A Volta dos Corvos



                            «Cabo Verde está acima dos interesses mesquinhos dos partidos políticos».

                             Quando oiço esta frase escapolir do céu-da-boca de gente de má inclinação, gente que devia tudo fazer na vida menos estar na política, fico deveras a pensar no que dizia o meu falecido pai: «Ómi rokadu ta koima santxu» - homem sem saída coima o macaco - (santxu é animal selvagem de Santiago) – .
                             Dentro de uns pares de meses vamos de novo ouvir sair do céu-da-boca dessa gente incómoda a mesma coisa. A mesma coisa dita na década política passada e repetida de sotavento a barlavento e em todos os palanques esverdinhados de verdades helicoidais, pondo-se sobre o tapete o corvo chefe, os amigos fixes e outros amigos, numa autentica coligação corvídea a grasnar em uníssono projectos... projectos tudo em prol da edificação de uma terra decente, de emprego para todos, de desenvolvimento sustentado, de maior crescimento económico, de mais transparência, de mais meios, de mais recursos, de mais riqueza, claro, de menos mufineza etc etc. e não podia ficar de lado esta outra ideia de fundo... uma terra sem medo onde não haja lobos vestidos de cordeiro... porque vamos  REGRESSAR AOS AUREOS ANOS NOVENTA, fingindo que nunca protagonizaram golpes financeiros e a promoção dos seus interesses pessoais e dos seus compadres. Fingindo desconhecer que a República de Cabo Verde se tinha esquecido de si própria porque virado merada’ de um bando de corvos sortudos que levantaram voo com dinheiro cru ... ECV, USD DOLARES, EUROS e terrenos, e casas, e carros de marca e empresas e o stablishement concordante.
                              O diabo é que estes mesmos corvos preparam-se para voltar à terra lavrada, bem semeada e bem cuidada, como se nada tivesse acontecido, para atacarem, devorarem e matarem a fome torturante do TROCO MISGO. Importava nada que certos deles /couros sem serventia e de vontade reles /arrebatados fossem por um endiabrado vento e de vez / p’ra se revezarem no seu paladar grotesco /que ilegitima o sossego do tempo / e de outros homens // E se conjuntamente tiver de ir / partia p’ra os atiçar fresco no sótão a pique / fundo e refundo do inferno. «Ext. do livro Chão-TerraMaiamo».

                                Daqui a uns pares de meses a sociedade cabo-verdiana irá ser agitada pelas campanhas eleitorais, onde cada uma das formações políticas irão apresentar as suas propostas buscando o apoio do eleitorado como forma de acederem ao poder pela via legal, legitimando o mandato e, oxalá, não venhamos a verificar os abusos antes cometidos pelos “corvos esfaimados” disseminando promessas absurdas, fazendo da política o meio de dissensão, do estabelecimento da confusão e de provocações absurdas e das mais grosseiras.
                                Contudo não sabemos se os que querem fazer política vão primar pelo equilíbrio, e não pelos extremismos alienantes da rebeldia arrogante que insulta e violenta a todos com o disparatar do verbalismo inflamado a incendiar com a discórdia o campo da paz interior de cada um, seja ele homem, mulher, jovem ou mesmo criança.
                                 Esclarecer, é que deve ser o fiel da balança e por que devem pautar as formações políticas em disputa e deixarem as carolices ou impertinências dos ideólogos quixotescos que pensam revolucionar o mundo, no disparatar acidulante da verborragia desvairada e no matraquear desnecessário dos propagadores da discórdia.
                                Ta fladu ma seriedadi di palavra é txabi qui ta forma vontadi y ma povo é ki é altar di concórdia.
KB.

Prefácio da obra Gruta Abençoada

NOTA DE LEITURA Boa Entrada é tudo menos lugar erótico, mas, sim, uma ribeira exótica e cativante, situada na margem direita da sed...