músicos, de onde e quê, afinal.

A Harmonia Ldª caiu no embaraço de, primeiro, ter de lidar com a reposição do nome do verdadeiro autor do tema “Na ondas di bo corpo – de Dany Mariano”, segundo, ter de vir lidar com o grave acidente que é o CD “ Nha Vida”, a começar pela desatenção que devotaram à preparação dos temas musicais registados, entregando-os á responsabilidade da intérprete Ceuzany, para dar o impossível, facto que encurtou-lhe sobremaneira o céu onde pudesse voar lindamente. A Ceuzany precisa de ser aconselhada? Sim, precisa, por professores do canto para eliminar certos vícios do palco.

Conquanto ao tema “N’ka Pur Si” – de Kaka Barboza – devo dizer que os músicos de Santiago, os jornalistas das rádios, os amantes da música, todos eles ficaram muito chocados e tristes por verem a música que marcou a geração dos anos oitenta, pela singularidade melódica e pela retratação de um período simbólico, um, pelo surgimento do funaná, e, dois, pela gravação em estúdio de vozes inéditas de Santiago, Zezé e Zeka Nha Reinalda, em que o mestre Paulino Vieira, apostado num arranjo ousado do funaná, eternizou “NKa Pur Si”, sendo a letra um valor intimista ao mesmo tempo eufórico, próprio do santiaguez e devo dizer com toda a clareza que Paulino Vieira é o primeiro músico arranjador de Barlavento a ler e a interpretar Santiago na sua dimensão musical autêntica. O desastre ora verificado com “Nka Pur Si” e outros temas de matriz santiaguense deriva da incapacidade de se saber e de se obter Santiago na multiplicidade da sua vivência e história.

Ao surgir no mapa musical das ilhas, nos ouvidos dos residentes e dos embarcados o registo discográfico “Nha Vida”, pensava-se em acréscimos e nunca em regressões. “Nka Pur Si” no “Nha Vida” não deixa de ser um desarranjo assente na incapacidade, no oportunismo comercial e na asneira intelectual. Não fui consultado, e deu no que deu, texto truncado, descabido, sem nexo entre a melodia e a letra, esvaído dos traços mais comuns da geografia e pensar filosófico santiaguenses, dando cabo da natureza envolvente.



Nka Pur Si – registado no CD “Nha Vida”

Ai! Ai! Fidju fémia….
Min ka bá Lisboa….
Djan krebu djan krebu
Min ka bá Olanda…

Kel poku ki terra dá
Ku tra bá djuntá di meu
Lisboeta ka invejá
E Olandes ka fiká di riba

Djan krebu, djan krebu
Djan krebu fidju fémia
Dexan dezabri ku bó
Po da konta di nha nobu

Nta fazebu sinhorinha
Na midida bus dizeju
F’ka txutxutxe ponta margura
Na bainha mon d’se dono

Ai ai fidju fémia
Min ka ba Lisboa
Min ka ba olanda
Pamo min ka konsigui

…………………………..



NKA PUR SI (ORIGINAL)
             (Funana)



Dja-m krebu, dja-m krebu
Dja-m krebu fidjo fémia
Dexa-m dizabri ku bó
Pa-m da konta di nha nobu

Nta faze-bo sinhorinha
Na midida bu dizeju
Faka txuntxa ponta margura
Na bainha mon di si donu

Ayan! Fidjo fémia
Mi-m ka bá Lisboa
Mi-m ka bá Olanda
Má mi-m ka pur si

Kel poku ki terra da-m
N trabadja N djunta di meu
Lisboeta ka inveja-m
Olandês ka fika-m di riba

Praia, 23.05.1983 – Letra & Múzika – Kaká Barboza


Devo sublinhar que roubaram á melodia no essencial da sua estruturação. Não se partiu do Lá menor, simetrizado com Mi menor para cair em Ré Maior e depois ficar nos básicos Lá m e Mi m de sua marcação tonal. O próprio Paulino Vieira se enganou no disco Nka Pur Si quando apôs Ré menor, quando devia ser Ré Maior, lapso de que se desculpa “por ignorância”, confessa ele, todas as vezes que nos encontramos.

Este apontamento é um sinal de protesto contra uma clara atitude de desrespeito para comigo, autor do tema “Nka Pur Si”, contra o que se tentou chamar de adaptação, contra o encurtamento do céu da Ceuzany, um talento enrolado num autentico desarranjo musical, descaracterizante e barato. Irei discutir isso em fórum apropriado e sem demoras.

O disco “Nha Vida” mostra claramente a fragilidade com que a Harmonia Ldª caiu após o desaparecimento da Cesária Évora, cantora que dava força à nossa música e respeito aos compositores e músicos, além do substancial rendimento caído nas contas dos promotores.

Felizmente, teremos sempre o aberto céu das ilhas, todo ele contínuo, majestoso e inatacável no seu mistério de abençoar a nossa música e inspirar a viola e voz sem perderem a noção da caboverdianidade.

Pa más ki kabesa-l txeia é rabulisentu, margen é senpri txon di nubu rabentu.
KBarboza

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Poema de Meia Tigela



POEMA DE MEIA TIGELA


                                           Para os filhos da pedra

Filhos da pedra, onde finda, onde começa
O tramo da parede da fruta que vos pariu?
Onde principia a blasona, a praga onde termina?
E a fúria de saberem o tão incontável
É vossa inútil presença em todo onde há solarias?


Filhos da Gruta, da compulsão mais inconfessa,
De rótulos bastardos filhos da fraga,
Da pua do arco da ruindade e sua fístula,
Do pornográfico ventre da puta racha-madre.


Filhos da Bruta onde nasce e se abre o hediondo?
Do esterco jardim estreito berço de nascença
Onde a praga surge e floresce a cor do possesso
No ensanguentado sangue sôfrego e insalubre.

Filhos da Burla onde cresce e se tece o biombo?
Onde é afinal o final da proxeneta vossa e só vossa?
E onde tem tido origem os úberes donde acontece
Tão magra escória e louco e imundo truque?


07-02-2013 - Kaka Barboza

terça-feira, 15 de janeiro de 2013


                                           ELOGIO FÚNEBRE A TIO JOÃOZINHO


João Alves, de seu nome de casa, Nhô Djonsinho, epíteto que deu nome à rua onde morava, na Achada Santo António, de há 50 anos, natural da Ilha do Fogo, nascido a 06 de Abril de 1924, despede-se, é como se nos tivesse oferecido uma derradeira arcada longa, longa de 88 anos de melodias, de harmonias, de desarmonias, de consonâncias divertidas em “Dó Maior” e de chagas dolentes em “Si menor” e de ânsias futuristas em “Sol Maior”. Deixou-nos o mestre do violino, o pai, o cidadão, o amigo, o pedreiro de tantas pedras talhadas e de tantas paredes erguidas neste chão Pátrio.

Ele, João Alves, último da linhagem do meu falecido pai, acaba de nos deixar, para, na constelação dos grandes brilhar como aqueles cuja obra transcende os limites territoriais das ilhas que os viu nascer. A obra de João Alves é um rico testemunho de como se constrói e se protege uma família, de como se tutela os tomados e educados como filhos, de como se cultiva a benquerença.

Nhô Djonzinho Alves está no epicentro dos êxitos que marcaram e produziram a contemporaneidade do panorama musical caboverdiano. Músico, violinista com mãos de pedreiro, profissão que sempre abraçou com igual competência, que, de dia, de ferramenta em punho construía moradias, à tardinha ensaiava melodias, dando corpo à música com o violino que o acompanhou há vários anos e, aos fins-de-semana, animava os sítios onde era chamado a actuar. Para Nhô Djonsinho, a música representava um estado de espírito, mas ao mesmo tempo uma sabedoria que, com mestria soube tocar a alma dos filhos e de todos aqueles que compartiam dessa escola de virtudes.

No momento da morte de um grande, sentimo-nos demasiado pequenos para compreender e explicar a humildade, a tolerância e a grandeza de espírito dos homens de bem, acontecimento que neste momento se celebra. Contudo, somos suficientemente adultos para nunca esquecer deste ícone vivo e do legado a nós deixado, porque de grandeza humana e universal.

A memória de João Alves, do Tio Djonzinho, fixa-se no rosto da letra que dá nome à sua rua, e, fixa-se, também, para todo o sempre, na sua carreira musical, fazendo da música uma arma da continuidade do imprescindível ao sustento da identidade de um povo, mas também um instrumento de promoção da música e da civilidade e da promoção dos valores da cultura nacional. Por isso tudo, por tudo o que fizeste, construíste e nos deixaste, atrevo-me a dizer com toda a classe, provaste como se conquista o “ Mestrado na Universidade da Vida”.

Meu caro amigo, meu tio, meu artista, meu inspirador. Nada disseste. Não disseste se “Vais Voltar” para uma “Tocatina de Domingo” à varanda fresca da tua casa, ou para me contares as histórias antigas, as de como meteste os meninos no Lá-Mi-Ré da arte de criar arte.

Partiste com a idade do teu primo irmão, meu pai, 88 anos, de forma serena, deixando-nos mais tristes, mais sós e mais órfãos, mas, ao mesmo tempo, mais fortes, mais homens! Seremos, pois, na partitura das nossas vidas e da nossa indefectível consanguinidade, os novos maestros, os donos de mão segura do teu exemplo, como forma de honrar a tua memória.

Meu caro amigo, meu tio, meu mestre, meu artista, meu inspirador, se eu tivesse o engenho e a arte dir-te-ia coisas ainda mais lindas do que estas arrancadas do canteiro destroçado do meu peito.

Lembrando uma das tuas singulares arcadas e, orando, pediria ao “Senhor para escutar a minha prece”, dizendo-lhe que estamos aqui para nos despedirmos de ti. Dizendo-lhe que a suavidade da tua alma merece as honras e as excelências do paraíso que te acolherá.

Estamos todos, dizendo-te, num curto adeus de sonoridades, que ouviremos as tuas melodias para que a tristeza se converta num fio de esperanças novas e de dias cheios de ventura e de fraternidade.

Descansa em paz, no reino do Senhor, disse a Igreja de Deus, e na paz dos poetas, cantores, criadores de boniteza e de embalos, dir-te-emos.  Até sempre.

Praia, 14.01.13 – Carlos Alberto Barbosa - Kaká Barboza



sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Ódio aos Barbosas




Viram no LiberalOnLine o que disseram da familia Barbosa!

Dos BARBOSAS!...

É um ORGULHO saber que a nossa larga e longa familia, OS BARBOSA, tem árvore genealógica sadia, porque nós respeitamos a história e a memória dos nossos ascendentes.

Contrariamente, os Filhos da Pedra não gozam desta felicidade enorme - ter referências familiares antigas, tão antigas quanto a terra que hoje os suporta a todos - já que bastardos foram e de sanguinidade incógnita são, para todo o sempre.

            Carlos Alberto Lopes Barbosa - Kaká Barboza



quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Jon d'Ebra 1 Projecto +

O caboverdiano tem de deixar de ser carrasco de si próprio.

Aborrece-me a atitude de cabeça sem ambição e de cabeça de pobre que enferma as ilhas e muitas vezes as iniciativas dos outros, dos sonhadores e dos ambiciosos.

Li no ASemana o empreendimento para Jon d'Ebra em S. Vicente, um bom empreendimento que vai gerar muita coisa de bom para a Ilha e Mindelo. Mas os carrascos, os matadores do futuro, começam já a comentar, questionando o acesso ao lugar, o turismo interno e outras coisas aberrantes, como os impedimentos de os naturais de lá irem gastar e se divertirem no máximo. Não deixa de ser uma atitude de coitado, aquele que dorme com a cabeça por lavar, com o seu trapo, com o sovaco embutido na charneca da sua mente doentia, que só a morte é o remédio santo.

Felismente, e felizmente, há uma juventude esclarecida que já sai para muzicar na rua junto dos ouvidos moucos, que querem trabalhar, que desejam ser gente, vivendo da sua renda na su...a ilha natal e ali progredir e construir o seu futuro.

Espero que seja esta mesma juventude a fazer frente aos carrascos das iniciativas dos outros, sobretudo iniciativas que trazem valor acrescentado à vida das ilhas.

Espero que o grande empreendimento se realize e depressa, para que a cidade que me viou nascer entre numa nova dinâmica de trabalho, de rendimento, de oferta e edificação de espaços que enobrecem S.Vicente, gratificam os empreendedores, e os cidadãos de boa fé deste país.

Espero ver aviões em Cesária Évora, passageiros, taxis, gente nova, novos hábitos, vendedores, guias, casas de lazer, casas de pasto, restaurantes, ateliers de artezanato, carnaval, São Silvestre, Dia de Sâo Vicente, a movimentar dinheiro, beneficiando, também, a minha querida ilha de Santo Antão que tem muito para oferecer aos visitantes.

A minha esperança é, também, antes de morrer, ir lá conviver com o belo, desfrutar o ambiente, comer, dançar e, porque não, tocar as minhas músicas apoiado pelos belos instrumentistas de Mindelo, sem olhar para quem tem, quem não tem, cor e raça.

Não sou carrasco, nunca fui e peço aos meus admiradores e amigos que não o sejam, nunca, de ninguém e de nada... Txâ VIDA vivê... e txâ contecê!....

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Bilhete de Desabafo


                                     Bilhete de desabafo

Após a net ter regressado à minha rede deixo este bilhete de desabafo para o FalamentoBarbosa.
Ontem foi o maior dia dez deste ano na grandeza das duas horas e trinta minutos de comunicação científica do irmão Barbosa, Júnior, perante um júri de elevada craveira investigatória.

O meu irmão, o quinto da coluna Barbosa, Alberto Barbosa, júnior defendeu a sua tese de Mestrado, alcançando 18valores na escala da classificação aprovada pelos Coordenadores da UNI-CV, para este nivel de examinação.

O Estado e a Segurança Pública foi objecto de pertinente dissertação do candidato a Mestre, Alberto Barbosa, comunicação presenciada por uma grande comitiva Barbosiana e de mais de uma dezena de oficiais superiores da Policia Nacional, particulares e alunos interessados na matéria.

O leigo atento saberia entrar neste discurso académico pelo facto de a comunicação ter sido feita de forma inteligível, clara e sem palha, onde o rebuscar de informações, de factos, de comparações com outras realidades, passadas e actuais, de experiencias vividas pelo próprio, conferiram ao texto uma visão histórica e social da criação e implantação da Polícia em Cabo Verde, caracterizando o seu percurso, o seu estado actual, mas também deixando pistas de como alicerçar, cito, o orador: uma policia cidadã, defensora das liberdades e garantias dos cidadãos, mas sem deixar de ser o garante da ordem e da tranquilidade públicas. Foi deveras uma experiencia nova prenhe de ensinamentos contidos na argumentação do candidato, e nos questionamentos do arguente, Dr. Semedo, cuja pertinência das suas análises tornaram ainda mais rica a defesa da tese em Mestrado numa área pouco conhecida e de escassa documentação de estudo produzida internamente.

Como irmão mais velho da coluna Barbosa não podia deixar de vincar o quanto me senti honrado e feliz por ver a farda da polícia ostentada pelo nosso falecido pai - Alberto Barbosa - durante anos, elevar-se a este patamar prestigiante em que o Superintendente Barbosa, Jurista e Mestre em matéria de Segurança Pública, caso pioneiro, tão pioneiro quanto foi a dissertação sobre o tema a que ele propôs desenvolver e apresentar perante a competência de um respeitoso e destacado júri. Vivi momentos de muita emoção.

Quero neste Bilhete de desabafo deixar um rijo abraço ao Mestre Barbosa, uma palavra de reconhecimento à família - esposa e filhos - que foram, sem dúvidas, um grande suporte moral e afectivo, reconhecimento extensivo aos manos que de perto e de longe estiveram conectados com este dia de rejúbilo.

Do mano velho
Carlos Barbosa



RAPIZIUS

                                                                                                         MINHAS AMIZADES COM DIAHO ...