domingo, 12 de junho de 2011

Duas Portas Abertas

                   DOMINGO OU DIMINGU

O domindo é para mim como chaveiro de muitas portas e por assim ser vou abrir apenas duas portas para os meus amigos olharem para dentro.

1 PORTA. Faço-o há montes de anos. Hoje vou preparar o almoço assim: Sopa de salsa para aliviar os orgãos internos e tirar as gorduras de ontem do esqueleto.
Estufado democratico de cabeça de peixe (diversas cabeças), banana madura frita, manga com sal e malagueta, tomate e alface e massa fininha, regado com vinho do Fogo, isto é, Manecom por ser doce.

         2 PORTA.  Acabo de terminar o livro CLAROS D'ALMA & SOLOS de cerca de 250 páginas. Um antigo professor meu vai lê-lo e rever a escrita e abro com esta nota:

"A estada de dois anos e dois meses em Assomada a trabalhar na Câmara Municipal de Santa Catarina estimulou e ajudou-me a recuperar memórias, a revisitar os lugares, os sítios, as ribeiras, inclusive a reavivar relações com as pessoas conhecidas no passado, algumas delas próximas da casa dos meus pais. As noites de grilos, as madrugadas friorentas e o peso do silêncio também ajudaram bastante na síntese das notas tomadas na agenda de bolso e em pedaços de papel ao longo de vários anos.  Quis com esta obra contemplar aspectos e momentos simbólicos vividos em Santa Catarina, Boa Vista e São Vicente, espelhando sentires e vozes do meu espírito, mas também ilações tiradas das andanças pelos caminhos vicinais da vida, onde o paisagístico, o humano, os factos, as lendas, as crendices e vivencias se evidenciam e se intercalam naturalmente e onde a prosa se confunde com a alma da terra.

           Repetindo o já dito no texto: «Na vida nada sucede ao acaso. O que dela resulta vem de provaçôes, estágios e motivações». Assim, ao tornar público o conteúdo deste livro, pretendo que, no acessório, ele seja tido como uma simples dádiva, a minha fácil dádiva aos que dela queiram tirar algum proveito, esperando ter reabilitado heranças testadas vez única na vida justamente por ocorrerem em espaços e lugares outros, com gentes, crenças e cultura também outros, e ainda em tempo e conhecimentos bem outros. " BK

sábado, 11 de junho de 2011

Notas de Fim-de-Semana


             Duas notas de fim-de-semana

1.  Todos os dias às sete e meia da manhã a voz do chefe de obras chama pelos trabalhadores. Entre os doze ou treze homens nenhum é caboverdiano. Eles são da Guiné. Num falar rápido (português provinciano) ele dá as instruções do dia. Ao meio da manhã o chefe aparece de novo para controlar o andamento do trabalho. O falar alto dele é denunciador de  que as indicações dadas não foram cumpridas.

 De forma discreta perguntei ao encarregado e os outros se entendiam bem as instruções que lhes eram transmitidas. As respostas foram estas: “Não entendo tudo mas apanho qualquer coisa”. “Não consigo entender tudo, mas entre colegas desenrascamos”.“Ele fala rápido e se a gente perguntar algo ralha-se connosco”. Pareceu-me que: Politicamente as províncias ultramarinas eram portuguesas e humanamente nunca o foram por razões de óbvias.

2. O encontro de ontem, dos homens da música com o Sr. Ministro da Cultura, foi bom e as ideias lançadas e as propostas assim como estão delineados são curiosas e podem produzir grandes efeitos se levados à prática.

    Do meu ponto de vista há a considerar o seguinte: uma coisa é as ideias, outra coisa é as deliberações e outra coisa ainda é a realidade material e humana que as suportam e as dão sentido e significação prática. Aqui nesta terrinha não faltam sonhos, ideias e desenrascanços, mas é onde também muito boa gente não se apercebe que a magia do discurso cria nela a ilusão do já conseguido como se o anúncio de uma decisão é ter o cobiçado boi na corda.

    Às vezes, decidimos num sentido enquanto a realidade corre noutro sentido. Não quero, de modo nenhum, desfazer-me da muita coisa boa dita no referido encontro de músicos, mas a meu ver há questões básicas que têm a ver, primeiro com a aquisição de gestores aptos, práticos e de qualidade, capazes de cumprir as regras definidas e fazê-las cumprir juntos dos interessados,  segundo com a coerência e a confiança que deve existir entre os que comungam dos mesmos sentires e ambições, e terceiro com o associativismo das classes urbanas. 

    Não me causa espanto nenhum o facto de na nossa terra as regras firmadas, em muitos casos, não passarem de bonitas decorações jurídicas, sem que na prática ajudem a moldar opiniões,  posturas e sobretudo o cumprimento dos deveres e as obrigações entre as partes interessadas.

    Ser-se cidadão culto e apto não basta um Adão astuto avistar o paisagístico e residir na cidade, assim como fazer ou criar cultura não é vogar no jorro das modas e avassalar apoiantes de rua. Por mim, enquanto o culto da cultura não passar pela aprendizagem didáctica, muito do que existe e faz-se não passam de frenesis onde a curtição prevalece sobre o que de direito à cultura devemos dar e dedicar com respeito.  (KB)

domingo, 8 de maio de 2011

A Mulher que Marcou a Minha Vida


                     CISMA DE MÃE  

As nossas mães ilhenhas são seres deveras inimagináveis que nenhuma sabedoria conseguiu ainda decifrar a marca do bálsamo que derramam sobre os filhos, para os fortalecer e engrandecer, não importa a idade, o estado e a distância que os separa. Elas agem como sondas de comprido alcance que de longe detectam as suas inquietudes, e animam, ao mesmo tempo, como uma angra acolhedora do aventureiro esgotado. A minha mãe não foge de pertencer à dose rara de mulheres vindas à luz do mundo para serem deveras mãe de filho. Sim, mãe de filho de verdade que só se compara a uma pura lançadeira que tolera todas as linhas com que a compaixão é embainhada.

Com a idade que tenho o que ela ainda faz por mim só estando no sigilo da sua alma, para se avaliar quanta bondade corre em cheia na sua condição de mãe. Dificilmente crê que não passo precisão, que não padeço de assistência e coisas do género. Não por me julgar imaturo ou querer me amparar desnecessariamente. É cisma de mãe. Sempre que vou visitá-la diz a desafiar-me: «fosse só por mim, não saías desta casa». Estando ela avisada da minha visita o pratinho de comida sob a toalha era coisa sagrada, a roupa autêntico enxoval de um príncipe e aquela amabilidade e o doce riso ascendente no seu olhar não era simples regalo, era significação pura da benquerença que nenhum saber era capaz de dissecar.

Eram oito horas da manhã de Sábado quando apareci para cumprir o que tínhamos combinado na antevéspera entre nós os dois. Passar o fim-de-semana junto. À porta, ela mais o Bala, nosso cão, filho de cão de raça, estavam à minha espera. Ao ver-me, o animal lançou-se veloz ao meu encontro. Festejou tanto que só faltava confessar tudo o que vinha guardado na sua cabeça. Tempo em que eu levava a partilhar abraços e beijos com a mãe, as patas grossas dele buscavam magoar-me de tanto querer também me abraçar. Este airoso cavalheiro de pêlo pardacento empregava tamanha força que as suas brincadeiras pareciam estupidez. Não admitia gente mal trajada nas proximidades da casa quanto mais à sua frente. Buscava pô-la sob cautela. Um dia pondo-se em fuga pelo portão embateu duro contra as laterais de um automóvel em marcha, tanto a sua dona e o dono do veículo ficaram sem saber o que dizer um ao outro. Felizmente o pior não tinha acontecido. Após vagabundear um bom bocado, coxeando ligeiramente o bicho deu entrada no quintal indo acomodar-se no lugar de costume, a respirar ritmado com a língua de fora e as orelhas a bambolear feito cata-vento, como se pretendesse captar se os comentários lhe diziam respeito.

                À mesa da sala de jantar sob a toalha estava o binde de cuscuz de canela, bule de café ainda quentinho, omeleta de linguiça de terra, o canecão de leite dormido, queijo de leite cabra e carne assada de porco. Um café de lorde. Aos fins-de-semana o café da manhã era mesmo assim. Mesa recheada, melhor dizendo, comida à vontade no dizer da tradição da terra é para contrariar a má-língua – panela justu é bokadu kontadu – (panela à justa o bocado é contado). Sentámo-nos à mesa. A meu lado, a mulher sentia-se bem. Não se queixava das dores lombares nem de coisa nenhuma. Esquecia-se de tudo inclusive do tubinho de diazepan que rigorosamente trazia na algibeira do avental oferecido por mim no dia dos seus anos. Enquanto comíamos, conversávamos cada hora uma coisa, a sorrir e a troçar um ao outro.  

PS. Se por um um lado fiquei amputado de algo inexplicável com a morte da minha mãe, por outro lado conforta-me o facto de ter partilhado com ela vezes sem conta a minha escrita, momentos inesquecíveis em que a atenção dela parecia reviver a vida dela  junto a nós, os filhos.
Eterna saudade. Kaka Barboza

sexta-feira, 6 de maio de 2011


Se Deus é amor!..
O que é o desamor?
Por se amar irar-se amando pecado é?

Baixem o patamar do tornozelo
E calmamente caminhem por esta magra courela
Compenetrada no silêncio de um gosto irado de tanto amar.

Quem o suor vertido do abrigo do corpo-chão seu
Lavar a tola dos deslavados aceita?

No amor é nada viril
O atino do não se pecar por ira.

Cavem aqui companheiros e provem o sal-i-sucrato
Deste gostirado de tanto amar.
KB

sábado, 30 de abril de 2011

desMaios em Poesia


Se sou! Não me dá calor
Hoje áspero sal ou ainda fel.
No peito cedo demais
Escaldou-se meu ovo de amor.
Amarelo da cor do caju a gema era
Fundiu-se claro com clara
E desmaiou.
Incolor apodreceu e derramou-se. 
Mas já houve tempo em que fui mel.
Aprendi a amar claro o destemor
Amigo grato imposto
Ungido por línguas de fogo.
Tange-me hoje outro amor.
Importava nada que certos deles
Couros sem serventia e de vontade reles
Arrebatados fossem por um endiabrado vento  
                             E de vez
Se revezarem no seu paladar grotesco
Que ilegitima o sossego do tempo
                            E de outros homens
                            E
                   Se conjuntamente tiver de ir
                    Partia p’ra os atiçar fresco
                             No sótão a pique
                            Fundo e refundo
                                 Do inferno.
                                          KB


sexta-feira, 29 de abril de 2011

Poema em Silencio



Oblata à Mãi Maria      


Rendido no secado terral silencioso
Meu palpitar deslizava vacilante 
Sobre os deuses que dispõem dos seres.
Curvado no teu jazigo grandioso
Meu palpitar resvalava hesitante  
Sobre o tempo que o silencio enobrece.

Em volta dos abertos braços negros
Do lenho que Abril a lápide enlaça
Há cânticos, flores e mil segredos
Há preces ao alto Céu por ti Graça
Da Maria mãe que á luz filhos destes
Que vindos não para fenecer de “graça”.

Se na tumba imóvel jazem fervores    
Que no canto e na poesia revivificam.
Se em tua glória repousam brancores   
Que o sadio e o falso da vida lenificam.
Deste peito varão incapaz de vacilar   
Irrompe a flama para teu nome louvar.    
   Kaka barboza
Praia, 29-Abr-2011

sexta-feira, 1 de abril de 2011

ANONCIO DE CANDITATURA


Para os duvidios enfeitos tenho a hora de comunicar vocês todos e o poblicu caboverdiano dentro e fora das ilhas maternas que decidi agora mesmo cantidatar-me para a carga de alto manistraido da noção.
Vários actiores colturais e outras figuras da acidadania altiva me tive precisionado nestas últimas horas do dia para me colocar publicamente à discizão perante os aleitorados do na chão inteira para alinhar na corrida ao Palácio em cima da Praia.
Não pensei duas ou tres vezes perante os mails de conteúdo graciosos e favorável dos tocadores, cantadores e cantadeiras, corneteiros músicais de todas as manifestrações e tendencias e quadraturas do nosso universo coltural incluindo ouvidores de música, Didjeis, produtores e vendedores de Cds pirata.
Os apoiadores da área musical meus apoiantes sem reservas:
Daniel Rendall, Africano, Manel di Candinho, Kim Alves, Tó Alves, Jorge Netu, Tei Barboza, Txeka, Júlio, Djoy Amado, Constantino Cardoso, Vlu, Hernani, Djoska, Txenta, Silvio, Pé di Galo, Tey Batarista, Leonel, Lura, Mayra, Djinho, Albertino, Zeka Kouto, Kizó, Angelo, Raul, Bau, Voginha, Dany Mariano, Rosa Mestre, Talentos de Santa Cruz, Rapazes di Porto Riba, Pó di Terra, Bawtukinhas, Nhela Spencer, Adão, Eduino, Balila, Bityina Lopes, Diva, Antero Simas, Mirri Lobo, Xiomara, Iza Pereira, Celina Pereira, Malta Zé Lovi, Betu Dias, Grace Evora, Xando Gracioza, Princezito, Rapazis Sem Juiz, Azaias, Zé Cabra, Bino Barros, DJAN KANSA.

Apoiadores da área Liturária: Prefiro pôr os Sócios da Associação de Escritores Cabo Verdianos, Os Sócios da Sociedade de Autores Cabo Verdianos, os rabiscadores de poesia e ensaidadores de escriturações.

Jor nalistas Radio, TV e Papel: Desconfio do seu apoio total embora a Rossana, Júlio, Elisangelo, Santos Nascimento, João Pires manifestaram o seu indectiavel apoio.

Apoiantes emsur dina: Muitos, visivelmente Jorge Garcia, Monteirinho, Pedro Rodrigues, Raul e Ana.

Apoiantes desca rados: Maria Regaia.

Apoiantes di versos: Familhas.

Preocupações do Cantidato: Acabar com as bogigangas nas lojas china e aumentar o consumo da cultura musical nacional verdadeira e agriculturar música de qualidade.
Limitar o circulamento e auditoria de músicas pimba, nas Radios, TVs, Hiacis e carros de passeio. Tudo com dinheiro do kan-kan di dimóni.
Kb

RAPIZIUS

                                                                                                         MINHAS AMIZADES COM DIAHO ...